Todos os lados do amor
9 Maldito primeiro beijo
Notas iniciais
Santana estava sentada fingindo que lia o jornal em sua mão a mais de meia-hora. Ela acompanhava cada movimento da mulher a sua frente em silêncio, e suspirava sempre que Rachel fazia um passo engraçado. A judia adorava cozinhar ouvindo música, aquilo lhe deixava leve. A latina sabia que momentos como aquele tinha se tornado raros naquele apartamento. Vê Rachel cantando e sorrindo era sempre bom, pena que a diva não fazia isso com tanta freqüência.
A latina continuou assistia a cena de rabo de olho até a morena se aproximar e tomar o jornal das mãos de Santana.
_ Hey! _ Santana exclamou enquanto Rachel sorria de modo travesso para ela.
_ Preciso de uma parceira de dança Lopez.
_ Você enlouqueceu se acha que eu vou dançar essa música horrível anã.
Rachel ouvia um de seus clássicos da Brodway. A latina já conhecia todas aquelas músicas e gostava de várias, mas jamais falaria isso em voz alta. Rachel sabia que ela não iria topar dançar aquele ritmo então se voltou para o balcão onde seu Ipod estava e mudou a música. Assim que os primeiros acordes ecoaram na cozinha o coração da latina falhou uma batida.
_ Isso é o que eu estou pensando? _ Santana sorriu leve.
_ Você tem que dançar comigo San.
La isla bonita tocava alto e Rachel tentava imitar os passos feitos pela latina, que a essa altura gargalhava. A diva já estava se irritando quando Santana se aproximou mais e envolveu a morena pela cintura. A latina começou a se mexer lentamente no ritmo exato da música. Rachel foi acompanhando, mas sua cabeça parecia dar voltas, seu corpo inteiro estava arrepiado. O estado de Santana não era muito diferente, ela sabia que não poderia se deixar levar por Rachel dessa forma. Mas o cheiro da pele da morena estava lhe tirando os sentidos e antes que as coisas piorassem se afastou de Rachel bruscamente deixando a diva confusa.
_ Santana? Você está bem? _ Rachel tentou se aproximar novamente.
_ NÃO!!! _ Rachel se assustou com o grito da latina _ Quer dizer, sim! Olha eu preciso sair ok?!
_ Espera San! Você não vai almoçar comigo? _ Santana parou um instante, ela queria ficar. Mas não tinha certeza se poderia se controlar perto da morena.
_ Desculpa Rach. Eu lembrei que preciso resolver umas coisas lá do estúdio. Fica pra outro dia.
Rachel ficou observando Santana sair apressada. Ela não entendia e nem lembrava de quando aquela tensão sexual começou a rolar entre as duas. A cada dia que passava as coisas pareciam piorar, mas nem ela e nem Santana estavam dispostas a arriscar a amizade que lutaram tanto pra construir. As vezes era impossível de controlarem, mas sempre umas das duas botavam um freio nas coisas antes que fizessem besteira. A morena se pegava cometendo o mesmo erro novamente. Era uma situação quase semelhante a que ela tinha vivido com Quinn.
Já tinha se passado anos, mas ela sempre iria se arrepender daquele beijo. Aquele maldito primeiro beijo que tinha arruinado sua vida. Ela e Quinn nunca deveria ter saído do campo da amizade. Ela teria sofrido menos. Tudo teria sido diferente.
Ainda lembrava de tudo. Todas as lágrimas, todos os momentos ruins. Ainda sentia falta da loira, muita falta. Mas seu coração ferido começava a se recuperar. Ela sabia que amaria Quinn Fabray até o fim de seus dias, mas a mágoa deixada pela ex-cherrio não saia do seu peito. Estava na hora de seguir em frente, mas Santana não poderia ser uma boa opção.
As notícias corriam feito foguete no Mckinley. E não podia ter sido diferente com a tão esperada subida de posto de Quinn Fabray. Aquele sobrenome já eram lenda por lá e com Quinn não poderia ser diferente. Já fazia três semanas que Quinn tinha assumido o posto de capitã das Cherrios. Três semanas que não tinha contato com Rachel, não por falta de tentativas, a loira tentava a todo custo ter uma conversa com a judia mas parecia impossível. Sue não largava do pé da Fabray. E Rachel já não estava mais agüentando aquela situação. Tudo começou a desmoronar.
Sue começou a dá ordens para suas meninas, e todas elas envolvia transformar a vida de Rachel Berry em verdadeiro inferno. Aquele era o teste de Quinn. Raspadinhas diárias, xingamentos, apelidos maldosos. As cherrios não pouparam esforços para infernizar a vida da judia. Ela parecia não se abalar e Quinn a cada dia se amaldiçoava, mas não tomava nenhuma atitude para impedir aquilo. Ela gostava do poder que Sue lhe deu. Ela realmente tinha aquela escola nas mãos. Nesse pouco tempo a nova Capitã da Cherrios já tinha até sido capa de revista. Quinn estava no topo. Mas sentia uma falta absurda de Rachel e começou a tentar uma reaproximação.
Tentou conversar com a morena na escola, mas Sue sempre dava um jeito de estragar as coisas. Ligou várias vezes, deixou mensagens, bilhetes no armário, foi até a sua casa, mas os pais da judia sempre diziam que ela não estava em casa ou que estava dormindo. A irritação de Quinn só crescia. No domingo a tarde resolveu caminhar um pouco para tentar relaxar. Decidiu que seria uma boa ir até a praça. A praça na qual conheceu Rachel. Pensar na morena lhe causava uma certa angustia. Ela poderia negar quanto quisesse, mas lá no fundo ela sabia que estava completamente apaixonada pela judia. Tudo que Quinn esperava era que Rachel entendesse que ela não estava pronta para assumir aquilo. Ela lutou demais para se tornar alguém, não queria ser motivo de piada de novo. Quinn Fabray nunca mais seria ridicularizada por ninguém.
A loira foi tirada de seus pensamentos quando ouviu uma risada familiar. Sentiu o peito aquecer e seu sangue ferver ao mesmo instante. Rachel estava deitada na grama enquanto Finn lhe fazia cócegas. A morena parecia feliz. Fazia muito tempo que a loira não via aquele sorriso. Ela não podia acreditar no que estava vendo. Finn se aproximou mais um pouco parando as cócegas e beijou Rachel de forma decidida. Quinn sentiu as pernas fraquejarem. Mas ela não poderia ficar ali. Ela não agüentaria vê aquilo.
A loira chorou muito no caminho de volta pra casa. Aquilo tinha que ser coisa da sua imaginação. Ligou pra Rachel várias vezes durante a noite, mas como sempre, foi ignorada. Naquela noite ela chorou, mas tomou uma decisão. Rachel lhe devia explicações e dessa vez ela não iria fugir.
Assim que a loira entrou no corredor principal no dia seguinte, todos se calaram e paralisaram. Era assim todos os dias, os alunos todos se encolhiam contra as paredes e os armários para que a Trindade Profana entrasse na escola. A loira deu uma olhada rápida à procura de Rachel. Assim que viu a pequena judia perto de seu armário caminhou com passos firmes. Alguns alunos afastavam deixando o caminho livre para a capitã. Aquilo estava começando a irritar a Fabray. Santana e Brittany a seguiram de perto, até mesmo Brittany com sua inocência sentiu o cheiro de confusão.
_ Por que você não atendeu as minhas ligações ontem à noite Rachel? _ O tom e o olhar de Quinn era duro.
_Eu não tenho que dá explicações sobre minha vida Quinn. Agora por gentileza saia da minha frente, além de está chamando muita atenção, preciso ir para sala. Não quero me atrasar, afinal eu não sou protegida por Sue Sylvester. Certo Capitã?_ Rachel já ia se afastando quando sentiu um puxão no braço.
_ Por que você está agindo assim Rachel? Eu exijo explicações sim.
As duas ficaram se encarando, elas nem se deram conta de que todo corredor estavam atentos para a pequena discussão entre as duas. Foi Santana que achou melhor intervir antes que aquilo se tornasse pior.
_ É melhor você se controlar Fabray, as pessoas podem interpretar muita coisa errada.
Quinn pareceu pensar um pouco. Com a postura firme se virou para o corredor lotado, os olhares curiosos a irritaram mais ainda.
_ O que vocês tanto olham? Vou dá exatamente cinco segundos para todos vocês desaparecerem das minhas vistas, ou eu mesma vou fazer um por um implorar pra sair dessa escola.
Não foi necessário Quinn contar, os corredores começaram a ser esvaziados de modo rápido e desesperado. Santana tinha um sorriso maldoso nos lábios. Quinn sabia ser má quando queria, a latina admirava isso.
_ Dá pra me soltar agora Fabray? _ Quinn não tinha se dado conta que ainda segurava Rachel pelo braço.
_ Ainda não! Santana vá se pegar com a Britt e me deixe em paz.
_ Olha aqui Fabray, eu não recebo ordens suas. Mas eu vou deixar vocês duas a sós. Sugiro que não tenham essa conversa aqui no corredor. Não seria bom pra ninguém se a DR de vocês chegassem aos ouvidos da treinadora.
Santana saiu com toda a sua pose bitch arrastando Brittany pelo mindinho. Quinn sabia que a latina tinha razão e arrastou Rachel, que não parava de reclamar, para a sala do Glee Club.
_ Eu não sou seu brinquedo Quinn. Você não pode ficar me arrastando como uma criança pelos corredores da escola.
_ Você está saindo com o Finn? _ A voz de Quinn quebrou.
Rachel observou a mudança no rosto da loira, seu coração se apertou, mas ela precisava se manter firme.
_ Desde que você virou Capitã minha vida virou um inferno Fabray. Você não moveu um só dedo, nem uma só palavra. Eu passei as duas piores semanas da minha vida. O Kurt sempre estava tentando me ajudar, mas era impossível por que as coisas também não estão muito boas pra ele. Finn foi único que se preocupou de verdade comigo.
_ Você se dizia louca por mim e agora você está com ele.
_ Você está se escutando Quinn? Por que as coisas que saem da sua boca não fazem sentido _ Rachel sentiu as mãos tremer de raiva, Quinn estava lhe jogando toda a culpa. _ Eu fiquei aqui te esperando todo esse tempo. Você simplesmente me desprezou por duas semanas enquanto todas as lideres de torcida, que por uma mera coincidência você é a capitã, me xingavam, me humilhavam. Como você acha que eu me sentir?
_ Rachel ... Me desculpe! A Treinadora não deixa eu me aproximar de você e eu preciso dessa popularidade. _ Algumas lágrimas já molhavam o rosto de Quinn.
_ É bom finalmente saber a sua escolha. Você não passa de uma garota assustada Quinn. Prefere agradar a todos e esquece da própria felicidade. Eu não vou ser nem seu brinquedo e nem o seu segredo sujo.
_ Você não me entende Rachel.
_ Entendo sim! Você é uma garota solitária, cresceu a sombra da perfeição da sua irmã mais velha e do autoritarismo do seu pai. Tudo que você quer ser é metade da Frannie. Mas saiba de uma coisa Quinn, você não é ela. Você é uma garota que tem que encontrar seu próprio caminho.
_ Eu não vou aceitar que as coisas terminem assim.
Rachel saiu da sala deixando Quinn sozinha. A judia sabia que aquela conversa não levaria elas a lugar nenhum. Tudo que ela queria era que Quinn pelo menos admitisse que sentia sua falta e que também era apaixonada por ela. Foi ali que ela começou a se arrepender daquele maldito primeiro beijo.
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