Notas iniciais
E retornamos a 2019, agora com um visitante especial... Espero que gostem! Aproveitem a leitura!

O despertador toca e Heike sente um novo peso, como se a gravidade estivesse mais densa. Seria resultado da noite mal dormida ou de uma pesquisa sobre o tempo que a fizera virar a noite? Ela olha em seu relógio: o ponteiro girou ao contrário? Não. Ela balança a cabeça e levanta. Quando chega à cozinha, encontra Ana terminando seu café.

— Bom dia! – Ana diz.

— Bom!... Quando chegarmos à faculdade, chame o Max. Você sempre sabe onde ele está – e essas foram as únicas palavras que dissera à mesa.

No caminho para a faculdade, Heike manteve o olhar na pasta em seu colo. Ali estava a pesquisa da noite. Será que estava bom? Seria uma boa apresentação? Esperava que sim.

O carro parou em um sinal vermelho e ela desviou o olhar para a rua.

— O seu relógio... – Ana chamou sua atenção. – Ele também deu algumas voltas no sentido anti-horário ou eu estou ficando louca?

— Eu vi apenas uma.

O sinal abre e as duas ficam em silêncio. Pelo menos não foi a única que vira; talvez fosse um sinal de que não estava ficando louca. Ou seria um sinal de que estava ficando louca junto com a melhor amiga?

Ao chegarem na faculdade, já não pensavam mais na pane do relógio. Ana foi procurar Max e Heike, direto para sua sala. No caminho, um anúncio da faculdade a relembrou do assunto: “Alunos e professores, pedimos que todos se baseiem por seus próprios relógios. Houve um pequeno problema com os relógios da faculdade, mas já está sendo resolvido”.

Não fora apenas com elas, então. O que era aquilo, afinal? Um surto coletivo ou algo real? Enfim, não importava; precisava arrumar a apresentação.

Meia hora já havia se passado quando sua amiga chegou com Max.

— Então, Heike... – ele começa.

— Leia isso. Você precisa saber sobre o que iremos falar, como iremos falar e na ordem certa. Não modifique muitas coisas, por favor. Isso demorou a madrugada inteira – Heike entregou alguns (muitos) papéis para Max.

Então vamos fazer a máquina do tempo?! — a voz dele ficou um pouco esganiçada.

— Não. Nós vamos apresentar a ideia para os professores – ela entregou os outros papéis para Ana. – Se ele gostarem, nós faremos. Se não gostarem, nós repetimos e... eu me formarei apenas ano que vem – se deixou cair na cadeira.

— Eles vão gostar – Ana falou, tentando aliviar a amiga. – Quando apresentaremos?

— Daqui a duas horas.

Max levantou a cabeça assustado.

— Duas horas?! Nós temos que entender e gravar tudo isso em duas horas? Tem tipo umas 10 folhas aqui... Frente e verso, Heike!

— Sim, duas horas. E é por isso que temos que nos apressar. Só temos essa chance, então comecem a ler.

Foram suas horas de repetições de textos, explicações de cálculos, quase algumas desistências, andadas pela sala... Mas se sentiam preparados. Até que chegara o momento de irem ao encontro dos professores.

— Por favor, lembrem o que devemos fazer. O nosso grupo é o pior.

— Não fala isso! – Ana retrucou, segurando o braço da amiga, mas Heike dissera algo certo. Eram o grupo mais atrasado e desfalcado.

Todos os grupos eram formados por quatro alunos e mais um que formara-se ali há, no máximo, dois anos. As outras duas meninas do grupo deles haviam deixado a faculdade assim que o trabalho fora passado. Menos pessoas, menos cabeças pensando.

Heike respirou fundo e bateu na porta. Um dos professores mandou-os entrar. Haviam quatro, no total, para julgar as ideias, mas apenas um seria o instrutor do grupo.

— Bom dia – um deles disse.

— Bom dia – responderam em uníssono.

Ela colocou a pasta na mesa dos professores e voltou para seu lugar. Assim que leram o tema do trabalho, logo começaram a discutir baixo entre si, e a tensão chegou ao grupo mesmo sem ouvi-los – principalmente em Heike.

“Eles não vão aprovar e eu vou repetir de ano. Excelente ideia, Max!”, sua mente repetia essa frase a todo momento.

— Uma máquina do tempo? – disse a única professora que havia ali.

— Ãhn... sim. Bem... – Heike tentou começar a apresentação, mas a forma como a professora falara a deixara mais tensa.

— Vocês sabem que isso é vida real, não sabem?

— Sabemos – Ana tentou tomar a frente. – Mas nos pareceu uma ideia interessante...

— E impossível! Gente, isso não é um filme de ficção. Não é possível viajar no tempo! Não dessa forma.

— Mas os senhores não vão nem nos deixar apresentar melhor a ideia?

— Não é preciso, meninos. Não dá para existir uma máquina do tempo – disse a professora.

Heike ficou quieta, apenas pensando – e talvez escutando –, presa em seu próprio mundo. Max olhou para ela com as sobrancelhas franzidas.

— Heike?... – encostou em seu braço, fazendo-a voltar para a sala.

— Então essa ideia não está aprovada de jeito nenhum? – perguntou.

— Sentimos muito, mas não – a professora tentou responder de uma forma que os desapontasse menos.

— Tudo bem – Heike girou os calcanhares e saiu da sala antes dos outros.

“Estava muito fácil. Era óbvio que não aprovariam”, pensava, tentando não desabar no meio dos corredores. Precisava de ar, sentia-se sufocada ali dentro. Enquanto descia as escadas, esbarrou em um homem e, embora não tenha parado para sentir a dor ou olhá-lo, ele a notou – dava para ver pela visão periférica.

Heike continuou até chegar nos bancos que ficavam na área externa do campus. Quando chegou, deixou-se cair ali. Naquele momento, começou a pensar no trabalho, na madrugada que passou pesquisando tudo, no momento em que não conseguia falar... e na dor no ombro onde havia esbarrado com toda força naquela pessoa.

Foram tantas coisas juntas que não parara para sentir a dor, mas agora sentia. Ele parecia vestir qualquer coisa, menos algodão comum. Ficou massageando o ombro e olhando para o chão; a dor já estava passando. Seus pensamentos saíram um pouco do eixo quando uma sombra surgiu.

— O que foi, Max? – disse por dedução.

— Max? – uma voz grave respondeu. Definitivamente não era Max.

“Que voz é essa?”, se perguntou. A sombra andou e sentou ao lado dela.

— Meu nome é Aaron. Esbarrei em você nas escadas – disse com cuidado, como se estivesse preocupado com algo. – Preciso de ajuda.

Ela o encarou. Alguma coisa em seus trajes brancos e pesados quase espaciais lhe dizia que não seria uma ajuda pequena.

Notas finais
Então foi isso, gente! Esperamos que tenham gostado! Comentem, pois isso incentiva muito e ficaremos muito felizes em lermos seu comentário! Obrigada por terem lido! Até mais!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.