Todos contra a Vida - Diário de 2014
25 A prisão da vida.
Notas iniciais
TODOS CONTRA A VIDA 25: A prisão da vida.
Um dos objetivos do ser humano é ganhar muito dinheiro, comigo não é diferente, lembro-me no maternal, a professora perguntava para os alunos o que queriam ser no futuro.
Alguns falavam:
–Eu quero ser bombeiro.
–Astronauta.
–Eu jogador de futebol.
"Provavelmente o que falou jogador de futebol virou atendente de McDonalds ou aprendiz de pedreiro".
Chegou minha vez de responder:
–Eu quero ser rico.
A professora provavelmente achou um tanto curioso:
–Como assim Felipe? Estou falando de profissão.
–Uai tia... Eu quero ser rico, não importa o trabalho.
E agora eu me encaro no espelho com dezoito anos na cara, aquele garotinho está se tornando um homem e isso é uma merda, velho eu daria tudo para voltar ser criança.
Lembro de eu e minha turma indo para o banheiro em fila, todos de mais dadas, me lembro zoando no intervalo, brigando ou até mesmo sofrendo bullyng.
Eu sempre fui uma criança cabeça, no dia do bombeiro eles vieram ate minha escola com aquele caminhão enorme, iam dar um banho de mangueira em todo mundo, para não molhar as roupas a professora pediu para todos tirarem, ai foi... Todas as crianças do colégio nuas e eu no meio com roupa pensando "O que o pessoal está fazendo? Isso ta errado", a professora viera ao me encontro:
–Lipe, tira a roupa para não sujar.
–Não professora, isso ta errado.
Me lembro apenas de estar sentado no banco com a minha lancheira encarando toda minha escola se divertindo, todos pelados.
"Esse foi meu primeiro contato com uma mulher nua".
A quinta série foi foda, você acorda para o mundo, percebe que na sua sala têm pessoas com barba enquanto você é apenas um garotinho de onze anos.
Essa foi a época que minha voz começou a mudar, em apenas uma palavra ela variava de grosso ao fino, era uma merda.
Intervalo na quinta série era algo diferente também, você começa a ver as garotas de outra forma, aquela guria da sua sala que você achava "babaca" agora era "gostosa", é os garotos ficando com a voz ridícula e as mulheres evoluindo os seios e o quadril.
É nesse ano que você se enquadra em um grupo, eu frequentava a galera viciada em anime e seriado.
É engraçado como as gerações mudam, a minha geração não foi criada a moranguinho e leite com pera, agora é tudo processo, seu filho cai no chão e machuca os pais vão e processam a escola, nos anos noventa e inicio de 2000 se você caísse levantava, balançava a poeira e continuava brincando, e se ficasse de birra ia para o castigo.
Lembro do primeiro bullyng que sofri, eu esperava minha vez para beber água, um aluno maior me empurrou e bebeu em meu lugar, obviamente peguei sapo:
–Ow! Era minha vez!
Com seus vinte centímetros a mais do que eu o otário me encarou:
–Você quer água?
E cuspiu na minha cara.
O que você acha que eu fiz? Fui chorando falar com meus pais?
NÃO! Eu cai na porrada com o maldito, é assim que têm que ser!
"É como dizem: A mulher sangra por uma trollagem do universo e o homem por ser babaca".
A escola sem dúvidas é uma droga, mas não deixa de ser um aprendizado para a vida.
"Se somos todos egoístas e desgraçados sendo crianças, imagina adultos".
A vida é uma prisão que nunca acaba, saímos da escola e vamos para a faculdade, de lá trabalhamos, e depois vem à aposentadoria que nos leva para a prisão da velhice onde somos escravos do nosso próprio corpo.
O capítulo acaba, obrigado por ler.
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