Todos contra a Vida - Diário de 2014
45 Se eu morrer vai ser sorrindo!
Notas iniciais
TODOS CONTRA A VIDA 45: Se eu morrer vai ser sorrindo!
Estou na merda, se um dia você esteve cansado na vida não importa como você estava, me encontro no dobro do cansaço, ontem 01/11 foi um dos dias mais estressantes e loucos da minha vida, e por alguma ironia do destino, quando a merda estava acontecendo eu só me lembrava de como escreveria isso para vocês.
Eu trabalho uma vez por mês como organizador de corrida, e ontem estava faltando um dos funcionários, chamei meu amigo Batata para me ajudar, acabando a corrida ganhamos uma graninha e resolvemos ir ao cinema assistir Drácula, era mais ou menos nove horas da noite e queríamos pegar a sessão das dez, seria meio que um desafio conseguir ir, tínhamos que pegar um ônibus e o metrô até chegarmos no nosso shopping favorito, e assim fizemos.
Fiquei um pouco bolado pela hora que sairíamos do cinema, mas Batata me acalmou dizendo:
–Relaxa! Eu sempre vou ao cinema esse horário, passa metrô.
Então foda-se, daria tudo certo, bom, eu raramente falo do meu amigo Batata, pelo simples fato que ele mora longe, mas sem duvida alguma é um dos meus melhores amigos, nos conhecemos na quinta série, e a partir dessa série viramos bastante amigos, um dia farei um capitulo próprio sobre ele, e as merdas que aconteceram.
Saímos de casa, pela primeira vez na minha vida confiei no universo, ele poderia me dar um bônus especial e tudo funcionar como o planejado, e incrivelmente tudo deu certo! O ônibus passou na hora, o metro também, ainda deu tempo de comprar o ingresso do filme no cinema e lanchar no McDonald’s, eu puta fiquei surpreso, acabou o filme e felizes retornamos para a estação de metrô e... Estava fechado.
O guarda parou ao nosso lado:
–Sinto muito amigos, mas a estação fechou 22h30. Mas tem uma parada do outro lado. Vocês podem ir para lá.
Respirei fundo e não fiquei puto, era apenas 23h30, então fomos para a parada de ônibus, sabíamos que demoraria para passar um busão direto, mas foda-se, e assim passou o tempo... Uma hora... Duas horas... Três horas... Só víamos a parada esvaziando cada vez mais e nada do nosso passar... E o desespero ecoou por nossos corpos, trabalharíamos domingo de novo 05h00 e pelo jeito que estava ocorrendo às coisas, não chegaríamos essa hora nem fudendo, juro que até um ônibus de imigrantes mexicanos passou pela parada.
Até falei:
–Hola, chicos!
Mas o nosso parece que estava em outra realidade alternativa, não adiantaria ligar para meu pai, sem fudendo iria sair de madrugada de casa para me buscar, seria mais fácil ele falar para eu dormir na parada de ônibus junto com os mendigos, o mesmo para o pai do Batata, então 03h30 usei minha ultima cartada, liguei para o Snoopy:
–Alô. –Atendeu bem rápido, o filho da mãe estava acordado.
–Mano, fudeu muito!
–O que aconteceu?
–Estou preso em uma parada na frente do Park Shopping, não passa ônibus desde 23h00, tem como você me buscar? Estou muito fudido!
–Relaxa! Estou indo, vou deixar uma guria na casa dela e já te busco.
Nesse momento eu percebi que ficaria devendo a minha alma para o Snoopy, provavelmente ele estava fazendo um sexo gostoso com a guria e eu fui um “empata foda” do caramba, então esperamos ele, 04h00 da manhã eis que chega o filho da mãe do Snoopy com caralhadas de garotos, mas eu e Batata estávamos tanto na merda que não ligamos para isso, entre os zoeiros do carro, continha Trika, um dos criadores da famosa TEORIA DA RODA GIGANTE, virou um carro de palhaço aquela porra, um em cima do outro em alta velocidade pela principal de Brasília em direção de nossa casa, até que no meio do caminho vimos uma gostosa caminhando sozinha pela calçada, os moleques piraram:
–Mermão! Para essa porra de carro!
–Essa mulher tem que vim cum nóis!
–Ta poxa! Olha o rabão dessa morena!
Sendo influenciado pelos garotos, Snoopy parou o carro e os moleques perguntaram se a garota queria uma carona até a rodoviária, que porra esses garotos tem na cabeça? Infelizmente eu não estava com status para usar argumentos, esses malucos salvaram nossas vidas, ela era morena, cabelo estilo afro natural, um corpo bem bonito, estranhamente aceitou entrar um carro com mais de sete homens, já fiquei meio bolado com isso.
–Oi pessoal, que horas são mais ou menos? Umas 22h00? – Perguntou a moça, fiquei bolado duas vezes.
–Não, ta doida? –Falou Snoppy rindo um pouco. –São quatro da manhã.
Bicho! Como essa mulher não sabe que horas são?
Snoopy continuou:
–Mocinha, você não deveria entrar em um carro desconhecido.
Ela sorriu um pouco sarcástica, sentada ao lado do motorista, aparentava bem tranquila:
–Na verdade, vocês não deveriam dar carona para qualquer um.
A porra do clima começou a mudar, aquela zoeira inacreditável estava sumindo como num passe de mágica, estava estranho demais toda essa situação, Snoopy continuou:
–Você veio da onde?
–Acho melhor vocês não saberem.
–Por que não? –Questionei. –Fala pra gente.
Ela pegou envelope e entregou para trás, Trika em silencio segurou e começou a abrir, ao lado dele olhei que dentro tinha varias documentações, velho... Lembro perfeitamente do semblante do Trika, ele não acreditava na merda que estava acontecendo, apenas falou:
–Ela acabou de sair da prisão, ficou presa por assalto a mão armada.
Esse foi o momento em que minha vida já não fazia mais sentido, era muito azar por apenas um dia, como um doido estilo coringa, comecei a rir descontroladamente, Batata não aguentou rindo ao meu lado, outros garotos endoidaram, Trika pediu para sair do carro, Snoopy ficou boladinho e tudo mais, mas no final das contas tudo deu certo, deixamos a garota da rodoviária e na hora de irmos embora adivinha o que aconteceu? A GASOLINA ACABOU!
Agora me imagine empurrando um carro pela rua em busca de um posto de gasolina com um monte de moleque, no final das contas cheguei em casa quase cinco da manhã, não dormi porra nenhuma e fui pro trabalho no dia seguinte, e agora estou na merda escrevendo isso para vocês com algumas ilusões de sono, um dia contarei esse meu problema para vocês.
E assim o universo provou mais uma vez que não importa o que aconteça, no final ele sempre vai me fuder e me deixar viver para contar para as futuras gerações, eu sou tipo o “messias” do azar!
Agora vou dormir, abraços!
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