Todos contra a Vida - Diário de 2014

6 Invasão de propriedade privada.


Notas iniciais
Okaaaay, acabou a "mimimi" sobre minha ex namorada kkk' Eu acho.

TODOS CONTRA A VIDA 6: Invasão de propriedade privada.

Minha vida está legalzinha e a sua?

Mesmo que T.C.V seja um diário, nunca entrei muito em detalhes sobre minha vida, basicamente uso meu cotidiano como “flashbacks” para introduzir um tema, mas com o passar do tempo que escrevo essa minha "jornada" no bloco de notas, as coisas estão mudando.

"E isso é bastante assustador".

Bom, eu e meu amigo Dudu terminamos com nossas namoradas praticamente na mesma semana, então para esquecê-las mais facilmente, entramos na onda de sair todos os dias para um determinado shopping.

Nunca fui no cinema tanto como ultimamente, na média de quatro filmes por semana, a parada estava tensa, víamos filmes bons, filmes ruins, nada escapava de nós, e ai entramos numa de invadir lugares secretos no shopping, depois de duas semanas todos os dias ali, conhecíamos como se fosse nossa casa.

Sabíamos de cor as localizações dos seguranças dentro e fora do shopping e até no estacionamento.

E o inicio da nossa aventura começou quando invadimos uma área privada do shopping, depois de pular roletas, entrar no elevador, escada de emergência e outra pressurizada, um pequeno túnel, no fim chegamos em uma porta trancada onde por nossos cálculos daria no TERRAÇO DO SHOPPING, um lugar onde somente funcionários tinham acesso.

Conseguíamos ouvir o vento do outro lado, somente uma porta trancada por um cadeado nos separava de uma visão maravilhosa de Brasília, tentamos abrir e não conseguimos, mas sacamos que a porta tinha pinos, tirando eles conseguiríamos entrar no terraço se divertir “ever” e na hora de ir embora colocar os pinos e tudo estaria certo, os seguranças nunca saberiam que garotos estiveram lá.

Eu e Dudu voltamos para nossas casas com essa meta na mente.

“O objetivo era ocupar nossas mentes com qualquer merda”.

Uma semana se passou, arrumamos uma mochila, colocamos martelo, alicates e pregos dentro dela, estávamos prontos para abrir aquela porta.

No dia de colocar o plano em ação, chamamos três amigas nossas "Tiely, Emozinha e Gabi". Como garotos idiotas precisamos de plateia, afinal, seria algo totalmente inédito, e assim aconteceu, chegamos lá, zoamos, fomos no cinema, e depois entramos em ação.

Doidos e correndo com as meninas chegamos sem problema no túnel que dava para a porta trancada, elas estavam desesperadas e com medo de serem descobertas pelos seguranças.

Eu e Dudu imediatamente começamos, tiramos o martelo e com pregos tentamos tirar os pinos da porta, animados tínhamos certeza que nada daria certo.

"Abriríamos a porta, íamos nos divertir ever, e depois ir embora, o plano perfeito".

Mas um problema rolou, o pino não soltava, aquela merda estava presa de uma forma inacreditável, eu e meu amigo olhamos para as meninas, faziam cara de decepção, todos nós queríamos invadir a parada.

Respirei fundo, e com o martelo percebi que seria mais fácil arrombar a porta do que tirar o pino, mas tinha um “porém” que Dudu falara em meus ouvidos:

–Se a gente arrombar a porta, tudo acabou, não existirá a opção ser pego, iremos ser presos.

Liguei o "dane-se" e com o martelo forcei a fechadura tentando arromba-la.

TREEEECK! –Foi mais ou menos esse barulho que ecoou em meus ouvidos quando arrombei a fechadura.

Tudo ficou em silêncio, me arrepiei sentindo uma mistura de arrependimento com felicidade em meu corpo, Dudu e eu sabíamos que se fossemos pegos pelos seguranças eu seria o que mais ia “tomar no...”.

“O único do grupo maior de idade era eu, os outros sairiam desse problema facilmente pelo sistema lixo do nosso país”.

Por alguns segundos não consegui me mover, Gabi tomou a iniciativa de abrir a porta, e assim fez, a iluminação invadiu o túnel e o vento me deu sensações inacreditáveis de liberdade.

"É incrível como fazer coisas erradas trazem emoções indecifráveis".

Levantei-me com o silêncio de meus amigos, a única coisa que eu ouvia era o vento agitado passando por nos e invadindo o túnel junto com a iluminação.

Me senti o Rick de The Walking Dead, como um líder todos esperavam alguma atitude minha antes de pisar no terraço daquele local.

Olhei para Dudu:

–Fecha a porta e apaga a luz do túnel, por enquanto eu dou uma olhada no terraço.

E assim aconteceu, Dudu fechou a porta do túnel e apagou as luzes enquanto eu dei o primeiro passo para dentro do terraço, fiquei maravilhado com tamanha beleza de nossa capital, dei uma olhada no local todo, aparentemente vazio.

E assim foi, todos meus amigos felizes da vida no terraço, tirando fotos e zoando, lembro e sinto a mesma sensação de abrir um sorriso e fechar os olhos sentindo o vento, tudo estava perfeito até que abri meus olhos e vi a mais ou menos trinta metros de nós um bombeiro, ele acabara de arrumar alguma antena e olhava para um bando de adolescentes com um semblante bastante confuso.

Não hesitei em gritei:

–CORREEEE!

Foi tiro e queda, as meninas correndo feito malucas, eu e Dudu logo atrás delas e o bombeiro alertando todos os seguranças pelo rádio.

Não me lembro bem do que aconteceu, só por pequenos flashes.

* Correndo doidos pelo túnel.

* Pulando os degraus das escadas.

* Dudu voltando para pegar a mochila.

Quando voltei à consciência estávamos todos no elevador descendo, uma musiquinha ridícula que tocava não nos deixando mais calmos, com falta de respiração olhei para meus parceiros a maioria aparentava com medo.

Paramos o elevador no quarto andar e dividimos em grupo, eu e Dudu fomos para um lado, e as meninas para outro, enquanto as meninas provavelmente foram por dentro do shopping, achamos a melhor opção irmos pelo estacionamento, correndo fomos passando por onde os carros passavam descendo os andares, e pela graça divina saímos do shopping.

Na parada encontramos as meninas, estávamos felizes, tinha dado tudo certo.

“Não tão certo como um plano do Michael Scofield do Prison Break”.

Dudu checava a mochila, olhou pra mim meio preocupado:

–Thunder... Esquecemos o martelo!

Notas finais
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