Todos Odeiam A Greengrass!

1 Todo Mundo Odeia A Greengrass


Notas iniciais
A música é bem opcional, mas acho essa fofinha e tem um clima legal para essa oneshot... http://www.vagalume.com.br/one-direction/you-i-traducao.html

"Ninguém sabe muito sobre amor e ódio. Afinal, são opostos tão parecidos. Penso que os dois são cara e coroa de uma mesma moeda: Paixão." —

Petulante. A caçula dos Greengrass era descrita assim. P-E-T-U-L-A-N-T-E. Não que cem por cento de Hogwarts a encarasse assim. Porém, vinte e cinco por cento a olhava com olhares maldosos. Os Sonserinos relatavam a companheira de casa assim: Simplesmente Petulante.

Esse adjetivo tão impulsivo tem a seguinte definição no dicionário, que Draco uma vez, teve a curiosidade de bisbilhotar.

Petulante

m e adj.f. Algo ou alguém que demonstra atrevimento, petulância; atrevido, insolente. Em que há ímpeto; de maneira vivaz; ousado.

m. e s.f. Pessoa que possui essas características; irreverente, insolente.

(Etm. do latim: petulans.antis)

Sua língua não era presa, falava o que pensava. Seu atrevimento era comparado a sua coragem. Insolente. Oh, sim! Ela era tudo isso. E se orgulhava disso. O que fazia Astoria Greengrass parecer mais indomável.

Olhares desafiadores, sorrisos de canto, andar confiante com seu rebolado sutil. Astoria Greengrass era a Rainha da Razão.

Cortês e amável não estavam nas características da garota, apesar de que alguns discordarem.

Mas essa nunca ia ser a opnião de Draco Malfoy sobre a sonserina. Ele sentia certa empatia pela mesma. No auge dos seus quinze anos, a garota conseguira dizer não a toda elite bruxa porque simplesmente não queria dançar com ele.

Dois anos mais nova que o loiro, era o terror dos Sonserinos. Com seus cabelos castanhos e escuros lhe caindo como cascatas de cachos grossos pelas suas costas, e seus olhos incrivelmente audaciosos, possuíam um tom cinza tempestade esverdeado. Quando calma e observadora, seus olhos formavam uma garoa, de chuva fina e fraca. Porém, quando irritada e desrespeitada, seus olhos eram um perfeito portal de seus sentimentos, formavam uma tempestade, cheia e grossa. Incontrolável.

Astoria Greengrass já fora comparada a muitas garotas dos mais variados clássicos da literatura, bruxa e trouxa. A Megera Domada era a sua favorita, isso porque já recusara a companhia de vários moços da alta sociedade. Capitu, de Dom Casmurro, também não ficava atrás. Os cabelos escuros e o jeito decidido e esperto eram comuns entre a garota e a personagem. Além da independência. Porém, a maior coincidência entre as duas era o olhar. Olhos de cigana oblíqua e dissimulada. Absorviam tudo e não devolviam nada.

Draco Malfoy se pegará muitas vezes pensando na moça naquelas últimas semanas. Em seu andar, e seu sorriso. Principalmente, seus olhos. Nos olhares furtivos que lançou a ele naquela maldita aula de Transfiguração, o qual alunos do sétimo ano, ajudaram alunos do quinto, e ela cairá como sua dupla.

O pior do que pensar nela, era encontra-la enquanto pensava nela. Avistou-a antes de a mesma estar próxima. E sentiu seu cheiro, inebriante e místico, uma mistura sutil de Cravo e Canela, quando passou reto, adentrando na biblioteca.

Não iria recuar. Era vergonhoso de mais. Fugir dela assim. Mas também não queria encontra-la. Não queria trocar desaforos com a menina. E simplesmente não queria ouvi-la falar baixo todas as suas inúmeras opiniões sobre ele e seu comportamento, enquanto a vontade do garoto era de levantar a voz. As vezes passava em sua mente a ideia de calará com um beijo. Mas era loucura, certo?

Ela estava de lado. Encostada numa das prateleiras da enorme biblioteca, lendo um livro grosso e velho, o uniforme lhe caindo bem e descontraído quando ele se permitiu olhar para ela, dez minutos depois de sua chegada.

A blusa social branca estava com alguns botões abertos e por cima da saia, com a gravata verde-cinza da Sonserina frouxa em seu pescoço ebúrneo. A saia de pregas cinza começava em sua cintura fina e ia até a metade das coxas. Estava de meia-calça no mesmo tom da saia, e os saltos de boneca, eram pretos reluzentes.

Ele procurava Queridas Poções e seus objetivos, de Lizza Runner. Há semanas estava escrevendo um resumo para entregar no final do mês como trabalho mensal, porém havia esquecido o livro na mesa da última vez que estivera na biblioteca tarde da noite.

– Malfoy – Uma voz baixa e fraca ecoou pelo silencio da biblioteca praticamente vazia. Seu olhar cravou-se em Astoria a única presente naquele corredor da biblioteca.

A morena agora se encontrava ajoelhada no chão, vasculhando sua mochila. De costas para ele, lhe dava uma boa ideia de suas curvas. Ele balançou a cabeça e disse frio:

– Greengrass – Ele não queria ser rude. A voz da garota estava fraca e cansada, ele havia reparado o enorme corte, que ainda cicatrizava, em seu braço. Aquilo acontecera na semana passada quando Pansy Parkinson achou engraçado azarar a vassoura da morena quando a mesma vazia uma aula de voou.

– Draco, olhe para a Astoria – Pansy rio. A Greengrass estava com os pés no chão e segurava uma vassoura. Parecia relutante. – Será engraçado... – sussurrou – Vai Ast! – gritou.

Astoria virou-se para nós. Mostrou-lhe o dedo do meio, e voltou sua atenção a professora. Estávamos todos com roupas de quadribol, e agora era obrigatório o treinamento de voou, todas as sextas às quatro da tarde.

– Prontos? Somente os da fileira da frente. No três... Um... Dois... Três... Voem! – A professora apitou, e os alunos da fileira de Astoria levantaram voou. Pansy sacou sua varinha e murmurou alguma coisa.

Olhei para Astoria. Sua vassoura balançava rapidamente, o movimento parecido com o que acontecerá com o Potter, anos atrás. Ela ia cair. Estava pendurada com apenas um das mãos. Não gritava, tentava apenas subir na vassoura. Mas seria impossível. Pansy e os outros começaram a rir.

Ela cairia. Eu sabia. Suas mãos não aguentaram e ela se soltou. Seu braço direto raspou em uma ponta pontiaguda que segurava uma das bandeiras, rasgando a pele em um corte profundo. Seu sangue pingou na grama verde. Corri a seu encontro. Não sabia ao certo o que estava fazendo. Ela caiu de olhos fechados. Como se esperasse o impacto. E os arregalou ao se encontrar nos meus braços. Protegida e encolhida. A salvo da queda e do chão.

– Draco? – murmurou. Sua expressão fechou-se em dor devido ao corte profundo.

A professora veio correndo seguida de todos. Pansy parecia furiosa, e os outros, preocupados. Astoria desmanchou e sua cabeça tombou para trás.

– Meu Merlin! Senhorita Greengrass! Venha Senhor Malfoy, vamos leva-la! – Ela tocou a face adormecida de Astoria, e olhou para mim – Vamos! Ajudem-no! Vocês desçam de suas vassouras! Acabou a aula.

Olhei para Astoria, e segui a professora.

– Hãn... Aqui... – ela se levantou e segurou um livro contra o peito. Olhei-a com curiosidade, e ela abriu um sorriso. Parecia sincero. Um típico sorriso que ela nunca lançaria para mim. Nunca. – Você esqueceu na quinta, e eu aguardei para você. – ela o soltou e lhe entregou para mim. Queridas Poções e seus objetivos, de Lizza Runner– Só não se acostuma.

– Deveria te salvar mais vezes, Capitolina – sorriu torto para ela, que fechou a cara e cruzou os braços. Se ela era tão mulher como Capitulo, ele não era nem um pouco homem, igual ao Bento.

– Você não me salvou e não me chame de Capitolina – Ela o olhou seria e aborrecia. O sorriso provocador de Draco aumentou com isso.

– Esse arranhão prova o contrario – Apoiou-se na prateleira e cruzou os braços – E não foi a primeira vez que te salvei.

– Você não me salvou – Ela reclamou, descruzando os braços e ficando de postura ereta – O senhorio poderia fazer-me uma lista de todas as vezes que me salvou?

– Sim, poderia senhorita – Fez uma pausa para se aproximar – Salvei-lhe no seu segundo ano, floresta proibida, alguém não entendeu o que proibida significava...

– ... Bichento... Bichento vem aqui... – uma garotinha, vestida somente por uma fina camisola de ceda preta que lhe caia ate seus joelhos, e uma capa verde-musgo murmurava, adentrando na floresta. – Por favor... Eu sei que você está por aqui... Mione vai brigar comigo... Por favor... – Eu havia a avistado havia pouco tempo, e lhe chamei algumas vezes, mas ela não havia escutado...

– Ei! O que esta fazendo aqui? – perguntei, e ela se virou para mim. Identifiquei como Greengrass. Não sabia seu primeiro nome.

– Perdi um gato... O senhorio o viu? – perguntou, analisando a escuridão.

– O maldito gato da Granger? – revirei os olhos e ela assentiu envergonhada – Saiu correndo para Hogwarts faz alguns minutos. Passou por você, e a senhorita nem viu.

– Oh – Exclamou, olhando para a escuridão adentro e depois, para os portões de Hogwarts meio abertos – Merlin, obrigada. Acho que me vou – Ela passou por mim, com passos apressados. Ela tinha medo de escuro, depois que contei a Dafne o acontecido, ela me confirmará o fato. Só estava ali porque sua paixão por animais superava o medo de criaturas sinistras que moravam na escuridão temível da floresta. Um ato duvidoso e perigoso.

Só há uma coisa maior que o medo. A esperança.

Escutei um grito, e a vi, caída no chão. Algo a puxava pelos pés.

– Socorro! – gritou enquanto se debatia. Saquei a varinha e soltei a primeira coisa que veio a minha cabeça:

– Petrificus Totalis – corri a seu encontro, e lhe soltei do sei-lá-o-que que lhe segurava. – Você esta bem?

– Estou, obrigada.

– Houve também o dia que levei um balaço no seu lugar ano passado... – continuei a argumentar e ela revirou os olhos.

– Essa não conta! Primeiro: Eu não estava jogando. Segundo: Eu não tinha a intenção de ser jogada pela Pansy Parkinson no campo. Terceiro: Eu não pedi que me ajudasse, ou me segurasse, ou que levasse um balaço por mim...

Estava 60 a 100 para a Sonserina. Os Corvinais pareciam nervosos e estavam apelando um pouco à agressividade, o que deixava tudo mais interessante. Com o clima: “Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado retornou”, há tempos, não tínhamos um jogo como aquele. Emocionante.

Estava próximo a torre da arquibancada numero 2 da Sonserina. O pombo havia ido para lá, mas eu não o encontrava. Passei meus olhos, absorvendo cada detalhe, a fim de avista-lo quando, um vulto verde-musgo e de cabelos negros caiu. Vi Pansy rir, e corri a seu encontro.

Em um segundo, Astoria Greengrass, a garota que anos antes, que eu havia salvado na floresta, estava agora me olhando atordoada, sentada em minha vassoura.

Como isso soou malicioso!

Ela olhou para Pansy, e depois para mim, em seguida para baixo. Fez esse movimento umas três vezes, ate apontar para frente. Um balaço.

Abracei-a com um braço, e girei a vassoura com o outro. O balaço pegou nas minhas costas com força desviou para o lado oposto.

– Esta tudo bem? – perguntei. Minhas costas doíam e latejavam.

– Na medida do possível... – ela respirou fundo – Obrigada – acrescentou, com um olhar, visivelmente preocupada – Estas doendo?

– Só... Muito – Ela rio nervosa.

– E semana passada, eu lhe salvei de uma queda, que poderia ter custado bem mais que um corte profundo... – Ela tocou no corte, e abaixou o olhar. Ele sorriu vencedor. Ele nem havia reparado o quanto Astoria era propensa a acidentes. Nem que ele havia a salvo de todos eles.

– Err... – Ela suspirou e o olhou suplicante. Era como se as palavras que fosse falar a seguir era contra todo seu orgulho e conceitos – Obrigada Draco – soltou, suspirando em seguida.

Veio ate ele, parecia nada com a Astoria Segura e Rebelde que Draco conhecia. Parecia... Com medo.

– Mesmo... Por tudo – Ficou nas pontas dos pés, e beijou-lhe na bochecha. Devido, á um movimento de auto-defesa, o loiro virou um pouco a cabeça e ela lhe depositou um selinho. Rapido e estático.

Coraram. Ela saiu apressada e ele se permitir flutuar.

Realmente, todos odeiam a Greengrass... Todos, menos eu...

Notas finais
Eai? Gostaram? Comentem...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.