Notas iniciais
Eu não sei o que me deu ontem depois que cheguei da faculdade, que comecei a ler minhas antigas histórias. Eu fiquei tão... Decepcionada comigo. Em parte porque está cheia de erros que eu nem se quer vi e agora eu queria loucamente conserta-los, mas isso me custaria décadas. E tempo é o que me falta no momento haha Mas também fiquei surpresa com a minha própria evolução. Bom, enfim. Um dia eu dou um jeito nisso. Aqui vai mais um capítulo, mas sinto muito lhes dizer que ainda nem comecei o próximo. Estou com sérios problemas. Mesmo cheia de ideias, me falta oportunidades de escrever. Tenho que dar um jeito nisso.

Minha vida havia se desmoronado de um dia para o outro e isso graças a Maria Eduarda. Maldita loirinha rica que se acha a o centro de tudo, mas que para isso precisa derrotar as pessoas em volta para se sentir por cima. Acredito que esse seja o pior tipo de pessoas: pessoas que precisavam fazer a vida do outro um inferno para se sentirem melhor.

E isso não era tudo. Eu me sentia tão para baixo, que estava sem coragem de levantar da cama para ir ao colégio. Por muitas vezes acordei cedo e por fim acabei voltando a dormir – já que não tinha muitas opções — e deixando o colégio de lado, só para não ter que enfrentar essa nova realidade de frente, mesmo com o apoio dos meus amigos.

Eu andava muito deprimido e estressado. De saco cheio para tudo. Especialmente quando me lembrava de que a Maria Eduarda tinha ganhado essa, passando por cima de mim. Ela tinha vencido e eu nem ser que tinha forças para lutar contra ela, para reverter essa história. Eu não tinha nada para usar contra ela. Tudo que ela é – uma vaca, uma fofoqueira, uma garota mimada, fútil e medíocre – todos já sabiam.

E como se tudo isso não bastasse, como se a minha vida já não estivesse uma merda completa, a Gabi aceitou a visita de todos, exceto a minha. Ela não queria me ver de jeito nenhum. E por quê? Pela forma como eu a tratei da ultima vez em que tivemos juntos ou por outro motivo particular o qual eu não deva saber? Bom, eu não sei. A questão é que eu fiquei bem chateada, porque uma coisa é vê-la frente a frente e saber se ela está melhor, outra coisa é ouvir das pessoas que ela está bem.

Eu queria muito vê-la.

Mas porque ela estava me impedindo?

Não fui para a aula aquela sexta-feira. Já ia fazer dois dias que eu não aparecer no colégio e a secretaria ligava sem parar aqui em casa para saber o motivo das minhas faltas consecutivas não justificadas. Como eu já sabia que eram eles ligando (quem mais poderia ser?) eu deixava o telefone tocando até eles se cansarem. Eu estava sozinho em casa e me via no direito de faltar um pouco. Já que nunca tive problemas com faltas antes.

O que era três faltas se tínhamos em torno de duzentas aulas por ano?

Eu já estava de saco cheio de toda aquela monotonia dentro de casa por falta do que fazer. Estava farto de jogar videogame, assistir desenho animado na tevê a cabo ou mexer em minhas redes sociais pelo computador ou pelo celular. Estava começando a achar que seria muito mais sensato da minha parte ter ido para escola e fazer todo mundo parar de falar de mim, como se isso fosse realmente possível.

Naquele instante, jogado no sofá só de cueca e com o som ligado em um volume razoavelmente alto, eu estava fazendo uma limpeza da memória do meu celular. Passava de foto em foto na Galeria e apagava aquelas que pareciam não ter sentido nenhum para mim. Até que tive uma brilhante ideia quando me deparei com uma foto que eu tinha tirado com há Gabriela um pouco antes do inicio das aulas no começo do ano.

Lembro-me perfeitamente daquele dia. Era fim de férias e tínhamos no reunido em sua casa para uma pequena festinha particular entre amigos, repleta de cerveja, cigarro e partidas no videogame que valiam um grande desafio para os perdedores. Durante umas das pausas, ela pegou o meu celular para xeretar sem a minha permissão e quando me aproximei para tomar dela entre risos, ela sugeriu que fizéssemos uma selfie.

Que saudade daqu...

Joguei meu celular de lado e subi correndo escadaria a cima em direção ao meu quarto, onde vesti um jeans qualquer que encontrei pela frente e uma camiseta preta jogada sobre a minha cama. Sentado em minha cama calcei meus tênis e já de pé passei a mão no meu cabelo – na tentativa de dar-lhe uma ajeitada básica – quando estava em frente ao espelho.

Eu ia fazer uma visitinha a ela, querendo ou não.

Muito antes da Gabi se manifestar, fazendo questão de deixar bem claro a todos que não queria me ver, o Pedro já tinha me passado o endereço da clinica via SMS. Bastou dar uma rápida pesquisada no Google Maps para eu saber exatamente para onde iria nesse momento. Peguei meu celular, chaves e um dinheiro que eu tinha jogado na gaveta e saí de casa.

Peguei um ônibus.

Chegando a tal clinica de reabilitação, que por sinal era bem longinha do centro da cidade, eu entrei como um visitante normal na recepção. Mas fui logo barrado, claro. Isso já era esperado. Uma enfermeira muito jovem pediu para que eu esperasse, então eu me sentei, até poder ser atendido. A enfermeira jovem – e bonita devo acrescentar – foi substituída por uma enfermeira gordinha e baixinha e também mais velha. Pela cara dela, ela não estava tendo um de seus melhores dias. Mas eu também não.

Estávamos quites.

— Como você disse que se chama mesmo? – ela perguntou, ao voltar com uma prancheta em mãos. — Rafael Cardoso?

Assenti, já perdendo a paciência. Será que ela é surda?

— Pois bem – ela passou o dedo pela lista onde no topo estava escrito o nome da Gabriela ainda sem me olhar. — sua entrada não é permitida.

— Mas... O quê? – eu estava mesmo me fazendo de desentendido. Eu já sabia que a Gabi não queria me ver. Mas por quê? Era isso que eu queria saber. Não vim de tão longe para nada. — Porque não posso vê-la?

— É simples:– ela disse revirando os olhos, evidentemente de saco cheio da minha insistência. Mas sem perder totalmente o controle. — a paciente não quer receber a sua visita.

Eu não me daria por vencido facilmente e permaneci ali tentando a todo custo convencer a enfermeira do contrário. Por muito pouco ela não me bateu ou me enxotou dali com um pé na bunda.

Meia hora depois eu saí da clínica de cabeça baixa, levemente aborrecido por não ter conseguido por meu plano em prática. A Gabi, mesmo de “longe”, conseguia me tirar do sério.

Mesmo pronto para ir embora, eu não estava conformado. E quando vi um Fiorino estacionar ali próximo foi que mais uma ideia pintou da minha mente. Do veículo saíram dois rapazes, Um mais ou menos da minha idade e com o mesmo porte físico – que sorte! – e outro tão velho quanto o meu pai. Eles iam carregar umas caixas e vestiam jeans velhos e camisetas preta com a estampa da empresa para qual trabalhavam nas costas.

Aquela era a minha deixa.

Eles entrariam pela porta de serviço, na lateral do prédio, e fui mais atrás, nem tão perto nem tão longe. Passaria-me por mais um deles e assim poderia entrar sem ser barrado por aquela bruxa da enfermeira. O plano era complicado, mas não custava nada tentar.

Quando dei por mim tinha conseguido entrar pela lateral, mas a minha felicidade durou muito pouco. Já que eu não tinha crachá, nem estava com a estampa da empresa para qual supostamente trabalhava e nem nada, acabei me dando muito mal, quando um segurança se aproximou e pediu satisfações, quase rosnando para mim.

Não pensei duas vezes em sair correndo dali, antes que fosse tarde demais. Mas não corri para fora não, eu corri para dentro da clínica. Indo cada vez mais a fundo. Tendo a certeza que nesse momento estava sendo perseguido POR mais mil seguranças furiosos comigo. Corri o mais rápido que pude, mas eu não fazia a mínima ideia de para onde ir.

Onde será que a Gabriela poderia estar?

— Gabi? – comecei a gritar, enquanto ainda corria, causando o maior alvoroço por toda parte. — Gabriela! Por favor, meu. Fala comigo! É rápido. Só me diz onde você está.

Sim, eu estava agindo feito um maluco, um quase marginal por invadir uma propriedade privada e gritando sozinho pelos corredores na esperança que ela tivesse por trás de alguma daquelas portas e pudesse me ouvir.

E claro, isso não aconteceu. Porque eu sou um filho da mãe muito azarado. Fui pego pelos seguranças como se realmente fosse um criminoso prestes a explodir esse lugar. Eles praticamente me jogaram no chão e me algemaram, enquanto as enfermeiras olhavam a cena assustadas.

Por pouco não chamaram a policia. Só porque acabei os convencendo de que era inofensivo. Deixei até eles me apalparem e procurarem por algum tipo de arma. Por fim acabei inventado uma pequena mentirinha: disse que a minha namorada estava ali internada e que eu estava desesperado para saber dela, mas seus pais me proibiriam de visita-la.

Que tipo de animal não sentiria dó de um garoto que é proibido de ver seu grande amor?

Só assim pude sair ileso dali.

Em casa, por volta das cinco da tarde, o Pedro me ligou, todo bravinho, porque já estava ciente na confusão que causei na clínica. Ligaram de lá para dizer a ele, porque ainda duvidaram que eu fosse algum tipo de terrorista que estava prestes a sequestrar a Gabi. Pedro me deu uma bronca daquelas, mas não era como se ele pudesse me culpar totalmente. A culpa era da irmã dele que estava me descartando, como sempre.

— Por favor, Rafael. Não faça mais isso. Isso só complica para o lado da Gabi. Por pouco você não a deixou sem o direito de qualquer tipo de visita. Dá um tempo! Um dia ela vai deixar de marra e você poderá visita-la. Por enquanto não. Entenda o lado dela também, cara.

O que eu poderia dizer? Ele tinha razão.

Pelo menos assim espero.

— Tá, desculpa. Foi mal. Eu precisava muito vê-la e saber por que eu sou o único que não pode vê-la.

Pedro permaneceu mudo do outro lado da linha. E isso poderia significar duas coisas: ou ele estava de saco cheio por eu sempre me meter em confusão. Ou ele sabia da verdade e não queria, ou não podia, me contar.

Dane-se. Agora eu fiquei estressado pra valer e terminei aquela ligação sem nem me despedir. O engraçado é todos podiam entender o lado da Gabriela, exceto o meu. Aquela garota mesmo de longe estava sempre ferrando com a minha vida. E uma hora ou outra ela ia pagar por isso.

Não que eu fosse cometer um tipo grande de maldade com ela, afinal não chega a tanto e a garota da doente. Mas ela ia ter que me ouvir. Se tem uma coisa eu adorava tanto quanto ela quando se trata de mim: é provoca-la, tira-la do sério. Esse é um dos maiores prazeres da minha vida.

Quanto a Duda, essa sim ia ter que tomar cuidado. Depois desse dia agitado, eu percebi que não era tão fraco quanto eu queria acreditar. Pelo contrário, eu ainda era aquele garoto inconsequente, capaz de tudo para proteger as pessoas que amo.

Dormi tranquilamente bem aquela noite, pois eu tinha em mente duas coisas que me davam certa motivação. Primeiro: ferrar com a vida da Maria Eduarda. Segunda: ver a Gabi e ter uma conversinha com ela.

Acordei as onze horas da manhã de sábado – cedo pra cacete! – pois o Pedro resolveu, de uma hora pra outra, invadir o meu quarto. Praticamente dei um pulo da cama quando ele entrou com tudo, causando o maior alvoroço. Para o azar dele eu estava só de cueca, mas não era como se ele reparasse nesse detalhe ou se importasse. Éramos tão amigos ao ponto de não nos sentirmos intimidado um com o outro.

O que podia ser bom e ruim.

— Qual é o seu problema, hein? – resmunguei, ao sentar-me. Meus olhos mal conseguiam se abrir sozinhos. Eu ainda estava com muito sono. — Não dava para esperar o sol nascer?

Pedro revirou os olhos.

— São onze horas, Rafael. Não dramatiza, por favor. – dito disso, ele seguiu até a minha escrivaninha e ali sentou, girando a cadeira na minha direção. — Queria me desculpar por ontem. Não tive uma semana muito boa.

— É, nem eu. Mas quem se importa né? – disse eu, sarcástico. Novamente o Pedro me ignorou e revirou os olhos daquele jeito gay.

— Foi mal, eu peguei pesado com você e reconheço isso. Por isso eu vim até aqui. Agora vamos esquecer isso, está bem? – eu assenti, passando a mão pelos cabelos. — Como você está? Você desistiu de estudar, é isso?

— Cara, eu estou um lixo. E você sabe bem por que. Mas eu consegui dormir bem essa noite e digamos assim que me sinto... com as forças reativadas. – ele sorriu, achando graça no que eu disse. Eu também sorri.

O Pedro estava estranho, não que ele nunca se preocupasse comigo, porque ele é um cara incrível com todos, até com pessoas como eu, que não merecem. Eu até casaria com ele, se fosse uma garota. Mas ele estava com um olhar meio pra baixo, sabe? Amigos de verdades conseguem reconhecer quando o outro parece está deixando algo importante de lado.

E isso não podia ser só por causa da Gabriela, pois visita-la frequentemente estava o fazendo muito bem ultimamente. Ele estava com outros problemas, mas não sabia como por para fora. E eu estava muito disposto a facilitar para ele, apesar dele ter interrompendo meu sono.

— Eu beijei a Duda. – ele disse, sem eu nem precisar perguntar. O que foi bem assustador e engraçado. Como se tivéssemos lendo o pensamento um do outro. — E eu acho que estou gostan...

— Cala essa boca Pedro! – eu praticamente gritei, horrorizado. Não podia suportar ouvir o que ele estava prestes a dizer.

Nunca fui do tipo de amigo que interfere na vida amorosa dos meus amigos, mas dessa vez, nessa situação, eu não podia permitir que essa tragédia estivesse prestes a acontecer.

— Porra, Pedro! Nem pensar... Essa garota não! Ela arruinou a minha reputação no colégio. E eu fiquei muito mal por causa dela. Ela é uma cobra maldita e você sabe disso. Ela nem se quer tem um coração!

Ele abaixou a cabeça, como se concordasse e estivesse ciente de tudo que eu estava dizendo. E como também estivesse envergonhado.

— Eu sei. Eu só...

— Não diga mais nada! Eu vou te ajudar com isso.

— Como?

— Eu não sei ainda. Mas vou pensar em alguma coisa.

Aproveitando que ele estava ali e eu tinha encontrado uma terceira motivação para não abaixar a cabeça para ninguém, Pedro e eu descemos para tomar o café da manhã que minha mãe especialmente tinha preparado para ele. Minha mãe adorava o Pedro e isso até me dava certo ciúmes. Ela não fazia tudo àquilo só para mim, mas para ele sim.

Deixei aqueles pensamentos um tanto infantis de lado e saí com o Pedro por volta de uma hora da tarde pra gente aproveitar a tarde ensolarada e jogar bola com o pessoal do bairro, como há muito tempo não fazíamos.

Já na segunda-feira, no colégio, tentei ao máximo ignorar o pessoal olhando e falando sobre mim por onde quer que eu passasse. Eu já não queria mais que aquilo me afetasse tanto. Com o tempo eles esqueceriam. Também não matei nenhuma aula aquele dia e por um milagre divino me dediquei completamente à aula de física, quando o professor pediu que fizemos um trabalho em dupla e eu me juntei ao Felipe.

E já no final do dia, quando achei que iria me safar de não ter barrado com a Duda pelos corredores, eu trombei com ela na saída, aquela tarde. Como sempre ela estava com a sua amiguinha de crime, a Tatiana, que nem me olhava por medo. Já a loirinha assim que me viu abriu aquele largo sorriso de coringa.

— Eu pensei que a mocinha aqui não iria nunca mais voltar para o colégio por medinho. – ela zombou, olhando fixamente pra mim.

Suspirei profundamente, mas não foi o bastante.

Nunca em toda a minha vida passou pela minha cabeça agredir uma garota ou uma mulher. Eu, com a maioria da população, acho que isso é um crime e os criminosos merecem ser punidos. Mas naquele instante eu já não tinha mais palavras para expressar a minha fúria por essa garota. Eu estava cheio! E meio que sem pensar levantei a mão para ela e só me dei conta disso quando todos em volta pararam para nos olhar com expressões de espanto.

Maria Eduarda também arregalou os olhos para mim, ela estava assustada, porque ela também não acreditou que eu pudesse ser capaz de bater nela. E bom, eu não era. Mas juro que cheguei muito perto de pensar que ela merecia e que sim, eu era capaz.

— Ei, ei, ei. – a Bianca surgiu do nada, abaixando a minha mão vagarosamente e se projetando na minha frente. — Rafa, vamos sair daqui.

Ela praticamente me arrastou dali pelo braço, atravessando facilmente a multidão que tinha se aglomerado em volta de mim.

Bianca me levou até uma sorveteria há duas quadras dali e praticamente me forçou a sentar-me com ela em uma das mesas no fundo. Eu não estava raciocinando direito, ainda muito confuso com tudo, como se eu não soubesse o que estive prestes a fazer. Mas ela também estava agindo de modo estranho.

Uma mocinha muito simpática e sorridente de mais ou menos trezes anos vestia um avental e segurando um caderninho se aproximou para saber o que a gente ia pedir. Bianca se adiantou e pediu uma água gelada. Era um dia quente e bastante abafado.

— O que está acontecendo aqui? – perguntei, olhando para ela curiosamente. — E porque estamos aqui?

— Alguém precisava te tirar daquela confusão. – ela torceu os lábios, também me olhando nos olhos. — Meu Deus do céu, Rafael. Você só mete em encrencas. Você ia fazer mesmo o que pareceu que ia fazer?

Agora ela já não parecia mais tão calma, olhando-me de uma maneira raivosa. Os olhos verdes penetrantes.

— Sinceramente? Eu não sei. — desviei o olhar, um tanto constrangido e suspirei forte. — Sua prima me tira do sério.

— Você não é o único que perde a cabeça com ela. – ela se calou, pois naquele instante a garotinha trouxe a água que ela havia pedido. Bianca sorriu, agradecida e a garota nos deixou a vontade de novo.

Bianca encheu o copo com água e empurrou na minha direção.

— Beba. – ela ordenou e ai de mim se recusasse. Eu estava mesmo precisando refrescar a minha garganta seca. — Mas quer um conselho? Ignore-a. Eu sei que essa não é uma tarefa fácil, mas não deixe que ela leve a melhor. Porque de um jeito ou de outro, não importa o que você faça, parece que ela sempre consegue sair por cima. Impressionante!

Tive que concordar. E também estava muito agradecido, enquanto bebia minha água. Pois pelo menos eu não era o único a odiar aquela vaca.

— Obrigado, Bia. – acabei dizendo, quando enfim terminei de beber toda minha água. Eu estava me sentindo melhor agora: menos irritado, menos confuso, menos perdido e menos estressado ou pra baixo. — Obrigada por ter me tirado de uma furada.

Ela sorriu de lado, aquele típico sorriso doce.

Olhando para ela naquele momento eu me dei conta do quanto eu sentia a falta dela. Não como um amigo... Mas de outro jeito. De um jeito que há muito tempo nós não ficávamos. De um jeito que há muito tempo eu não me lembrava, pois me mantive ocupado com muitas outras coisas desagradáveis e acabei me esquecendo do mais importante.

Bianca estava maravilhosa, como sempre. Com um jeans normalzinho, uma blusinha larga verde e sapatilhas. A bolsa sobre o colo e os cabelos loiros presos em uma traça lateral. Notei que ela estava usando gloss nos lábios e rímel para realçar os cílios loiros. Ela parecia melhor e mais bonita de alguma forma, até mesmo mais feliz. E eu nem sabia por quê, pois há muito tempo não parávamos para conversar daquele nosso jeito que parecia dá tão certo.

Aproximei minha cadeira da dela e toquei carinhosamente seu braço. Ela pareceu espantada com o meu gesto, como se nós nunca estivéssemos estado assim ou ido muito mais longe que uma simples demonstração de carinho em publico. Eu sorri, meio bobo. Eu estava morrendo de saudade dela e só agora havia me dado conta disso.

Parecia ter passado uma década desde a ultima vez que estivemos juntos pra valer.

Eu sou um tolo mesmo.

Perco tempo com as que não valem a pena e acabo me esquecendo daquelas que têm tudo que eu preciso e sempre estiveram bem na minha frente. Agora eu sabia disso e não perderia essa oportunidade por nada.

Inclinei meu rosto na direção do rosto dela e quando estava prestes a tocar meus lábios nos dela para ter a certeza que ela também sentia o mesmo que eu, Bianca me conteve com um gesto educado.

— O que foi? Eu fiz alguma coisa de errado? – voltei a me ajeitar sobre a cadeira, levemente confuso com isso.

— Não, é que... Não vai rolar, Rafa. Eu sinto muito. – disse ela, meio constrangida, evitando me olhar nos olhos. — Mas é... Complicado.

Um simples beijo é assim tão... Complicado?

Não entendi, mas beleza. Talvez ela estivesse fazendo charme. Por isso resolvi dar uma nova investida, com uma nova abordagem. Mas novamente ela recuou, impedindo-me de tocá-la, de senti-la.

— Eu sinto muito.

Ela pegou sua bolsa, jogou no ombro e saiu dali praticamente correndo, como se eu tivesse acabado de abusa-la sexualmente.

Afinal, qual é o problema dessas mulheres?

Ou será que o problema sou eu?

Notas finais
É meio obvio o porque da Bianca não ter ficado com o Rafael. Mas na cabecinha dele isso não fez muito sentido, já que ele está por fora haha Coitado! E aí, o que acham da Gabriela não permitir que ele a visite? Porque será que ela não quer vê-lo? Comentem!