Todos Iguais

47 Felipe e Luiza


Hoje é feriado. Dia das crianças! Nós não somos mais crianças, mas bem que merecemos uma folgazinha do colégio vez ou outra. Um diazinho não faz mal a ninguém, não é mesmo? Eu, claro, vou aproveitar para ficar com a minha namorada. Já está tudo certo.

Nós não tínhamos planos melhores. Não estávamos a fim de ir ao cinema, bater perna no shopping, tomar sorvete ou qualquer outra coisa. Apesar do dia está lindo lá fora. Nossos amigos também não tinham combinado nada. Não que eu estivesse reclamando, porque eu adorava passar o meu tempo com a Bianca.

Primeiro fui convidado pelos pais dela – que milagrosamente não foram trabalhar no feriado – para tomar café da manhã com eles em família. Eu aceitava qualquer coisa para sair de casa e não ter que ficar olhando para a cara feia dos meus pais que também não foram trabalhar hoje.

Foi um café da manhã agradável na sacada. Coisa típica de gente rica, uma mesa enorme, repleta de coisas deliciosas, das quais nem metade conseguiríamos ingerir. Mais tarde, enquanto os pais da Bianca ainda estavam em casa, nós fizemos algumas lições de casa. E só depois quando eles saíram para ir ao shopping com a Maria Eduarda e tivemos a casa só para nós – fora os empregados – trancamos-nos em seu quarto, onde assistimos filmes de amorzinho pelo resto da tarde.

Não vou dizer que sempre fui fã desse tipo de filme, mas é sempre bom fazer sacrifícios por quem amamos. E eu poderia muito bem me acostumar a aquilo. Os filmes que a minha namorada escolheu não eram de todo mal. Tinham histórias lindas que até nos serviam de motivação, mas que nós sabíamos que nem tudo, aqui no mundo real, poderia ser tão fácil ou acessível como no fundo da fantasia.

Pelo visto os pais da Bianca e sua prima tinham muito o que fazer no shopping — que muito provavelmente deveria estar lotado hoje — pois eram quase sete da noite e eles ainda não tinha voltado. Bianca muito antes de mim tinha se cansado de comer pipoca e assistir filmes no Netflix, que acabou desligando tudo e voltando para perto de mim em sua cama.

Nós estávamos tipicamente abraçadinhos como qualquer casal. Mas eu duvidava que existisse alguém nesse mundo que era tão feliz e satisfeito por amar tanto uma garota como eu amo Bianca. O amor que eu sento por ela só aumenta. Nós somos muito felizes e unidos. Raramente brigamos, mas nem tudo é perfeito e havia dias em que sim, ficávamos de saco cheio um do outro. Mas isso durava muito pouco, pois o amor prevalecia mais do que qualquer outra coisa.

— Sabe o que é o mais incrível? – não era exatamente uma pergunta, mesmo assim ela assentiu, olhando-me com um meio sorriso. — Quando eu estou com você, não há nenhum outro lugar que eu gostaria de estar.

Após dizer isso beijei a ponta deu seu nariz e seu sorriso se estendeu.

Era um gesto simples e bobo, mas eu realmente amava beijar cada parte de seu rosto: nariz, boca, olhos, bochechas e especialmente a testa. Ela era muito precioso para mim. Eu a amava de todas as formas possíveis. Por dentro, por fora. Tudo. Bianca de fato era o grande amor da minha vida e eu estava feliz por ter a encontrado mesmo tão jovem, mesmo parecendo cedo e precipitado.

Não era como se fôssemos nos casar amanhã.

Depois de beijar seu nariz, ela me puxou – com as mãos em minhas costas – para beijar meus lábios. Um beijo que foi muito doce e terno no inicio, mas que foi se soltando depois e ficando cada vez mais quente e tentador. Eu a segurava pelo cabelo, perdendo o controle da respiração e das batidas do meu coração.

— A porta está trancada? – sussurrei, sugando seus lábios inferiores.

— Sim. Por quê? – ela perguntou, sorrindo um pouco.

— Nada, não. Só pra saber. – sorri também antes de voltar a beija-la na mesma intensidade que antes.

Não pude resistir por muito tempo. Eu queria mais. E acabei ficando por cima dela. Beijei seu pescoço, sentindo sua respiração quente. Ela estava de olhos fechados e eu observando de perto todas suas reações ao toque dos meus lábios por sua pele suavemente perfumada.

— Eu te amo muito, Bia. – sussurro outra vez, voltando a beija-la nos lábios. Ela retribuiu, colocando suas duas mãos em meu rosto.

Ficamos assim por um tempinho que poderia ser eternizar, que eu certamente não me importaria. Mas havia uma chama ardente acessa dentro de mim que estava difícil de controlar. Além de estar totalmente entregue a aquele momento, excitado, apaixonado demais pela garota que eu tinha em meus braços eu tinha mais do que certeza que eu amava e estava pronto para qualquer coisa, desde que ela estivesse comigo.

Nunca fui muito experiente nesse tipo de coisa. Nunca fui tão longe com nenhuma outra. Também nunca senti tanto desejo e excitamento. Apenas deixei meus extintos me guiarem. Voltei a beijar seu pescoço e fui descendo, beijando seus ombros, o busto e os braços.

Antes de qualquer outro passo eu voltei a olha-la dentro dos olhos, inclinado sobre ela. Bianca me olhava de um jeito intenso, com seus olhos verdes ardentes. O que só poderia significar que ela estava adorando aquilo tanto quanto eu, só não dizia em palavras. Mas eu sabia que aquele olhar era de amor, confiança e respeito.

Levantei devagar a blusa dela, expondo sua barriga lisa. Olhei para ela novamente, só pra saber se eu estava indo na direção certa ou estava cometendo um equivoco ao ir longe demais. Bom, ela não protestou. Deu apenas um sorriso singelo, o que só poderia significar que aquele era o sinal verde que eu tanto precisava para continuar.

Beijei sua barriga, enquanto ela acariciava meus cabelos, bagunçando-os mais e mais. Voltei a puxar a blusa, agora para me livrar dela completamente. Bianca me ajudou nesse processo, erguendo um pouco o corpo para a blusa passar pela cabeça. Suspirei ao ver o sutiã preto com detalhes cor-de-rosa que ela estava usando.

Fiquei assim, apenas contemplando seu corpo magro, que para mim era perfeito de qualquer jeito. Sendo magro ou mais gordinho. Meu amor por ela é muito mais que atração física. Depois senti um formigamento nas mãos. Elas estavam ansiosas para tocar seus seios, para senti-los melhor.

Quando levei minhas mãos até eles... Bianca me parou pelo caminho.

Estava bom demais para ser verdade.

— O que foi? – perguntei surpreso. Estava indo tão bem. Eu pensei estar indo pelo caminho certo, mas pelo visto me enganei feio. — Eu fiz alguma coisa de errado?

— Na verdade, não. Não foi você. – disse ela, parecendo um tanto desconfortável. — O problema sou eu, Fê.

Sai de cima dela e sentei-me ao seu lado, tirando os olhos dela apenas para pegar sua blusa que havia caído no chão para entregar para ela.

— Olha, eu amo você mais do que já amei qualquer outro. Eu só não sinto preparada ainda. Estou desconfortável. Eu... Eu... – coloquei minha mão sobre a dela, incentivando a continuar. — Eu sinto vergonha do meu corpo. Não estou preparada para que você o veja... Assim.

O.K. Já entendi. Não importa quantas vezes eu tenha dito a ela que é maravilhosa, linda do jeito que é, perfeita, bonita, incrível, que eu a amo de qualquer jeito, que ela é deslumbrante de um jeito especial.... Ela nunca realmente acreditou em mim. Ela me ouviu, mas nunca me escutou. Tudo que eu disse, por mais sincero que estivesse sendo, foi em vão.

Ela não se sentir preparada para que eu a visse nua me provou isso. Como se eu fosse o tipo de cara que escolhe uma garota pelo corpo, se tem bunda grande ou peitos enormes, pernas deslumbrante e barriguinha saradas. Não consigo acreditar que a Bianca nunca tenha acreditado verdadeiramente em tudo que eu disse em todo esse tempo em que estamos juntos e me provocaram tantas coisas. Inclusive que eu possa ama-la de qualquer jeito.

Eu falo essas coisas só para parecer um cara bom. Estou longe de ser perfeito. Mas poxa, eu falo a verdade quando digo que eu a amo e nunca, nem mesmo por um momento, senti algo parecido por outra. Porque só agora, estando com ela, foi que eu percebi que qualquer coisa que tenha acontecido antes não tem a mesma importância do que acontece agora entre nós.

Balancei a cabeça negativamente, inconformado. Abaixei-me, peguei meu tênis e o calcei. Pelo canto do olho vi que a Bianca já tinha vestido sua blusa e agora me olhava com os olhos arregalados.

— Eu entendo o fato de você ainda não estar preparada quanto a isso que chegamos muito perto de fazer. Afinal, você ainda está em tratamento, passando por uma fase de aceitação e isso leva tempo. O que eu não posso admitir é que você não tenha levado em consideração nada do que eu tenha dito para você em todo esse tempo. – digo, olhando diretamente em seus olhos assustados. — Era para você ter acreditado em mim. Confiado que eu te amaria acima de qualquer outra coisa, mesmo você não se amando.

E depois fui embora, muito mal com essa situação.

***

Natália e eu fomos dar uma volta no parque Ibirapuera de bicicleta naquela tarde de sol, em pleno feriado. Como no dia em que eu a beijei, exatamente nesse lugar, e me dei conta de que eu a amava muito mais que uma simples amiga. Foi uma tarde divertida, nós rimos a beça.

Quando cheguei em casa naquele começo de noite meu sorriso rapidamente desapareceu, ao ver que meus pais estavam sentados no sofá, parecendo que esperavam por mim. O pior é que as expressões nos rostos deles não indicavam boas coisas.

— Você não nos contou que tinha reunião de pais na terça-feira. – começou minha mãe, olhando diretamente para mim.

— Quando fomos olhar o site do colégio hoje ficamos muito desapontados com a sua média na maioria das matérias. – remendou meu pai, olhando-me de um jeito muito assustador. — E aí entendemos porque você escondeu a reunião de pais da gente.

Nossa. Eles me pegaram.

Eu já tinha consciência de que aquilo aconteceria uma hora ou outra, só que ainda não estava preparada para aquela conversinha.

— O que está acontecendo com você, Luiza? – mamãe perguntou, seu tom de voz furioso. — Seu nível baixou muitíssimo no colégio. Você está com metade das notas vermelhas! E falta só um bimestre para o ano letivo acabar. Por acaso você esqueceu quais são suas obrigações?

De fato eu tinha me esquecido que meus pais eram tão rígidos. Eu estava vivendo um momento muito mágico com a Nati, estávamos tão felizes, tão completas e nós amávamos tanto, nosso namoro era sempre cheio de novidades e cumplicidades, que eu acabei me esquecendo de que existia um mundo real lá fora que exigia e esperava muito de mim.

— Tenho certeza que a culpa é daquela garota que você diz amar. – disparou meu pai e eu fiquei horrorizada.

Jogar a culpa das minhas falhas na Natália eu não poderia aceitar.

— Não, pai. Ela não tem culpa nenhuma nisso. Vocês podem ver o boletim dela. Ela tem notas incrivelmente boas!

— Ah, então está explicado. – ele voltou a dizer, bufando. — Ela tem tempo para estudar, mas não dá tempo para você estudar.

Eu ri sem humor, não acreditando no que ouvia. Aquilo era uma barbaridade! Era impossível convencer meu pai de qualquer coisa.

— Pai, mãe... Olha, eu posso explicar tudo...

— Você tem o direito de permanecer calada, Luiza! – meu pai gritou levantando-se, sem paciência. — A partir de agora você está de castigo. Você só vai de casa para o colégio e do colégio para casa, estamos entendidos?

Para completar:

— Não queremos ver aquela garota aqui em casa até termos certeza que você passou de ano com notas boas. Também nada de sair com os amigos, televisão, celular ou computador. Chega de moleza, Luiza.

Meu queixo praticamente caiu no chão.

Meus pais pensam o quê? Que ainda vivíamos na idade na pedra?

Quando abri a boca para protestar, ambos me impediram com um olhar mortal.

— Vai já para o seu quarto e trate de meter a cara nos livros a partir de agora.

Eu fui, mas só porque não queria agravar ainda mais aquela situação. O que não significava que eu estava de acordo. O que não significa que estava decepcionada com ele tanto quanto eles estavam comigo por aproveitarem a primeira oportunidade para jogar toda a culpa na minha namorada que por sinal não tinha nada a ver com isso – pelo menos não em parte – só porque eles ainda tinham dificuldade de me aceitar.

Bati forte a porta do meu quarto.

Depois me joguei de cara no meu colchão e abafei um grito de frustração no travesseiro.

— Em dez minutos entraremos aqui para conferir se você está estudando. – gritou minha mãe do corredor. — Acostume-se a essa patrulha. Eu e seu pai nos revezaremos, pois isso acontecerá de dez em dez minutos. Nós perdemos totalmente a confiança em você.

Era só o que me faltava... Eles ficarem no meu pé agora para cada passo que eu daria. Tudo bem que eu tinha feito por merecer, mas isso era demais, não acham?

Meu celular vibrou no bolso.

Era a Bianca em prantos.

— Será que você pode vir aqui amiga? Preciso muito de você!

— Bianca, mas o que aconteceu?

— Só vem até aqui, por favor.

E desligou.

Fiquei muito preocupada com ela. Ela não estava só chorando, parecia estar se derrabando em lágrimas. Algo de muito ruim havia acontecido e isso não estava me cheirando muito bem. Então muito rapidamente digitei uma mensagem de texto para ela que dizia:

“Estou de castigo”. Mas eu vou aí sim que puder. As dez pode ser? Vou esperar meus pais irem dormir. Só tenha um pouco de paciência.”

Olhei no relógio e ainda eram oito e dez da noite. Tomei um banho, vesti meu pijama e peguei alguns livros e anotações. Só para disfarçar. Eu não estava com cabeça para começar a estudar ainda. Eu não temia repetir o ano, eu só precisava de um pouco de espaço e compreensão dos meus pais.

Sim, meus pais vieram conferir se eu estava estudando ou não de dez em dez minutos. E eu soube fingir muito bem todas às vezes, porque sou uma ótima atriz. Não saí do quarto para jantar só para mostrar o quanto eu estava chateada com tudo isso. E às dez e meia enfim eles foram dormir, após verificar que eu também tinha pegado no sono.

Mas eu não tinha, é claro. E saí de fininho. Precisava ver a Bianca. Ela precisava de mim e eu precisava dela.

***

Com certeza peguei pesado com a Bianca. Eu só precisei de uma noite inteira em claro depois do o ocorrido para me dar conta disso. Não era para eu ter sido tão duro quando ela mais precisava do meu apoio. Afinal, eu estava aqui para isso, não é mesmo? Então porque extrapolei tanto? Fui frio e cruel com ela. E virei às costas, algo que eu nunca perdoaria vindo de mim

Não sou de ferro. Sou humano e também cometo erros. Também extrapolo e me arrependo só depois de ter feito a merda. Solto asneiras, ajo sem pensar, sou insensível e imaturo. Mas principalmente, sei reconhecer meus erros e sei me desculpar por eles.

Não posso nem imaginar o quanto a Bianca ficou mal por minha causa, mas tive certa noção no dia seguinte ao nosso desentendimento, quando nos encontramos pelos corredores e ela simplesmente passou por mim, de cabeça baixa, como nunca antes tinha agido. Bem feito pra mim, claro. Eu merecia coisa pior. Mas ela ter agido assim, parecendo tão desolada por minha causa, me fez entender que eu quem deveria dar o próximo passo caso quisesse concertar as coisas. E eu queria isso mais que tudo na vida. E não faria de qualquer jeito, porque sabia que ela merecia o melhor.

Passamos o dia assim sem nos falar direto, apesar de toda a minha vontade em apenas abraça-la e pedir desculpas. Só que eu estava guardando o melhor para mais tarde. Mas não conseguiria agir sozinho e por isso pedi a ajuda das meninas, após explicar a situação antes que elas atirassem pedras em mim por eu ser um cretino insensível, e as convenci de enrolar a Bianca para que eu preparasse as coisas em sua casa.

Sai do colégio direto pra casa, praticamente correndo. Nem passei em casa antes e fui logo subindo para o andar da Bianca, onde conversei com a Lídia e tive seu total apoio. Ela também foi uma peça fundamental para mim. E juntos organizamos tudo no quarto da Bianca do jeitinho que eu tinha em mente.

Depois é que desci pra casa, tomei um banho, vesti outra roupa e passei os dedos pelo cabelo molhado. Saí de casa antes que meus pais chegassem e pegassem no meu pé como sempre. Esperei pela Bianca em seu quarto, escondida. Mas ela estava demorando mais do que o esperado. Ouvi a voz dela falando algo com a Lídia por volta das sete e meia da noite.

Eu tinha deixado o quarto escuro e deixado apenas à luz do único abajur acessa. O brilho da lua e das estrelas aquela noite também estava ajudando e muito. Iria ser como se estivéssemos deitados em um campo deserto, de baixo do céu escuro. Peguei também um colchão fino, alguns lençóis e almofadas e organizei de um jeito romântico na porta da sacado do quarto dela. Sabendo que ela era fanática pela Avril Lavigne deixei as músicas dela tocando baixinho em seu Ipod em cima da escrivaninha.

Eu estava na sacada, escondido. Mas bastou ouvir a porta do quarto da Bianca abrindo e depois sendo fechada que eu resolvi me revelar. Ela soltou um gritinho assustado com a mão no coração e quando eu sorri para ela, ela sorriu de volta, parecendo aliviada por ser eu ali. Depois ela olhou em volta como se perguntasse os diabos eu estava fazendo ali e foi quando ela deparou no cantinho que eu tinha preparado para nós diante dos meus pés.

Estendi minha mão para ela, mesmo de longe, convidado para se juntar a mim. Ela se aproximou devagar parecendo apreensiva e segurou minha mão. Nós nos sentamos sobre o colchão e lençóis com as almofadas em volta.

— Primeiro, queria me desculpar por ter sido tão babaca com você. Eu sinto muito por tudo. Não foi intencional. – ainda segurava as mãos dela nas minhas. Bianca me olhava atentamente. — Você deve ter pensando que saí furioso daqui aquela noite só porque você não queria transar comigo, mas na verdade eu saí daquele jeito daqui aquela noite porque por um momento eu quis que você pudesse se amar da mesma forma que eu te amo.

Dei uma pequena pausa, soltando uma de suas mãos para tocar seu rosto.

— Eu só quero que você saiba que eu te amo pelo que você é e não importa quantas vezes eu terei que repetir isso até você acreditar. Eu repetirei quantas vezes por necessário, porque te amar é um privilegio. E eu te amarei pelo resto da minha vida, tenha certeza disso.

Ela sorriu ao fechar os olhos e esfregar seu rosto em minhas mãos como um gatinho faria.

— Não é que eu tenha duvida do se amor por mim. Na verdade, essa parece ser a única certeza que eu tenho nesse momento além da certeza que eu também te amo. O único problema é que ainda é muito difícil pra eu olhar para o meu corpo e me sentir bem, me sentir a vontade, me sentir normal... Mesmo sabendo que isso que você vê é o que você ama e gosta em mim. Bom, basicamente é... Complicado.

Eu entendia perfeitamente.

— O problema não está aqui – ela levou uma de minhas mãos até o seu peito, onde exatamente estava seu coração. Batendo forte. — O problema está aqui. – ela apontou para a própria cabeça. — Eu estou tentando melhorar e me manter firme. Eu juro que estou tentando, você sabe bem o quanto. Só que nem sempre é fácil e eu só preciso que você seja um pouco mais paciente.

— Claro. Claro! Eu serei paciente, meu amor. Eu esperarei o tempo que for preciso e continuei te ajudando a lutar contra isso todos os dias. Sexo não é a coisa mais importante pra mim agora e nem nunca será. O mais importante pra mim é você estar bem, é você estar feliz.

Beijei rapidamente seus lábios.

— Se você estiver ao meu lado... Eu estarei feliz. Só não me deixe outra vez. – seus olhos se encheram de lágrimas e meu coração se apertou. — Por favor, não me deixe. Eu não sei se seria capaz de continuar sem você.

Antes que ela pudesse chorar por minha causa, eu a puxei para um abraço. E isso bastou para ela chorar de vez, soluçando em meu pescoço.

Eu não soube o que fazer para acalma-la. Detestava ter que vê-la assim, ainda mais por minha causa. Nenhum homem jamais seria digno de fazê-la chorar.

— Olha pra mim. Mas por favor, não chore mais. – tentei me afastar. Segurei seu rosto entre minhas mãos, olhei dentro de seus olhos e ajudei a enxugar as lágrimas com os polegares. — Eu sempre vou estar aqui. Se não fisicamente, dentro do seu coração. Você só tem que acreditar nisso.

Bianca me surpreendeu ao beijar minha boca de um jeito feroz, como se ela tivesse urgência naquilo. Eu a segurei pela nuca. Nossas bocas se encaixaram perfeitamente como todas às vezes anteriores em que nos beijamos e como sempre seria quando nossas bocas se encontrassem.

Bem devagarzinho ela foi deitando sobre o colchão no chão, sem desgrudar nossos lábios nem por um momento.

Notas finais
Bom, foi quase. Mas não aconteceu haha Particularmente eu não tenho nada contra quem vai rápido demais com essas coisas, mas eu achei que seria bom que eles estivessem em sintonia quando isso tivesse que acontecem de fato. Completamente entregues ao momento. Do jeito que as coisas andam, parece que isso não vai demorar muito. Mas e aí, gostaram? Comentem, hein. Eu adoro ler os comentários de vocês!