Todo Carnaval Tem Seu Fim
1 Todo Carnaval tem seu fim
Sempre acreditei na existência do amor, porém nunca acreditei que ele fosse aparecer em um lugar onde ele se esconde, um carnaval. E foi lá onde encontrei a minha amada, não sei ainda se apenas um amor de carnaval ou um amor para a vida inteira, isso só o tempo poderá me dizer, mas naquele olhar encontrei felicidade naqueles dias de festa, naquele olhar encontrei abrigo, encontrei confiança, encontrei amor.
Foi no ano de 1998, na cidade de São Paulo, em um dos vários carnavais que existiram naquela cidade que encontrei aquela mulher, ela estava vestida de rainha, com uma coroa dourada cheia de pedrinhas falsas que lembravam diamantes, um vestido azul com um colete de couro envolvendo seu corpo, sapatos de vidro que pareciam cristal, uma bela fantasia. Eu estava com uma roupa de cavaleiro, uma armadura um pouco pesada de metal, uma espada média de metal detalhada no cabo, com alguns enfeites de vidro, parecia um personagem de uma batalha medieval. Em meio àquela farra toda, nós nos esbarramos, eu segurava um copo de cerveja em uma mão e sem querer molhei ela, ela aparentava estar brava com a situação, porém não fez um escândalo, ao contrário, ela sorrio para mim, mas dava pra ver que não era um sorriso de alegria, eu lhe pedi desculpas e sugeri que ela viesse comigo a uma cara ali perto, era a casa de uma amiga minha, para que ela pudesse lavar o vestido, e naquela situação, entre algumas conversas jogadas fora, acabamos nos beijando. Senti uma emoção tão forte naquele beijo que pensei logo de momento estar apaixonado por ela, e assim se passou o resto do dia do carnaval, entre beijos loucos trocados com minha rainha.
No segundo dia, voltei às ruas da São Paulo festiva, eu e mais 4 amigos, todos fantasiados de guerreiros medievais como no primeiro dia, formávamos o clã dos cavaleiros. Saímos para a farra quando eu novamente encontro a moça do dia anterior, eu não sabia seu nome, por isso não pude gritar por ela, cheguei mais perto e novamente vi seu olhar, dessa vez amoroso em lindos olhos verdes, via sua beleza não em seu corpo, e sim em seus olhos, eles me diziam muito sobre ela, porém me diziam que algo ruim estaria pra acontecer. Novamente passamos aquele segundo dia de carnaval à dançar e nos beijar loucamente como se não houvesse preocupações, problemas, descuidos ou injurias, como se houvesse apenas eu e ela, um mundo mágico onde podia me perder entre seus braços macios e brancos. Terminamos a noite entrelaçando nossos corpos em minha cama, como dois selvagens, porém com uma diferença, nós estávamos loucamente apaixonados, seria apenas um amor de carnaval?
No terceiro dia, resolvi me vestir de um dos clichês do carnaval, o Pierrot, uma fantasia um pouco triste, do lado direito, completamente branca, e do lado esquerdo, completamente negra, maquiagem pesada, aparentando um chorar sem fim, todos me viam e pareciam ver o sofrimento personificado, até eu mesmo naquele dia senti o sofrimento correndo por entre minhas veias mas resolvi ir para a festa, para ver se encontrava a minha rainha naquela Terça-feira de carnaval, o último dia. Procurei por entre as ruas, por entre as avenidas, em todos os lugares que eu pude imaginar, mas não a encontrei. Quando quase desisti de procurar, eu a encontrei, a mais bela das mulheres ali presentes, estava vestida de Colombina, estava com uma maquiagem branca, com lagrimas negras embaixo do olho direito, um longo vestido negro com detalhes vermelhos, uma sombrinha roxa e um chapél preto. Veio com um olhar triste falar comigo e do seu lado um homem, vestido de Arlequim, uma fantasia muito perfeita, lembrava os bobos da corte na idade média. Ela veio me dizer que não poderíamos ficar mais juntos, e que ela tinha achado o amor da vida dela, e esse amor era o Arlequim, mas eu vi em seu olhar que ela não falava a verdade, vi que ali não existia amor e sim tristeza, medo talvez, ela não estava com ele por que o amava, e sim por que era obrigada.
Comecei a me derramar em lágrimas encostado em um bar ali perto, bebi uma, duas três, várias garrafas que nem lembro, me matava em bebida para esquecer aquela que naquele carnaval me fez o homem mais feliz do mundo, aquela Colombina tão bela e doce que fez com que eu me apaixonasse. A sina de todo Pierrot é querer amar e não ser amado por sua Colombina, minha dor persiste até hoje por causa da minha Colombina, aquela que beijei, amei e que também me trocou por Arlequim.
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