O trem parou na estação e através da janela Himuro viu sua companhia.

Ela trajava um conjunto esportivo vermelho e preto e abriu um genuíno e feliz sorriso ao vê-lo. Os primeiros olhares foram embaraçosos e retraídos, mas um caloroso e apertado abraço derrubou qualquer armadura psicológica que ele até então possuísse. O moreno se sentia péssimo por ter deixado Akita, mais ainda por ter feito algo que Murasakibara não o perdoaria tão facilmente. Como se eu já não estivesse encrencado o suficiente. Vir até aqui é uma gota no oceano de decepções. Atsushi não vai querer falar comigo nunca mais. Aquela simples ideia o fez apertar o abraço, sentindo as costas firmes da pessoa que o envolvia com extrema facilidade. Ele ficou mais alto.

Kagami Taiga não fez nenhuma pergunta além de se oferecer para carregar sua bolsa esportiva. As roupas do time de basquete foram substituídas por uma nova troca de roupas, toalha e pijama. A passada rápida em seu apartamento custou-lhe poucos minutos e Himuro seguiu de táxi até a estação, chegando a tempo de pegar o último trem para Tokyo. Aquela espontânea decisão provavelmente havia sido um erro, porém, ele não conseguiria passar o final de semana sozinho e ruminando a briga, ou o término do meu namoro. A primeira pessoa a brotar em sua mente foi seu irmão mais novo e, mesmo que Murasakibara nunca o perdoasse por ter recorrido a Kagami, somente vê-lo e senti-lo perto valeram as horas de viagem.

"Desculpe por ter vindo tão de repente. Eu espero não ter atrapalhado nada." Eles deixaram a estação e seguiram por uma avenida que estava quase vazia devido ao horário.

"Não se preocupe, eu estava livre." Kagami riu, olhando para os dois lados ao atravessar.

"Kuroko?"

"E-Ele vem somente amanhã." As bochechas se tornaram quase tão vermelhas quanto os cabelos.

"Então eu irei embora o mais cedo possível." Himuro riu, divertindo-se com a situação.

"Não vai ser necessário. Ele disse que gostaria que almoçássemos juntos."

"Certo," o moreno apertou a alça da mochila. A sensação de culpa retornou e foi inevitável não se sentir péssimo por atrapalhar a vida do irmão. Eu vou me desculpar com Kuroko amanhã.

A caminhada não foi longa e o relógio marcava mais de 23h quando eles abriram a porta do apartamento de Kagami. A única parada foi em uma loja de conveniência onde os rapazes compraram o jantar. O ruivo alegou que já havia jantado, no entanto estava novamente com fome. Himuro não comera nada desde o almoço e não se sentiu mal ao deixar o local carregando dois obentos grandes e alguns onigiris.

"Você estava estudando?" Ele encarou os livros abertos na mesinha de centro.

"Tentando, eu diria..." Kagami apressou-se em retirá-los dali. "Semana que vem começam as provas e eu não posso me dar ao luxo de ir mal."

"Hm..." Himuro viu ali a oportunidade perfeita para pagar pela hospitalidade. "Eu posso ajudar, se você quiser."

"Mesmo?!" O irmão virou-se e seus olhos brilharam em lágrimas. "E-Eu gostaria, sim! Por favor, Tatsuya!"

A ideia de mostrar-se útil afastou um pouco a culpa por roubar-lhe a noite de sexta-feira. Os dois rapazes ajeitaram a mesinha e ligaram a tv, degustando a refeição enquanto assistiam a uma partida americana de basquete. Qualquer outro assunto que não fosse o dito esporte desapareceu e por cerca de quarenta minutos a atenção foi dividida entre os obentos e a grande tela de LED. O jogo terminou, coincidindo com o final da refeição. Himuro espreguiçou-se, agradecendo pela comida e prontificando-se a cuidar do lixo e da pouca louça que haviam sujado. Ao retornar para a sala, ele juntou-se a Kagami que havia arrastado a porta de vidro e estava na sacada.

A noite de outono estava fresca, mas estrelada. O calor do verão havia ficado para trás, contudo, eles ainda teriam algumas semanas de clima ameno antes que o frio do inverno se apossasse daquela estação. O moreno colocou os braços sobre o apoio da sacada, fechando os olhos e sentindo a brisa tocar-lhe a pele. Estava mais frio em Akita. Nós teremos um inverno gelado. Lembrar-se de casa não era muito bom, pelo menos enquanto estivesse ali.

"Então, o que aconteceu?"

A pergunta não lhe surpreendeu. Ele deduziu que Kagami deixaria para questioná-lo quando estivessem relaxados.

"Eu não posso visitar meu irmão porque estou com saudades?"

"C-Claro que pode," o ruivo coçou uma bochecha corada, "eu não estou reclamando. Na verdade, estou muito feliz por você estar aqui, mas sei que mais alguma coisa aconteceu. Se quiser conversar eu sou todo ouvidos."

"Obrigado, Taiga."

Himuro sorriu. Ele sentia-se em uma encruzilhada. Parte dele queria desabafar, esperando que uma terceira opinião pudesse lhe mostrar algum caminho; a outra parte sabia que Kagami e Murasakibara não se suportavam e que a irritação do amante ao saber que ele havia recorrido a Taiga seria proporcional à felicidade do irmão em vê-los afastados.

"O que aquele idiota fez agora?" Kagami não fez cerimônias em demonstrar sua aversão a Murasakibara.

"Nada, na verdade, a culpa foi minha." As duas grossas e ruivas sobrancelhas se juntaram. "Eu ando ocupado com meus estudos. No próximo mês tenho a prova na universidade de Tokyo e meu tempo ultimamente é escasso, para não dizer inexistente. A gota d'água foi que me esqueci de encontrá-lo no domingo e deixei Atsushi esperando."

"Ele deveria saber que você está ocupado, não há o que fazer."

"Não é bem assim, Taiga, e você sabe disso. Atsushi é uma pessoa bem compreensiva, mas eu dei motivos para tirá-lo do sério. Você também ficaria chateado se Kuroko-kun lhe deixasse plantado em um encontro."

Kagami calou-se e pareceu ponderar, coçando a cabeça e suspirando em seguida.

"Eu ficaria um pouco chateado."

"Não é? Eu tentei me desculpar a semana toda, mas Atsushi me evitou todos os dias. Hoje, quando finalmente conversamos, acabamos discutindo e eu estava deprimido demais para ficar em casa." O moreno sentiu-se mais leve por saber que poderia se desculpar por aquela escapulida. "Novamente, desculpe por vir dessa forma. Eu estava devendo uma visita, mas gostaria que fosse de outra maneira."

"Tatsuya, nós precisamos fazer alguma coisa sobre esses seus pedidos de desculpas. Eu já disse que não me importo. Para ser sincero, eu até prefiro que você venha nessas circunstâncias, pois geralmente quando você vem e está tudo bem aquele cara fica ligando e te mandando mensagens o tempo todo, é irritante!"

"Ele não vai telefonar ou mandar mensagem, fique tranquilo." Ele também concordava que aquilo era uma coisa boa. Talvez ficar um pouco afastado de Murasakibara não fosse de todo ruim.

"Ótimo, então vamos aproveitar o tempo que temos." Kagami se desencostou da sacada. "Se não estiver exausto, podemos assistir a um filme."

"Eu acho a ideia válida." Himuro sorriu. O cansaço do treino ainda não havia se manifestado e fazia algum tempo desde que ele assistira a qualquer coisa na televisão.

Passava das 3h da manhã quando os dois irmãos decidiram que era hora de dormir.

Kagami ofereceu sua cama, mas Himuro afirmou que ficaria satisfeito com o sofá. O cansaço do dia o atingiu assim que ele se deitou e o sono não demorou a chegar. Naquele resto de noite ele teve vários sonhos esporádicos, um deles recordando-se da viagem que fizera à praia e em como Murasakibara estava feliz e animado, o que era totalmente raro. Quando o dia amanheceu, ele foi o primeiro a acordar e depois de um rápido banho se propôs a preparar o café da manhã. Kagami era sem sombra de dúvidas o melhor cozinheiro, porém, ele sentia-se na obrigação de mimar um pouco seu irmão mais novo.

O ruivo saiu da cama no meio da manhã e reclamou por não ter sido acordado antes. O moreno fechou o livro que lia e esquentou a sopa missô que havia feito, sabendo que Kagami não levantaria cedo. Ele o acompanhou enquanto degustava uma xícara de café e juntos repassaram o que fariam naquele dia. Kuroko avisara que chegaria para auxiliar no preparo do almoço e que estava agradecido por Himuro se prontificar a ajudá-los a estudar. Os dois parecem desesperados. Eu queria que Taiga se dedicasse aos estudos como se dedica ao basquete, mas acho que é pedir demais.

Kuroko chegou quando havia sido decidido que almoçariam curry. A ideia agradou a todos, mas o ruivo precisaria de alguns ingredientes que infelizmente estavam faltando em sua despensa. Himuro se dispôs a ir, sentindo que já havia importunado o suficiente e que, talvez, os dois amantes quisessem algum tempo de privacidade. Para sua surpresa, o rapaz de cabelos azulados disse que iria acompanhá-lo e antes que ele pudesse processar sua negativa os dois já estavam na rua e seguiam calados até o mercado mais próximo.

"Desculpe por ter vindo sem avisar."

"Você não precisa se desculpar, Himuro-san. Você é o irmão de Kagami-kun, então é natural que você o visite."

"E você é o namorado, e eu talvez tenha resolvido aparecer em uma má hora."

"Eu e Kagami-kun não tínhamos nada combinado para o final de semana."

Algo no modo como Kuroko formulou aquela frase o fez diminuir o passo.

Himuro sempre foi uma pessoa sensível e perceptiva desde criança, ainda que fosse um pouco covarde para tomar certas atitudes. A princípio, Kuroko não aparentava estar diferente. O rapaz sempre foi quieto e de pouca presença, mas algo lhe dizia que havia mais por trás daquela resposta. Eu não quero pisar onde não devo, mas se alguma coisa está acontecendo entre eles eu quero ajudar. É muito mais fácil solucionar o problema alheio do que o meu. Himuro suspirou, sentindo-se a pessoa mais egoísta do mundo.

"Kuroko-kun, o que acha de levarmos sobremesa?"

O rapaz meneou a cabeça em positivo e decidiram que após a compra dos vegetais eles mudariam um pouco o caminho e iriam à confeitaria. O mercado estava parcialmente cheio por ser um sábado, no entanto, não houve problemas e em minutos ambos deixavam aquela área e seguiam pela calçada da avenida principal. Nenhum dos dois disse nada durante o percurso e, ao entrarem na confeitaria, a simpática moça que os atendeu avisou que os pudins levariam algum tempo para ficarem prontos e perguntou polidamente se eles não gostariam de esperar. Perfeito!

"Pronto, Taiga já está sabendo que demoraremos um pouco." Eles haviam sentado em uma das mesinhas do local. A atendente ofereceu duas xícaras de cappuccino como cortesia quando Himuro havia acabado de enviar a mensagem ao irmão. "Agora podemos conversar tranquilamente."

Os dois grandes olhos azuis se ergueram e Kuroko pousou a xícara após dar um curto gole. O suspiro que acompanhou o gesto não deixou dúvidas de que aquele silêncio tinha um significado.

"Está muito evidente que alguma coisa está acontecendo?" Ele desviou o olhar.

"Não, mas eu sou bom em reconhecer pessoas com problemas e já que Taiga não demonstrou nada eu suspeito que ele ainda não saiba que algo está prestes a acontecer." O moreno sorriu enquanto saboreava sua bebida. "Kuroko-kun, meu irmão pode ser um pouco devagar para certos assuntos, mas isso não significa que ele não se importe."

"Eu sei, mas nesse caso não é culpa de Kagami-kun."

"O que Taiga não fez? Temos cerca de dez minutos e, embora eu talvez não possa ajudar, garanto que sou bom ouvinte."

Kuroko voltou a dar atenção à sua xícara e por alguns goles nada disse. Seus olhos fitavam o lado de fora da janela de vidro e Himuro permaneceu quieto, esperando pacientemente e imaginando se Murasakibara estaria sentado em uma confeitaria com alguém e compartilhando seus problemas. A simples ideia o fez rir sozinho, levando uma das mãos à boca e corando por tal pensamento. Impossível. Primeiramente, Atsushi não acorda cedo aos finais de semana, com exceção dos treinos. Segundo, ele preferiria morrer a falar com alguém sobre sua vida. Seu coração tornou-se apertado ao lembrar-se do amante e a risada se transformou em um terno meio sorriso. Não importava o quão duras houvessem sido as palavras que ele ouvira no dia anterior, era impossível não sentir saudades daquela pessoa.

"Você está pensando em Murasakibara-kun, Himuro-san?" Ele não percebeu que havia chamado a atenção de sua companhia até sentir-se observado.

"Sim," o sorriso ficou mais largo, "Atsushi a essa hora deve estar dormindo profundamente."

O rapaz o fitou por um instante, seus lábios se entreabriram, mas ele calou-se em seguida. Sua xícara de cappuccino havia terminado e fora pousada sobre o porta copos com gentileza. Kuroko pareceu ter concluído sua análise mental, pois as mãos descasaram sobre suas pernas e sua postura denunciou sua próxima ação.

"Eu não sei se Kagami-kun chegou a mencionar, mas ele recebeu convites de duas universidades americanas."

"Taiga ainda está no segundo ano," Himuro surpreendeu-se com a notícia, "mas não posso dizer que não esperava por isso. Eu tenho certeza de que até a formatura ele irá ser requisitado pelas melhores universidades existentes."

A reação de Kuroko ao comentário foi tão honesta que ele arrependeu-se de não ter escolhido melhor as palavras. Os ombros se curvaram e os olhos perderam um pouco do brilho. Então é isso...

"Do meu ponto de vista, acredito que você esteja sofrendo por antecedência, Kuroko-kun." O moreno fitou o fundo de sua xícara. "Taiga pode ter sido convidado por essas universidades, mas não significa que ele vá frequentá-las. Essa é a conclusão mais óbvia a ser tirada, mas é também a mais otimista." Os olhos azuis que o fitavam estavam atentos. "Minha opinião pessoal? Não importa para onde Taiga vá, não existe a menor chance de você não acompanhá-lo, e eu digo isso após ter experimentado a derrota. Os convites que ele irá receber serão todos relacionados ao basquete. As universidades brigarão para tê-lo no time, e isso significa brigar por você, ou acha que continua invisível, Kuroko-kun?"

"Eu nunca serei tão bom quanto Kagami-kun. Nós estamos em níveis completamente diferentes."

"Mas é claro que vocês não estão no mesmo nível, da mesma forma como ele nunca será tão bom no que você é bom." Himuro ofereceu uma piscadela. "O brilho de Taiga é muito forte, a ponto de você precisar fechar os olhos ou ele é capaz de cegá-lo. E é aí que você entra, Kuroko-kun. A luz só existe por causa da sombra. Sem ela não conseguiríamos distinguir absolutamente nada e viveríamos no escuro, impossibilitados de abrirmos nossos olhos. Eu não acredito em destinado ou predestinação, mas é impossível não vê-los e questionar minhas próprias crenças. Vocês se completam, e eu falo com convicção que Taiga não irá a lugar algum sem você."

Os dois se olharam, entretanto, nada mais poderia ser dito, pelo menos na confeitaria. A atendente aproximou-se da mesa trazendo os pudins, que estavam perfeitamente colocados dentro de uma pequena caixa. A moça desculpou-se pela demora e desejou um bom dia assim que ganharam a rua, recebendo de Himuro um charmoso sorriso que a fez corar. O caminho de volta foi feito em silêncio, mas dessa vez ele optou por não tocar em nenhum assunto e deixar que suas palavras criassem raízes no coração duvidoso de Kuroko. Aquele era um assunto que seu irmão e o amante teriam de resolver sozinhos, e ele só esperava que seu ponto de vista tornasse a futura conversa menos dolorosa.

Kagami não reclamou da demora, apenas agradeceu pela sobremesa e disse que cuidaria do almoço. Himuro arrumou a mesinha de centro e enquanto o ruivo estava ocupado na cozinha Kuroko lhe explicou os pontos que tinham dúvidas, o que abrangia Matemática e Japonês. Os três começaram a estudar enquanto o curry estava no fogo e todas as horas passadas com a cara nos livros nas últimas semanas mostrou resultados. O moreno sentia o conteúdo fluir e quando os dois alunos o olhavam com expressões de dúvida ele optava por outra abordagem até que entendessem o assunto.

A única pausa feita foi para o almoço, apesar de ela ter sido um pouco longa. O curry estava delicioso, encorpado e apimentado na medida certa. Os pudins finalizaram a deliciosa refeição e foi difícil retornar aos estudos depois daquela hora de puro deleite. Himuro avisou que iria embora antes de escurecer e a notícia pareceu colocar Kagami e Kuroko em alerta, visto que, ainda que provavelmente não estivessem com ânimos para estudar em uma tarde de sábado, ambos motivaram-se a continuar, sabendo que não teriam outra chance como aquela antes das provas.

O céu havia escurecido quando ele deixou o apartamento de Taiga. O irmão havia insistido em acompanhá-lo até a estação de trem, mas o convite foi recusado. Os dois trocaram um apertado abraço e o ruivo prometeu visitá-lo assim que as provas terminassem. Kuroko agradeceu pelas horas de estudos e pela companhia na hora de fazer as compras. Todavia, assim como na confeitaria, Himuro sentiu como se ele quisesse dizer algo, mas acabou indo embora sem descobrir do que se tratava.

O ar da noite estava fresco, a viagem até Akita seria longa, e o desânimo que ele sentiu ao vir para Tokyo havia retornado antes mesmo de chegar à estação. Murasakibara não havia entrado em contado, fosse por ligação, mensagem ou e-mail. Eu vou tirar o domingo para pensar no que fazer. Eu preciso de uma resolução até segunda-feira. Não faço ideia de como abordá-lo sem que uma nova briga se inicie, mas a única coisa que sei é que não quero mais ficar longe dele.

O trem já estava na estação quando Himuro chegou, então ele apressou-se em comprar a passagem, não querendo perder tempo. Não havia muitas pessoas retornando, a maioria estava chegando a Tokyo, logo, foi fácil encontrar um lugar vazio e aconchegante próximo à janela. O celular no bolso da jaqueta branca e violeta do colégio Yousen vibrou e ao ver a pessoa que o ligava foi impossível não franzir as sobrancelhas e atender com um pouco de receio.

"Kuroko...?"

"Desculpe lhe importunar, Himuro-san, você já está no trem?"

"S-Sim, acabei de encontrar meu lugar. Aconteceu alguma coisa? Taiga está bem?" Seu coração pulou uma batida. Ele sempre era pessimista naquele tipo de situação.

"Sim. Kagami-kun está no banho e tomei a liberdade de telefonar, espero não ter atrapalhado."

"Não, de maneira nenhuma. Mas aconteceu alguma coisa?"

"Sim, e gostaria de ter dito antes, pessoalmente, mas não encontrei a oportunidade." Kuroko falou a última parte baixo e Himuro deduziu que ele se afastou para ter certeza de que Kagami ainda estava no banho. "Murasakibara-kun me ligou antes de eu vir para cá, pela manhã. Ele queria saber se você estava aqui."

O moreno engoliu seco e seus olhos se arregalaram. Os dedos apertaram o aparelho celular com mais força e seu coração passou a bater com rapidez. Ele me procurou. Não me ligou, então deve ter ido ao apartamento.

"Eu disse que você estava aqui, mas que retornaria provavelmente hoje. Espero não ter feito nada de errado."

"N-Não, obrigado por me avisar, Kuroko-kun. Atsushi disse alguma coisa?" O esforço em soar displicente foi grande.

"Não, apenas queria saber se você estava em Tokyo."

"Entendo..."

"Himuro-san," a voz voltou a soar baixa, "eu preciso desligar agora, mas gostaria de agradecer por ter me escutado e obrigado pelas palavras. Elas me ajudaram bastante."

"Fico feliz em saber que fui útil de alguma forma. Não se esqueça de conversar com Taiga a respeito. Eu tenho certeza de que ele não faz ideia de que você está se sentindo dessa forma."

"Sim, eu farei isso." A voz de Kagami soou ao fundo e a respiração de Kuroko tornou-se abafada. "Eu irei recompensar os conselhos que ouvi. Boa noite, Himuro-san."

A ligação foi encerrada e o moreno encarou o visor do celular por algum tempo. Ele não percebeu que o trem havia começado a andar, notando somente quando a estação se tornou mais um dos pontos iluminados da grande Tokyo. Então ele me procurou. O sorriso que cruzou seus lábios foi seguido por um par de bochechas coradas. Conhecendo Murasakibara como ele conhecia, não havia a menor chance de ele ter ido atrás de seu paradeiro se não pretendesse conversar, ou pelo menos oferecer uma nova chance.

Himuro retirou os headphones da bolsa esportiva, escolhendo sua playlist favorita e fechando os olhos para relaxar. Eu darei o meu melhor!

Ele precisaria estar com as baterias recarregadas e completamente relaxado se quisesse encontrar uma maneira de salvar seu relacionamento.

Continua...