Fazia um pouco mais de cinco anos que a guerra havia acabado, demorou dois anos para Draco limpar seu nome e de sua mãe, Lucio receberá o beijo do dementador no ano seguinte ao término da guerra.

Draco trabalhava no ministério, odiava aquele lugar, contudo amava aquele emprego. E ainda tinha que trombar quase toda semana com Potter e Weasley.

Potter não era o seu problema, ele até que se dava bem com o moreno, o problema era o Weasley, toda vez que o loiro olhava para o ruivo seus punhos cerravam de raiva. Há um ano e meio todos descobriram que Ronald Weasley, o grifinorio certinho, estava traindo Hermione Granger, sua noiva, e sua amante estava grávida.

Foi um choque e tanto para todos, eles formavam o casal perfeito. Foi um trauma enorme para a moça que descobriu não só que era traída, mas que a família do ruivo e o melhor amigo também sabiam da traição.

A grifinoria preferiu se desligar de todos no mundo bruxo e se mudou para Londres. Hermione sempre fora brilhante e ninguém duvidava disso, ela encabeçava uma equipe de pesquisa de uma das maiores empresa que trabalhava com energia limpa.

Enquanto Hermione tinha dias perfeitos, o mesmo não podia ser dito de Draco Malfoy que havia criado uma rotina e todo final do dia dava graças a Merlin por mas um dia de trabalho extremamente igual e tedioso ter acabado, um dia naquela vida de mentirinha que ele levava.

Assim que saiu do ministério aparatou para um bairro trouxa.

É claro que ele iria atrás de Hermione quando o dia acabasse. Ela havia se mudado para aquele bairro e resolvido tocar a vida como se fosse uma trouxa comum.

— Sr. Draco, a Srta. Hermione recebeu essa encomenda, será que o senhor poderia levar para ela? — perguntou o porteiro que já conhecia Draco.

— Claro Vanya — diz Draco assinando os papéis

Conforme o loiro ia avançando no corredor seu coração ia batendo mais forte. Ele havia várias vezes tentado desistir dessa rotina tão amada por ambos, mas na noite seguinte estava de volta na porta dela. Ele já havia pensado em deixar a morena se envolver com um trouxa qualquer e levar a vida normalmente, mas só a ideia de alguém que não fosse ele a tocando o tirava do sério.

Era diferente estar com a Granger, como se todo aquele fingimento e falsa educação caíssem por terra, não era necessário nada daquilo perto dela, Malfoy não precisava ser de mentirinha perto dela. Hermione já havia conhecido o monstro por trás dos olhos cinzentos e não parecia se importar mais com isso.

Antes de bater na porta, ela se abriu revelando uma Hermione em uma camisola verde, que na opinião do loiro caia extremante bem nela.

— Sempre tão pontual — sorriu envolvendo Draco.

— Como se eu fosse perder algum minutinho das minhas noites no paraíso — respondeu sorrindo e beijando-a.

— Draco você sabe porque eu vim morar aqui? — pergunta a morena distribuindo beijos pelo pescoço do loiro.

— Porque eu fico incrivelmente gostoso quando chego perto daquela janela, essa cidade definitivamente fica incrível de fundo para mim — respondeu convencido e deixando a embalagem em uma mesa.

— Não — ria a morena — Seu convencido.

— Porque você quer se desligar do mundo bruxo — respondeu imitando o discurso tão conhecido por ele, ficando tenso e pensando que aquele seria o dia em que a morena o mandaria embora.

— Exatamente — respondeu, se afastando dele e sentando no balcão perto de uma xícara de chá quente — E você sabe que graças a você meu plano não funciona muito bem.

— Hermione se você quiser eu… — Draco não sabia exatamente como completar a frase, o que ele faria se ela não o quisesse mais. Hermione fingiu que não ouvia e continuou:

— Eu tenho provavelmente o melhor emprego do mundo, amo o lugar, o que faço, as pessoas, e mesmo assim a melhor parte do meu dia é quando você bate nessa porta. Eu odeio quando você sai, e quando eu penso na possibilidade de você não voltar, é como se eu tivesse uma noite incompleta, é uma meia noite em todos os sentidos.

— Hermione Granger você vai me pedir em casamento? — disse Malfoy com um tom de humor incrível.

A morena estava corada e ia responder alguma coisa, ela ia dizer que queria um relacionamento, quando o garoto se colocou entre as pernas dela e a levou entre beijos para o quarto.

Ela se lembrava do começo...

Eles começaram a se encontrar a um ano, quando Hermione se mudou, eles se encontraram em um bar perto do apartamento da moça, Draco bebia para esconder seus problemas em bares trouxas onde ninguém reconheceria um ex-comensal da morte, enquanto ela só queria conhecer o lugar e pessoas novas, mas não estava dando certo pra nenhum deles.

Para Draco cada gole o deixava mais solitário e para Hermione os disfarces pareciam até reais, mas quando ela tentava se aproximar percebia que aqueles caras não eram legais. Até que a morena viu o loiro num canto escuro, ela tomou coragem junto de um pouco de uísque e foi até o lugar que ele estava. A noite terminou com os dois embaixo das cobertas da Granger.

Ela amava os sentimentos que apenas ele era capaz de proporcionar, como quando a pele dele tocava na dela ou quando suas bocas se encontravam num ato desesperado tentando guardar o melhor do outro na lembrança, quando a noite batia a porta dela ele vinha junto. Hermione já tinha pensado em desistir, em dizer não para ele, só que já era tarde para resistir, e noite após noite por um ano Draco aparecia. Hermione havia se tornado seu vício e sua cura, como se o simples fato de olhar os cabelos castanhos da mulher a sua frente fizesse o dia todo ganhar uma nova paleta de cores, com ela nada era cinza, na presença de Hermione tudo ganhava cor.

Eles amavam estar juntos, ambos sabiam que as noites eram iguais ele as terminava satisfeito, ele queria estar com Hermione toda noite e era isso que ele fazia. Já ela sempre queria mais, ela queria estar com ele durante o dia também. E essa ideia a atormentava, ela queria alguma coisa com ele, e isso estava claro para ela, não um casamento, mas pelo menos um relacionamento de verdade, o que eles tinham era longe disso, ele aparecia toda noite, levava-a para cama e saia pela manhã.

Hermione não conseguia definir exatamente o momento em que havia entrado nesse “relacionamento” estranho, mas não gostava daquele esquema que tinham. Não pela parte de ver Malfoy todo dia ou de adormecer ao lado dele, mas ela queria muito mais do que aquilo.

Ela queria a segurança de um relacionamento tranquilo com alguém que pudesse contar de verdade. Ainda mais no atual momento em que se encontrava onde suspeitava fortemente de uma gravidez.

— A chuva está caindo — disse o loiro sonolento por volta das quatro da manhã.

— Sim, meus sonhos também — sussurrou com os olhos cheios de água.

— O que? — pela expressão da companheira viu que não era nada bom – Eu... eu não entendi- já estava totalmente acordado.

— Vá embora, Malfoy — disse em um tom duro.

— Hermione, o que está acontecendo com você?

— Vá agora, não quero mais te ver.

Draco pensou em argumentar, mas conhecia a companheira e sabia que chegará o momento que ele sempre temeu, ela perceberá que ele não era o bastante, ela merecia alguém melhor que ele, alguém com uma história menos complicada que a deles, então pegou suas coisas e partiu sem nem ao menos tentar argumentar.

Por três meses Malfoy segurou a vontade de ir correndo para os braços da morena, ele chegou a ir até a porta do prédio um número ridículo de vezes, mas sempre voltava a trás. Ele era um covarde e sabia disso, mas o que ele diria para ela, como explicaria os sentimentos, como a fazer ficar ao seu lado sendo que nunca ninguém havia ficado, ele não era o tipo de homem com quem Hermione deveria terminar, nunca seria o príncipe no cavalo branco que a mulher merecia.

Hermione até foi uma vez procurar por Draco, mas ao aparatar no beco diagonal viu um anúncio no jornal que mostrava um Ronald e uma loira, a mesma com a qual o ruivo a traiu, feliz anunciando que o casamento não poderia ser melhor e estavam esperando o segundo filho. A grifinoria passou mal e achou melhor pela sua saúde e de seu bebê voltar para casa.

Era meia noite, 3, 4, 5 da manhã. Draco não tinha mais noção do tempo. Faltava uma semana para completar o quarto mês em que não a via. Malfoy podia ser um bastardo covarde, mas era também um bastardo egoísta e já havia se cansado de ficar sem ela.

O tempo estava fechado em Londres e chovia tanto que Draco quase não conseguiu chegar ao prédio tão conhecido por ele, mas o loiro conhecia muito bem aquele caminho, seria capaz de fazê-lo em qualquer situação.

Ele precisava falar com a sua grifinoria, ele sabia o que queria, queria estar com ela, porque as noites eram todas iguais e sem a morena elas não eram nada, ele não era nada sem ela.

Ao ver Hermione abrindo a porta com um moletom uns quatro números maiores que ela, cabelos bagunçados e cara de sono Draco perdeu o ar, ele sentia muita falta dela. No momento em que ela o viu ficou pálida e tentou fechar a porta, sem muito sucesso pois Malfoy empurrou a porta e entrou no apartamento sendo.

— O que você faz aqui às quatro e meia da manhã, Malfoy? — perguntou tentando soar indiferente.

Draco ia responder quando olhou bem para Hermione e entendeu tudo.

— Grávida? Você planejava me contar, Granger? — perguntava irritado o sonserino.

— Contar o que? — respondeu a morena indo para cozinha colocar sua chaleira no fogo.

— Como assim contar o que? Você está grávida? — exigiu.

— Sim, estou grávida, e não, não planejava te contar.

— Por que?

— Porque não lhe devo nada, este filho é meu e eu tomo as decisões por aqui.

— Você deve estar de sacanagem comigo, só pode ser isso.

Hermione se sentou no sofá com seu chá e apenas olhou para Draco, sentindo toda a saudade acomunando e a sufocar. Só Deus sabia como a morena havia sentindo falta dele, como aqueles meses sem ele haviam sido os piores desde a guerra, era pior até do que descobrir a traição de Weasley.

— Por que você não me contou? – Malfoy sentou ao lado da amada sentindo que aqueles meses separados e agora aquela revelação haviam sugado 50 anos de sua vida.

— Porque não é da sua conta. Além do mais, eu sei que não tem como isso dar certo — a moça apontava do seu corpo para o do homem a sua frente.

— Como você pode ter tanta certeza?

— Por favor, Draco, sei que somos apenas um passatempo, não significa nada — disse segurando as lágrimas.

— Você sabe que não é assim — Draco estava surpreso por ela pensar assim — Você não vê? Não entende? — Malfoy sabia o que queria dizer, havia ensaiado aquele discurso, mas ali olhando para ela não sabia como começar — Você é a melhor coisa que já me aconteceu, você é o que faz tudo ter um sentido melhor. Eu... eu... te amo, Hermione. Eu posso não ser um herói de armadura brilhante, não sou nem um cara legal com um passado imaculado. Mas tudo o que eu tenho, e tudo o que eu sou é seu.

Hermione estava emocionada, não sabia se era o quarto mês de gestação ou a confissão de Malfoy, mas uma coisa ela sabia. Não precisava de um herói, já tivera um desses e não tinha servido para nada além de dor e sofrimento. Ela levantou e sentou no colo do homem.

—Espera eu ainda não terminei, ensaie esse discurso por horas na minha cabeça essas últimas semanas — Draco abraçou Hermione e continuou — Eu posso não ser o príncipe encantado deste conto, mas eu juro te amar para sempre a minha maneira, e posso te prometer que não vai ter um dia em que você não se sinta amada, respeitada e valorizada, nem um dia irá passar sem que você saiba o que significa para mim. Se você me escolher para compartilhar a vida vou te adorar todos os dias, porque a verdade é que você me salvou. Hermione, você me salvou. Sei que isso vai parecer patético, mas você é meu herói num cavalo branco. Antes de te encontrar naquela noite eu era um nada, pior que isso era uma sombra, um espectro de um cara que nunca teve um só momento feliz na vida. Você me fez querer voltar a viver, me fez querer acordar todos os dias com um motivo para seguir em frente.

— Draco eu... – a realidade era que ela estava com medo, ela amava o Draco, mas estava apavorada ainda mais agora que haveria uma criança envolvida neste cenário.

— Aprendi tão bem a ler você esse último ano que sei o que está pensando. E não é por esse filho que te digo isso, não é por essa situação que estou aqui na sua frente abrindo meu coração e alma. Faço isso porque a ideia de viver em um mundo onde você não sabia como eu me sinto é inadmissível, eu preciso que você saiba e que entenda a profundidade dos meus sentimentos para então você tomar a sua decisão – Malfoy respirou fundo e continuou — Então é isso, eu só… eu estou… sou só eu aqui…e eu amo você. Pronto falei, está é a minha verdade. Você não precisa me responder agora, nem me aceitar de volta, mas você precisa saber. Se você não me quiser eu respeito a sua decisão, mas quero participar da vida dessa criança, quero ser a família que eu nunca tive, quero que meu filho ou filha vá dormir toda noite sabendo que é ridiculamente amado.

Hermione estava em lágrimas.

— Draco, sou só eu aqui também e eu te amo.

— Preciso te perguntar, você pode me dar uma chance? — Draco estava tão perto dela, e ela sentia tanta saudade dele ali. Ela precisava daquilo, precisava dele.

— Podemos tentar. Te prometo dar o meu melhor, eu te vejo Draco, não os erros ou traumas do passado, não, eu vejo você, Draco Malfoy, o cara que se reergueu, que tem vindo a minha porta religiosamente durante esse último ano. Eu acredito, confio e amo você, quero que a gente tente – respondeu sorrindo e beijando o loiro.

— Então… — Draco tinha que perguntar. — Já sabe se é um sonserino ou uma sonserina?

Hermione pegou seu chá e ofereceu para ele sorrindo.

— É um menino, e eu não estaria tão certo sobre a sonserina.

— Ele será um Malfoy e sempre seremos da sonserina.

A morena sorriu e fez uma cara de descrença, enquanto Draco se aproximava e roubava um beijo.

Aos poucos a grifinoria foi cedendo e depois de dois meses Malfoy já morava com ela, e ele esperaria o pequeno nascer para casar com Hermione.

A moça estava com oito meses e três semanas, Scorpius viria a qualquer minuto. Eram seis da manhã, Draco acariciava os cabelos da sua morena, sim sua porque à noite os uniu, e ele amava isso, amava saber que estavam juntos e que Granger o amava, e que muito em breve o filho deles estaria ali e nasceria em um lar com amor, esse menino seria ridiculamente amado. O loiro sabia que as coisas dariam certo e que ela estaria nos braços dele todo dia, porque as noites eram, são, e serão TODAS IGUAIS.

Notas finais
Como ficou a fanfic? Boa? Ruim? Comentem!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!