Todas as coisas mais simples
1 Prólogo
Tudo começou com uma carta destinada a minha família. Devo dizer que o conteúdo não é dos mais surpreendentes, pelo menos não para mim e futuramente para você leitor.
As palavras e os anexos que nela continham marcou um ponto divisório em minha incrível vida -isso se você não entende quando estou sendo sarcástico- e diria que mesmo que não tenha sido a melhor maneira desse assunto vir à tona foi tudo necessário naquele momento.
Foi necessária a noite que passei na deserta Rua da Alameda Cabral, foi necessário perder amigos -mesmo que só em minha cabeça- e foi necessário se afastar de quem gostava de mim. Foi tudo necessário naquele momento. E se me dessem uma chance de fazer diferente eu recusaria.
Queria saber o que levou essa carta a ser depositada pela soleira da porta em minha casa. Ainda não consigo compreender. Do mesmo jeito que não consigo entender as coisas mais simples da vida -e juro que eu tento entender, todos os dias, todas as tardes e todas as noites antes de dormir-. O que me leva a pensar que a vida talvez não seja sobre deitar ao som de uma canção e deixar ela te embalar por pensamentos que te levem a uma resposta para o universo. Fiz isso por muito tempo e hoje sei que é tudo sobre viver e não somente estar vivo. Viver é a solução.
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