Todas as Estrelas se Apagam
5 A segunda onda
A mãe de Sett abre a porta e é a primeira vez que ela vê Rakan. Ele está com seu uniforme escolar, mas o terno está amarrado na cintura. Ele é magro, ela pensa, mas ela não sabe que seus pequenos músculos estão escondidos por debaixo da camisa branca.
— Oi — diz Rakan. — Você deve ser a Mãe do Sett. Ele me ligou umas cinquenta vezes enquanto eu tomava banho para dizer que aconteceu uma parada muito bizarra e que precisa da minha ajuda. E você sabe, impossível dizer não para aquela carinha.
Ela olha o jovem rapaz de baixo para cima, aprovando cada centímetro.
— E você deve ser o Rakan. Sett me falou bastante sobre você. — Ela dá um sorrisinho enquanto abre espaço para o jovem vastaya entrar.
Rakan mostra os dentes.
— Ele está?
— Ele está no quarto, querido — responde a Mãe de Sett. — Pode subir.
Ela se senta em sua poltrona e volta a tricotar uma pequenina roupa para um pequeno animalzinho quadrupede que ela vira dormindo em cima de seu filho todo enrolado. Ele deve ter trazido escondido, pensou, ele só faz boas ações, como ensinei.
Já acostumado, Rakan entra e sobe. Enquanto caminha lentamente pelo pequeno corredor, ele lembra da primeira vez que Sett o beijou no quarto dele. Lembra da mistura do calor do corpo e as chamas dos lábios dele. Ele sorri.
Sem bater, Rakan entra no quarto de Sett e o encontra parado se olhando no espelho. O mestiço vira e sorri.
— Rakan!
Mas o vastaya apenas franze a testa.
— O que rolou aqui?
Sett ainda está com a mesma roupa desde que se transformou pela primeira vez, mas Rakan não tira os olhos das joias nos mamilos de seu companheiro.
— Não sabia que você tinha piercing.
— Eu coloquei faz um anos — afirma Sett. — Olhe para mim. Acho que me tornei um de vocês.
Rakan coça sua pequena barbicha.
— Um Guardião Estelar? Estou impressionado! Como isso aconteceu?
O pequeno guardião azulado de Sett sai do banheiro e tropeça nas próprias pernas.
— Esse bichinho caiu do céu bem em cima de mim e me mostrou essa estrela — ele expõe sua gema azul. — No momento em que toquei ela, comecei a brilhar e queimar por dentro. Aí do nada eu apareci com essa roupa brilhante. E estou me sentindo mais agitado.
Rakan se anima.
— Sim, você parece bem agitado.
Sett sorri.
— E eu também não sei como voltar ao normal.
— Ah. — Rakan abre a boca, nada surpreso. — Eu também não sabia quando me transformei pela primeira vez.
Rakan se aproxima bem perto de Sett e segura as mãos dele bem perto de seu próprio peito, acariciando os dedos. A gema começa a brilhar, mas não tão forte como da última vez. Sett enrubesce.
Rakan fala calmamente:
— A estrela é o seu foco de energia. É como ligar e desligar um celular. Imagina que você está transferindo todo o seu poder para ela. Imagina que todo o seu trabalho como Guardião Estelar está feito e você só quer descansar. Relaxa e fecha os olhos.
Sett respira bem fundo e obedece, relaxando os ombros. Sem soltar as mãos de seu parceiro, Rakan estica os pés e o beija na boca. Sett se assusta, mas expele todo o ar que estava prendendo. Ele sente todo o seu interior esfriar e brilha por um momento, fazendo com que o seu traje extravagante seja substituído pelo seu pijama que estava usando na noite anterior.
Rakan dá um passo para trás e Sett morde os lábios.
— Viu, é só relaxar. E se apressa, a detenção vai já começar e temos que contar para as garotas sobre você.
— Vou tomar um banho rápido e já vamos, me espera aí.
Rakan passou o caminho todo para a escola empolgado falando para Sett os benefícios e peculiaridades de ser um Guardião Estelar, mas Sett o ouvia apenas com o coração, apaixonado por cada palavra que saia daquela boca agitada.
— Então, uma das principais características de um Guardião Estelar é a sua força elevada. Um soquinho humano ou cair de uma altura considerável não irão te machucar, as coisas só começam a sujar quando você lutar contra outro do seu mesmo nível ou maior, assim você vai voltar com o que você já é acostumado: levar porrada.
Sett torce a boca.
— Eu não levo porrada, nunca. A última vez foi a primeira, e desde então passei a quebrar todos em dois.
Rakan levanta as sobrancelhas.
— Erhm... você não me quebraria, né?
— Jamais, Rakan. Mas se quiser que eu quebre alguém, é só avisar.
Chegando no campus da escola, eles atravessam o campo aberto de esportes em direção ao vestiário, onde as garotas estão se trocando. Os colegas do time de vôlei de Sett estão jogando em um local separado. Ao notar sua presença, Draven arremessa a bola na direção de Sett, que percebe apenas no último segundo. Ele usa seu punho direito para parar a bola, mas em vez disto, a bola queima e se desfaz em fumaça.
Draven e Sett abrem a boca, mas Rakan enfurece.
— Dráven, se essa bola suja tivesse encostado no meu cabelo que eu passei a manhã toda arrumando, eu iria arranhar cada canto desse seu rostinho lindo com minhas penas afiadas.
Ele pisca.
— Não é Dráven, é Draven. — Ele passa a mãe no seu cabelo tão bem penteado quanto o de Rakan enquanto seus colegas reviram os olhos, entediados com o narcisismo dele. — E como você pôde não ficar surpreso com o fato do Sett ter destruído a bola com apenas um soco?
Rakan puxa o braço do seu companheiro e o arrasta de volta ao caminho.
— Essa bola velha estava toda surrada, de qualquer forma — grita Rakan, sem olhar.
Draven fica parado, vendo eles andarem juntos de longe. Ele ainda não entendeu como aquilo aconteceu, mas seus colegas não se importaram e já pegaram outra bola, uma nova. Um deles acerta Draven na nuca, bagunçando um pouco o seu cabelo.
— Se liga, otário.
— Você não fez isso.
Rakan bufa. Sett tenta parar, mas o vastaya continua o puxando.
— O que foi isso?
— Eu quem pergunto — responde Rakan. — O que eu te falei sobre você estar anormalmente mais forte nos últimos, sei lá, cinco minutos?
Sett abaixa a cabeça.
— Eu esqueci, foi mal.
— Olha, não é que somos um segredo, você sabe. Mas não é bom que as pessoas saibam nossas identidades, principalmente colegas de escola. Nunca se sabe quem pode querer o nosso mau. Agora, vamos torcer para a cabeça de vento do Dráven esquecer que aquilo aconteceu.
Sett olha para seus próprios punhos, imaginando o quão forte ele está agora. A ficha ainda não caiu que ele se tornou um Guardião Estelar. Guardião Estelar, essa palavra o soa tão bem. Eu sou um Guardião Estelar.
Quando entram no vestiário feminino, encontram apenas o grupo de Ahri, todas já com a roupa de líder de torcida, menos Neeko. Sua gigantesca cauda sempre a impediu de ser uma, mas ela não se importa de ser o mascote. Ela alegra e todos a amam. E, pelo visto, foram liberadas para os treinos. Ahri deve ter convencido a treinadora de alguma forma.
Sarah olha de lado.
— A entrada de garotos é proibida.
Mas Xayah abre um sorriso.
— Os meus gatinhos têm passe livre.
Ela corre e abraça Rakan, antes de beijá-lo na boca. Sett fica vermelho de ciúmes, mas não esconde que queria ir para a cama com os dois. As orelhas de Ahri se mexem.
— Anda, Rakan, fala logo qual é o babado.
Rakan olha para Sett e balança a cabeça, depois dá alguns passos para trás junto de Xayah. Seu parceiro tira do bolso da calça sua gema azul de cinco pontas e começa a brilhar junto com ela.
Sarah arregala os olhos, incrédula.
— Tá de sacanagem?
— Não mesmo — responde Rakan.
Ele transforma sua roupa na de Guardião Estelar, fazendo com que todas as garotas fiquem surpresas, de boca aberta. Rakan olha apaixonadamente para Sett, imaginando as lutas que vão fazer lado a lado, como ele faz com sua alma-gêmea.
Assim como Rakan, as joias de Sett foi a primeira coisa que Xayah notou.
— Ei, eu também tenho piercing nos mamilos! Quer ver?
Ela começa a levantar a blusa, mas Rakan a abaixa.
— Talvez mais tarde, bebê — ele murmura.
Ahri dá alguns passos e contorna Sett, suas caudas balançam suavemente. Ele parece mais alto, mas é apenas a plumagem ao seu redor fazendo volume. Ela morde o lábio e sorri.
— Temos uma grande batalha se aproximando e toda ajuda é bem-vinda. — Ela joga os cabelos para trás. — Vou te treinar.
Antes do sol se pôr, o grupo diverso deixa seus ternos jogados no tronco de uma árvore no mesmo parque de sempre e se preparam para o treinamento. Depois de todos se transformarem em uniformes estelares, Ahri chama Sett para perto. Xayah e Rakan se aninham na sombra da árvore. Sarah fica em pé, observando, e Neeko corre atrás de Boki e Baki, que brincam com Towa.
— Temos poderes únicos, Sett — anuncia Ahri, em uma pose dominante. — Rakan e eu, por exemplo, somos ambos encantadores. Mas apenas Rakan vai ter a capacidade de te defender e te fortalecer, enquanto eu só vou atacar até derrotar meus inimigos. Mostre-me seu poder.
Sett morde os lábios. Mostrar o quê?
— Eu não sei qual é o meu poder.
Ahri se aproxima e levanta as mãos pesadas de seu parceiro. Ela olha para a luva direita e toca na estrela pontuda, que brilha um bonito tom de azul. Ela solta e dá um passo para trás.
— Lembra quando você nos ajudou a derrotar aqueles monstrinhos ontem? Com a capa do Rakan, você os socou um por um. Seu poder está nos punhos, nos músculos. Você é forte. Por enquanto, você vai continuar socando seus inimigos. Com o passar do tempo, você vai aprender novas técnicas e vai ter seu jeito único de batalhar.
Ela forma uma esfera brilhante de luz em cima de suas mãos e a arremessa longe, fazendo-a voltar instantaneamente. Depois, ela brinca um pouco com ela e dá algumas cambalhotas igual quando está liderando a torcida do time de voleibol da escola.
— Essa é uma de minhas habilidades. Ela tem o dobro do poder quando Kiko está comigo. Nossos companheiros estelares nos fortalecem tanto quanto nossas gemas ardentes. Você tem um?
Sett lembra do animalzinho e balança a cabeça.
— Ele me disse de alguma forma que o nome dele é Fuwa. É um elefantinho, minha mãe até fez uma roupa para ele sem eu perceber que ela descobriu.
Ahri aprova. Ela abre espaço e estende os braços.
— Tente algo.
De longe, Rakan grita:
— Vai lá, amor!
— Ei, eu que sou seu amor — protesta Xayah, o empurrando.
— Ei sei, amor. Mas ele é o meu amor homem, enquanto você é meu amor mulher. Não posso ter um de cada?
Com a unha afiada, Xayah desliza um dedo na bochecha de Rakan.
— Só não pode comer chocolate.
Rakan abre a boca.
— Você sabe que eu não sou um pássaro de verdade!
Sett olha para seus punhos e os fecha lentamente. Ele imagina seu rival e arqui-inimigo Darius na sua frente, rindo com aquele tom de deboche e sarcasmo. Com ódio, Sett soca o vento com sua mão esquerda, mas nada acontece. Então, ele se lembra de ontem, quando usava a capa de Rakan para cobrir seus punhos, e sua maior força veio da mão direita.
Sett respira e golpeia o ar novamente, dessa vez com seu punho direito. O retorno é bem mais favorável e faz com que o som seja cortado no ar. Sua estrela na luva permanece brilhando por um segundo antes de esfriar. Sett, boquiaberto, olha para seus punhos e uma faísca se acende lá dentro.
Ahri aprova. Xayah e Rakan correm para abraçar Sett. Depois de um momento, a garota raposa reúne todos embaixo da árvore e se sentam, se olhando. Ela anuncia que tem algo importante para falar.
— Eu sei quem está por trás dos monstros.
Todos inclinam a cabeça e esperam por mais notícias. Sett não pensou que alguém estivesse por trás disso, pensou ser apenas uma invasão, mas agora está enfurecido por saber que tem alguém tentando destruir o lar dos seres vivos terrestres.
— O nome dela é Zoe. Ela frequentava disfarçadamente a Solari, apenas observando e estudando cada um de nós. Ela já devia saber antes mesmo do próprio Sett que ele é um Guardião Estelar. Ela é bem mais velha que eu, não duvido que tenha visto o nascimento da Terra.
Neeko, assustada, agarra no pescoço de Sarah, que apenas afrouxa sua garganta para poder respirar e diz:
— Aquela pirralha de cabelo roxo do primeiro ano? Quem iria adivinhar?
Ahri limpa a garganta e continua.
— Eu não sei de onde ela tirou aqueles bichos, mas ela os trouxe por meio de um portal camuflado por trás das nuvens. É o momento perfeito, já que estamos em época de chuva, mas nada explicava as gotas quentes. É justamente o calor do portal. Não é tão quente a ponto de evaporar as nuvens, mas é quente o suficiente para fazer chover essa água fervente.
Sett coça o queixo. Para ele, Ahri está falando em outro idioma. Ele não tenta entender e talvez nem precise, já que tem toda a sua equipe para trabalharem juntos. Ele não quer ser inteligente, apenas quer ser protetor. De Rakan. E Xayah, talvez.
— Mas qual o objetivo dela? — Pergunta Sett. Ahri dá de ombros.
— Bem, não sei. Acho que ela quer acabar com a gente. Se quisesse acabar com a cidade, já teria feito isso bem antes.
Antes que qualquer outra pergunta seja feita, um raio cai do céu e estronda toda a região. De repente, começa a chover. O grupo se levanta e olham em volta, esperando o primeiro vestígio de um inimigo.
— Fiquem atentos — diz Ahri, encostando seus dedos na chuva que escorre pelas folhas da árvore. — Está quente.
Da mesma forma que veio, a chuva para repentinamente e os jovens saem pisando pelo orvalho na grama baixa da pracinha. Todos já estavam com o uniforme de batalha, preparados para o que sabem que está por vir. Pelo menos, Ahri sabe.
E é então que um rugido alto e grosso se propaga por toda a região, seguido por vários grunhidos em conjunto. As orelhas de Ahri se mexem e ela salta na frente de seus companheiros, levantando o punho.
— Guardiãs! — ela exclama, hesitando em seguida, olhando para os meninos. — E Guardiões, em formação!
Sett se posiciona na frente de Ahri, ao lado de Rakan. Neeko fica ao lado de sua companheira raposa, enquanto Xayah e Sarah ficam atrás, com suas armas preparadas. Baki e Boki soltam risadinhas na forma de pistola.
Sarah olha para as nuvens escuras e carregadas.
— Que porra foi aquela!?
— É a segunda onda — responde Ahri. — Temo que os inimigos serão bem mais fortes. Tomem cuidado.
Como previsto, um pequeno mas potente exército aterrissa a alguns metros do grupo, na grama molhada do parque. São todos diversos: lesmas enormes com pernas, grandes baratas com garras afiadas, olhos com tentáculos. Mas nenhum se compara ao gigantesco monstro que lidera o caminho. Ele parece ter uns vinte metros de altura, e se assemelha ao terror em pessoa.
E a luta começa. As pequenas lesmas começam a atacar a distância, cuspindo ondas de ácido. Rakan pula para proteger suas companheiras, formando um pequeno escudo em volta, e pula de volta perto de Sett. Com um terceiro pulo, ele chega perto dos inimigos e os joga para cima, batendo sua capa no chão.
Sett o elogia enquanto soca algumas baratas gigantes. Diferente dos bichinhos de ontem, os de hoje são bem mais resistentes e maiores. Ele acaba se perdendo quando seus inimigos furtivamente ficam invisíveis e somem do seu alcance. Como um alvo fácil, ele é acertado por uma massiva bola de laser vida de um dos olhos flutuantes. Ele cai, mas logo se recompõe.
As garotas atrás estão se dando bem sozinhas. Neeko, dessa vez, copiou a aparência de Ahri e usa Towa como orbe de luz verde, imitando a de sua companheira. Ambas atacam os tentáculos ambulantes com seus bichinhos desbravados, que se defendem soprando um laser forte, jogando as para trás. Ahri salta e explode um dos inimigos com uma energia rosa e diferente, no formato de coração. Neeko faz o mesmo, tornando tudo mais fácil.
Xayah e Sarah, mais no fundo, atacam sem piedade o gigante monstro que ruge e assombra os moradores perto do parque. As penas que Xayah lançam fatiam a pele dura dele, mas não é o suficiente para derrotá-lo.
Sarah se posiciona mais a frente e lança várias rajadas de tiros flamejantes, mas, desatenta, ela é abocanhada e engolida pelo seu inimigo, como uma barra de cereal. Sett presenciou e ficou incrédulo, ouvindo apenas o grito hesitante de Neeko, que voltara a sua forma normal.
— Sett! — grita Rakan, o trazendo de volta. — Temos que derrotar essa coisa!
Assim como Sarah, Rakan também foi descuidado e tomou em cheio um ataque nas costas dos inimigos furtivos que Sett perdera de vista. Ele cai no chão sobre sua própria asa, abatido. Sett corre para ajudar e se ajoelha.
— Você está bem?
Rakan luta para deixar os olhos abertos.
— Eu não... me sinto tão super.
E apaga, deitando a cabeça nas mãos fortes e rígidas de Sett. Ele se levanta, tira a capa e cobre Rakan, da mesma forma que ele o ajudou na noite anterior.
— Não se preocupe, meu Rakan. Eu vou te proteger.
Os monstros cercam Sett, mas ele não teme. Com uma força incomparável, ele os puxa para perto apenas com a velocidade do movimento e bate um contra o outro. Depois, começa a socá-los. Esquerda, direita. Como havia treinado. De fato, o punho direito causava mais estrago e usava isso a seu favor. As garras das baratas eram afiadas, mas alguns arranhões nos seus músculos não paravam o adolescente com sede de vingança.
Depois de derrotar as criaturas, Sett se junta as garotas para derrotar a gigantesca criatura e tentar salvar Sarah, se é que ela ainda está viva. Ele corre até o inimigo e o soca várias vezes. Sua pele é tão dura que machuca Sett de volta, mas ele não liga. Ele vai salvar seus companheiros custe o que custar.
Xayah vê nele um brilho incomum, de verdade. Ele está todo brilhante de azul, como se tivesse acumulado uma força sem igual. Admirada com as habilidades de um simples novato, ela para de atirar suas penas laminosas e as puxa de volta, pelas cordinhas finas e resistentes, quase invisíveis.
O último soco de Sett é fatal, ele sente toda a sua energia saindo do seu corpo e atravessando um grande cone a sua frente, queimando a grama por perto e fazendo o inimigo rugir um lamento horrível. Um tipo de gosma espirra em seu rosto, fazendo Sett cair no chão, cansado; exausto. Ele olha para o inimigo abatido no chão e vê sua barriga ser rasgada pelo interior e uma rajada de tiros sai de dentro dele, revelando uma Sarah mais do que viva.
Ela salta e aterrissa perto de suas amigas. Neeko a abraça, ignorando ela estar encharcada de gosma, e chora por quase ter perdido sua melhor amiga.
— Mais alguns segundos lá dentro, e eu teria saído por outro buraco.
Sett agradece a santa divindade que o deu esse poder e se arrasta até Rakan, que ainda dorme como um anjo. Xayah aparece atrás dele, se ajoelhando.
— Ele vai ficar bem — ela diz, por fim, — Ele é um mago curandeiro, suas forças se regeneram bem rápido. — E sorri, confortando o peito de Sett, que beija a mão de seu protegido.
Para acabar com a felicidade dos vencedores, uma risadinha ecoa pelo céu em cima do parque e um grande buraco de matéria escura se abre no chão, engolindo todos os Guardiões em um grito.
Com um instinto de proteção, Sett agarra Rakan e Xayah na esperança de proteger eles daquilo que está por vir.
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