Toda provocação tem um motivo
1 Único.
Notas iniciais
Senti algo atingir meus cabelos e escutei algumas risadinhas masculinas, na mesma hora olhei para trás irritada avistando Ichigo e seus amigos olhando em minha direção.
Aqueles idiotas estavam rindo, isso bastou para eu ter certeza que foram eles que tacaram essa bolinha de papel em meus cabelos, mais especificamente tenho certeza que foi aquele ruivo, ele adora implicar comigo, apesar de ser insuportavelmente lindo é um chato.
Levantei-me da cadeira com a bolinha em mãos e os garotos notando isso me olharam curiosos, dei um sorriso irônico para Ichigo e parei em frente à carteira dele.
— Engole isso, idiota. – joguei a bolinha com força na cara dele, por muito pouco ela não entrou na boca daquele ruivo idiota, só não entrou porque na hora ele tratou de parar de rir e fechar sua boca.
Aquela boca sensual e que eu... Não, não, no que estou pensando? Foco Rukia, você odeia esse garoto.
— Quê isso? – ele perguntou dando uma de desentendido fazendo com que eu parasse de brigar comigo mesma mentalmente, para olhá-lo tediosamente.
— Você sabe muito bem o que fez, por isso dou meu silêncio a você. – terminei de falar sendo seguida pelo sinal da escola indicando que era hora da saída, peguei minhas coisas e sai da sala indo para o lado de fora da escola.
Droga! Minha mãe ainda não estava lá, o jeito seria esperar...
Estava sentada nos bancos de fora esperando por minha querida mãe até começar a me dar uma enorme sede, levantei e fui para o bebedouro que ficava um pouco atrás da escola, como eu esqueci meu dinheiro me contentaria apenas com a água mesmo.
Terminei de beber deixando um pouco de água escorrer por meus lábios, eu já estava voltando para onde me encontrava sentada antes até perceber alguém atrás de mim, a pessoa parecia estar me seguindo.
Suspirei e me virei dando de cara com ninguém menos que Ichigo, ele me fitava de um jeito estranho, seu olhar estava com um brilho que não consegui identificar o que era, se era raiva ou diversão.
Por fim desisti de tentar descobrir o que significava aquele brilho em seu olhar.
— O que quer? – perguntei fazendo pouco caso da presença dele, ele soltou uma risadinha antes de responder e se aproximou de mim.
— Aquilo na aula não foi legal, Rukia. – ele deu um pequeno sorriso malicioso.
— Sério? E você tacar aquela bolinha em mim não foi legal também, pelo menos agora estamos quites. – segurei em minha bolsa que carregava nos ombros firmemente. – Preciso ir. Tchau, Ichigo. – dei as costas a ele e segui meu caminho.
Ou pelo menos tentei porque assim que olhei para trás lá estava ele, correndo com suas longas pernas atrás de mim.
Um pouco a contragosto decidi parar e ver o que ele queria comigo, não queria uma laranja ambulante me seguindo.
— Não terminei ainda. – ele murmurou depois de me alcançar e puxar-me pelos pulsos, me olhando profundamente com aqueles belos olhos âmbares.
— Ichigo! É sério! Eu realmente preciso ir, se quer me dizer algo diga logo. – falei meio assustada com a atitude dele.
Será que ele estava muito bravo pelo o que lhe fiz na última aula e queria se vingar? Será que queria me bater?
Ele não falou nada e continuou me fitando até me empurrar delicadamente contra a parede, segurando meus pulsos em cima da minha cabeça, apertando seu corpo contra o meu.
Pude sentir seu corpo grande e másculo de encontro ao meu. Preciso admitir que essa era uma sensação prazerosa apesar de estar achando tudo isso muito esquisito.
— Me larga. – tentei me debater depois de sentir sua língua em meu pescoço, um pouco transtornada com as atitudes daquele ruivo tentei apelar para a razão dele já que ele não fazia menção nenhuma de que iria me largar. – Eu vou gritar se você não parar com isso e falo sério. — sussurrei.
Em vez de parecer preocupado, ele apenas me deu um chupão em meu pescoço, tentei abrir a boca para ameaçá-lo de novo, porém antes mesmo de conseguir, senti seus lábios pressionando os meus.
Sua língua pediu passagem, porém acabei não cedendo. Ichigo me beijou violentamente conseguindo assim que eu finalmente cedesse ao carinho que trocávamos.
Tentei empurrá-lo, mas minha tentativa não passou de uma frustração porque Ichigo nem se mexeu e cada vez mais ele apertava seu corpo contra o meu.
Ichigo continuava me beijando violentamente até sentir que eu começava a correspondê-lo, ai sim esse idiota começou a diminuir a velocidade do beijo, ele estava sendo até que carinhoso comigo naquele momento.
Comecei a tentar soltar minhas mãos e cada vez mais aquele alaranjado apertava meus pulsos.
— Está me machucando. – sussurrei entre os beijos que trocávamos.
— Desculpa. – pediu sem jeito, mas ainda sem me soltar.
Devia estar com medo que eu lhe desse um tapa... Ichigo apesar de ser uma abóbora andarilha, sabia ser gentil e carinhoso quando queria, mesmo que na maioria das vezes fosse um chato ranzinza, reclamão e que gostava de torrar minha paciência.
Voltamos a nos beijar e quando o senti soltar meus pulsos enlacei Ichigo pelo pescoço o puxando para mais perto — se bem que já estávamos bem grudados -, ele segurou-me firmemente pela cintura.
Ás vezes ele parava os beijos para dar alguns chupões e selinhos em meu pescoço e eu deixava escapar alguns discretos gemidos.
Comecei a enfiar minhas mãos por de baixo de sua camisa, eu passeava com elas por seu abdômen definido, por suas costas e às vezes eu dava umas arranhadinhas nele.
Senti-o começar a colocar suas mãos em baixo de minha blusa também, dei um gemido mais alto quando o senti acariciar meus seios por cima do sutiã.
— É melhor pararmos por aqui. – sussurrei segurando suas mãos. – Porque desse jeito vamos acabar transando aqui mesmo, se bem que aqui atrás quase ninguém vem...
Ichigo soltou um baixo suspiro de frustração, ainda estávamos colados o que facilitava sentir como o moranguinho já estava bem animado e isso me excitou, mas teria que deixar pra outra hora.
— Então vou indo, tchau. – dei um último beijo em seus lábios e já ia saindo se não fosse por Ichigo ter segurado meus pulsos novamente.
— Eu gosto de você, Rukia. – olhei surpresa para ele. – Sempre impliquei com você pra chamar sua atenção. – ele abaixou a cabeça fitando nossas mãos.
— Ichigo! – exclamei surpresa pela inesperada declaração, eu realmente não esperava aquilo da parte do morango.
— Pode parecer meio idiota, mas eu não via outra forma de fazer com que me notasse. – Ichigo continuou a argumentar conforme percebia meu olhar de surpresa para cima dele.
— Ichigo... – sussurrei sem saber exatamente o que dizer. – Eu também gosto de você. – decidi acabar com aquele suspense e finalmente admitir que gostava dele, afinal mesmo negando sempre tive uma quedona por esse ruivinho, além do mais ele ficava nervoso a cada segundo que não recebia uma resposta.
— Então não está brava por todas as minhas provocações? Porque sabe... Eu realmente enchi seu saco várias vezes... – ele parecia não acreditar nas minhas palavras.
Ele realmente achava que eu estava mentindo ou algo do tipo?
Soltei uma pequena risada ao constatar que Kurosaki Ichigo, o aluno que vivia no meu pé me atazanando, estava demonstrando-se muito inseguro após aquela declaração, era totalmente inédito vê-lo tão nervoso e ansioso.
— Não estou brava, seu baka. – suspirei ainda segurando a risada, abri um sorriso carinhoso para ele quando o vi respirar aliviado. – Mas preciso ir mesmo, amanhã nos falamos. – e mais uma vez dei um beijo nele e me afastei depois de me ver livre daquelas enormes mãos.
Bufei. Não! Eu não podia deixar ele daquele jeito e além do mais queria apresentar o moranguinho para minha mãe.
Dei meia volta e vi Ichigo parado de costas para mim e de frente para a parede com as mãos abertas, espalmadas nela. Cheguei sem fazer nenhum barulho e me aproximei lentamente sem que o moranguinho pudesse notar minha presença, o abracei por trás firmemente.
— Vem comigo. – sussurrei em sua orelha, depositando um beijo na mesma e pude sentir que ele se arrepiou com isso.
— Claro. – ele se virou em minha direção e me abraçou carinhosamente. – Rukia, quer namorar comigo? Sei que é de repente, mas...
— Lógico que quero. – o abracei ainda mais forte. – Minha mãe vai adorar te conhecer. – ele engoliu em seco ao escutar isso.
Dei uma risada alta. Quem diria que Kurosaki Ichigo, o cara mais durão que eu conhecia tinha medo da sogra?
— Mas olha meu estado. – apontou para si mesmo, se referindo ao Ichigo Junior, sua respiração ofegante e seus cabelos desarrumados.
Mordi os lábios quando vi aquele enorme volume na calça dele.
— Fique atrás de mim, assim nem ela e nem ninguém vai perceber. – me coloquei na frente dele e Ichigo veio andando atrás, me abraçando por trás, colando seu corpo másculo ao meu.
Mordi os lábios com força. Aquilo estava sendo uma deliciosa tortura. Sentir um garoto desses atrás de mim e ainda mais nesse estado? Caramba! Será que era impressão ou era eu? Pois eu já começava a sentir um calorão subir pelo meu corpo...
Chegamos em frente à escola e lá estava minha mãe em seu Gallardo vermelho, quando me avistou sorriu docemente. Eu teria ido correndo para perto dela se não fosse por um detalhe... Ichigo e seu pequeno problema...
Fui andando devagar com ele colado ao meu corpo, sentindo-o se remexer nervosamente nas minhas costas enquanto seu pênis ora ou outra se encostava insistentemente em mim.
— Mãe, quero que conheça o Ichigo, meu namorado. – apresentei e minha mãe olhou para ele sorridente.
Ichigo continuou atrás de mim, ele apoiou a cabeça em meu ombro e sorriu também.
— Moranguinho, essa é minha mãe, Hisana. – falei escutando ele soltar um muxoxo pelo apelido.
— Yo! – ele disse e não sei se foi pelo nervosismo ou o que, mas apertou seu corpo ainda mais nas minhas costas, me fazendo sentir seu membro com mais precisão, por pouco não deixei escapar um gemido.
— Ichigo. – sussurrei discretamente para minha mãe não perceber, seria uma situação embaraçosa demais, caso ela percebesse o que estava acontecendo. – Vai com calma com o Junior.
— Me desculpe, foi sem querer. – respondeu discretamente, mostrando-se totalmente envergonhado pela situação em que estávamos.
Aquele realmente era o Ichigo?
— Entrem no carro. – minha mãe praticamente ordenou e me olhou com um olhar de ''Nossa! Que namorado gostoso que você arranjou hein, filha? Esse rapaz é um pedaço de mal caminho e ainda parece ser educado.''
Ichigo sentou no banco de trás e eu como a boa namorada que era, me juntei á ele.
— Ninguém vai sentar aqui na frente para me fazer companhia? – perguntou minha mãe, fazendo bico.
Ás vezes ela parecia uma criança em corpo de mulher com suas pequenas birrinhas infantis, porém eu amava esse jeitinho dela.
— Não. – eu e Ichigo dissemos em uníssono com um sorriso cúmplice.
— Tudo bem. – respondeu emburrada, tirando gargalhadas de nós.
No caminho todo eu e Ichigo fomos trocando caricias e beijos, ele foi pra minha casa porque acabei dando a desculpa de que precisávamos terminar um trabalho em dupla, minha mãe me olhou com uma cara de desconfiada, mas não comentou nada.
— Vamos começar o trabalho, não atrapalhe porque temos muitas coisas para fazer. – falei para minha mãe e ela me olhou indignada com aquela cara de ''Como se eu fosse ficar toda hora entrando no seu quarto e saindo pra ver se vocês estão aprontando ou fazendo o tal trabalho.’’
Agora a mamãe finge que nunca fez isso, mas sempre que eu trazia algum garoto para cá, ela ficava toda hora indo no quarto para oferecer algo para beber ou para comer, quem via achava que era porque a mamãe era educada e gostava de ser gentil com as visitas, entretanto na verdade não era nada disso.
Minha mãe fazia isso pra ver o que estávamos aprontando e eu sabia disso só de ver a cara de desconfiada quando ela adentrava o quarto como se estivesse farejando algo no ar.
Sorte que mamãe nunca me pegou no flagra quando eu estava fazendo “coisinhas” com meus antigos namorados, por isso tenho certeza que ela acreditaria em mim.
— Rukia, tem certeza? – Ichigo indagou já entendendo o que eu pretendia com todo aquele teatrinho que eu tinha feito.
Na verdade ele entendeu tudo no momento em que fechei a porta do meu quarto e nos tranquei lá dentro.
Virei-me para ele com um sorriso malicioso.
— Absoluta. – puxei-o para a cama, fazendo ele se deitar por cima de mim, voltamos a nos beijar ardentemente continuando o que havíamos começado aquela tarde no colégio.
Fim.
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