Toda garota precisa de um melhor amigo
25 Capítulo 24
Notas iniciais
POV Mariana
Não pensei que o que fosse finalmente me deixar livre daqueles dois fosse a notícia de que a minha melhor amiga estava no hospital. Richard mudou a rota fomos direto pra o endereço que Luiz havia me dito.
Anna já estava acordada, sentada na maca com um olhar perdido segurando uma tigela. A comida meio verde parecia fria e não muito apetitosa. Corri pra abraçá-la e na minha cabeça as hipóteses me deixavam maluca. Anna estava doente? Era grave? Era muito grave? Eu ia ser titia?
— Tá tudo bem. — ela disse antes que eu perguntasse qualquer coisa. Luiz, que não estava no quarto, entrou na mesma hora com um olhar de reprovação. Segurando um sanduíche com patê de atum.
— Sabia que ela veio parar aqui por que simplesmente decidiu que iria passar o dia inteiro sem comer?
Olhei pra cara de Anna, ainda segurando a tigela, mas com o olhar diretamente no sanduíche de Luiz. Era um olhar muito certeiro.
Sentei-me ao lado dela, respirando melhor ao saber que Anna estava bem. Puxei o sanduíche de Luiz e dei uma mordida.
— Amiga, por que você faz isso? — perguntei entre mordidas. — Não sabe que tem que se alimentar direito? Meu Deus.
Anna me olhou hipnotizada, largando o caldo verde no criado-mudo ao lado da maca.
— É claro que ela sabe. — disse Luiz, arrancando o sanduíche de volta.
— Ei!
— Sim — Luiz continuou, entregando o sanduíche pra Anna, enquanto ela recebia com um olhar de cachorrinho. — ela sabe, mas tem que preocupar todo mundo com essas coisas. Mari, posso falar com a Anna rapidinho?
— Claro. Vai em frente. — respondi, ainda sentada.
— A sós...
— Ah.
Minha técnica brilhante pra ouvir os dois não havia dado certo. Então beijei minha Anninha e fui... Adivinha.
Encontrar os dois bocós na recepção.
...
POV Luiz
Era difícil me concentrar no que eu estava querendo dizer pra Anna, enquanto ela devorava o sanduíche que levei escondido pra ela finalmente comer alguma coisa. Anna estava me tirando do sério com um comportamento que eu queria entender. Sentei-me no lugar que Mariana deixara desocupado, e a observei por um momento.
Ela estava mastigando e com uma expressão satisfeita, mas continuava distante. E olhando para qualquer outro lugar que não fosse meu rosto.
Quando finalmente terminou, pegou a tigela e entregou na minha mão. Suspirei e comecei a tomar a sopa levada pela enfermeira, que era pra ela. Fui para a poltrona, continuei a tomar a sopa e a observá-la.
Anna não fazia menção de dizer qualquer coisa. Apenas olhava pra janela. Decidi esperar um pouco. Encostei na poltrona e continuei tomando a sopa dela, enquanto ela comia meu sanduíche – que também era dela.
Talvez tenha sido menos, mas eu senti exatos vinte e sete minutos até Anna se virar pra me olhar. A tigela já estava vazia na mesa, e do sanduíche só havia o papel alumínio enrolado numa bolinha, na beirada da maca.
— E então? – quebrei o silêncio.
— Então?
— Então?!
Anna se calou de novo. E eu já tinha sido muito paciente. Fui até ela e fiz o que precisava o dia inteiro. Segurei aquele rostinho pálido e a beijei.
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