Notas iniciais
Dedico às minhas queridas leitoras - ou leitores - que estão acompanhando, embora a maioria ainda não tenha se pronunciado. Estou esperando por vocês! Boa leitura.

— Então, foi isso que aconteceu. – expliquei, dando um gole no meu milk-shake.

— Minha gente, que babado! – exclamou Mari. Eu havia acabado de contar a ela sobre a noite anterior.

— Nem me fale. – suspirei.

— Mas, me conta... Você tá gostando dele?

Engasguei com a pergunta, com direito a algumas tosses dramáticas.

— Quê?! – gritei depois de recuperada, rindo feito uma louca. – Caramba, não!

Mari arqueou uma sobrancelha.

— Sei. Então foi só sexo?

— Exatamente. Continuamos amigos. – afirmei com a cabeça.

Mas, na realidade, a história não era bem aquela.

*Flashback on*

— Porra. – exclamou Luiz, nu ao meu lado.

— É... – murmurei. Não nos olhávamos de jeito algum, apenas encarávamos o teto.

Cinco minutos de um silêncio constrangedor depois, Luiz finalmente se virou pra mim.

— Porra, Anna! – Gritou outra vez.

— Você já disse isso.

Eu ainda não o olhava nos olhos. Era estranho.

— A culpa disso é sua. – continuou.

Finalmente o encarei, com os olhos pegando fogo.

— Vá tomar no seu-

Luiz cobriu a minha boca com a palma da mão antes que eu terminasse.

— Não me vem com essas porras de falar palavrão, caralho.

Fiz o maior esforço que pude pra tirar sua mão da minha boca, enquanto chutava sua perna.

— E você me fala isso soltando mais palavrões que a Dercy Gonçalves, estúpido?

— Foda-se. A culpa dessa merda toda é sua. – repetiu, desviando o olhar.

— Pois é... – concordei calmamente. — Até por que eu estava transando com a porra da minha mão! – Não contive a alteração de voz.

Ele riu, cobrindo minha boca mais uma vez.

— Vou lavar essa sua boquinha com sabão, pirralha.

Esperneei na cama até ele me soltar.

— Idiota! – bufei.

Luiz continuou rindo.

De repente ele estava montado em cima de mim, com as mãos apoiadas nos meus seios.

— Não se esqueça de que foi você quem me provocou, loirinha.

— Sai de cima de mim, seu gordo inútil! Você pesa, porra. – gritei, tentando afastar suas pernas.

Ele apertou meu queixo entre os dedos.

— Experimenta me chamar assim só mais uma vez, pra ver o que vai acontecer contigo.

Mostrei a língua pra ele, com preguiça de continuar discutindo.

— Malcriada. – resmungou ao sair de cima de mim.

Ficamos imóveis por alguns minutos, ambos pensativos.

— Você tem razão... – fui a primeira a falar.

— Sobre o quê? – perguntou distraído.

— Sobre a culpa ser minha.

Ele se virou para me fitar, dessa vez atento.

— Não, Anna. Desculpa por ter dito isso... – hesitou, aparentemente tentando procurar as palavras certas. Luiz não era muito bom com aquele tipo de coisa.

— Esquece. – interrompi-o. – Acho melhor eu ir.

Levantei-me da cama sob o seu olhar surpreso. Vestia minhas roupas enquanto sentia aquele olhar me queimando. Ele não dizia palavra alguma, apenas me observava. Por fim, passei a blusa por cima da cabeça, ajeitando a barra direitinho acima do short. Lancei um último olhar a ele, que continuava estático, com os olhos presos a cada movimento que eu fazia.

Com um suspiro, peguei minha bolsa e saí do quarto, fechando a porta atrás de mim.

*Flashback off*

Meio dramático. E eu também não entendi nada. Quero dizer, Luiz é meu melhor amigo, e nós ficamos. E não foi só uma ficada. Foi Le Le Le, tche tche re re tche tche, lepo lepo ou qualquer porcaria dessas. Sexo. Transamos. Eu, e meu melhor amigo. Caralho! E, pra piorar, acho que estávamos brigados.

Mari balançou meu braço, acordando-me do devaneio.

— Anna? – acenou a centímetros do meu rosto.

— Que foi? – empurrei a mão dela com uma tapa.

— No que estava pensando?

Desviei o olhar, tamborilando os dedos na mesa da lanchonete.

— Nada.

Mari franziu a testa.

— Claro.

— Ai, Mariana. O que você quer de mim? – resmunguei.

— Credo. Qual o motivo da mudança de humor repentina?

Soltei um breve suspiro.

— Sei lá...

Mari apoiou a cabeça sobre uma mão.

— Vai, me conta.

Tentei pensar em algo que a fizesse parar de me encher.

— Ele não me beijou. – falei sem pensar.

Mari estreitou os olhos, interessada.

— A-Ha! Olha aí. – apontou com o dedo pra mim. – Você gosta dele.

Gargalhei alta e sonoramente, deixando-a confusa.

— Ai, amiga. – tentei respirar. – Você entende tudo errado.

— Então por que disse que ele não te beijou como se estivesse lamentando?

— Eu só estava comentando, ué.

— Hum... – ponderou. – Tudo bem.

Sorri forçadamente pra ela.

— Mas por que será? – perguntou.

Eu olhava distraída a vista através da parede de vidro ao lado da nossa mesa.

— Por que será, o quê?

Mari virou meu rosto para encará-la.

— Por que ele não te beijou?

Cruzei os braços.

— Eu é que sei?!

Ela riu.

— Está bem... Vou parar de te irritar. Só me responde mais uma coisinha. – pediu, com aqueles olhos castanhos enormes brilhando.

Era impossível recusar qualquer coisa com aqueles olhos.

— Tá, vai. O que você quer saber?

Ela soltou um risinho.

— Foi bom?

Preparei-me pra responder, mas fechei a boca em seguida. Surpreendentemente eu ainda não havia pensando a respeito. Fora bom...?

Refleti por alguns segundos.

— Foi... Ótimo.

As palavras saíram da minha boca, deixando Mari e até a mim, perplexas.

— Sério?

— Sério. – reconheci. – Acho que temos química.

— Bom, são o quê... Quatro anos de amizade?

Confirmei com a cabeça.

— Só podia ter sido muito bom mesmo, ou muito ruim. – concluiu.

— É, acho que sim.

Ela riu.

— No seu caso foi muito bom.

Ri em seguida.

— Ok. Já entendi.

— Mas então... – disse após uma mordida em seu hambúrguer. — Não foi estranho na hora?

— Caramba, Mari. Você disse que não perguntaria mais nada!

— Oras! Só mais isso. É essencial que eu saiba. Caso contrário, não adiantaria saber de todo o resto. – insistiu.

— Exagerada nunca, né?

— Vamos, me fala! – falou entre mordidas.

— Não, não foi estranho.

E não fora mesmo. Luiz tinha pegada, sabia exatamente o que fazer, na hora certa. Não dera tempo pra nenhum de nós dois pensar que aquilo era estranho enquanto eu gemia e delirava contra seu corpo.

— Só quando acabou. – constatei.

Mari deu um gole no seu refri.

— Ficou um clima tenso?

— É...

— Então vocês não continuam amigos, como a senhorita me disse ainda há pouco?

— Claro que continuamos, Mari! Foi só... Um contratempo.

— Mas vocês chegaram a conversar sobre o que aconteceu?

— Ai, meu pai, pra quê todo esse interrogatório? – indaguei, cobrindo o rosto com as mãos.

Mari me puxou pelas mãos pra que eu a fitasse.

— Agora que você começou, termina. Não mandei me contar isso! É muito babado pra pouca Mari... Anda, Anna!

— Ô garota teimosa. – ri ao ver a careta que ela fez. – Mas eu te amo, amiga.

— Sei. Tô vendo. – fez bico, virando o rosto.

— Não, Mari, nós ainda não conversamos a respeito. – respondi com um suspiro. – Satisfeita agora?

— Perfeitamente. – afirmou, voltando a sorrir. – Mas sabe que vocês precisam, não é?

— Eu sei.

Mariana dissera algo óbvio. Era claro que eu e Luiz precisávamos esclarecer as coisas, entretanto eu não queria ser a primeira a se pronunciar. Ele que me procurasse.

Notas finais
Leu tudinho? Obrigada! Gostou? Deixe-me saber! Mande um comentário, você faz muita diferença! Ah, e como ainda vou escrever o próximo capítulo, seria ótimo se vocês me dessem algumas sugestões, ou me expusessem suas opiniões sobre como a fic está indo até agora. Então, vejo vocês lá!