Toda Poderosa Swan-Mills
3 Castigo e decepção
Notas iniciais
Amélia
A única pessoa que poderia me ajudar a ir ao jogo, era Lauren. Ela sabia dirigir, então era só pegar o carro de uma das madrinhas, sair de fininho e antes das onze estaríamos de volta, e ninguém ia perceber. Perfeito.
Enchi minha cama de travesseiros, e cobri com o edredom. Minhas mães brigaram, o que quer dizer que elas estavam muito bravas para me procurar no meu quarto.
Com muito custa desci pela janela, e por muito pouco não quebrei um braço. Corri até a casa de Lauren, que por sorte era perto.
—Lauren! — chamei baixo. — Assim ela não vai me escutar nunca! — vi algumas pedras no canto do jardim, e comecei a jogar na sua janela. — Lauren! — chamei um pouco mais alto.
A luz do quarto ascendeu e a janela foi aberta.
—Suas mães sabem que você esta aqui?
—Não importa! Você sabe dirigir não é?
—Sim, mas não tenho carro Amélia!
—Mas tia Ruby sim! — fiz minha melhor cara de pidona, e por sorte ela cedeu.
—Espera aí! — minutos depois ela desceu, e abriu a porta da garagem
—Vem! — me chamou.
—Cadê o carro da tia Ruby? — disse desanimada.
—Acho que mamãe saiu! Desculpa Amélia.
Balancei a cabeça e soquei o ar.
—Droga! — Mas tive outra ideia genial.
—A Mercedes da minha mãe! — Lauren arregalou os olhos.
—Ahh não! Esta maluca? Tia Regina vai nos matar, sabe como ela tem ciúme daquele carro! — Segurei Lauren pelos ombros.
—Heyyy! Calma, respira! — ela fez exatamente o que falei. — Isso, agora vamos até a minha casa. — Lauren ia falar, mas interrompi. — Por favor, Lau! Juro que vai ser rápido, elas nem vão notar que saímos.
Lauren se afastou, e por um momento tive medo dela recusar.
—OK Amélia! — Corri até Lauren e me jogando nos seus braços.
—Obrigadaaaaaa! Juro que não vamos demorar!
Voltamos para minha casa, e com muito cuidado para não fazer barulho abri a garagem, e pegamos a Mercedes, Lauren só ligou o motor na esquina da rua.
—Perai, posso saber onde estamos indo? — ela me olhou curiosa.
—Vamos ao jogo do Sloan! — Lauren freio o carro bruscamente na estrada.
—QUE?!! — parou o carro e me olhou assustada, e juro que vi um fio de decepção na sua voz. — Você me tirou de casa a essa hora, estamos correndo risco de vida, porque se nossas mães descobrirem vão nos matar! Só pra ir a um jogo idiota!
—Não é um jogo idiota! É importante pra mim… — falei indignada.
—Falou bem pra você! — nunca vi Lauren tão irritada.
—O que esta fazendo? — Lauren começou a dar ré.
—Vamos voltar pra casa.
—Não, por favor, Lau! — segurei em seu braço
—Não adianta, nos vamos voltar!
—Achei que você fosse minha amiga!
Ela parou o carro de novo.
—Eu sou! Por isso vamos voltar!
—Mas você tinha concordado em me ajudar, porque se irritou de uma hora pra outra?
Ela ficou vermelha, e fechou os olhos.
—Lau, vai ser rápido, eu juro! — ela me encarou ainda seria.
—Só espero que isso tudo valha a pena Amélia! — ligou o carro de novo e seguimos em frente em silêncio.
Regina
Fui atrás de Emma pela casa toda, não estava em lugar nenhum. Tudo estava muito silencioso, até demais...
—Amélia! – bati na porta do seu quarto e ninguém respondeu. Sabe quando seu coração de mãe fica apertado, o meu estava bem assim. Movida pela curiosidade entrei no quarto de Amélia.
—Filha?! – Ela não respondeu, o que achei estranho, pois assim como eu ela tinha o sono leve. – Amélia! – chamei de novo .Fui ate a sua cama e tirei o edredom.
—Droga! – Olhei para o lado e reparei na janela aberta. – Não acredito nisso! – disse irritada
Troquei de roupa e fui direto para garagem, aquela menina ia ficar de castigo pelo resto da vida.
—AMELIA! – gritei de raiva, assim que não vi meu carro na garagem.
Emma ia ficar louca.
—Alo!
—Emma, onde você esta? – disse nervosa.
—Regina, não quero discutir, daqui a pouco estou em casa...
—Swan, cala a boca! Amélia fugiu! – estava andando de um lado para o outro.
—Como assim FUGIU— Sabia que Emma ia pirar.
—Não sei, fui ate o quarto dela, e ela não estava dormindo, e quando desci para garagem o meu carro também não esta aqui!
—Mas Amélia não sabe dirigir!— Emma falou nervosa.
Escutei ao fundo uma voz conhecida.
—Ruby esta ai com você?
—Sim.— Emma ficou muda.
—Emma?!
“-Amélia não sabe dirigir Emma, mas Lauren sabe!”— era Ruby falando.
—Droga! – Emma praguejou. – Regina me espere na porta de casa, estou indo pra ai agora mesmo.
Emma
O telefone de Ruby tocou logo depois do meu, e minha amiga ficou tão branca que achei que fosse desmaiar. Regina estava histérica no telefone, e não era pra menos.
—Que foi Ruby? – tirei o telefone do ouvido e falei.
—Lauren sumiu! – Ruby ficou sem ação por um momento, ate que lembrou de um detalhe. — Amélia não sabe dirigir Emma, mas Lauren sabe! – arregalou os olhos
— Droga! Regina me espere na porta de casa, estou indo pra ai agora mesmo. – Peguei duas notas de vinte e coloquei sobre o balcão. Ruby ainda estava no telefone com Tinker também histérica.
Seguimos até em casa ,no carro de Ruby que era maior ,passamos primeiro na sua casa e pegamos Tinker ,que estava quase tendo um infarto, e não parava de falar um minuto sequer, sobre todas as desgraças que podiam acontecer com as meninas.
—Amor, você não esta ajudando muito,f alando essas coisas! – Ruby falou ao volante.
—Minha menina sumiu, Ruby Luccas!
—Ela também é minha filha Tinker, então vamos manter a calma, porque nervosa, não iremos chegar a lugar nenhum!
Eu estava no banco do carona, pensando em todos os castigos que poderia dar a Amélia.
Regina estava em pé na porta de casa, e quando nos viu saiu correndo para o carro, sentado ao lado de Tinker.
—Por onde vamos começar?! – falou chorosa.
—Não sei! Tenta ligar para o celular delas! – Regina e Tinker ligaram umas mil vezes, e sempre caia na caixa postal.
Rodamos todos os bares e lanchonetes daquela cidade .Fomos ate a casa de algumas amigas de Amélia e nada até agora.
— Lembra-se de mais alguma? – falei olhando para Regina.
Ela bateu na testa.
—Claro a Sarah! – Sarah e Amélia se conheciam desde pequenas, e viviam grudadas, como não lembramos dela.
—Ruby vira a direita depois da praça! – Ruby acelerou o carro, e minutos depois estávamos em frente a casa da menina.
Regina saiu do carro e apertou a campainha da casa. Soltamos do carro seguindo ela, e logo a mãe de Sarah atendeu.
—Regina! Emma! – falou assucatada olhando para todas nós, e provavelmente pela nossa cara de desesperada.
—Beth, Amélia e Lauren estão ai? – Regina perguntou.
—Não! Não vi Amélia hoje! O que houve?
—As meninas sumiram! – falei sem paciência.
Ela colocou a mão na boca assustada.
—Só um minuto! – virou para dentro da casa e gritou a filha. – Sarah! Desça aqui agora! – disse irritada.
Um pouco depois a menina baixinha estava descendo as escadas e arregalou os olhos quando nos viu.
—Sarah, venha aqui agora! – A menina tentou voltar para o quarto correndo, mas sua mãe puxou ela pelo braço. – Por acaso sabe onde Amélia esta? – Ela nos olhava assutada, com certeza sabia de alguma coisa.
—Por favor querida, elas podem estar correndo algum perigo! – Regina pediu com calma.
Sarah se acalmou um pouco e depois confessou.
—Amélia vai me matar! – disse fechando os olhos.
—Ah pode deixar isso comigo, porque sou eu que vou acabar com aquela garota! – disse irritada.
—Bem... Amélia me ligou mais cedo que falando que Sloan, convidou ela para ir ao jogo de futebol, na cidade ao lado.
—Quem? – Ruby perguntou.
—É garoto filho da Elsa! – respondi
—Esta explicado! – Ruby falou levantando as mãos.
—Sabe onde vai ser esse jogo? – Tinker falou.
Sarah ainda muito assustada nos explicou tudo e como chegávamos lá .Agradecemos a Beth, e Ruby dirigiu como uma desesperada até a próxima cidade. Uma hora depois chegamos ao centro, e ouvimos os gritos vindos do estádio da cidade.
Lauren
A partir do momento que peguei o carro da tia Regina, sabia que aquilo não daria certo .O que eu estava fazendo ali? Cedendo a um capricho de Amelia, só porque não resisto quando ela me chama de Lau, e quando faz aquela adorável cara de pidona.
Agora estávamos nós duas ali, assistindo ao jogo do bonitão ,eu com a cara emburrada, por me achar a pessoa mais burra do mundo, ao levar a garota que eu gosto direto para os braços do sua paixão, e ela com cara de apaixonada, e vibrando a cada ponto dele.
O jogo terminou e o time da escola ganhou, Amélia saiu correndo da arquibancada até o campo.
—Amélia! – Chamei e ela não escutou, já estava no meio do campo indo em direção a Sloan.
Corri até Amélia, ela até Sloan e o bonitão até minha Amélia. Estava sobrando nessa estória toda.
—Sloan! – ela gritou e ele se virou indo em sua direção.
Parei no meio do caminho depois que vi a próxima cena. Amélia correu para os braços dele, e em seguida a beijou. Meu coração apertou, ou se despedaçou, não sei .Mas a minha vontade era de sair correndo dali, e deixar ela pra trás com ele. O beijou continuou e eu permaneci ali parada com os olhos cheio de lagrimas, estava sendo patética.
Virei às costas para ir embora.
—Lauren! – Amélia gritou, mas não me virei. – Volta aqui Lauren! O que houve? – minha vontade era virar e despejar tudo que sentia por ela naquela momento, falar o quanto me magoou ,mas não tinha esse direito ,não podia cobrar ela de nada, afinal éramos só amigas.
Andei sem olhar pra trás até o estacionamento, sabia que ela estava atrás de mim, não ia virar pra pagar o mico de me ver chorando.
Escutei uma voz conhecida chamar meu nome.
—Lauren! – olhei para o lado e era minha mãe Ruby ,ou melhor estavam todas ali. Estamos muito ferradas.
Minhas mães correram em minha direção e me abraçaram, tia Regina e Emma foram direto para Amélia.
Primeiro elas me abraçaram, me beijaram e me apertaram o quanto podiam, depois...
—Lauren Stuart Luccas! – chamou pelo nome todo ferrou. – Você ficou maluca! – minha mãe Tinker gritava. – Porque fez isso? Vocês pegaram o carro de Regina sem autorização, e saíram sem avisar!
—Calma amor! – Minha mãe Ruby,tentou segurar a fúria da minha outra mãe.
—Calma nada Ruby! Essa menina nunca fez essas loucuras. – se virou pra mim. – O que deu em você Lauren? Sempre foi tão ajuizada. – Minha vontade era responder: Amélia,mas devido as circunstancias era melhor ficar quieta. O pior veio a seguir. – Estou decepcionada com você Lauren! – disse me encarando com os olhos marejados. Aquilo sim foi o golpe final pra mim, preferia mil vezes ficar de castigo, do que escutar aquela frase. Minha mãe Ruby não falou nada, mas me olhava com a mesma cara de decepção. Melhor a fazer era abaixar a cabeça e seguir para o carro com elas.
Elas saíram me deixando dentro do carro, e foram até minhas madrinhas. Amélia também não estava mais ela, vi seu rosto encostado no vidro do carro, e por um momento nossos olhares se encontraram. Ela sussurrou um “Desculpa” e logo depois o carro delas se afastou.
Resumo do dia: Levei uma bronca, fiquei castigo e vi a garota que eu gosto beijar outro cara.
Belo começo em Strorybrooke.
Emma
Dirigimos em silencio ate em casa, voltamos no carro de Regina. Eu geralmente fazia o papel da mãe que dava bronca, mas hoje pela cara da minha esposa, esse papel com certeza seria dela.
Chegamos em casa e Amélia ameaçou ir para o quarto.
—Na sala agora! – Regina falou indo direto para a sala.
—Querida, vai com calma... – falei tentando amenizar a situação, e em troca me dirigiu um olhar mortal.
Amélia chegou quieta e com olhos brilhando pela lagrimas, sentou na nossa frente.
—Amélia, por acaso falta alguma coisa para você? – Regina falou seria.
—Não mãe...
—Impedimos você de sair para algum lugar? Porque que eu saiba sempre deixamos você sair com seus amigos. – Cortava meu coração ver ela chorando, mas ela merecia uma bronca.
—Não – falou chorosa.
—Então, por favor, nos explique, porque pegou meu carro escondido, e saiu a essa hora da noite sem nos AVISAR! – Regina ia aumentando seu tom de voz.
Amélia arregalou os olhos e grossas lagrimas desceram.
—Desculpa mamãe! – falou chorosa.
Regina levantou, respirou fundo e andou de um lado para o outro pensando.
—Você esta de castigo, por tempo indeterminado! – falou parando e olhando para ela. – De casa para a escola, e da escola para casa.
Olhava para ela, acho que pior do que apanhar e ter Regina dando uma bronca ,e Amélia sentiu isso na pele hoje, Regina nunca foi tão dura.
—Vamos levar você para escola e buscar. Nada de computador também! E só não tiro seu celular porque precisamos falar com você, e se eu ligar e esse celular estiver dando caixa postal, você vai se ver comigo! – falou isso e saiu da sala em direção à cozinha.
Ela estava chorando ainda e só concordava com a cabeça com o que a mãe falava.
—Amélia, pode ir para o quarto. – Ela se levantou e saiu correndo escada acima.
Regina estava na cozinha com as mãos em cima do balcão, me aproximou por trás e a abracei.
—Heyy! – escutei seus soluços. – Amor, não fica assim...
Ela me abraçou chorando.
—Odeio brigar com ela, mas ela exagerou dessa vez! Emma assim que soube que ela tinha saído com o carro, lembrei-me do acidente, de tudo que passamos, de como ela nasceu... Fiquei com tanto medo – disse contra meu ombro.
—Eu sei amor, calma! – disse fazendo carinho em seus cabelos, por um segundo relembrei daqueles dias trancada no hospital. Ficamos mais um pouco abraçadas até que ela se afastou limpando as lagrimas
—Vou para o quarto tomar um banho. – fiquei parada a vendo sair. – Você não vem?
—Vou daqui a pouco. – sorri e ela saiu rumo a escada.
Peguei um copo e me servi de um pouco de uísque, precisava relaxar, ainda estava tensa com toda aquela situação.
Meu celular tocou, era Ruby, devia esta preocupada.
—Como esta tudo ai?— ela falou tensa.
—Regina a colocou de castigo.
—Aqui também rolou castigo, mas antes Tinker quase enforcou a menina— disse rindo.
— Regina esta quase fazendo isso também... Acho que ela nunca ficou tão mal brigando com os filhos. Roland e Henry aprontavam, mas Amélia os superou — Ruby riu do outro lado da linha.
—Quem um dia, ia imaginar que estaríamos nessa situação loira!
—Mães e esposas, por elas vale apena tudo isso. – bebi meu ultimo gole de uísque.
—Você tem razão por Tinker faria tudo de novo.
Desliguei a ligação depois de um tempo, e subi as escadas, quando passei pelo quarto de Amélia, ouvi seus soluços, por um momento pensei em entrar e dar colo pra ela ,mas não podia, ela tinha que aprender
Aquela era a parte mais difícil de ser mãe.
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