To be good or to be evil
22 Primeiras Revelações
Kaique estava apavorado. Depois dessa ameaça clara que ele recebeu da Base, não restava nada a fazer a não ser obedecê-los... O duro seria convencer todos (principalmente Jessie e Marcabeth) de que Pedro não tinha culpa no cartório. Mas ele tinha que fazê-lo, pelo próprio bem deles.
...
Jessie acordou de manhã no sofá do hospital, nos braços de Lucas. Ela sentiu uma sensação muito boa e teve esperança de que talvez as coisas com Lucas se resolvessem e eles ficassem bem de novo... Mas agora ela tinha algo mais importante para fazer.
Ela levantou, pronta pra ir de encontro ao seu irmão no quarto e ver se estava tudo bem. Ela tentou fazer o mínimo de movimentos possíveis, para não acordar Lucas, mas não adiantou.
— Ei, princesa. – ele falou, abrindo os olhos.
— Hãn.. oi. Bom dia. Obrigada por ter ficado comigo ontem, eu realmente precisava de um ombro amigo.
— Você sabe que eu sou mais que um amigo.
Jessie o olhou, desconcertada. Ela corou e deu um sorriso.
— Então... está tudo bem? Você não liga pro fato de eu ser Má?
— Porra, claro que eu ligo, Jessie! Mas eu te amo! E o amor faz isso... Eu tenho que suportas as minhas dores para que eu possa ficar com você. – ele pegou nas mãos dela. – Me desculpa Jessie, não posso garantir que nunca mais vou brigar por causa das suas atitudes, já que você sabe que eu sou Bom e muita coisa me incomoda... Mas eu te juro que vou tentar com todas as minhas forças. Ontem quando vi o Kaique no chão e você chorando eu só queria estar perto de você... portanto, não vou te deixar ir.
Jessie chorava. Droga, ela não aguentava mais chorar! Uma vez porque Lucas terminou com ela e ela queria se vingar, depois porque seu irmão tinha se machucado feio e agora para reatar o namoro... Desse jeito ela ia morrer seca.
Os dois se beijaram e Jessie falou que precisava de um momento com o seu irmão.
...
Ao entrar no quarto, Kaique estava acordado e comendo seu café da manhã. Ela ficou impressionada já que colocaram uma bandeja com diversos tipos de comida (todas as preferidas dele) e ela nem sabia que tinha tantas opções no hospital.
— Nossa... estão te tratando muito bem aqui.
Ele pareceu preocupado. Mas logo disfarçou e riu.
— Pois é!
— E parece melhor, graças a Deus! – ela se aproximou e o beijou na testa. Em seguida sentou na cadeira próxima dele.
— Eles tem a cura aqui. Eles devem ter a cura para todos os tipos de mordida aqui nesse hospital, não é um arraso?
— É sim, mas olha, não to preocupada com isso agora. O que aconteceu? Por que o Pedro te atacou? Esse moleque vai pagar.
— Não! NÃO! O Pedro não me atacou, calma..
— Como não? Eu vi a mordida de zumbi!! A Marcabeth estava comigo então só pode ter sido ele. Ninguém nunca mais vai falar com ele!! Inclusive a Marc.
— N-não, não, calma! Me deixa explicar. – Kaique parecia desesperado como Jessie nunca tinha visto antes. Ele estava à beira das lágrimas e coçando o braço, nervoso.
— Ok, você tem cinco segundos pra começar a se explicar, ou...
— O que aconteceu foi o seguinte.. – Kaique tinha tirado um tempo de manhã para pensar em qual desculpa ele ia inventar pra salvar o rabo do Pedro. Ele não achou nada muito plausível, então ele teria que exagerar.. e torcer para sua interpretação ajudar no convencimento. – Eu e eles éramos os últimos na cachoeira. Ele falou que nem estava muito afim de pular, mas eu ameacei ele, eu chamei ele de maricas e disse que a gente devia fazer uma aposta. Eu nunca fui com a cara dele, você sabe né? Ele com esses lances de “ninguém que não seja uma criatura má deve se aproximar de mim” e etc... Eu só queria que ele pagasse.
— Como assim Kaique?
— Eu provoquei ele, ameacei um pouco mais e estava à beira de empurrá-lo quando ele revidou.
— Eu não acredito que você ia empurrar ele de lá de cima! Você tá inventando isso.
Ela tá certa, ela sabia que ele jamais empurraria alguém de lá de cima. Droga! Furo na história.
— Não! Eu não ia mesmo empurrá-lo... Você sabe que eu sou palhaço e gosto de brincar... Era brincadeirinha, eu segurei ele pela blusa e fingi que ia empurrá-lo. Ele ficou com medo porque achou que era sério e revidou.. Ele acabou me mordendo na hora do nervoso e ai eu escorreguei e cai sozinho. – Kaique chorava e se expressava com as mãos para dar mais ênfase na sua história. (ps: ele só esperava não esquecer nenhum detalhe e depois contar de outro jeito kkkk isso era o ruim de histórias inventadas!)
— Isso não justifica a cara de sonso que ele fez quando você caiu! Ele não disse nada e te deixou lá pra se afogar. E depois meteu o loko, dizendo que não sabia como você tinha caído.
— Ele ficou com medo!! Óbvio que ele sabia que ninguém ia acreditar nele se ele dissesse que foi sem querer... Mas eu estou aqui e agora eu to contando a verdade.
Jessie o olhou desconfiada. Se aquela história inteira não fosse mentira, pelo menos boa parte dela era. Mas Kaique estava nervoso e ela não podia matá-lo do coração.
— Ok... E o que você quer que a gente faça? Dê uma pequena lição nele?
— Não, sem lição... por favor. Já estou envergonhado porque causei todos esses problemas e a culpa foi minha. – Que raiva, ele odiava fazer papel de coitadinho! Não combinava nenhum pouco com ele! – Só... diz pro pessoal que não foi culpa dele e que nós já estamos acertados. Nem precisa contar a história toda, mas não faça todos se afastaram dele por algo que ele não cometeu. — #MeteuOLokoLegal.
— Tá... eu vou falar, mas não garanto.
Jessie viu que Kaique continuava nervoso e decidiu mudar de assunto, para acalmá-lo.
...
Marcabeth tinha dormido a noite anterior na casa de Penton e Miguel. Ninguém nem ligou para as diferenças de Bem x Mal naquela noite. As duas choraram bastante escondidas, pela culpa de Pedro, mas ambas fingiam que estavam bem e tentavam consolar a outra.
Por fim, Marcabeth adormeceu. Ela estava na cama de Penton, já que parecia muito mal. Como assim seu irmão tinha atacado o amor da sua vida?
Já Penton estava decepcionadíssima com Pedro. Mas no fundo ela sabia que ele não tinha tanta culpa assim, era o instinto assassino do Mal que eles tinham dentro deles... Às vezes não dava pra controlar.
Jessie avisou todas as meninas pelo grupo numa história resumida que a culpa não tinha sido inteiramente do Pedro e que elas deveriam falar com ele pra ver o que ele tinha a dizer.
Marcabeth chorou de novo, ela não sabia se de raiva ou alegria. Penton socou outra mesa e Miguel gritou lá da sala que eles não tinham dinheiro para comprar um móvel novo toda vez que ela ficava com raiva.
...
Assim que Jessie saiu do quarto para se encontrar com Lucas na sala de espera do hospital, Kaique deu um jeito de pegar seu celular e ligar pra Pedro rapidamente.
— Ai puta que pariu moleque, não vem me dar sermão não! Acabei de acordar, nenhum pouco afim de ouvir suas baboseiras... Mordi mesmo e mordo de nov...
— Cala boca caralho!! – Kaique sussurava. – Agora me escuta bem e prestão atenção porque eu vou te dizer como vamos salvar seu rabo.
Kaique contou em detalhes a história que ele tinha contado pra Jessie e disse que Pedro teria que contar exatamente igual, para parecer verdadeira.
— E faz seus corre ai, chora, faz cara de bravo... elas precisam acreditar. Eu fui avisado de que você não pode ser ignorado pelo grupo, então vê se colabora!
— E não é que o Jhonatan te visitou mesmo? Haha
Kaique gelou.
— Como você sabe esse nome? Você conhece o cara?
— Ele me visitou ontem. Mas enfim, deixa eu me preparar psicológicamente porque daqui a pouco chega o bond aqui e eu vou ter que fazer um show de atuação.
...
Dito e feito. Dentro de poucos minutos, as meninas chegaram uma a uma na porta de Pedro, pedindo explicações.
Marcabeth chegou a dar um soco nele, de tão nervosa. Jessie o queimava mentalmente.
Pedro contou a história exatamente igual, disse que ficou com medo de ninguém acreditar nele e blablabla. Depois ele mudou de repente e disse que não ia se rebaixar pra ninguém, implorando pra eles serem amigos deles.
— A situação é simples: quer colocar toda a culpa em mim coloca, é mais fácil mesmo. Se não querem mais falar comigo, TCHAU!
As meninas foram para um canto discutir a situação.
— Isso parece muito com o Pedro. – comentou Aluria.
— É, eu não acho que ele esteja fingindo. – disse Veliria. – Afinal, se ele estivesse fingindo, o principal seria manter nossa amizade. E ele já mostrou que, como todo santo dia, ele tá pouco se fudendo.
Enquanto elas conversavam, Pedro olhava de soslaio para Marcabeth e Penton, que eram as únicas que ele não queria decepcionar. (Apesar de saber que já tinha feito isso). É claro que isso que ele acabou de falar fazia parte da atuação. Se ele se fizesse de chorão, um papel que não combinava nada com seus modos góticos, todo mundo ia notar que era fingimento. Então ele teve fingir que não se importava.
— Ok, você vai poder continuar andando com a gente. Se quiser, claro. – falou Luisia. – Mas você sabe que tem muita coisa mal contata nessa história e que ninguém aqui é trouxa né? – “Discordo”, ele pensou. – Enfim, a gente vai explicar a situação para os meninos.
— Você devia visitar o Kaique. – falou Mostich, em voz alta. – Afinal, vocês tão bem não é? Então você devia ver o que fez com seu amiguinho, mesmo que sem querer.
— Eu vou... – ele levantou a cabeça. – Eu vou.
As meninas saíram da casa. Não plenamente satisfeitas com a explicação para essa situação... Mas o que elas podiam fazer?
Jessie não tinha engolido nem metade daquilo e saiu da casa de Pedro com uma expressão horripilante.
...
Jhonatan caminhava por uma sala repleta de pessoas com roupas vermelho-claro. Cada uma estava sentada numa mesa, olhando para as telas do computador e com fones de ouvido. Ao observar bem, nota-se que eram câmera espalhadas pela cidade de Gousti. A cidade era vigiada 24 horas por dia em praticamente todos os lugares e os moradores não sabiam!
Todas as pessoas naquela sala eram velhas, quer dizer, tinham mais de 25 anos. Por que ninguém na cidade de Gousti tinha mais de 25 anos, mas naquela sala estava repleta de gente assim?
Jhonatan tinha um olhar severo e era claramente o chefe do lugar. Ele observava agora as câmeras atrás da mesa de uma moça, as câmeras da casa de Pedro e Marcabeth. Ele sorria, satisfeito com as meninas indo embora da casa de Pedro tendo o “perdoado”. Ele notou o olhar selvagem de Jessie.
— Eu sabia que tinha escolhido certo. Essa não vacila nunca. – comentou, rindo. A moça concordou.
— Senhor. – Um homem com as mesmas roupas de todo o resto do pessoal entrou na sala e fez um sinal de respeito com a mão para Jhonatan, como se fosse um soldado. Jhonatan fez um sinal rápido com a mão, para que ele voltasse ao normal. – A Direção te chama na sala de comando. Todos os diretores da Base estão lá.
Jhonatan bateu as mãos, empolgado. Ele foi rapidamente até a sala. Andou por alguns corredores escuros e enfim chegou. Fez um movimento com a mão e usou sua magia para abrir a porta.
Havia homens e mulheres sentados ao redor da mesa.
— Jhonatan, o tempo está acabando. Eu não confio mais tanto assim nesse grupo e não sei se obteremos os resultados que queremos... Talvez uma situação drástica precise ser tomada. – falou uma mulher com um coque alto.
— Joana, talvez. Mas ainda não esperamos os resultados. E estou com fortes esperanças! Eu tenho um grupo preferido e eles parecem bem promissores.
— E qual seria esse grupo? – disse um homem gordo, encarando feio Jhonatan.
— O grupo 7. Inclusive já escolhi meus preferidos, os mesmos que eu fiz uma visita no dia da Escolha: Jessie, que é uma garota rebelde e extremamente promissora. Veliria e Miguel por serem os Meio-Termos do grupo. E eu me enganei profundamente em não fazer uma visita à Pedro naquele dia, que também está na minha lista de favoritos agora, juntamente com Lucas. Como o dia da Escolha fica meio nublado nas memórias, até Kaique, que já tinha me visto no dia, não lembrou de mim ontem que o visitei. Ainda não vi Penton pessoalmente, mas ela com certeza também não lembrará, nem Alexandre, os três só me viram no dia porque fui visitar seus irmãos... Mas nem eles se lembrarão.
O grupo ao redor da mesa não parecia muito interessado, claramente Jhonatan era o mais interessado de todos.
— Nós já achamos a cura, portanto agora não precisamos mais fazer testes para isso. Só o que precisamos são os testes sobre o comportamento, as atitudes humanas. Você notou que a mecha daquele tal menino Matheus piscou um dia? Esse grupo está defeituoso!
— Deveríamos cancelar! – gritou um dos homens batendo na mesa e vários outros demonstraram apoio.
— Eu acho... – disse Jhonatan bem baixo, e com um simples movimento das mãos fez quem estava em pé se sentar, fazendo a sala ficar em silêncio. – que vocês não estão entendendo quem manda aqui. Este conselho é apenas uma formalidade. A verdadeira chefe da Base nem está aqui no momento, ou seja, o mais forte manda. – Com apenas o pensamento, ele pegou um vaso de flores que se encontrava em cima da mesa e jogou contra a parede. – Eu preciso lembrá-los quem é o mais forte?
Todos permaneceram quietos.
— Eu realmente gosto desse grupo e estou MESMO me divertindo com eles. Eu vou continuar os testes por mais algum tempo e depois se não der... fazer o que, BUM! – ele gritou batendo as mãos na mesa e assustando todos na sala. – Cancelamos tudo e apagamos todos.
Ele caminhou pela sala.
— Agora... Eu acho que está na hora dos meus pequenos me conhecerem. – ele riu e saiu da sala, deixando uma mesa de homens e mulheres completamente apavorados.
...
Veliria caminhava na rua de mãos dadas com Júnior e os dois riam, se direcionando para o cinema, onde encontrariam Douglas e Luisia e Mostich e Alexandre, era o rolê dos casais. Com muito pesar convenceram Jessie a ir também, junto com Lucas. Ela ainda estava preocupada com Kaique, que só sairia do hospital amanhã.
Enquanto isso, Penton se preparava para ir numa balada, junto com Marcabeth (que estava super desanimada), Aluria e Miguel também estavam com elas. Penton ainda chamou Pedro e Matheus e Aluria chamou Caio. Marcabeth não quis chamar Eduardo. Eles caminhavam pela rua, rindo e conversando. Tentando manter um assunto em que não começasse uma guerra entre os Lados.
...
Do outro lado da rua, observando os casais chegarem ao cinema, Jhonatan os observava das sombras. Olhava fixamente para Jessie, sua preferida.
— As coisas estão começando a ficar interessantes. – ele disse, rindo.
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