To be good or to be evil
7 Marcabeth
No dia seguinte, Marcabeth não estava afim de ir pra aula. Ela decidiu cabular. Pedro ia ficar embaçando muito na dela se ela ficasse em casa, portanto ela teria que ir até a escola e de lá fugir.
Ela levantou da cama, pegou qualquer roupa, nem se maquiou. Pedro tinha feito café, ela nem comeu, só bebeu uma xícara inteira de café preto puro.
– Tá tudo bem? – disse ele olhando-a de cima a baixo, sentado lendo o jornal e tomando seu café com pão.
– Tá, por quê? Nunca viu?! Tô com sono, não enche.
Marcabeth e Pedro não se davam muito bem... Era impressionante, eles quase nunca demonstravam amor um pelo outro, principalmente porque Marc era do mundo e Pedro gostava das coisas corretas.
Pedro foi até a geladeira e pegou alguns cérebros. Mordeu e ficou olhando para Marcabeth. Toda vez que ele pegava cérebros novos da geladeira ela vinha correndo e tomava da mão dele. Ele cedia pois fazia de tudo para proteger a irmã, por mais que ela não soubesse. Mas nem isso ela fez hoje, de tão mau-humorada que estava. Pedro começou a ficar realmente preocupado.
– Você tem certeza que tá bem? O que foi??? Eu sei que nós não somos assim tão íntimos, mas você pode me contar. Se você quiser pode chamar alguma amiga para vir aqui...
– Eu não sei Pedro, eu só não to bem. Eu realmente preciso de um espaço.
Pedro olhou direto para ela, preocupado. Marcabeth não conseguia entendê-lo, mas na mente dele, tudo o que ele fazia tinha sentido.
– Faz assim, fica em casa hoje, ok? Não precisa ir para aula, eu vou te dar um tempo.
Marcabeth já estava rezando e orando por todos os santos para agradecer e então ele veio em sua direção e deu um beijo na testa, com uma cara de preocupação que até calou a resposta irônica que Marc ia dar. Ela só fez “arrh..” Ele saiu.
Ela correu para geladeira e pegou uma cerveja, um de seus piores vícios. Chamou Veliria pelo whats e disse “Amiga, avisa pras meninas que nem vou colar na escola hoje. Não to muito bem, vou ficar aqui em casa relaxando um pouco.”
Veliria ligou para ela logo em seguida e disse:
– Tem certeza que você ta bem? Se quiser eu vou até sua casa e falto também, eu cuido de você.
– Não precisa, Ve. Vou ficar aqui na minha, pode ir pra aula. Beijos!
Assim que desligou, Marcabeth decidiu ir até o jardim mais próximo da sua casa e caçar um ratinhos, esquilos ou coelhos. Tinha cérebro na sua geladeira, mas ela precisava de algo vivo hoje, e na cidade de Gousti comer os animais era completamente liberado, para todos os seres sobrenaturais que precisavam se alimentar de algo vivo de vez em quando.
Marcabeth deixou as chaves do seu carro em cima da estante, decidiu ir andando. Ao chegar no parque ela olhou pros lados e tudo estava vazio, todos estavam na aula. Pela olhada rápida ela só viu um casal (que provavelmente estava cabulando) e um senhor varrendo a praça. (Obviamente o “senhor” tinha lá pros seus 25 anos, já estava próximo da idade de evacuar a cidade)
Marc esperou um pouco e depois começou a caçar, entrou no seu “modo zumbi completo”, ela se distanciou um pouco das pessoas para ninguém correr perigo. Ela comeu um esquilo e dois ratos.
Quando estava com as mãos cheia de sangue, comendo seu segundo rato, ela sentiu um vento nos cabelos e parou de morder a cabeça do animal. O vento rapidamente parou e ela voltou a comer, mas tão rápido como parou, ele voltou.
– Mas pqp, o que é isso? Será que eu tomei cerveja demais logo de manhã e to ficando louca? Ainda bem que nem penteei meus cabelos hoje, porque olha...
– Sério que você não penteou? – Ela ouviu uma voz, mas não sabia de onde vinha. O vento continuava.
Ela olhou pros lados... – Quem está ai? – gritou.
– Eu. Opa, desculpa, hahaha – disse o menino parando e rindo. Meio envergonhado porque tinha pisado no rato da garota.
– Você tá louco, cara? Eu tô comendo aqui e você chega do nada.. Eu poderia ter te mordido! – disse ela limpando o rosto todo sujo de sangue na manga da blusa e fazendo seus olhos voltarem à cor normal.
– Você podia tentar, mas... acho difícil que você conseguisse me pegar, haha. – falou ele sorrindo, e então sumiu da frente dela e foi parar atrás e ela sentiu apenas o vento.
– O quê? Ué! Hahah Qual o seu poder?
– Eu tenho super velocidade, então acho que uma zumbi fazendo “uarrrrrgh” e andando se arrastando não ia conseguir me pegar tipo... nunca hahahah
– Fala sério, a gente nunca se arrasta. Os filmes querem deixar a gente com cara de “bad guys” e só retratam bosta! – ela falou, sorrindo.
Marcabeth não era muito de sorrir ou conversar por muito tempo com estranhos. Ela vivia em sua bolha e só se preocupada em manter as mentiras que ela própria contava... Sobre quantos meninos ela dormiu na noite passada, quantos ela pegou na última festa, mas era tudo mentira. Não que ela fosse santa... Mas ela dava uma baitaaaa exagerada e mentia para todos! Incluindo suas amigas, seu irmão e o cara que ela gostava. Apesar de não se abrir muito com estranhos, ela viu algo nesse menino. Não que ele fosse muito bonito ou coisa e tal, ele era normal. Era difícil ela achar uma pessoa tão bonita quando a beleza dela era avassaladora, pra ela nunca ninguém estava aos seus pés. Exceto Kaique, que era a coisa mais linda que ela já tinha visto na vida. Mas ele não estava ali agora... só estavam ela e o... Como era o nome dele mesmo?
– Como é seu nome? – ela perguntou.
– Opa, Eduardo! Tinha até esquecido de me apresentar hehehe e o seu?
– Marcabeth, prazer. – Ela ficou olhando para ele curiosamente, enquanto ele coçava a cabeça timidamente. “Que menino curioso!” ela pensou. Ele era meio exaltado, falava as coisas correndo (devia ter algo a ver com seu poder), mas era tímido, ela podia perceber pelo modo como falava e agia. Ela achou ele extremamente fofo.
Eles sentaram e conversaram por cerca de uma hora e ele fez Marcabeth rir como ela não ria em muito tempo. Não verdadeiramente, pelo menos.
– Bom, agora eu tenho que ir. Eu preciso ir pra casa e ficar sozinha um pouco, preciso pensar. Obrigada pela conversa, você é muito legal... e fofo. Haha – ela apertou suas bochechas e ele ficou muito, muito vermelho.
– Ah, err... Obrigado! Quer uma carona pra casa? Eu posso te levar pra lá em tipo, 1 minuto hahaha
– Claro, por quê não? Haha.
Marcabeth falou seu endereço para Eduardo e realmente, eles estavam lá em um minuto. Ela saiu das costas dele e se despediu, dando um beijo na bochecha.
– Eu gostei muito de conversar contigo hoje, Eduardo. Espero que a gente se veja de novo.
– Nossa, eu.. eu também! Com certeza nos veremos, Marcabeth. Com certeza :) – ele disse não cabendo em si. – Tchauzinho!
E foi, e ela ficou sozinha com seus pensamentos.
......
Marc entrou em casa e tomou um susto, com todas as meninas dentro da sua casa. Foi recebida com um abraço coletivo.
– Cara, você não podia ter faltado hoje, as provas estão chegando... – falou Aluria.
– O que você tem, peloamordedeus? Quer ir no médico? Eu te levo, vamos! É melhor nem dirigir assim... – disse Jessie.
– Deve ter bebido muito ontem à noite e tá assim, fala sério. – comentou Mostich, baixinho.
– Gente, gente, calma!!! Eu já estou um pouco melhor... Na verdade eu não sei o que eu tenho. Mas eu preciso de um tempo, eu preciso ficar sozinha. O Pedro me deixou ficar em casa e nem ficou reclamando no meu ouvido.. E vocês, o que fazem aqui? E a aula??
– Viemos correndo te ver antes do intervalo acabar, mas a moçinha não estava em casa né! Chegamos rapidão porque viemos no carro da Jess – falou Penton.
– Gente, ela precisa de um tempo então. A gente só veio ver se você estava bem mesmo... Agora a gente já vai, pra não se atrasar pra aula! – disse Luisia. – Todas dando beijinho de tchau e vamos então. Melhores, Marc! Qualquer coisa liga heinnnn.
Elas deram mais um abraço coletivo e todas beijaram Marcabeth e foram embora correndo. Marc ficou na porta sorrindo, enquanto via Aluria virar loba na rua levando Luisia nas costas, segurando sua roupa. Penton também tinha virado loba e levava Mostich nas costas, levando sua roupa. Jessie abriu suas asas e voou e Veliria se transformou numa anja e voou também. Era impressionante como aquelas meninas faziam bem para Marc, ela amava suas amigas.
....
Passou mais um tempinho, Marcabeth ainda estava sozinha em casa, ouvindo música.
Alguém bateu na porta.
– Se for as meninas de novo eu vou comer o cérebro de uma e fazer como exemplo e as outras vou matar lentamente. – falou ela, séria. Mas depois caiu na gargalhada.
Marc passou na frente do espelho e ficou impressionada de mesmo quando ela não se cuidava, não passava maquiagem nem usava roupas bonitas, hoje ela nem sequer tinha penteado o cabelo... e continuava reluzente. Estava tocando a música dela no rádio, So What da Pink (ouçam, babies!).
Quando abriu a porta, Marc esbarrou na estante e soltou um “ai!” de tão surpresa que ficou. Era o Kaique! Como ele podia ser tão lindo ela não sabia... Mas de perto era ainda melhor.
– Kaique? O-oi. O que você quer?
– Ah, oi Marc. Nada não, só vi que você não foi pra escola hoje e ouvi as meninas dizendo que você tava meio mal e vim ver se você precisa de algo... Posso entrar?
– Claro.
Marcabeth até tremia, nem acreditava que sua crush suprema estava ali na sua frente, tão pertinho... Os dois ali, sozinhos.
– Cara, eu adoro essa música.
– Eu também.. gosto muito mesmo.
– Então você tava meio ruim, né? Já ta melhor?
– Já sim... Acho que era um mal-estar, sei lá.
– E... será que se você ficasse mais pertinho assim o mal-estar passaria? – ele falou isso puxando-a para si. Marcabeth ficou um pouco vermelha, pega de surpresa. Ele e todas as pessoas da cidade achavam que ela era uma vaca. Ele com certeza achou que poderia aproveitar por uma noite com ela e depois tchau... Geralmente ela mandaria qualquer menino pastar, mas no caso dele.. Ela teria que aproveitar e entrar no jogo também. Ela sempre quis ele.
– Depende. Eu acho que ainda está um pouco longe demais..
Quando ela disse isso, ele riu. Ela sabia que gostava verdadeiramente dele, pelo riso lindo, os olhos.. como o coração dela batia quando ele tocava nela. Uma pena que ele não notasse isso e ela fosse só mais uma das mil que ele usava...
Ele beijou ela e puta que pariu!!!! Marcabeth já tinha beijado muitos caras na vida, sem dúvidas ela era a que mais tinha beijado no seu grupo de amigas, mas nossa... Nada nunca foi nem perto do que o beijo dele. Ela segurava forte e puxava e só queria ele.. Foram um, dois, três beijos... Eles esbarravam na estante, na mesa, até caírem no sofá.. Ele beijou o pescoço dela e os olhos dela piscaram.
Ela só queria que fosse pra sempre, que ele soubesse o que ela sentia. Ele começou a subir a blusa dela... Ela não era tão vadia como todos pensavam, nunca tinha dormido com ninguém logo no primeiro encontro.. Mas era ele... Ela não sabia se teria outra chance.
Ele começou a subir a blusa dela e ela deixou, ele pegou ela no colo e começou a subir as escadas pro quarto dela, enquanto ela sorria com os mil beijos que ele lhe dava.
Mas de repente ela ouviu um barulho lá embaixo. Lá fora.. E mais próximo, caminhando até a porta. Ela olhou pro relógio, era o Pedro!
– Puta que pariu, você precisa ir embora!
– O quê? Mas agora que tava ficando bom, Maísa.. Ops, Marcabeth! – ela ficou vermelha de raiva.
– Vai logo, sai pela janela! Você sabe como meu irmão é quando se trata de anjos, fadas ou criaturas não-assustadoras, vai logo!!! Se ele te pegar aqui ele me mata!
Ele deu mais um beijo nela, e ela correspondeu fortemente, porque imaginava que aquele seria o último. Então ele abriu as belíssimas asas douradas e saiu voando pela janela. Ela ficou olhando ele ir embora e pensando como seria bom se ele simplesmente voltasse e ficasse com ela para sempre.
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