Joshe indicou o caminho e eles seguiram correndo por eles. Ao chegar à beira da floresta, ela os mandou parar.

— Ok, aqui eu vou entregar suas falsas identidades. Cada um fica com a sua, já que é possível que nem todos de nós consigamos escapar. – Ela entregou as identidades, com seus nomes, a foto e endereços e empregos falsos. – Isso vai servir para entrar na cidade, mas depois que estiverem dentro vocês terão que tirar identidades verdadeiras e arranjar empregos verdadeiros, ou nunca passarão despercebidos. Nas informações que têm no veículo vocês saberão quem devem procurar para realmente fazer isso acontecer. – ela suspirou. – Ok, muito cuidado para não perder, suas vidas dependem desses documentos.

Joshe mostrou uma escotilha, que conforme ela daria para as fronteiras da cidade. Lá fora, eles tinham um veículo os guardando que ela mesma deixara ali. Eles teriam que andar alguns quilômetros (talvez por alguns dias) até chegar na primeira cidade. Depois disso estavam livres, mas deviam fugir antes da explosão.

Depois que todos passarem pela escotilha e entrarem no corredor misterioso, Joshe fechou a escotilha antes de entrar.

Mostich voltou gritando, com todos ao seu lado dizendo que Joshe não poderia deixá-los.

— Olha, eu sei que disse que iria com vocês. Mas a cidade é praticamente igual à essa, vocês vão se virar bem. Eu preciso salvar o Jhonatan. Ou morrer tentando.

Então ela correu em direção à sede da Base. Depois de alguns segundos gritando, eles perceberam que não ia adiantar. Então todos se dirigiram para o veículo.

...

A Base estava uma loucura. Joshe nunca tinha visto o lugar descontrolado daquele jeito, mas a explosão já estava ativada então todos precisavam sair rápido dali.

Mas havia um problema: a casa de Penton e Miguel estava pegando fogo, ninguém sabia por quê, já que aparentemente a câmera havia falhado. Todos do grupo de amigos haviam sumido e ninguém os encontrava em nenhuma câmera da cidade. Por sorte, Joshe ainda não tinha sido descoberta como cúmplice.

Ela seguiu andando pelos corredores até encontrar a área fechada em que Jhonatan se encontrava prisioneiro. Tinha dois guardas na porta, mas ela os mordeu e passou facilmente por eles.

— Joshe! Todos conseguiram se salvar e fugir?

— Não todos, mas eles estão fugindo agora mesmo. – Ela o soltou das suas amarras.

Mais guardas surgiram e Jhonatan não estava em condições de lutar.

— Fique atrás de mim. – disse Joshe. (#girlpower). Eram cerca de 15, e depois de uma luta acirrada, muitas mordidas e levando alguns tiros, Joshe os venceu, mas estava acabada. Quase tombando, ela foi até Jhonatan para que os dois enfim fugissem.

— Que bonito, hein! – falou Antônio, batendo palmas e entrando na sala, com mais 5 guardas e Ravena.

— Não sabia que nosso pet de estimação tinha se virado contra nós. Que ultraje! – Disse Ravena rindo.

— Acho que agora simplesmente teremos que matar os dois e ir embora rapidinho. A cidade logo vai explodir e todos aqui vão morrer. – comentou Antônio com um mega sorriso no rosto. Ele se dirigiu para a porta.

— Eu queria que vocês morressem agonizando. – falou Ravena. – Infelizmente não tenho tempo para assistir, mas espero que seja uma morte violenta e dolorosa. – Ela olhou para os guardas. – Segurem eles e eliminem ambos.

— Segura isso aqui, vadia! – gritou Joshe e atirou com sua última bala bem na cabeça de Ravena, que ficou imobilizada e caiu morta ainda com os olhos abertos.

Antônio estava atônito na porta, mas conseguiu pegar a arma do guarda ao lado e atirar em Jhonatan, que caiu sangrando no chão. Antes que os guardas pudessem atacá-los, o último sinal para a fuga da cidade tocou. Todos saíram correndo do quarto e deixaram Jhonatan semi-morto no chão sangrando junto com Joshe lá dentro da sala, trancados.

— Obrigada por tentar me salvar. Desculpe por não ter sido tão fácil, eu era um alvo prioritário. – Disse Jhonatan. – Ai!

— Salvá-lo ou morrer tentando, eu mesma disse. – completou Joshe sorrindo e tossindo.

— Espero que aproveitem o fim do mundo, bandidos. – Disse Antônio de fora da sala, e saiu andando, deixando-os à mercê da morte.

...

Quando o grupo chegou no fim do corredor, tinha uma outra escotilha. Todos tiveram que usar sua magia para abri-la. Enfim conseguiram e correram até o veículo: um helicóptero.

Jessie, a mais responsável, acompanhada de seu namorado Lucas, se encarregaram de dirigir o helicóptero e tirá-los dali.

Depois de alguns minutos (e se lembrando das instruções de Joshe), conseguiram ligar e fazê-lo voar.

Ouviram o último alarme da destruição soar, esse que não soava apenas dentro da Base, mas dentro da cidade também e nos arredores dela. Agora os próprios moradores ouviam aquela sirene, mas não sabiam que era sua morte se aproximando.

Dezenas de carros, aviões e helicópteros saíam voando ao mesmo tempo de dentro da Base, tanta gente que ninguém os notava ali, fugitivos.

Quando pensavam que já estavam salvos e que iam conseguir fugir com facilidade, Antônio saiu de dentro da Base com cerca de 50 seguranças o cercando e foi para o avião. Logo ele viu o helicóptero que Joshe estava encarregada de pilotar e quando o notou no ar, entendeu tudo em questão de segundos. Mandou 10 soldados descerem e atirarem no helicóptero até derrubá-lo.

— Mas senhor... O sinal já tocou. Como vamos evacuar depois? – perguntou um dos soldados.

— Torçam para serem rápidos e ainda conseguirem pegar um desses carros que estão saindo da Base agora. Já pra fora, soldados, é uma ordem! – Disse Antônio fechando a porta atrás de si.

Os soldados desceram desesperados e tentaram acertar o helicóptero o mais rápido possível. Alguns tiros passaram longe, por causa do desespero, e avisaram ao grupo que eles estavam sendo atacados.

Todos menos Jessie e Lucas se dirigiram para as portas e janelas e usaram seus poderes para impedirem que as balas acertassem o avião.

— Vamos acelerar ai, Jessie querida! – berrou Miguel.

Eles sabiam que usando sua magia em força total desta maneira eles iriam se esgotar rápido. Mas depois de 5 minutos, com a explosão prestes a acontecer e o helicóptero já bem mais longe do que antes, os soldados simplesmente desistiram e correram para dentro atrás de um carro.

Todos caíram no chão esgotados, e o avião de Antônio não estava mais à vista.

— Agora que já passamos por todas as dificuldades possíveis, será que enfim conseguimos chegar no nosso novo lar? – murmurou Luisia.

— Eu espero muito que sim. – comentou Pedro baixinho.

...

Eles voaram por mais alguns minutos, até que enfim aconteceu.

A explosão na cidade de Gousti era uma coisa difícil de ser explicada, parecia que vinha de todos os lados e ao mesmo tempo não parecia vir de lugar nenhum. Todos ali gritavam e corriam, já que estavam surpresos por essa bomba repentina.

Joaquim ainda estava na loja, Eduardo andava no parque como gostava de fazer, Rafael brigava com dois rapazes em um beco, Roberto fumava em uma esquina, Ricardo estava na aula paquerando uma garota qualquer, Caio e Jhonatan estavam mortos no chão do lugar onde se encontravam, Matheus andava pelas ruas da cidade sem rumo algum e Joshe se lembrava dos bons momentos com o irmão quando foram atingidos. A bomba foi acertando pontos da cidade aos poucos e rapidamente todos se foram. Cada um com seus pensamentos, cada um com ainda muito a viver...

Aluria e Miguel, Luisia e Douglas, Jessie e Lucas, Mostich e Alexandre, Veliria e Júnior, Marcabeth e Kaique e Penton e Pedro deram as mãos e choraram. Agora os casais estavam certos entre si, as meninas não tinham mais outras crushs para se preocupar, e só depois de algum tempo iriam achar um vídeo explicando que todos esses garotos que elas tinham uma queda, um sentimento inexplicável mesmo quando já estavam namorando com outro, e que não tinham irmãs, o que era estranhíssimo naquela cidade, perderam as irmãs para o vírus espalhado pelo mundo e foram colocados ali como mais uma forma de teste, 10 meninos sem irmãs e 10 meninas sem irmãos. Mais um fato que demonstrava que eles eram o grupo de estudo principal da cidade.

O grupo de amigos chorou muito pelos amigos e todas as pessoas conhecidas que perderam naquele dia. E juraram sempre se reunir e honrar a memória dos amigos naquele dia, por todos os anos seguintes.

...

Depois de alguns dias enfim chegaram na cidade. Entraram nela por meio de esgotos e escotilhas escondidas, que Joshe tinha mostrado nos mapas para eles.

A cidade era praticamente igual Gousti. Com algumas tecnologias mais avançadas, usavam roupas diferentes e as pessoas não pareciam usar sua mágica no dia-a-dia normalmente como eles usavam. Todas as famílias eram muito grandes, cerca de 6 crianças para cada pais, havia crianças correndo por todos os lados.

Todos se emocionaram ao pisar em terra firme. Tinham conseguido fugir e teriam a chance de viver uma vida normal. Ali todos eram imunes ao vírus e a população mundial crescia cada dia mais, dando a todos a chance de uma vida pacífica e feliz.

Os casais se beijaram, com lágrimas caindo, e saíram andando pela cidade.

— Eu preciso comprar roupas novas. – disse Mostich.

— A gente sequer tem dinheiro daqui ainda. – falou Aluria, revirando os olhos.

— A moeda do corpo eles aceitam em qualquer lugar. – Falou Marcabeth levantando um pouco a saia.

— Pode ter certeza, te ajudo com isso amor. – Falou Kaique tirando a camiseta.

Todos riram.

— Será que a gente realmente vai conseguir ter uma vida normal aqui? – perguntou Miguel.

— Tenho certeza que nós estaremos prontos para eles. – comentou Pedro, piscando.

— E se eles não estiverem prontos para nós... – começou Lucas.

— Nós os faremos ficar. – completou Alexandre.

— Temos que honrar nossos irmãos perdidos em campo. – falou Penton, cabisbaixa.

— E iremos. A nossa vida será nossa forma de honrá-los. – respondeu Luisia.

Todos ficaram sérios por um instante.

— Mas sério.... roupas. – falou Júnior.

— E um banho, por favor. – disse Jessie, rindo.

— Um banho seria ótimo. – finalizou Douglas.

Todos seguiram rindo, os casais de mãos dadas, acreditando na chance de uma vida melhor que estava por vir, assim que se adaptassem. A esperança os fazia seguir adiante.

...

Dois dias antes, na sede principal da Base.

— Então, Antônio, vemos aqui que um pequeno grupo fugiu da cidade-teste pela qual você estava responsável. Na verdade o grupo Principal. – disse um dos diretores.

— Isso é um absurdo! – gritaram os outros.

— Espero que você tenha um plano de contingência. – falou um senhor de barba grande.

— No meio dos nossos cidadãos será impossível achá-los, é uma cidade enorme e não devemos alarmar a população. – disse uma mulher, e todos na sala concordaram.

— Eu tenho um plano, claro. – disse Antônio se levantando da mesa. – Eles nunca estiveram em uma cidade grande, eles não conhecem essas pessoas, não tem dinheiro e não tem onde morar, com certeza darão passos em falso.. E é ai que os pegaremos. – ele sorriu. – Na verdade eles sequer conhecem o caminho mais rápido para a cidade, por isso provavelmente eles não chegaram lá ainda, o que nos dá mais tempo para preparar um ataque iminente e silencioso.

As pessoas ao redor da mesa, os diretores e comandantes do Novo Mundo, pareceram convencidos. Antônio caminhou até a janela e olhou para baixo, onde um exército se armava para caçar os foragidos.

— Eles não perdem por esperar. – disse sorrindo.

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