Depois do cinema, os casais foram comer. Jhonatan continuava observando, esperando por uma chance de falar com Jessie sozinha. Mas começou a tocar Amnesia de 5 Seconds of Summer (ouçam, little ones!) e Jessie levantou para dançar com Lucas. Os dois riam.

— Essa música é linda!

— Mas você é mais. – ela corou.

— Bobo! – ela beijou ele e os dois riram depois. Os outros casais olhavam para eles e diziam “que fofos!” e também foram dançar.

Veliria e Júnior faziam passos tão rápidos que nem pareciam estar dançando música lenta, eles só pensavam em se divertir.

— Eu amo dançar com você. – comentou Júnior, beijando a mão dela.

— Eu amo tudo em você. – ela disse rindo e fazendo um passo tipo Dirty Dancing com ele.

Douglas e Luisia eram os fofos do bond né. Dois Bons juntos só podia dar nisso. Ela apoiou sua cabeça nos ombros dele e passou a mão nos cabelos loiros dele.

— Nem acredito que a gente demorou tanto para ficarmos juntos, eu sempre tive esse sentimento... de que ia rolar. – comentou Douglas.

Praticamente Luisia que fazia tudo no relacionamento deles, já que atitude era o que não faltava na garota, e tirando quando se tratava de cantar, era raro ela ter vergonha. Mas ela corou, já que concordava com ele e também achava ruim essa demora toda.

— Mas pelo menos agora tá rolando e tá dando super certo.

— Sim, mas podia ter sido ant...

— Shhh, cala a boca. – Ela colocou o dedo na boca dele e depois o abraçou e continuaram dançando.

Enquanto Mostich e Alexandre, que não eram os mais loucos do rolê (já que Marcabeth e Kaique ganhavam), mas ali naquele momento eram os mais loucos envolvidos, riam e zombavam um do outro. Alexandre não estava num bom momento na outra semana, meio bolado com o relacionamento deles (e Mostich nem sequer percebeu) mas agora tudo parecia de volta ao normal e eles eram melhores amigos. Entre um beijo e outro eles brincavam de pega-pega no meio da pista de dança.

— Eu me sinto diferente com você. Como se eu só precisasse zoar o mundo e estar ao seu lado. – comentou Alexandre, dançando com a mão na cintura dela.

— Eu concordo plenamente! – Ela bagunçou seus cabelos pretos e depois saiu correndo, para continuarem a brincadeira.

...

Enfim, a música acabou e Jessie decidiu ir ao banheiro. Jhonatan percebeu que era sua chance. Ele não podia andar normalmente no meio da rua, porque como era bem mais velho do que todos ali, as pessoas notavam sua aparência. Ele colocou um chapéu e seguiu em direção ao banheiro.

Quando Jessie ia entrar, ele disse “Olá, Jessie” e espetou uma agulha em seu pescoço. Antes dela cair, a pegou no colo e a cobriu com sua blusa de frio, e saiu segurando seu corpo, como se ela estivesse dormindo.

...

Cerca de 10 minutos depois, Jessie acordou.

— Mas que porr..?

— Olá, Jessie querida! Nós já nos conhecemos mas você provavelmente não se lembra de mim...

— Eu me lembro de você.

— Hum... sério? Ok, interessante.

— Você me visitou no dia da minha Escolha, mas... não lembro o que falou. Só lembro do seu rosto.

— Isso já é muito mais do que a maioria se lembra, queridinha. Agora, eu preciso ser rápido. Desliguei rapidamente o microfone daqui para te explicar o que está acontecendo...

— Hãn? Como assim?

— Essa cidade, como vocês já imaginaram, é uma farsa. É uma cidade criada, nós realizamos testes aqui. Desde alguns anos atrás, quando o mundo...

BUM! Uma explosão quebrou a parede do lugar onde eles estavam, que só agora Jessie notou, era um armazém. Muitos homens armados apareceram, junto com um homem e uma mulher, que estavam sentados na mesa do conselho apavorado quando Jhonatan os assustou. Ele tentou fazer uma expressão vitoriosa, mas ele sabia que estava com problemas.

— Você não está mais no comando desta unidade. – a mulher falou. – Nós estamos tomando o poder agora. Prendam ele. – ela fez um sinal e os soldados caminharam na direção dele.

Rapidamente, Jhonatan se aproximou de Jessie e falou baixinho:

— Não acredite neles. Eles querem te enganar, logo todos aqui vão morrer.

Jessie não entendia o que estava acontecendo, ainda segurava a perna no local onde havia caído restos da explosão.

— Não se preocupe, doce Jessie. Nós cuidaremos de você. – falou o homem, fazendo um sinal para os soldados que iam na direção dela.

Neste momento, chegou Lucas e todos os seus amigos, que entraram correndo no armazém, gritando por Jessie.

— Jessie, cadê você? – Lucas gritava.

— Aqui, aqui! – Jessie gritou antes que alguém pudesse calá-la.

— Ok, os amiguinhos chegaram. Já pegamos o Jhonatan, vamos embora. Deixamos ela pra depois, lidar com todos de uma vez é perigoso. – ela ouviu o homem e a mulher comentarem. – Vamos.

Em segundos, todos foram embora correndo. Seus amigos chegaram a tempo de ver apenas um ou dois soldados sumindo pela entrada aberta na parede, bem rápido.

— Jessie, no que você se meteu dessa vez, garota? – perguntou Aluria.

Nem Jessie sabia.

...

— Alguém pode me explicar que porra tá acontecendo? – disse Veliria. Aparentemente os amigos que estavam com ela no cinema convidaram os outros membros do grupo, já que todos estavam ali. Percebendo o olhar questionador de Jessie, Lucas respondeu:

— Quando percebemos que você tinha sumido eu liguei para todos em sua procura.... Quando notamos que você não estava com nenhum de nós, decidimos fazer uma busca aqui na região, então todos vieram. Mas Penton ouviu um barulho e viemos para cá.

— Graças a Deus! Eles pegaram o Jhonatan e iam me pegar também!

— Jhonatan? – disseram Veliria, Miguel e Pedro juntos.

— Eles quem? – gritou Aluria, colocando em palavras o que todos pensavam.

— Olha... Eu não sei direito o que tá acontecendo aqui mas vou tentar explicar. É o seguinte: um tal de Jhonatan, fodão lá da Base me visitou e disse umas fitas estranhas para mim. No começo eu fiquei ??? mas né, tive que ser racional e tentar compreender. Ai ele disse que me viu no dia da Escolha, e na verdade eu lembrei disso... Depois ele falou que a cidade é uma farsa... que fazem testes aqui. – Ouviram-se murmúrios de “como assim?” “testes?” mas Jessie os silenciou rapidamente. Agora não havia tempo para perguntas! – Continuando, chegaram umas pessoas estranhas aqui, quando ele estava prestes a me revelar algo. Imagino que essas pessoas sejam da Base, já que tinha até exército no meio. Eles disseram que Jhonatan não estava mais no comando e eles iriam assumir, nisso Jhonatan me cochichou para não acreditar neles e que todos aqui vão morrer. Antes que eu pudesse questionar, ele foi pego. Em seguida os dois que pareciam estar no comando mandaram os guardas me pegarem também, mas vocês chegaram e eles desistiram, porque “seria muito complicado lidar com todos”. Ou seja, vocês me salvaram galera, obrigada. Mas agora temos que pensar no próximo passo a seguir... E a primeira coisa a fazer é tirar Kaique do hospital, esse não é o momento de deixar ninguém sozinho, temos que andar no mínimo em pares. – Jessie finalmente respirou e todos a olhavam boquiabertos. Era muito informação e eles se negavam a acreditar que sua vida era uma mentira.

Por fim decidiram primeiro buscar Kaique e informar-lhe das novidades. Quais passos deveriam tomar adiante?

...

Jessie entrou correndo no hospital e abraçou Kaique com toda a força. Ele fez um “ai” baixinho. Ela o pegou nos braços (sim, anjos são fortes) e o carregou até a saída.

— Eu vou te levar para casa voando. – Ela disse e ele concordou, já que ainda não podia voar, precisava de pelo menos mais aquela tarde de recuperação. Enquanto voavam, Jessie informou as novidades.

— Não acredito que tentaram te matar!! E como assim capturaram o Jhonatan? Mano, o que tá acontecendo...

Ao chegar na casa, todos se sentaram. Pedro e Kaique trocaram olhares impassíveis, porém no fundo sentia-se o rancor no ar.

— Ok, alguém tem alguma ideia do que podemos fazer a seguir? – começou Jessie.

— Olha, antes de tudo eu tenho que contar uma coisa... – começou Miguel.

— Eu também. – disseram Veliria e Pedro.

Um encarou ao outro e todos na sala encararam os três.

— Ok, eu começo. – continuou Miguel. – Na verdade eu conheço o Jhonatan... Ele me visitou no dia da Escolha também, mas eu não me lembrava dele direito, só começaram a voltar as lembranças quando você citou seu nome, e mesmo assim elas estão meio embaçadas...

— Eu também. Ele me visitou e deve ter sido pelo mesmo motivo do Miguel, porque somos Meio-Termos. – disse Veliria. – Ele comentou que talvez eu poderia trabalhar para eles e que a Base gostava de observar sempre as pessoas do nosso Lado bem de perto.

— Sinistro. – disse Júnior.

— Eu também conheço o Jhonatan, mas de outro lugar... Ele já me visitou uma vez, mas não lembro para falar sobre o que... Tudo sobre ele é meio duvidoso na minha cabeça. – Comentou Pedro, contando um pouco da verdade e escondendo outra parte, já que ele não queria que eles desconfiassem que tinha o dedinho de Jhonatan na sua aceitação de volta ao grupo novamente.

— O meu lance foi igual ao do Pedro. – falou Kaique.

— Então... O que vocês 4 têm em comum? – perguntou Alexandre.

— 5, a Jessie também conhecia ele. – observou Lucas.

— Não tenho ideia, só sei que fomos Escolhidos de alguma maneira. Selecionados cuidadosamente. – comentou Veliria.

— Essas bostas só acontecem com nosso grupo, fala sério! – disse Luisia.

— Talvez tenha algo a ver com nosso grupo, justamente. – disse Caio. – Se não tivesse algo a ver não seriam tantos membros do nosso grupo que seriam escolhidos para sei lá o quê, mas um negócio bem suspeito.

— Ele tem razão, mas... Acho que agora o foco principal não é o PORQUÊ de termos sidos escolhidos e sim o COMO VAMOS SAIR DESSA. – falou Marcabeth.

— De preferência vivos. – disse Penton.

— Nós precisamos de um plano, para começar. – comentou Mostich.

— Acho que o principal agora é fingir que nada aconteceu. Ninguém acreditaria na gente mesmo e enquanto isso a gente ganha tempo e tenta descobrir o que tá acontecendo. – disse Douglas.

— Fizeram a gente de otário por tanto tempo que eu tenho certeza que mais uma semana não vai matar.. – falou Júnior.

— O que não sai da minha cabeça é o fato dele ter falado que essa cidade é uma farsa... Como assim uma farsa? Será que nossa vida nunca existiu na realidade? – questionou Jessie.

— Mas eu me lembro de tudo.. Tudo o que vivi, o que senti. – disse Alexandre. – Eles não poderiam ter implantado tudo isso.... Poderiam?

Todos se olharam e ninguém disse nada. Mostich apertou sua mão, pois Alexandre tremia. Todo o grupo estava nervoso, alguns tentavam disfarçar para demonstrar a força e a liderança que eles precisavam.

Eles precisavam de respostas. Eles iriam atrás delas até o fim, e fariam o necessário para obtê-las.

— A Base que se cuide! – cochichou Miguel enquanto apontava para uma luz na rua e a estourava. Todos levantaram as mãos e explodiram as outras luzes, junto com seus olhares melancólicos. Realmente, a Base precisava se cuidar!