– Caralho, tá muito frio! – disse Penton para si mesma, caminhando cada vez mais rápido.

Era julho e o inverno já congelava os ossos de qualquer um na cidade de Gousti. Gousti era uma cidadezinha muito curiosa, nunca havia assaltos, estupros ou qualquer tipo de crime brutal. O mais engraçado é que a cidade não tinha quase nenhum segurança ou policial, as pessoas apenas se policiavam sozinhas. Mas claro, o mais curioso sobre essa cidade eram os fatos sobrenaturais. Todas as pessoas dessa cidade eram bruxas, ou seja, qualquer um poderia utilizar magia para fazer qualquer coisa. Só isso já difere a cidade de todas as outras que as pessoas normais conhecem. Mas ainda tem mais... nessa cidade, além de bruxos, cada pessoa é um ser sobrenatural ou tem algum tipo de poder. Ou seja, se você é normal não terá lugar aqui! Também tem o fato de que não existem crianças, nem adultos e muito menos idosos nessa cidade. Todos têm de 15 a 25 anos, a cidade é dominada por adolescentes. Outra informação importante a ser citada: todos aqui têm um irmão gêmeo. Sempre são dois irmãos e sempre é um casal.

Agora que você já está mais informado sobre a cidade de Gousti, seja bem vindo. Mas shhhhhh, cuidado para não ser pego espiando! Eles odeiam espiões aqui e o castigo, vish... melhor nem comentar ;)

Penton bateu na porta 3 vezes, era o sinal delas. O sino da igreja já badalava 12 vezes. Os olhos de Penton ficaram amarelados.

– Respira, respira. – disse ela.

– Mas menina, que demora hein! Todas já estão aqui. – disse Jessie abrindo a porta. Jessie encaminhou-se para dar um abraço em Penton, mas essa a afastou porque ela ainda estava com os olhos amarelados. – Eita, é noite de lua cheia, eu esqueci que você ainda tem problemas com a primeira lua cheia do mês, minha híbridazinha favorita!

Penton era uma híbrida, era vampira na maior parte do tempo, mas durante as luas cheias seus instintos de lobo se propagavam por todo o seu corpo. Penton também tinha outra coisa dentro de si, algo especial e diferente, mas ainda não sabia o quê. Ser vampira, loba e bruxa já era o suficiente para ela.

Jessie, que era uma anja radiante, abriu suas belas asas prateadas. Não abriu-as totalmente se não elas não caberiam na porta da casa, mas com aquela pequena abertura, ela tocou com a ponta da asa na cabeça de Penton. No mesmo segundo Penton respirou mais calmamente e voltou ao normal.

– O que seria de você sem mim, hein Penpen? – falou Jessie, finalmente abraçando a amiga.

– Nada amiga, absolutamente nada! Haha. Obrigada pela força, como sempre. – falou Penton correspondendo ao abraço.

As duas entraram na sala, abraçadas e rindo.

– Dona Penton está atrasada, só para variar um pouquinho. – falou Veliria revirando os olhos.

Pentou mostrou a língua para ela e comprimentou todas as amigas ali sentadas. Marcabeth, a zumbi absolutamente linda para alguém teoricamente morta. Mostich, a fada que sempre usava alguma parte da roupa cor-de-rosa e quando estava extremamente feliz espalhava brilhos por todos os cantos. Luisia, a sereia que era obcecada por verde e amava tudo que tinha qualquer pedaçinho esverdeado. Ela só cria cauda quando encostar na água do mar ou quando ela se concentrar bastante, pedindo para sua linda cauda verde brilhante aparecer. Aluria, a lobisomem com as unhas mais bem feitas do grupo. Ela já estava acostumada com as luas cheias, portanto não tinha problemas com uma transformação inesperada, ela só se transformava quando e onde quisesse. E por fim, Veliria, a metamorfo. Ela podia se transformar no quê ou em quem quisesse, mas não tinha total controle sobre seus poderes ainda.

E esse era o grupo! As 7 meninas eram amigas desde a infância (ou desde os 15 anos, que é quando todas se conheceram ali na cidade) e todas tinham 18 anos. Hoje era a noite das garotas, portanto nenhum dos irmãos gêmeos delas estavam na casa de Jessie.

– Mostich falou pra gente fazer o jogo da verdade ou desafio! – falou Luisia, empurrando a amiga.

– Mas eu queria jogar vídeo-game... – falou Penton baixinho.

– Ok ok, vamos jogar! Mostich deu a ideia, ela começa. – falou Marcabeth, apontando para a fada.

Alguns brilhos soltaram-se do cabelo de Mostich, que estava sempre particularmente belo. Ela foi até a cozinha e pegou uma garrafa, voltou para a sala e sentou-se no chão, indicando que era para todas imitá-la.

Mostich rodou a garrafa. Ela usou a magia que seu irmão tinha lhe ensinado naquela manhã para fazer a garrafa parar em frente de Aluria, que era a escolhida para ela atormentar naquela noite.

– Então, verdade ou desafio? – perguntou, séria. (mas por dentro estava soltando mil brilhos na sala toda, estava ansiosa para perguntar!)

– Verdade né Mostich, você acha que eu vou escolher desafio para você me mandar correr pelada na rua num frio desses? – todas riram e depois Mostich perguntou:

– Então, a festa de inverno é na semana que vem. Todas aqui sabemos que você terminou com o Caio na semana passada. E a pergunta que não quer calar é: você vai chamar o Miguel para sair?

Todas as amigas soltaram risinhos baixos e gritaram “isso ai” e “boa pergunta”, menos Penton, que ficou quietinha no seu canto, pois tinha muito ciúme do irmão. Aluria ficou vermelha.

– A verdade é que eu nem sei se vou no baile, quanto mais se vou chamar alguém para ir. – ela suspirou. Olhou em volta e viu que Penton estava meio séria, no canto. – E o Miguel é irmão da Penton, eu nem sei se ela apoiaria caso eu chamasse ele para ir comigo na festa.

– Façam como a gente!! – gritou Veliria. – Eu namoro o irmão da Mostich, ela namora o meu irmão e tá tudo certo! Haha

– Tá bom gente, sem papo furado. Vamos para próxima pergunta porque eu também quero jogar. – falou Marcabeth.

Aluria virou a garrafa, caiu em Luisia.

– Luisia, Luisia, minha futura cunhada! – os olhos de Aluria vibraram quando ela viu em quem tinha caído. – Ok, então nós meio que vamos fazer esse verdade ou desafio ser só sobre os machos né? – As meninas riram e gritaram “simmmm”, concordando. – Enfim Luisia, eu fiquei sabendo por fontes quentíssimas que você foi nadar e cantar no ouvidinho de ninguém mais, ninguém menos que... meu irmão! Hahaha procede?

– Quero ver mentir agora na nossa cara! – gritou Jessie, rindo.

– Eu... não. – Luisia, que não era nada tímida, perdeu as palavras nesse momento. – Quer dizer, sim. A gente foi nadar, mas eu não cantei no ouvidinho dele. Eu já não canto para ninguém, a muito tempo, na verdade... – ela fechou a cara e nesse momento as meninas se lembraram que ultimamente Luisia estava com dificuldades para cantar, o que estava acabando com ela. Sua cauda, que antes brilhava tanto e iluminava o mar inteiro, hoje estava cada vez mais apagada.

– Tá bom, ta bom. Agora é sua vez, amiga. Vai. – disse Penton.

Luisia girou a garrafa, tentando esquecer seus milhões de motivos para ficar triste. Mas também focando em um para ficar feliz: Douglas. As meninas estavam certas ao perguntar sobre ele, esse menino realmente mexia com ela.

A garrafa parou, apontando para Marcabeth.

– Pensei que minha vez nunca ia chegar! – gritou Marcabeth, que já estava meio alta. Marcabeth era a que mais bebia do grupo e ela já estava no seu segundo copo de vodka, sendo que as meninas tinham dado poucos goles nos seus ainda.

– Pois bem. Marcabeth, fiquei sabendo que seu irmão estava meio relutante de que você saísse com alguém que não fosse uma criatura assustadora, como vocês, os lobisomens ou os híbridos. Quando ele soube que você ia sair com um anjo, o que ele falou?

A sala inteira ficou quieta. Luisia sabia que essa pergunta ia fazer com que Marcabeth ficasse sem resposta e com que Jessie ficasse com raiva, já que ela odiava esse assunto. Ela sabia mas mesmo assim falou. No momento não pensou nas consequências, só pensou em tirar o foco de si mesma.

– Eu... ele.. bom, mas não é bem assim... – Marcabeth ficou totalmente sem graça e nem sabia como terminar a frase. Mesmo meio bêbada, ela sabia que essa assunto magoava muito sua amiga Jessie, e tinha que tomar cuidado sobre o que ela ia falar.

Nesse momento elas ouviram passos lá fora. Alguém deu um chute na porta e gritou:

– Parece que a brincadeira acabou, meninas.