To Save A Little Dove
1 To Save a Little Dove
Notas iniciais
To Save a Little Dove
A Batalha da Água Negra havia terminado. Meus filhos estavam a salvo. Pelo menos dois deles, pois minha filha, a minha linda princesa, fora tirada de mim por obra daquele duende insensível. Me lembro de como seus olhos verdes se converteram em vermelho vivo, enquanto se afastava da costa, a caminho de Dorne. Ela é minha, seu lugar é ao lado da família, ao meu lado. Vê-la partir... a minha pequena leoa, que desde seu nascimento fora uma criança doce e gentil, senti meu coração se partindo, se remoendo. Mas Tyrion ainda pagará. Myrcella Lannister cresceria para se tornar uma senhora tão importante quanto é de direito de uma mulher Lannister se tornar. Contudo, tudo havia sido planejado sem que eu soubesse, e não havia nada que eu pudesse fazer.
Meus filhos sempre foram tudo para mim. Mesmo Joffrey, que agora se tornara incontrolável e cruel. E o que fiz para que se tornasse assim? Admito que o mimei demais. Mas que mãe não quer o melhor para seus filhos, ainda mais seu primogênito que se parecia tanto com o único homem que amara? Meus filhos eram príncipes, e se dependesse de mim nada jamais aconteceria com eles, ficariam sempre em meus braços, ouvindo as velhas histórias. Encorajei seus sonhos, e no caso de meu mais velho, seus sonhos eram ambiciosos, assassinos... estava cega de orgulho do meu filho que se tornaria rei, cuja áurea de poder se assemelhava tanto a de seu pai. No fim, no Septo de Baelor, quando ele não me ouvira sobre não matar Ned Stark, só ali percebi que fugira de meu controle. Perdera meu menino.
Então, naquela noite, eu sabia o que tinha de fazer. Joffrey estava fora de meu alcance, não me ouviria mais, não me amava mais... ameaçada de morte por meu próprio filho. A minha princesa estava longe, e pela informação de meu irmão duende, a salvo. Só me restava Tommen, meu garotinho de seis anos, cuja única preocupação era me implorar para que lhe desse um gatinho. Eles não me tirariam meu filho. Peguei a bela dona com Mestre Pycelle. Nos sentamos no trono de ferro, e eu lhe contei uma história. A última que contaria para meu pequeno príncipe... ele estaria onde deveria estar, nos meus braços, morreríamos juntos. No fim, descobri que não seria assim. Meu pai nos salvara.
Agora, estávamos sentados na sala do Trono de Ferro. Toda a corte reunida. E Maergery Tyrell se dizia apaixonada por Joffrey. Do outro lado do salão, Sansa Stark assistia a cena com a respiração pausada.
Sansa Stark, a garotinha ingênua que acreditava no que ouvia nas canções. De alguma forma era parecida comigo quando tinha sua idade. Também acreditava em contos de fadas. E que um dia, subiria ao Septo de Baelor e me casaria com Rhaegar Targeryen, nossos filhos seriam lindos príncipes e princesas e eu o faria feliz. Cheguei a amá-lo tanto quanto amava Jaime. Contudo, meus sonhos foram destruídos por Aerys, o louco, que decidira unir-se a casa Martell. E ali estava Sansa... filha de um traidor declarado, morto, prestes a ver seu sonho infantil ser destruído também. Mas o sonho dela já havia sido destruído há tempos. Percebi quando ela aflorou e a perspectiva de dar filhos a Joffrey lhe causou medo.
_ Eu não deveria amar o rei? – ela me perguntou, inocente como sempre... um passarinho, uma pombinha, tentando cantar uma canção que achava que eu gostaria de ouvir.
_ Você pode tentar, pombinha. – respondi, para surpresa dela. O problema é que Joffrey jamais amaria Sansa e ela jamais voltaria a amá-lo depois do que ele fez a ela. Sabia bem como era... eu nunca mais olhei para Robert da mesma maneira desde que ele sussurrara o nome de Lyanna Stark em meu ouvido.
Então porque não facilitar a união vantajosa entre Lannisters e Tyrells, libertando Sansa de uma posição que agora não lhe era mais tão encantadora. Ela ainda não aprendera que nunca ganhamos o que queremos, mas ainda havia tempo. Não posso dizer que ela ficará livre, um rei sempre tem suas prostitutas, contudo, minha consciência ficaria limpa com pelo menos um Stark.
_ Vossa graça. – chamei por Joffrey. – Seu pequeno conselho decidiu que seria completamente imprudente, se casar com a filha de um traidor do reino. Concordamos, então, que deve desistir de Sansa Stark. – disse, depois lançando um olhar para Sansa, imperceptível. Ela estava surpresa com a minha intervenção, ela pensa que eu a odeio, quando na verdade, sinto pena, pois se seu destino for metade do que o meu foi... um passarinho tão frágil... não resistirá sozinha, ela não tem um título e não mais um nome para usar como esconderijo.
_ Prestei votos. – insistiu Joffrey. Contudo, Mestre Pycelle veio em meu auxílio. Ele se decidiu por Maergery, então. Troquei mais um olhar com Sansa, sorrindo de lado, ela ainda estava assustada, mas no fundo, eu sabia que estava satisfeita.
Quanto a mim, pouco me importava com o que aconteceria a seguir, ela deveria aprender a cantar com notas melhores, mas, naquele momento, eu salvara aquela pombinha de um destino terrível, fiz por ela, o que ninguém nunca fizera por mim.
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