To All The Boys I've Loved Before
5 Uma amizade forte
Notas iniciais

Tudo bem, eu tinha me metido numa confusão ainda maior do que mandar as minhas cartas acidentalmente. Mas pelo menos o meu melhor amigo estava disposto a me ajudar até eu conseguir ver Luka novamente – ou até que ele esqueça de vez o que aconteceu.
Por mais que eu ainda goste do garoto lindo de cabelos azuis, não adianta nada se eu não conseguir estar no mesmo cômodo que ele.
— E também, veja pelo lado bom. Nós estamos namorando. – Adrien sentou na cama e abriu os braços de um jeito engraçado, o que me fez rir. Uma das coisas que eu mais gostava no loiro, é que apesar das suas piadas ruins, ele tinha facilidade em me fazer rir. – E vamos ter um encontro hoje.
— Espera, o quê?
— Um encontro, ué. Somos um casal agora.
— Mas um casal de mentira.
— Não importa. – deu de ombros e esbarrou de leve no meu – A gente sempre saiu juntos, só que agora as pessoas vão achar que somos um casal. Embora a gente não seja. Nós dois sabemos a verdade.
— É, tem razão.
— Marinette, o almoço está pronto! – ouvi Kim gritar do andar de baixo.
— Já vai! – olhei para Adrien – Quer ficar pra almoçar?
— Melhor não. Vai que seu irmão derruba comida "acidentalmente" em cima de mim. – ele fez aspas nos ar e eu tive que rir. – Mas nos vemos mais tarde, Bugaboo. – revirei os olhos, enquanto ele beijava o topo da minha cabeça. – Até.
— Até. – acenei enquanto ele saía.
Ok, espero que essa ideia não seja completamente um desastre e evite que eu interaja com Luka ao menos até o fim do ano – até porque o mínimo que ele precisa fazer é passar de ano e terminar o ensino médio, assim só preciso me preocupar com esse ano.
Talvez esse fosse um bom prazo.
E também, poderia ser pior. Félix poderia ter recebido a carta, e aí sim seria uma catástrofe.
***
— Confesso que fiquei com medo de você me levar em lugar super romântico. – disse para Adrien, enquanto dividíamos uma porção de batatas fritas na nossa lanchonete preferida.
— Calma, estou guardando o melhor para o quarto encontro.
— Ah, então você planeja ter um quarto encontro?
— É claro. Por que namorar alguém, se você não vê um futuro com a pessoa? – ri de leve e tomei um gole do meu milk-shake. – Que fique bem claro que estamos fazendo tudo isso pra você não precisar encarar o Luka. Você não pode se apaixonar por mim no processo, ok? – atirei uma batata nele – Ei!
— Sou eu quem deveria estar dizendo isso.
— Tudo bem. – ele riu – Mas olha, por mais que eu esteja gostando de carregar o título de seu namorado e a cara que o seu irmão faz quando nos vê juntos, é impagável, não seria mais fácil você conversar com o Luka de uma vez? – desviei o olhar para a janela.
Quem dera eu dependesse apenas da minha vontade de resolver as coisas.
— Não é tão simples.
— Por quê? – olhei pra ele. – Não é só conversar? – neguei.
— Você já gostou tanto de uma pessoa que às vezes não sabe como agir perto dela e acaba dizendo algo idiota? – Adrien continuou me encarando e logo deu um longo suspiro.
— Já.
— Então, é isso que acontece. Eu não sou eu mesma quando estou perto dele. – meu melhor amigo assentiu e continuou comendo as batatas – Eu queria mostrar como eu sou de verdade e agora por causa dessa estúpida carta, ele vai achar que eu sou uma maluca.
— Não acho. Ele vai achar que você gosta dele e que foi fofa o suficiente pra escrever uma carta. Que suas palavras foram bonitas e que você é uma garota incrível. – sorri só de imaginar. Mas logo voltei pra realidade.
— Não, eu aposto que não. – suspirei – Eu apenas vou ignora-lo, como se nada tivesse acontecido.
— Uma solução não muito boa.
— Mas é a única que eu tenho no momento.
— Tá bom, que seja. Vamos falar de coisas boas. Sabe o que abriu perto da minha casa? – se inclinou para frente, como se fosse me contar um segredo.
— O quê?
— Uma livraria.
— Sério?
— Sim. Podemos ir lá amanhã depois da escola, o que acha?
— É claro. – sorri animada. Eu amo livrarias, com certeza é um dos melhores lugares do mundo. – Já estou gostando de ser a sua namorada, Agreste. – brinquei e ele sorriu convencido.
— Eu sei como tratar uma lady. – balancei a cabeça em negação e ele piscou – Você vai ver que eu sou muito mais que o cara engraçado, Bugaboo.
***
— Relaxa, Marinette. Eu nunca acharia que você gosta do Nino agora ou algo do tipo.— disse Alya. Tinha ligado pra ela à noite pra explicar a situação toda, já que depois da aula, não tivemos muito tempo.
— Que bom. E desculpa de novo.
— Tá tudo bem.— sorri, mais tranquila – Mas deixa eu ver se entendi, agora você tá namorando o Adrien, só que de mentira?
— Ah, é. Eu entrei em pânico. – ela riu.
— Belo jeito de arrumar um namorado, hein amiga!
— Pois é.
— Só tome cuidado, sabe, pra não misturar os sentimentos.
— Isso não vai acontecer. Não, não. – balancei as mãos, por mais que ela não pudesse ver. – O meu crush pelo Adrien terminou quando eu escrevi e selei a carta dele.
— Tudo bem, mas também tome cuidado pra não iludir ele.
— O Adrien está perfeitamente ciente de que não passa de uma mentira. – Alya ficou em silêncio por alguns segundos.
— Se precisar de alguma coisa é só falar. Preciso desligar agora, minha mãe está me chamando pro jantar.
— Certo e obrigada.
— Não há de quê, amiga. Boa noite.
— Boa noite. – desliguei e encarei a minha gata, que miou, como se quisesse me dizer algo. – É, eu sei. Eu estou complicando as coisas mais do que deveria. – Tikki miou novamente – Não, eu não vou falar com o Luka. – ela simplesmente deitou na minha cama e dormiu – Ótimo! Agora nem a minha gata quer saber de mim.
— Marinette? – Kim bateu na porta – Tem um tempinho?
— Claro. Pode entrar.
— Então, eu queria falar sobre você e o Adrien. – forcei um sorriso, tentando esconder o nervosismo só de tocar no assunto. – Como seu irmão mais velho...
— Você é alguns meses mais velho. – um ano e alguns meses, mas eu digo meses.
— Mas ainda sou. – deu de ombros – Como seu irmão mais velho e como este é o seu primeiro namorado, sinto que preciso te avisar sobre algumas coisas. – o encarei receosa. – Quando um garoto tem vontade de...
— Ok, já chega! – tapei a boca dele – Você não precisa me dizer nada. Mesmo.
— Mas...
— Não! – balancei a cabeça – Adrien é o meu namorado, mas eu comecei a namorar ele essa semana, ok? Não aconteceu e não acontecerá nada com que você tenha que se preocupar. – Kim levantou as mãos em sinal de rendição e eu me afastei.
— Tá. Só quero que você saiba que se ele vacilar, posso dar um murro nele. – sorri de lado.
— Obrigada. Mas se ele vacilar, eu mesma dou o murro.
***
Mais um dia na escola, ou deveria chamar de “local de sobrevivência aonde eu faço de tudo para não encontrar um certo garoto de cabelos azuis que mexe com o meu psicológico”?
Para a minha sorte, Luka tinha amanhecido doente – coitado, mas que bom – e não tinha vindo. Soube disso graças à Alya, que acabou captando a informação de Juleka, a irmã dele e nossa amiga. Então pude andar tranquilamente pelo pátio na hora do intervalo.
— Oi Marinette. – alguém passou a andar ao meu lado, enquanto eu voltava do banheiro e ia para a cantina.
— Oi Félix. – fiz careta assim que notei quem era – Há que devo a sua desprezível presença? – questionei continuando a andar e sem olhar para ele.
— Eu estudo aqui se você não lembra.
— Que pena. – virei no corredor e achei que ele tinha me deixado em paz. Não estava para brigar hoje. Porém ele veio atrás – O que você quer?
— Estou indo pra cantina, ué. Não é como se eu estivesse te seguindo.
— Ok. – continuamos caminhando em silêncio.
— Ouvi dizer que você está namorando o meu primo.
— É, tipo isso. – dei de ombros.
— Achei que era mentira dele.
— E por que o Adrien mentiria sobre isso? – finalmente parei de andar e fiquei de frente para ele. Félix abriu a boca para falar, porém pareceu repensar as palavras e ficou em silêncio, me encarando. – Tá... Eu vou lá encontrar os meus amigos. – apontei e saí, antes que ele falasse mais alguma coisa.
Estava caminhando até o local aonde Alya e Nino estavam sentados, quando de repente sinto alguém agarrar as minhas pernas e me colocar por cima dos seus ombros.
— Meu Deus! – exclamei assustada pensando que era um sequestro. Mas na verdade era Adrien com uma expressão divertida e completamente desprovida de noção – O que você pensa que está fazendo?
— Carregando a minha namorada de mentira até a mesa, como a princesa que ela é de verdade.
— Você sabe que tá me carregando que nem um saco de batatas, não é? – ele riu e me colocou no chão.
— Ótimo, agora a cantina toda está julgando vocês dois com o olhar. E eu e o Nino de tabela. – Alya observou, enquanto eu me sentava ao lado dela.
— E eu tenho culpa?
— Tem sim. Você não impõe limites no Adrien. – disse Nino, como se o meu melhor amigo fosse um animal doméstico, ou o meu filho.
— E como eu faria isso?
— Compra aquelas garrafinhas e espirra água nele.
— Tipo um gato?
— É. – olhei para Adrien e ele estava com a cabeça escorada na mão e uma expressão pretensiosa estampada no rosto.
— Miau! – Alya e Nino fizeram careta e eu balancei a cabeça em negação.
— Gato mau! – joguei nele um pedaço de papel toalha amassado.
— Ei! – ele reclamou – Se continuar assim, eu não vou te levar na biblioteca. – o lancei um sorriso fofo.
— Que isso, não passou de uma brincadeirinha. Você sabe que é o melhor amigo do mundo, não sabe? – pisquei os olhos.
— Sei sim. Então eu sou o gato bonzinho?
— Claro que é. – falei e Alya ergueu as mãos e apontou pra nós.
— Ok, vocês são estranhos.
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