To All The Boys I've Loved Before
8 A inspiração perfeita
Notas iniciais

Depois de alguns minutos, decidi sair dali da cabine do banheiro. Porém, por alguma razão desisti assim que ouvi Lila e mais uma garota conversando e prestes a entrar ali.
— É, eu sei. O Kim é mesmo maravilhoso. – Lila disse e eu botei língua pra fora, fazendo careta – Não sei como ele pode ter uma irmã que nem a Marinette.
— Pois é. Não parecem ser da mesma família. – elas riram. Mordi o meu livro pra conter o grunhido de raiva. – Mas querendo ou não, ela conseguiu pegar o Agreste mais novo.
— Ainda não sei como isso aconteceu. Ela não parece o tipo dele.
— O tipo dele?
— É, você sabe... Garotas bonitas. – elas riram novamente e saíram do banheiro.
Voltei a sentar sobre o vaso e a minha raiva se transformou em tristeza. Suspirei e senti algumas lágrimas escorrerem pelo meu rosto.
Nunca tive problemas com a minha aparência. Quero dizer, todo mundo – principalmente as garotas – tem os seus momentos de se achar horrível, e eu não era diferente. Contudo, a minha autoestima não era baixa demais. Era ok. Não me achava linda, mas estava bem comigo. Só que ouvir uma crítica assim, era terrível.
Tudo bem que eu acho que Lila estava mais preocupada em ser maldosa – ainda não sei o que ela tem contra mim –, do que julgar a minha aparência. Mas mesmo assim eu estava me achando uma completa idiota. Ainda mais por ligar para o que ela disse.
As pessoas precisam aprender que se não tem coisas boas ou construtivas à dizer sobre as outras, não precisam falar nada.
Inspirei e expirei várias vezes até conseguir conter o choro. Por sorte não tinha ninguém quando eu saí e lavei o rosto.
Me encarei no espelho e dei um sorriso triste. Disse para mim mesma que vai passar e respirei fundo.
Assim que saí do banheiro, dei de cara com Nathaniel.
— Até que enfim, eu estava procurando você e... Ei, o que foi? – se aproximou assim que notou o meu estado – Você estava chorando? – assenti e ele me deu um abraço apertado logo de cara. – Se não quiser falar sobre, eu respeito. Mas se quiser, eu estou aqui, ok?
— Obrigada, Nathaniel.
— Não há de quê, joaninha. Amigos são pra isso. – sorrimos e ele foi me conduzindo até a sala, em silêncio. – Vou pra aula agora. Fica bem, ok?
— Tá. Obrigada novamente. – beijei a bochecha dele, que sorriu e saiu acenando.
— O que houve? – Adrien questionou ao notar o meu estado.
— Não houve nada, ué.
— Marinette, eu conheço você mais do que qualquer um. Você está estava chorando? – me segurou pelos ombros e eu desviei o olhar. Não queria que ele se preocupasse comigo – O que houve?
— Nada demais. Você não precisa se preocupar com isso.
— Sabe que mesmo que você me peça, eu vou continuar me preocupando, né? – dei um sorriso triste.
— Tudo bem. Então se quer me ajudar, só me dê um abraço. – Adrien me abraçou sem pensar duas vezes e eu respirei fundo, sentindo uma paz enorme naquele momento. – Obrigada, Adrien.
— Não precisa me agradecer, Marinette. – nos afastamos e ele sorriu. Em seguida me deu um beijo demorado na bochecha e me puxou pela mão até o meu lugar. – Aposto que o seu humor vai melhorar no nosso terceiro encontro. – ri de leve.
— Eu espero que sim.
***
Adrien tinha me trazido ao Museu do Louvre para o nosso "terceiro encontro". E ele com certeza acertou em cheio, pois o local era ótimo para buscar inspirações – ao menos para mim. Só não imaginava que ele fosse ter a ideia de vir aqui.
Já vimos vários quadros e esculturas e agora paramos em frente à um tipo de anjo beijando uma mulher caída. Ao menos eu imagino que seja isso.
— E essa? Aposto que não sabe o nome. – apontei para a escultura.
— Psiquê reanimada pelo beijo do Amor? Algo assim, não é? – sorriu convencido e eu conferi no folheto informativo.
— Como assim você sabia o nome dessa também?
— Eu sou um cara inteligente, Bugaboo.
— Bom, isso é verdade. Mas não imaginei que soubesse o nome de todas essas estátuas.
— Me interesso por arte. – deu de ombros – Eros, o Cúpido, está a beijando para trazê-la de volta à vida. – apontou e eu assenti. – Legal, né?
— Tirando a parte que ela está morta, sim. – nós rimos e fomos caminhando para ver as outras obras.
Me surpreendi um pouco com o que ele disse sobre se interessar por arte. Com essa mentira de namoro, realmente estou conhecendo alguns aspectos da personalidade do meu melhor amigo que eu não conhecia antes.
Assim como Adrien disse, ele era mesmo muito mais do que o cara engraçado.
— Olha, essa você sabe, não é? – ele apontou e eu concordei.
— Vênus de Milo.
— Essa é uma escultura do período helenístico. Representa a deusa Afrodite e foi descoberta em 1820 na ilha de Milos, na Grécia. – Adrien olhava para a escultura com um sorriso – E Afrodite é a deusa do amor. – me encarou com um sorriso de lado. Ri e me aproximei.
— Estamos vendo muita coisa relacionada à amor, isso é uma indireta?
— Entenda como quiser. – balancei a cabeça.
— De qualquer maneira, fiquei realmente impressionada com a sua habilidade de guia do museu.
— Já posso trabalhar aqui, não acha? Assim posso sustentar uma família. – lembrou do que Kim tinha dito pra ele e nós rimos. – E aí, o que achou do terceiro encontro?
— Perfeito!
— Já se inspirou o bastante?
— Sim. Acho que estou pronta pra começar o vestido da Chloé. – suspirei aliviada. O prazo era curto, então eu tinha que demorar o mínimo possível para fazer o esboço inicial.
Mas felizmente a tarde com Adrien tinha sido incrível. Vimos tantas obras que além de me dar inspiração, me fez esquecer o ocorrido triste de hoje de manhã. Sem falar que estava na melhor companhia que poderia ter.
***
Depois de finalmente terminar de desenhar o vestido para Chloé – estava muito contente com o resultado – pensei em descansar um pouquinho. Então deitei na minha cama, com Tikki por cima de mim.
Recebi uma mensagem, era de Luka.
Por incrível que pareça, eu não estava mais tão nervosa ou quase tendo um ataque de pânico. Então, respirei fundo e fui ver o que era.
Oi Marinette. Eu tentei conversar com você, mas quando eu te vi você estava com o Nathaniel e não parecia muito bem.
Não quero parecer invasivo, mas aconteceu alguma coisa?
De qualquer modo, desculpe por não ter conseguido te procurar antes.
Sorri involuntariamente. É fofo da parte dele se preocupar comigo.
Oi, não foi nada demais. Mas obrigada por se preocupar.
Tudo bem, conversamos amanhã, é melhor.
Certo, boa noite :)
Boa noite :)
Suspirei e larguei o celular. Sim, eu sei que marquei de conversar com ele amanhã de novo, e também sei que precisava fugir novamente.
Pra falar a verdade, eu acho que vou falar com ele – já está mais do que na hora de fazer isso. Mas não amanhã. Vou precisar de no mínimo mais um dia para criar coragem e ensaiar as palavras certas. Não quero correr o risco de estragar tudo.
Falando em palavras certas, bem que eu poderia finalmente escrever a carta do meu melhor amigo, não é?
— Com licença, Tikki. – tirei a gata de cima de mim, que miou em protesto – Mas agora tenho que escrever a carta do meu namorado. Quero dizer, melhor amigo. – ri e fui até a minha escrivaninha. – Vamos lá, Marinette. Você consegue. – peguei a folha, a caneta e comecei a escrever.
Espero que ele goste.
***
Avistei Adrien pegando os livros no armário e me aproximei com cuidado. Cobri os seus olhos e ele parou o que estava fazendo na mesma hora.
— Aposto que não sabe quem é. – brinquei.
— É o amor da minha vida? – ri, tirando as mãos e ele rapidamente se virou – E não é que eu acertei? – comemorou e eu o empurrei de leve.
— Tenho uma coisa pra você.
— O que é? – indagou curioso.
— A sua carta. – estendi o envelope cor-de-rosa e Adrien o pegou com um sorriso. Em seguida me abraçou apertado. – Espero que goste. Eu te elogiei bastante.
— Então já é um bom sinal. Obrigado, Bugaboo.
— De nada e... – parei de falar, assim que vi de relance Luka chegando. – Eu posso te beijar? – falei baixo, próximo ao rosto dele.
— Você ainda pergunta? – eu ri e fiz menção de me aproximar, mas por alguma razão eu travei. Olhei nos olhos de Adrien e de repente não parecia mais tão fácil beija-lo assim do nada. O loiro deve ter percebido que eu congelei por algum motivo desconhecido e se aproximou devagar, encostando os seus lábios nos meus.
Fechei os meus olhos e retribui. Adrien não aprofundou o beijo, mas mesmo assim foi o suficiente para eu concluir que era diferente dos outros. Só não sei o porquê.
Segurei levemente os seus ombros, enquanto nos beijávamos.
Nos separamos assim que sentimos pingos de água serem jogados em nós e olhamos na direção de onde vinha.
— Viu, eu disse que funcionava. – Nino comemorou com uma garrafinha de água na mão. Sim, aquelas que se usam pra gatos teimosos e que ele sugeriu que eu usasse com Adrien.
— Tem razão, genial. – Alya concordou e eu e Adrien cruzamos os braços e encaramos os dois. – Mas acho que você deixou os gatos com raiva.
— Com certeza. – respondi. Em seguida Adrien riu, atraindo a nossa atenção – O que foi? Acha engraçado, kitty? – ele parou de rir e me encarou com um sorriso.
— Essa foi a coisa mais linda que eu ouvi de você. Superou até aquela do pôr do sol, Bugaboo. – desviei o olhar, sentindo as minhas bochechas esquentarem e saí andando.
— Vamos pra aula de uma vez.
Fale com o autor