To All The Boys I've Loved Before
18 A dança
Notas iniciais

Chloé e eu estávamos observando o jardim grande e iluminado da casa de Adrien. Tinha um mini lago e era muito lindo e chique. Estar ali, até fazia eu me sentir melhor e mais tranquila.
As flores eram todas em tons rosa e havia tanta variedade, que eu não saberia definir quais eram. Realmente era incrível.
Queria ter conhecido antes essa parte da casa de Adrien.
— É lindo né?
— Sim.
— Eu e o Adrien brincávamos aqui na infância. O pai dele ficava furioso porque a gente pisoteava tudo, mas a mãe dele nem ligava e dizia pra deixar a gente se divertir. – ela disse, me fazendo sorrir ao pensar no Adrien criança. Imagino ele com o dobro de fofura que tem hoje em dia. Ou seja, muita fofura.
— Se eram tão amigos, como se afastaram? – questionei sem entender.
— Ah, quando fomos para a escola os nossos interesses não eram mais os mesmos. Ele fez novos amigos, então eu também fiz. – Chloé deu de ombros.
— Entendi.
— Mas nunca chegamos a brigar.
— Que bom. – falei sinceramente. Quem diria que um dia falaria nesse tom amigável com Chloé Bourgeois?
— Desde que a mãe dele se foi, eu nunca vi ele tão feliz, como fica quando está com você. Sei que é bem clichê, mas é verdade. – ela revirou os olhos e cruzou os braços.
A frase de Chloé me fez refletir. Quero dizer, eu já imaginava que ele era feliz comigo, mas tanto assim?
Sorri instantaneamente.
— Obrigada por dizer isso.
— Só disse a verdade. – a loira parou ao meu lado e encarou a mesma vista que eu – Não se preocupe com outras garotas, Dupain-Cheng. É você que ele ama. – meu coração parecia ter se ascendido e eu abracei Chloé sem pensar – O que está fazendo? Está me atacando?
— Não, isso é um abraço. Por você ter dito essas coisas legais para mim. Obrigada. – nos separamos e notei que ela tinha um sorriso discreto no rosto, como se não quisesse demonstrar que tinha gostado. Aquilo já era o suficiente para mim.
— Ei, vocês duas! – era Félix.
— O que é? – questionamos em uníssono.
— O jantar já vai ser servido. – disse em um tom de tédio e saiu.
— Vamos? – assenti e nós duas seguimos para dentro da casa novamente.
— Aonde você estava? – Adrien surgiu ao meu lado.
— No jardim com a Chloé. Terminou a sua conversa incrível com a Kagami? – não disse em um tom completamente irritado. Apenas indiferente.
— O quê? – ele franziu o cenho e puxou uma cadeira para eu sentar. O salão estava organizado em mesas circulares de cinco lugares. Garanto que era muito melhor do que uma mesa gigante para todo mundo – Por acaso está com ciúmes? – depois de me ajeitar, ele sentou ao meu lado.
— Não. Quer dizer, sim. Um pouco.
— Marinette...
— Oi, será que posso me sentar aqui? – era Kagami, apontando para cadeira ao lado de Adrien. Meu punho fechou instantaneamente, mas não por causa da raiva e sim da ansiedade que aquilo estava me causando.
Adrien não tinha culpa, Kagami também não. Mas mesmo assim eu ficava nervosa com a situação.
— Claro, pode. – Adrien disse e meus olhos percorreram o salão, até que pousaram em Chloé, que também me olhava. A garota estava prestes a sentar ao lado de sua mãe, porém disse algo para ela e veio na nossa direção.
— Com licença. – Félix sentou ao meu lado.
— O que você tá fazendo aí? – meu namorado indagou irritado.
— Calma, ele me pediu desculpas. – coloquei a mão sobre o ombro de Adrien.
— Ele o quê?
— Conversamos depois. – Adrien assentiu e se calou.
— Oi, cheguei. – Chloé sentou entre Kagami e Félix, me fazendo dar graças a Deus por ela estar ali.
Aquilo tinha tudo para ser um desastre. Contudo, por sorte acabou sendo mais calmo do que eu imaginava.
— Oi, Chloé.
— Por que você sentou aqui? – sussurrei para Félix.
— Nada pessoal, só não quis sentar com os meus pais e o pai do Adrien. E também queria ver o circo pegar fogo de perto. – revirei os olhos.
— Então Adrien, quando pretende voltar a praticar esgrima? – Kagami questionou e meu namorado estava prestes a responder.
— Ei Kagami, você é do Japão não é? – Chloé chamou a atenção dela.
— Sim, mas...
— Ah, sabia que eu já fui pro Japão uma vez? Tinha um spa maravilhoso lá! – ela continuou falando, porém não prestei atenção, pois Adrien segurou a minha mão por baixo da mesa. Sorrimos um para o outro.
— Eu te amo. – ele sussurrou e piscou.
— Também te amo.
— Mas então, quando começaram a namorar? – Kagami falou olhando rapidamente para baixo, notando nossas mãos juntas. Ela com certeza era muito observadora.
— Não faz muito tempo. – Adrien respondeu – Na verdade, o começo do nosso namoro foi uma longa história. – nós rimos – Eu e Marinette...
— Vocês também estudam juntos? – a garota o interrompeu, me fazendo apertar a mão dele um pouco mais forte.
— Sim.
— E ainda se veem depois da aula? – assentimos – Não acham meio cansativo?
— Eu aposto que não. Esses dois não se cansam um do outro. – Chloé balançou as mãos – Sabe, eles são muito apaixonados. – falou a última palavra olhando para Kagami com uma expressão séria. Esta última assentiu e se calou.
Eu teria rido se não tivesse nervosa. Félix acabou fazendo isso por mim e soltando uma risadinha discreta.
Depois disso ficamos em total silêncio, um pouco – mas nem tanto – constrangedor.
Não demorou muito para os garçons vierem e começarmos a comer. Durante a refeição, estávamos calados também e honestamente eu estava feliz por poder organizar os meus pensamentos por alguns instantes.
Uma das coisas que concluí nesse meio tempo, é que Chloé merecia muitos macarons. E ouso dizer que Félix também, pois ao menos ele ficou calado ao invés de piorar a situação – talvez porque ainda estivesse com medo de levar outro soco do primo, mas só talvez.
***
Após o jantar, Adrien disse que iria comigo até o jardim, porém o pai dele o chamou para alguma coisa. Chloé estava ocupada com os seus pais e eu certamente não queria conversar com Kagami ou Félix. Então fui sozinha até o jardim.
Ao menos ali eu podia respirar normalmente e não quase ter uma crise de ansiedade.
O bom dessa noite é que o pai de Adrien me elogiou, Chloé me ajudou e Félix pediu desculpas. Contudo, eu esperava poder ficar mais com o meu namorado. Sem contar o fato de que ele e Kagami pareciam bons amigos e isso me incomodava, mesmo sabendo que não deveria.
— Já te disseram que você é tão bonita quanto uma noite estrelada? – sorri e não precisei me virar pra saber quem era.
— Já. Foi o mesmo garoto que eu disse que era tão bonito quanto o pôr do sol. – ele riu e parou ao meu lado.
— Você gostou mesmo daqui.
— É lindo.
— É. – Adrien suspirou – Desculpe por não ter dado a atenção que merece essa noite.
— Tudo bem. Sei que não foi proposital.
— Não foi, mas mesmo assim eu te deixei chateada. Vou compensar isso. – o loiro pegou o celular e eu o encarei confusa.
— O que você está fazendo? – ele colocou uma música lenta pra tocar e eu balancei a cabeça, imaginando o que viria a seguir. Adrien colocou o celular em cima do tronco de uma árvore e estendeu a mão.
— Me concede essa dança, my lady?
— Com prazer, kitty. – segurei a sua mão e usei o apelido que tinha dito uma vez e ele tinha gostado, o que fez ele sorrir.
Adrien me puxou delicadamente para si e colocou uma das mãos na minha cintura, enquanto eu colocava a minha outra no ombro dele.
— Já vou avisando que sou péssima dançando.
— Aposto que você dança tão bem quanto cozinha. – ri e não demorou muito para que eu escorasse a minha cabeça no seu peito e envolvesse o seu pescoço com as minhas duas mãos.
Nós dois balançávamos de um lado para o outro. Eu sentia o seu peito subir e descer em uma respiração calma, me sentindo completamente segura nos braços dele.
Eu amava tudo em Adrien. Porém a única coisa que me incomodava sobre o nosso relacionamento é o quanto eu ficava insegura e ansiosa em sequer imaginar ele me deixando.
Sei que ele já me garantiu que não faria isso ou me trairia e eu acredito nele. Mas o simples fato de ele preferir a mim do que a outras garotas, não entrava na minha mente. Afinal, eu não tinha nada de especial comparada a elas.
Senti uma lágrima escorrer pelo meu olho e Adrien provavelmente sentiu na sua camisa, pois parou bem na hora e me encarou. Levantei a minha cabeça lentamente e o olhei.
— Você está chorando? O que houve?
— Eu... Eu não quero falar disso agora.
— Se for por causa da Kagami...
— Não é só sobre ela. – disse rapidamente, antes que perdesse a coragem. – É sobre tudo. Estou cansada de me sentir insegura. Principalmente quando se trata de você. – Adrien secou a outra lágrima que escorreu pelo meu olho e deu um beijo demorado na minha testa. – Eu sei que não deveria e que você vive me dizendo isso. Mas eu não posso evitar, é difícil.
— Sei que questões como essas são pessoais e é impossível que eu resolva por você, mas eu te amo, Marinette. Vou estar ao seu lado sempre. – o loiro segurou o meu rosto delicadamente, me fazendo olhar para ele – E por favor, lembre-se sempre que você é a única garota que eu preciso.
— Eu te amo também, Adrien. Obrigada. – ele piscou e eu me aproximei, selando nossos lábios.
Ele tinha razão. As questões as quais eu tinha que resolver, eram totalmente internas. E por mais que eu não tivesse ideia de como resolvê-las, sabia que poderia contar com ele sempre ao meu lado.
— De nada, Bugaboo. – aquele apelido bobo nunca soou tão bem quanto agora.
Sorri e deitei minha cabeça no seu peito. Voltamos a balançar de um lado para o outro, como se nada mais importasse, a não ser a nossa dança.
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