Titanium - O Que Resta Da Monarquia
7 Desistência
Notas iniciais
MÚSICA DO CAPÍTULO: http://www.youtube.com/watch?v=5yjt18kIlQo
— Eu deveria esperá-los? – Perguntou olhando para baixo conferindo se nada aparecia. – Olá John. – Emma deixou pender a cabeça para o lado a fim de olhar o homem baixinho que estava oculto pelo tamanho de Sherlock.
— Me desculpe, eu não consegui mantê-lo em casa. Faltei ao trabalho hoje para garantir isso, mas... – John olhava fixamente para o chão.
— Está tudo bem. Afinal, do que precisa Mr. Holmes? – Disse agora olhando para Sherlock. Ele tentava manter os olhos na altura do rosto de Emma a todo custo, parecia travar uma guerra interna. Abriu a boca para falar e tudo o que saiu foi ar, ele articulou as palavras mas nenhum som saiu, olhou para cima e pigarreou. Emma mordeu os lábios para não rir.
— Quero que desista da ideia de me forçar a ter uma advogada, eu não preciso disso. – Disse pigarreando mais uma vez.
— Mr. Holmes, eu preciso do senhor e o senhor precisa de mim, não é obvio? Como vai trabalhar no meu caso estando preso?
— Posso perfeitamente me defender sozinho. Portanto, demita-a.
— Não farei isso, nada vai me fazer mudar de ideia.
O detetive se pudesse a queimaria viva ali, Emma tinha certeza disso. Seus olhos pareciam estar tomados por um clarão vermelho, como se fogo se formasse neles.
— Sherlock, deixe que ela te ajude. Pare de dar trabalho ao menos uma vez na vida, homem! – John falou. – Da última vez eu estava lá, vi no que deu e nem era seu o julgamento!
— Deveria ouvir John, ele parece ser mais sensato que você e até você sabe disso. – Emma falou esticando o braço e passando a mão pelo ombro de Sherlock como quem limpa algo, mas era apenas para toca-lo. — Vivian será sua advogada e ponto. – Sorriu doce e ironicamente.
— Emma. – Matthew falou, trazendo seu roupão.
— Obrigada. – Disse colocando os braços nas mangas do roupão que ele segurava para ela, era evidente o constrangimento de John, não olhara-a em nenhum momento, cruzou os lados e fechou-o. Olhou para Matthew, já vestia seu roupão mas o mantinha aberto, deixando a mostra a bermuda molhada colada ao corpo, parecia maior do que o normal, arqueado como um felino, olhando fixamente para Sherlock. – Já que estão aqui, por que não veem a lista que falei? – Emma andou até onde estava uma mesinha com um telefone em cima, pegou-o e apertou um dos botões. – Gibbs, você pode por favor entregar aquela lista e dar algumas informações para John e Mr. Holmes? – Esperou a resposta do guarda costas e após alguns instantes desligou. – Ele vai encontra-los na sala, preciso leva-los até lá ou Mr. Holmes já decorou o caminho? Preciso me trocar.
— Nós sabemos ir, pode deixar. – John respondeu, era evidente a provocação e ele temia que Sherlock dissesse algo ofensivo.
— Depois de vocês, então. – Disse indicando a porta que dava para o corredor de onde eles vieram.
Saíram em silêncio, ambos tomando direções diferentes no corredor, Sherlock e John viraram à esquerda, para a sala de estar e Emma para o lado direito, na direção de seu quarto, seguida de perto por um silencioso Matthew. Seu silêncio era tão grande que fazia seus ouvidos doerem e não mudou, ao entrarem no quarto, enquanto tomavam banho e se vestiam, mesmo ela tendo pedido que ajudasse-a com os botões do vestido bordô sem decote e ele permaneceu mudo.
Emma entrou na sala e encontrou Sherlock sentado no sofá, ao lado de John que tomava o chá que lhes fora servido na louça requintada, nos tons de verde claro, branco e dourado que havia ganho de sua sogra quando fez a mudança; olhando cada detalhe de tudo enquanto Gibbs falava, as paredes, as janelas, os quadros, o espelho sobre a lareira e a própria. Seus olhos se moviam com uma rapidez impressionante, cobrindo todo o cômodo, tinha certeza de que o mesmo havia acontecido com outros cômodos da cobertura, exceto seu quarto, assim esperava, já que não sabia o que ele havia feito antes de encontrá-la na piscina. Seus olhos finalmente pararam de mover-se quando percebeu que ela se aproximava.
— Gibbs, deu a eles o que pedi?
— Sim e também a lista de quem trabalhou na reforma.
— Tinha esquecido da reforma... – Emma sentou-se no sofá, ao lado de John, tentando lembrar quantas pessoas trabalharam na reforma. – Poderia ser um deles?
— É possível, não é Sherlock? – John perguntou pousando a xícara de chá delicada no pires.
— É possível, mas não acredito que seja. – Sherlock respondeu olhando para o silencioso Matthew que sentara-se em uma poltrona próxima. – Talvez sejam só peões ou não sejam nada.
Emma percebeu o olhar que trocavam, havia uma tensão quase palpável pairando naquela sala e ao que parecia, só ela havia identificado. John estava relaxado, comentando algo a respeito da segurança do apartamento com Gibbs e alguma coisa sobre os compromissos que ela deveria cumprir. Seu telefone tocou, olhou o visor e viu que tratava-se de Franz.
— Oi, já está chegando? – Perguntou levantando-se do sofá e indo até o hall.
— Sim, só vou buscar Vivian no escritório e chegamos aí em uns 15 minutos.
— Ok.
— Emma? O que foi?
— Nada. Tenho que desligar agora. – Disse apressada.
— Ok, até daqui a pouco.
Emma desligou e voltou para a sala. Sherlock e Matthew ainda se encaravam e John estava espantado. Gibbs estava agora com a postura que mantinha quando havia a possibilidade de algo acontecer. Ela se perguntava o que havia perdido.
— É melhor irmos. – John disse levantando e puxando Sherlock pela manga da camisa branca que vestia. – Vamos Sherlock.
— Oh.. ok, eu acompanho vocês.
Voltou para o hall, após vestir seu casaco, Sherlock apertou sua mão, seguido de John, abriu a porta para eles e John saiu primeiro, quando foi sua vez, Emma pegou-o pelo pulso.
— Não faça nada estúpido. – Disse baixo para ele.
— Eu sei que precisa de mim. – Sherlock aproximou-se dela. Estava a poucos centímetros de seu rosto mais uma vez, agora ele quem segurava seu pulso e ela sentiu a pele queimar. – Cuidado com esse aí. – Disse por fim e saiu.
Só conseguiu pensar que havia ouvido errado, ele não dissera aquilo. O que era isso, preocupação? Fosse lá o que aquilo significava, não tinha tempo para pensar nisto, teria de lidar agora com o Senhor Silêncio. Quando Matthew ficava silencioso demais era indício de uma conversa interminável sobre algo que ele não havia gostado.
— Ok, pode começar a falar agora. – Disse se jogando no sofá. Gibbs foi saindo de fininho assim que ela cruzou a sala.
— Eu preciso dizer alguma coisa? Você flertou com ele cada segundo! – Agora ele estava de pé e andava de um lado pra outro. – Sabe o que ele me disse?
— Do que você está falando?
— Não se faça de sonsa! Você estava se jogando nele!
— Do que você está falando, Matt?! O que Holmes falou? – Emma perguntou pondo-se de pé novamente.
— Que você não tem dormido bem e que a culpa é minha! Como ele poderia saber disso? – Matthew andou até ela e agarrou-lhe o braço.
— Matt você está me machucando, me solta! – Emma tentava puxar seu braço mas ele apertava-o com mais força.
— Responda! Como ele saberia?
— Eu não sei! Me solte, agora! – Emma gritou e empurrou-o, que a soltou.
— Foi o nome dele que você falou enquanto dormia. – Ele ficava mais vermelho a medida que falava.
— Matt...O quê?
— A dois anos! Não liguei porque estava morto!
— Você está realmente falando sobre algo que aconteceu dois anos atrás? – Emma não conseguia acreditar que ele estava desenterrando uma coisa que acontecera a tanto tempo.
— Já era difícil conviver com um fantasma, agora que ele voltou, eu não aguento mais.
— Matt, você é o rei da tempestade em copo d’água, pelo amor de Deus! – Emma saiu da sala em direção ao hall. Matthew tentou segurá-la. – Não me toque!
— Quer que me cale?
— Você está insinuando sei lá o quê, me insultando e eu tenho que ouvir? — Enfatizou. — Estou aguentando isso a tempo demais.
— Já chega, acabou.
— Oh wait, não me diga que isso finalmente acabou? — Era evidente a ironia na voz dela. – Não acredito que aguentei tudo isso durante esse tempo todo. – Emma abriu a porta. – Saia.
— Você vai aprender a me valorizar assim que eu sair por essa porta.
— Saia! – Pegou-o pela camisa e o empurrou para fora. – Eu desisto! – E bateu a porta na cara dele. Trancou-a e gritou por Grace, assustando-a, já que estava se esgueirando pelo corredor para voltar para a cozinha, havia ouvido tudo. – Eu sei que você ouviu.
— Me desculpe, só fiquei preocupada, vocês estavam falando muito alto. – Ela estava ruborizada por ter sido descoberta, claramente envergonhada.
— Está tudo bem. – Emma colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha. – Junte tudo o que for do Matt em uma mala e peça para que alguém leve para ele. Ele não é mais bem vindo. Uma mala não, melhor, um saco de lixo! – Ouviu batidas na porta. – Matthew, eu mandei você ir embora!
Ao abrir a porta viu que não era ele e sim Franz e Vivian, quem batia. Deu espaço para que eles entrassem e fechou a porta, sendo seguida por eles de volta à sala.
— O que aconteceu? Matt nos atropelou na saída do elevador, estava transtornado. – Vivian falou.
— Nós terminamos. – Emma respondeu esticando as pernas, sentada na poltrona.
— Como assim terminaram, de novo? De vez? – Franz perguntou. – Porquê?
— De vez. Ele teve um daqueles ataques, Sherlock parece ter dito algo e Matthew me insultou.
— Sherlock esteve aqui?
— Sim, Vivian. Me viu com Matt na piscina.
— Deus...o que ele viu? Ele se expôs demais saindo de casa.
— Sabe do que nós precisamos? Vinho! Vou buscar um lindo e taças, precisamos brindar este término! E você vai contar como tudo aconteceu com riqueza de detalhes. – Franz falou apontando para Emma enquanto buscava a garrafa de vinho.
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