Titanium Man
4 Capítulo 4
Obviamente, Lorenzo tentou persuadir Márcio a desistir daquela ideia, pois era bastante arriscado e um procedimento bem complicado que poderia causar muita dor à ele, ou até coisa pior, mas Márcio não estava disposto a desistir.
— Olha, se quiser, eu te pago bem mais do que o seu salário, para você fazer essa operação em mim... — disse ele.
— O senhor não está entendendo, isso pode acabar prejudicando a sua saúde senhor, placas de titânio nos seus ossos, tem noção do veneno que pode causar no seu organismo? — irritou-se Lorenzo.
— Tem até amanhã para mudar de ideia...
E assim, deu as costas e saiu, mancando, completamente frustrado, achando que o médico não ia com a cara dele. Márcio era inteligente, um gênio, no entanto, ele sabia dos riscos que poderiam trazer à sua saúde placas de titânio no seu corpo. Então, assim que voltou pra casa, foi direto ao seu laboratório, localizado no porão de sua mansão, enquanto sua filha dormia.
— Eu vou criar algo muito bom, que impeça que minha saúde seja afetada, aí eu quero ver ele recusar quando eu mostrar... — sussurrou ele, para si mesmo.
***
Márcio acordou na manhã seguinte com IAMS o acordando.
— Senhor, o que está fazendo aqui? — perguntou ele.
— Ah, desculpe IAMS, acabei dormindo aqui. Que horas são?
— 6:45 senhor.
— Meu Deus, tenho que levar Marina para a escola, Lúcio hoje está encarregado de levar Karen para a empresa.
— Relaxa, já acordei sua filha, ela está tomando banho, dá tempo do senhor se arrumar.
E foi isso que Márcio fez, rapidamente tomou um banho e se arrumou como um foguete, indo em direção à cozinha, onde sua filha o esperava.
— Bom dia papai. — disse ela, terminando de comer um pedaço de bolo de laranja com calda de chocolate.
— Bom dia princesa, tá pronta? — perguntou ele, pegando uma xícara de café rápida.
— Estou sim. — ela disse, pegando a mochila.
— Então vamos...
Ele terminou a xícara de café em três ou quatro goladas e saíram para a garagem, indo em direção ao Koenisegg, partindo para a escola, onde chegaram em poucos minutos.
— Boa aula filha. — disse ele.
— Tchau papai. — ela disse, beijando a bochecha dele e saindo do carro.
Márcio então, arrancou com o mesmo e foi em direção ao hospital, onde encontrou Lorenzo já estacionando seu carro. Ele não perdeu tempo e foi até ele.
— Bom dia Doutor Lorenzo, precisamos conversar. — disse ele, formalmente.
— Se for aquele assunto de novo, pode dar meia-volta Senhor Sterling. — esbravejou Lorenzo, impaciente.
— É sobre esse assunto sim, mas saiba que passei parte da noite estudando e desenvolvendo uma fórmula para que as placas de titânio no meu corpo não prejudiquem minha saúde. Se as que eu tenho atualmente não me fazem mal, essas não poderão fazer. Pode dar uma olhada? — pediu ele, mostrando uma cápsula pequena, com partículas verde-amarelo dentro.
— O senhor se acha mesmo um gênio não é? — ironizou ele, pegando a cápsula e entrando com ele.
Assim que chegaram no laboratório, já com suas máscaras de proteção e luvas, Lorenzo começou a examinar aquilo. Depois de algumas horas, com as explicações de Márcio, ele finalmente entendeu e ficou impressionado com o que viu.
— Rapaz, o senhor é revolucionário. Mas lembre-se que eu não tenho a sua mente genial, como posso ter certeza que vai funcionar? Não é melhor testar? — perguntou Lorenzo.
— Sim, é bom testar primeiro, algum paciente seu se voluntaria para fazer isso? — quis saber Márcio.
— Claro que não senhor. — ponderou ele — De todos os meus pacientes, o senhor é o único que eu cuido dos ossos frágeis, nunca cuidei de ninguém com essa sua doença. Eu não acho que alguém teria coragem de testar algo que não precise.
Márcio suspirou, pensou por alguns segundos, mas depois teve outra ideia.
— Então, que tal marcarmos um dia para o senhor ir lá na minha casa? Lá tem um porão onde faço essas pesquisas, acredito que é aonde poderemos testar isso. — sugeriu ele.
— Já que o senhor insiste nisso... — Lorenzo deu de ombros.
Márcio sorriu.
— Obrigado, sabia que mais cedo ou mais tarde você entenderia. — ele deu aquele sorriso de canto e Lorenzo revirou os olhos.
Pegando a cápsula de volta, Márcio saiu de lá com Lorenzo e logo uma enfermeira lhe chamou atenção.
— Doutor Lorenzo, cirurgia para o senhor, no quarto 13, é urgente! — disse ela.
— Estou indo, obrigado doutora. — ele respondeu e virou-se para Márcio — Eu tenho que ir, mais tarde nos falamos.
— Claro, pode deixar.
Assim que Lorenzo deu as costas e saiu, olhou em seu relógio de pulso Hublot, eram 12:20 sua filha devia estar esperando por ele, mas como do hospital até lá eram apenas dez minutos, ele não se atrasaria tanto.
Quando chegou no portão da escola, viu um alvoroço anormal, todo mundo parecia tenso. E ao sair do carro para verificar, o porteiro foi até ele.
— Senhor Sterling, aonde estava? — esbravejou ele.
— No trabalho, por quê? — mentiu ele.
— Porque sua filha foi levada por cinco homens dentro de um carro preto. Na nossa frente, eles apontaram armas para nós e a levaram sem dó nem piedade! — disse ele, com a voz trêmula.
— Como é que é? — ele indagou, completamente chocado.
Todos assentiram, concordando, afinal, eram testemunhas oculares.
Ao voltar para o carro, prestes a pedir para IAMS localizar sua filha, ouviu seu celular tocar. Era uma chamada de vídeo e viu que ele registrava um número desconhecido. Seu coração acelerou e um frio percorreu sua espinha.
— Alô? — disse ele.
— Olá Senhor Sterling, estamos avisando somente UMA VEZ. Estamos com sua filha e queremos dois milhões de reais para te devolver. — disse a pessoa do outro lado da linha. Ele usava uma máscara preta e tinha uma voz masculina.
— É mesmo? Como vou ter certeza que ela está aí?
— Bem, veja o senhor mesmo...
O bandido virou o celular mais para o lado, onde mostrava Marina sendo carregada por dois homens mascarados e bem fortes.
— Eu quero meu pai!! Papaaaiii, socorro!!! — ela gritava, desesperada, sem saber que ele estava ali.
— Bem, se quiser ela de volta, nos dê a quantia que falamos em três horas, até logo!
E desligou a ligação.
Márcio, completamente atordoado e furioso, decidiu agir. Acelerou seu carro e foi até uma loja no centro, onde discretamente comprou um revólver calibre 38.
— Estou surpreso Senhor Sterling, desde quando o senhor compra armas? — quis saber o vendedor.
— Sequestraram minha filha, eu preciso agir! — reclamou ele, deixando o dinheiro no balcão e saindo de lá às pressas até seu carro. Quando voltou, apertou um botão no volante.
— IAMS, localizar Marina Sterling. — pediu ele.
Alguns segundos depois, ele respondeu:
Sua filha está localizada, siga a rota senhor.
Com sangue nos olhos, Márcio seguia a rota até o cativeiro onde sua filha estava sendo mantida.
Ao chegar no local do cativeiro, que ficava no fim da cidade, onde um terreno baldio cheio de terra era cercado por um muro bem alto, logo ele viu um Opala Preto estacionado ali, junto com dois homens de pé, do lado de fora. Do lado esquerdo, uma casa grande e velha, que parecia estar abandonada há muito tempo. Ele estacionou seu Koenisegg na frente do Opala, a alguns metros de distância, pronto para atirar, estava com um plano em sua mente para atirar neles.
Enquanto isso, dentro do quarto onde estava sendo mantida, com paredes desgastadas, tijolos apareciam, o chão sujo, teto furado e apenas uma janela iluminando o lugar, Marina ficava quieta, tentando manter a calma, pois já sabia que seu pai estava ciente do sequestro e era só questão de tempo até ele chegar com o dinheiro do resgate.
Mas, inesperadamente, ouviu uma voz vindo da janela.
— Ei, psiu! — disse a voz e ela virou-se para ele.
Com medo, a pequena se afastou, mas a pessoa pulou a janela e se aproximou.
— Ei, calma. Não vou te machucar, sou amigo do seu pai. Só quero tirar você daqui em segurança. — disse a pessoa, com uma voz grave e jovem, porém, suave, se ajoelhando na frente dela.
— Quem é você? — perguntou a menina, assustada.
A pessoa retirou seu capuz, mostrando seu rosto. Era um jovem rapaz.
— Eu sou um cara normal. Viu? Confia em mim, vou te tirar daqui. — ele disse.
Marina se levantou, devagar, e pegou na mão dele.
— Bem, vai ser assustador e barulhento, mas vai valer a pena. — ele disse, antes de abrir a porta do quarto.
Do lado de fora, dois homens que ficavam de vigia, ouviram as vozes e estranharam.
— Vai lá ver o que tá rolando Sandro, eu fico de vigia. — ordenou um deles.
— Certo.
Mas, quando Sandro abriu a porta, já saiu levando um chute nos testículos, depois um soco de direita, o derrubando. O outro vigia viu e tentou atirar nele, mas levou uma voadora que o nocauteou na hora. O barulho chamou a atenção de outros bandidos, que foram correndo para lá e atiraram na direção deles, mas rapidamente eles conseguiram se esquivar das balas e se esconder.
— Acertaram você? — perguntou o rapaz.
Marina fez com a cabeça que não, assustada.
— O que está acontecendo? — perguntou um dos bandidos, do lado de fora.
— Não sei, vai lá ver!
Mesmo contrariado, o homem foi lá para dentro conferir, enquanto Márcio, escondido em seu carro, sentia o coração disparado com os tiros.
De volta à briga, o rapaz se jogava para cima de um bandido com um chute no peito, o mesmo caiu para trás. Depois, dois mortais para trás e caiu para frente, acertando um chute na cabeça do outro bandido que tentava acertar um tiro nele, o derrubando inconsciente.
— Esse sequestrador tem muitos comparsas, deve ser milionário! — disse ele, pegando a mão de Marina mais uma vez.
Logo, mais três bandidos apareceram e um tomou a dianteira, ele soltou a mão de Marina que estava assustada e pulou pra cima dele, prendendo seu pescoço com as pernas, um mortal para trás, o derrubando, mas ele se manteve consciente, então ele o pegou pelas pernas e o ergueu até a lâmpada no teto, que estava acesa, causando um choque elétrico no cara. Depois, o arremessou contra os outros dois que estavam atrás. Ambos ficaram acordados e se levantaram rapidamente.
— Fica aqui que eu já volto. — disse ele, colocando Marina escondida atrás de uma porta enferrujada.
Os dois vieram para cima dele junto com mais três atrás. Um deles, claro, era aquele bandido que estava do lado de fora, junto do Opala. O primeiro tentou um golpe, mas ele o segurou com uma mão e com a outra o socou no nariz, quebrando o mesmo. O segundo também foi contido pelo braço direito, mas levou um soco no estômago que deixou o mesmo revirando, o incapacitando de lutar, o próximo ainda tentou chegar por trás, mas levou uma cotovelada na têmpora, desmaiando. Um outro tentou um chute na barriga, mas acabou tendo a mesma segurada e foi jogado até uma pilastra que estava ali, com as costas doendo, acabou desmaiando de dor.
Ao ver que o bandido que ele quebrou o nariz estava se levantando, pegou um pedaço de ferro que estava ali perto e o jogou bem na fuça do cara, que desmaiou na hora. Em seguida, o outro se recuperava do soco no estômago e tentou partir pra cima, mas teve seu braço entortado e depois um chute certeiro que o jogou metros atrás, fazendo-o atravessar uma parede.
Assim, ele voltou sua atenção à porta e a abriu.
— Tudo bem por aí? — perguntou.
— Tudo. — Marina assentiu, tendo visto toda a luta pela fresta da porta e ficando impressionada.
— Então vamos, estamos quase saindo.
Segurando a mão de Marina, estavam se encaminhando para a porta de saída quando o último bandido, que ficara no Opala, começou a atirar, ele protegeu Marina a colocando atrás de si e se protegeu com o escudo. Quando as balas do revólver do bandido acabaram, ele levou um tiro na cabeça, morrendo na hora. Márcio, que havia visto tudo através de um drone que trouxera com ele para desmascarar os bandidos para a polícia, ficou chocado com a luta e foi incentivado a sair do carro e atirar na cabeça do mesmo.
Quando Márcio olhou para dentro, o rapaz, assustado por ter visto o bandido morto ali, acabou soltando Marina, que olhou para a frente e abriu um largo sorriso.
— PAPAI!!! — ela animou-se, correndo até o pai, que se ajoelhou.
— Filha! Graças à Deus! — Márcio disse, com lágrimas nos olhos, a abraçando forte enquanto se levantava.
— Que saudade eu estava do senhor!
— Você está bem? Te machucaram?? — perguntou ele, preocupado.
— Não, estou bem sim! Meu herói me salvou!
Ela então, apontou para o rapaz de preto, a dois metros longe deles, que parecia se recuperar do susto e os olhava desconfiado.
— Quem é você? — perguntou Márcio.
O rapaz engoliu em seco, olhou para baixo e voltou a olhá-lo.
— Diversus. — disse ele, com a voz rouca, antes de sair correndo dali com sua supervelocidade, deixando Márcio impressionado.
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