Titanium
5 Four
Notas iniciais
POV Scorpius
– O que? Uma trégua, Malfoy? — pergunta a Weasley com os olhos azuis num misto de preocupação e confusão. Ah! Como eu amo aqueles olhos... Pera, quê?
– Isso aí. Uma trégua.
– Como assim? Uma trégua... Pra sempre?
– Não! Só durante esses sábados de detenção. Vamos tentar nos relacionar como pessoas que acabaram de se conhecer, e não como inimigos.
Vejo um brilho em seus olhos. Isso me faz sorrir.
– Okay, eu aceito.
– Sério?!
– Sério.
– Então... Prazer, eu sou Scoropius Malfoy. — digo dando meu sorriso "galanteador" (como diria minha mãe) e estendendo a mão. Ela aperta minha mão.
– Prazer, Rose Weasley. Você vem sempre aqui?
Rio.
– Aqui, na biblioteca, raramente. E você?
– É a minha parte preferida da escola.
Percebo que ela está levemente inclinada na minha direção desde que eu disse que tinha-lhe uma proposta. Ela estava na metade da mesa, mas assim como não se mexia, também não tinha percebido.
– Interessante. Você é filha de Rony Weasley, não é?
– Sou sim. E você de Draco Malfoy, se não estou enganada. Irmão da Ellie, não é mesmo?
– Sim, e sim.
– Você não se parece em nada com a sua irmã. Só a casa.
É verdade. Eu sou loiro. Ellie é morena. Eu sou a cara do meu pai. Ellie é uma cópia da minha mãe. A única coisa em comum entre nós é sermos sonserinos e jogadores de Quadribol. E mesmo assim somos gêmeos.
– E você? Tem irmãos?
– Um irmão. Hugo. Acho que você já deve ter ouvido falar dele. O garoto que colocou um airbag na cadeira da diretora, o quarto que quase foi morto por Harry Potter. Entre outras coisas.
Eu e Rose rimos.
– Por que o tio Harry quase matou ele mesmo?
– O Hugo e a Lily começaram a namorar.
– Ah, é verdade.
Continuamos rindo. É bom ver esse lado da Weasley e poder interagir com ele.
– Hã... Será que dá pra gente ir pra algum outro lugar? Eu não me sinto bem na biblioteca.
Ela pensa por um minuto.
– Okay, ta legal de conversar com você. Mas vamos pra onde?
– Hum... Já que eu não gosto da biblioteca, e tive que ficar aqui, você vai comigo pro Salão Comunal da Slytherin.
– O QUE?!
– Relaxa. Não tem nenhuma cobra de verdade lá, ou algo assim. Nem aranhas. — Sim, eu sabia muito bem do pavor dela por aranhas.
– Tudo bem.
Andamos lado a lado até as masmorras, e quando entramos lá, por ser consideravelmente escuro, e por ela nunca ter ido lá, ela se cola em mim, aparentemente com medo, e só por isso eu já ganhei o dia. Ela senta-se no sofá do Salão Comunal e eu me sento ao seu lado.
– Voce já leu A Culpa é Das Estrelas? — diz Rose, quebrando o silêncio. – É um livro trouxa.
– Eu sei. Já li sim. Minha mãe disse que é "um livro muito bonito" — faço aspas com os dedos — e me obrigou a lê-lo.
– E aí?
– E aí o que?
– O que você achou?
– Legalzinho — dou de ombros.
E o silêncio reina de novo.
– Você já andou num carro voador? — pergunto.
Ela me olha com deboche.
– Já, e você?
– Já. Uma menina ruiva, irritada, chata, — a cada característica que eu listava, eu me aproximava um pouco dela — grifinória, mas que sem ela a vida fica muito sem graça me sequestrou e me arrastou com outros dois assassinos até aqui num carro voador.
Nesse momento nos já estávamos a apenas milímetros de distância. Ela apóia uma mão em meu peito. Impressionantemente, ambos estávamos sorrindo.
– Sabe, Scorpius, eu acho que você distorce muito os fatos. — diz ela, e me beija.
Sim, me beija. E eu beijo de volta.
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