Tirando a Capa - Reneslec
4 Confraternizando com o Inimigo
Faziam três horas que Alice e Jane não paravam de entrar e sair de lojas. Creio que Alice finalmente encontrou seu par ideal de compras. Eu mantinha uma certa distância dos gêmeos, mas estava se tornando cada vez mais difícil, Alec parecia não ser muito sociável e só ficava perto o suficiente para carregar as sacolas das duas e isso o deixava próximo a mim. Era uma sensação horrível, todos os meus sentidos estavam alertas, Jane não transparecia perigo, estava tão envolta na aurea consumista quanto minha tia e me faziam querer estar o mais longe possível para que não focassem em mim. Já Alec, arg, ele se dividia entre olhar sua irmã e me estudar com o canto do olho, para piorar sua expressão não dizia nada, era perfeitamente pólido.
Eu precisava comer. Creio que não comi nada desde ontem de manhã. Vasculhei minha bolsa a procura do cartão de crédito, mas não o achei. Droga. Terei que enfrentar Alice. Respirei fundo e entrei na loja.
— Alice? – Toquei seu braço. – Pode me emprestar seu cartão? Esqueci o meu.
— Claro amorzinho, mas depois okay? Tenho que achar o par perfeito para essa calça e depois pagar.
— Alice. Por favor. Estou com fome. – Ela me olhou e deve ter percebido o leve tom mais escuro que meus olhos devem ter ganhado. – É uma pena, eu realmente queria comprar... – Ela me pareceu realmente chateada, droga, não queria fazer isso com a fadinha.
— Posso levar você para se alimentar, se quiser. – Alec falou. Nossa, não percebi que ele havia entrado na loja também. – Deixamos de trabalhar para os Volturi, mas nossa conta continua intacta. – Olhei para ele um pouco surpresa. Depois desviei o olhar para Alice que estava com a vista sem foco, ótimo, mas uma visão.
— Perfeito. – Bateu palmas sorrindo. – Vá com ele Nessie, depois nos encontramos. – Ela estava feliz, provavelmente eu não morria em sua visão.
Forcei um sorriso e agradeci a Alec o levando para a cafeteria da esquina. Eu estava morta de vergonha, um Volturi me pagando um lanche. Entramos na cafeteria e nos dirigimos ao caixa.
— Então, o que vão querer? — A balconista perguntou olhando para o vampiro ao meu lado, era tão engraçado ver como os humanos ficavam perto de vampiros. Eles percebiam que havia algo errado, mas não conseguiam desviar o olhar, acho que pode ser comparado ao fascínio de olhar para Medusa; linda e mortal...
— Concordo. – Alec sussurrou ao meu lado, somente para eu ouvir. Estranhei, mas logo percebi que o tocava, afastei-me. – O que ai querer Renesmee? – Perguntou agora em voz alta.
— Uma torta alemã, inteira, e um mocaccino, por favor. – Pedi e Alec pagou.
Sentamos-nos em uma mesa afastada e esperamos o pedido. Alec me olhava com curiosidade.
— Pode perguntar. – Ele me olhou em dúvida. – Sei que quer fazer um pergunta, só não sei qual, não sou meu pai.
— Ia lhe perguntar isto depois que falou. – Sorriu. – Me desculpe se soar intrometido, mas estou curioso. Como funciona sua alimentação? Alice pareceu preocupada.
— Não veio mesmo a mando de Aro? Porque essas me parecem coisas que ele iria querer saber. – Ergui uma sobrancelha.
— Entendo seu receio, mas tente entender, larguei os Volturi e não tenho nem nunca tive intenção alguma de lhe machucar. Naquela época recebia ordens, nunca gostei de ter que matar crianças. – Retrucou.
— Você lembra de mim? Pois eu tenho uma ideia muito bem feita de toda a guarda Volturi, meus pais passaram semanas discutindo sobre cada um de vocês e no dia eu tentei me acalmar tentando relacionar nome e poder com rostos. Você e sua irmã foram os mais fáceis.
— A fama de gêmeos bruxos nos precede não é?! – Riu. – Mas eu lembro sim, achei peculiar o modo como se comunicou com Aro, confesso que passei um bom tempo pensando em como era, até minutos atrás. – Sorriu.
— Me desculpe por aquilo... – Comecei.
— Não. Foi espetacular – Me cortou.
— Bem... é que as vezes eu não consigo controlar muito bem pelo tato, os pensamentos só fluem soltos. – Completei. – Mas sim, não respondi sua pergunta não foi?
Nessa hora meu pedido chegou. Relaxei meus músculos de alívio, aguentaria até poder caçar. Peguei o primeiro pedaço de torta e o levei a boca. Doces eram mais fáceis de entrar.
— Seus olhos? – Alec flou um pouco perplexo.
— Estão ficando mais claros? Funciona quase como os de um vampiro normal, escurece quando estou com fome, mas bem pouco, acho que os humanos não notam.
— Entendo, por isso aceitou vir comigo. A quanto tempo não come? – Alec não era burro, tinha entendido muito bem que eu só aceitei por necessidade.
— Quase dois dias. Sei que não é nada para um vampiro, mas sou meio humana, se for para me alimentar de comida humana tem que ser de uma a duas vezes ao dia. Com sangue animal seria de três em três e por isso fica muito próximo para caçar direto. – Respondi e tomei um pouco da minha bebida. – Por isso minha alimentação é praticamente humana, só vou caçar quando minha família vai e é um enorme alívio.
— Serei indelicado mais um vez. Porém lembro que o híbrido Nahuel havi mencionado que sua alimentação era normal. – Ele estava realmente interessado, não haveria mesmo nenhum dedo de Aro?
— Isso porque ele se alimentava de sangue humano.
Depois disto Alec me deixou em paz. Um grupo de adolescentes sentou ao nosso lado e vez ou outra o Volturi olhava ao redor e engolia em seco uma lufada de ar.
— Está sendo difícil, não está? – Perguntei.
— O que?
Toquei sua mão e lhe mostrei o que eu queria dizer: humanos, sangue, autocontrole. Sua feição endureceu e logo relaxou.
— Sim, um pouco na verdade. Mas devo acrescentar que você não está ajudando nenhum pouco. – Forçou um sorrido soltando-se da minha mão.
Imediatamente enrubesci, não deveria ter mostrado uma imagem que evidenciasse tanto a sede. Alec bufou e voltou a prender a respiração.
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