Tipos de Pai
1 Único ~ Pai é Pai
Notas iniciais
Hoje é o dia de homenagear o homem que, admita, é o seu herói:
Luna sequer tenta disfarçar, podemos notar o amor e admiração que ela sente por Luffy de longe. Na visão da pequena menina de cabelos alaranjados, ele é seu porto-seguro, a pessoa que a protege dos monstros debaixo da cama, o maior homem do mundo.
E foi carregando um desenho que tinha feito com essas ilustrações, que ela saiu correndo do quarto de cartografia, passando os olhos como um raio por tudo a procura de seu pai. Quando o avistou, ela simplesmente pulou de onde estava, sem se preocupar de que se espatifaria no chão do convés. Porque bastou ela o chamar.
No segundo seguinte, estava sã e salva nos braços de Luffy, com ele a olhando como se perguntasse quantas vezes mais ela faria isso e a menina só ria. Era por isso que ela não tinha medo de pular, sabia que ele sempre a pegaria.
Ainda mostrando o sorriso que herdara do próprio Luffy, ela lhe entregou o desenho que fizera com o maior orgulho e disse:
— Feliz dia dos pais, otou-chan!
Às vezes, você não demonstra seu amor diretamente, não dá presentes ou cartões (nem escreve um textão lindo com uma imagem engraçadinha no face):
Roronoa Zoro e sua filha, Ohana, de longe eram as pessoas mais sensíveis do mundo, não gostam e nem se importam com demonstrações de carinho. Quando era pequena, ela até dava algum presentinho feito à mão por ela mesma, mas nos últimos anos... nada.
A única coisa que algum dos dois fez a respeito do dia de hoje foi quando Ohana aproximou-se de seu pai dormindo no convés, agachou ao lado dele e falou baixinho:
— Feliz dia dos pais. – Ela se afastou do homem no mesmo instante, com um leve sorriso no rosto; o que a impediu de ver Zoro sorrindo em seu sono.
Ou talvez ele nem esteja por perto para você dar esses presentes:
Durante as raras conversar que tinha com seu pai, Naruto aproveitava cada segundo. Na de hoje, ele ouviu Sanji contar sobre algumas aventuras; dizer que sentia saudades dele e de sua mãe e que, se estivesse com eles, faria uma deliciosa refeição para os três. Coisas que o deixavam com um enorme sorriso no rosto no momento, mas que logo traziam lágrimas aos seus olhos, por pensar que momentos como esse demorariam a chegar ou talvez nunca acontecessem.
É, ter um pai pirata não era fácil, crescer tendo que ver as expressões de seu pai através de um caracol não era nada fácil. Mas o loirinho não ia reclamar, não tinha por que. Apesar de sentir falta, ele tinha orgulho de quem seu pai era e de ser filho do Perna Negra. Naruto apenas engoliu o choro e continuou aproveitando a conversa com Sanji, até precisar desligar, dizendo:
— Feliz dia dos pais, otou-san.
E então correu para a cozinha. Ele mesmo faria um delicioso jantar para ele e sua mãe. Além de que, por estar envolto pelos utensílios e ingredientes que ele o ensinara a usar, Naruto se sentiria mais próximo de seu pai.
Em uma pequena ilha do East Blue, um jovem garotinho também buscava uma conexão com seu pai naquele dia. Sentado às margens da ilha, ele apenas olhava para o horizonte marítimo, com um barquinho de brinquedo em mãos e um sorriso iluminado no rosto.
Atrás de si, ele podia ouvir vozes que vinham da vila Syrup, mas essas vozes entravam por um ouvido e saiam pelo outro, porque tudo que rondava sua cabeça era a conversa que teve com o Bravo Guerreiro do Mar, lendário atirador da tripulação dos Chapéus de Palha e já aclamado muitas vezes como um Deus, Ussop-sama! Ou como lhe era conhecido, papai!
O pequeno Louis recordava cada uma das palavras de Usopp, durante a longa conversa que tiveram pelo den den mushi, principalmente a promessa de uma visita não muito longe de acontecer. Ele sabia que isso não aconteceria hoje, seu pai disse que levaria no mínimo um mês ainda, mas ele não conseguiu se conter em correr para a margem da ilha em que vivia e observar o mar.
Aquela água salgada corria em suas veias, afirmando que era filho de um pirata. Era a maior ligação que tinha com seu pai e Louis não a trocaria por nada no mundo.
Ele pode ser muito ocupado e não conseguir passar o dia com você:
Rin não se importava com a hora ou com o fato de sua mãe já ter lhe botado na cama, apagado a luz e confiscado qualquer entretenimento que a impedisse de dormir. De jeito nenhum a loirinha cairia no sono enquanto o relógio da cômoda não indicasse meia noite.
Ela viu o aparelho virar de 21:00 para 22:00, para 23:00, 23:30... até que faltavam dois minutos para dar meia-noite. E foi nesse momento que Rin escutou duas batidas na porta, que a fizera sentar no mesmo instante e abrir o maior dos sorrisos ao ver a figura que tanto espera. Ela sabia que ele viria!
— Estou muito atrasado? – Sabo perguntou sorrindo, mas verdadeiramente preocupado por não ter passado o dia de hoje com nenhum de seus filhos. Não tinha jeito; por mais que não quisesse e soubesse desviar, ele precisava trabalhar alguma hora.
A pequena apenas negou com a cabeça, pulou da cama e correu até o pai, abraçando-o pelas pernas.
— Ainda não é meia-noite. Feliz dia dos pais!
E você pode preferir sua mãe em alguns momentos, mas no fim pai é pai:
Ichigo não ia com a cara do próprio pai, por diversas razões, mas a mais forte delas tinha nome e cabelos alaranjados: Nami. O pequeno não admitia que Luffy quisesse roubar a atenção que, ao seu ver, era sua por direito. Nami era sua mãe, toda atenção e carinho dela deveriam ser voltados para ele! A única pessoa com quem aceitava dividi-la era sua irmã, Luna (outra de quem Luffy recebia atenção demais para o seu gosto).
Se bem que... tinha horas que ele dispensava a presença de Nami. Na hora de escolher roupas, por exemplo, tanto para comprar quanto para ele vestir no dia a dia. Para comer também era uma implicância com seus modos ou com o quanto ele comia. Seu pai nunca reclamava dessas coisas, na verdade, ele era o único que aceitava sua fome descontrolada – talvez porque ele fosse igual.
E era por isso que Ichigo podia e gostava de compartilhar um único momento com ele, que era quando os dois iam para na cozinha, atacar a geladeira no meio da noite, comendo tudo o que suas mãos podiam alcançar.
O que, aliás, era o que eles faziam nesse exato momento!
Entre uma mordida e outra em um pedaço de carne, Ichigo ficou pensativo sobre o dia de hoje. Passar um tempo com seu pai até que não era tão ruim e ele lhe deixava comer carne à vontade – desde que não pegasse a do seu prato. Talvez ele tivesse sido meio malvado em não ter dito nada o dia todo. Ainda não era meia noite então dava tempo.
— Feliz dia dos pais.
Será que foi mesmo uma boa ideia? A surpresa de Luffy foi tanta que ele acabou se engasgando!
Mesmo que não seja por sangue:
O rosto de Sen já estava vermelho, tamanho era o esforço que ele fazia com seu cérebro. Por que era tão difícil para ele relembrar o rosto daquele homem? Supunha-se que as feições dele nunca deveriam sumir de sua mente e de seu coração, mesmo que ele não o visse desde que tinha um ano e meio de vida.
Somente desistiu de vez quando seu irmão mais velho, Shin, apareceu lhe perguntando no que pensava para estar tão vermelho. Sen sabia do passado de seu irmão, por isso imaginava que ele não estaria passando pelas mesmas dúvidas que ele, mas mesmo assim decidiu perguntar:
— Se você tivesse conhecido seu pai, acha que se lembraria dele?
Shin o mirou com aqueles olhos violeta, sérios e neutros como sempre.
— Do que está falando? Eu tenho um pai e você também.
Sen engoliu em seco pelo tom do outro. Mensagem recebida, sem falar do passado.
Mas ele ainda queria saber, queria se lembrar do rosto do homem a quem devia sua existência. Afinal, só porque tinha outro pai hoje, não quer dizer que seu pai biológico não importava, certo?
Claro que não! Era a pessoa a quem devia sua existência, seus genes, seu sangue, sua vida! Sua vida... Que foi salva pelo exército revolucionário. Mais precisamente, por certo loiro com poderes de fogo que hoje tinha a honra e o orgulho de chamar de pai.
Se não fosse por Sabo e os outros, ele estaria morto agora. Ele também devia sua vida à figura que o salvou naquele dia. E que cuidou dele desde então.
A imagem que antes estava embaçada foi mudando, até se tornar uma forma que ele conhecia bem, mesmo sem ter ela nítida. Sabo era o pai que ele reconhecia, fosse como fosse. Era ele quem lhe contava histórias para dormir, quem lhe ensinou sobre animais e como assá-los numa fogueira, quem sempre lhe ajudava a levantar quando caía nessa conturbada estrada da vida.
O homem sem rosto definido podia ter lhe dado à vida, mas foi Sabo quem a cuidou e educou. Era ele o seu pai, e Sen deveria parar de tentar ignorar esse fato. Pois o loiro era o melhor pai que ele poderia querer!
Sen não perdeu nem mais um segundo, saiu correndo em direção ao escritório do navio, onde escancarou a porta de vez ao entrar. E lá estavam eles, Sabo e Koala. Seus pais.
— Sen-chan? – A mulher chamou, estranhada por aquele comportamento.
— Algo errado, Sen? – O loiro perguntou.
O garoto fraquejou por uns instantes, sem ter ideia de como dizer. Mas nem precisou, pois as palavras fluíram de seu coração para suas cordas vocais e ele declarou:
— Obrigada por me deixarem ser seu filho! – Fez uma rápida reverencia, antes de olhar para Sabo e abrir um grande sorriso: — Feliz dia dos pais, Sabo-san!
Porque existem vários tipos de pais e relações pais e filhos no mundo, mas desde que haja amor e respeito, vá até seu pai ainda hoje, porque ele merece ouvir um “Feliz dia dos pais” vindo de você.
Então vamos, se apresse! Ainda não deu meia-noite.
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