Tipicamente EU
2 Curso
Notas iniciais
Eu só queria morrer!- Disse Juliana com voz de cansada
— Para de show! Já está quase na hora da saída! E ainda por cima é sexta, ou seja, bora jogar LOL?- Perguntou o Garoto
— Pô! Bora!- Respondeu Juliana Entusiasmada
— Bora! Bora!- Kelly instigava querendo jogar
— A-d-o-g-o! Mas só vou uma partida, só dou prejuízo para vocês no jogo, até mesmo porque ainda sou novo no jogo!
— Para de drama! A gente não liga!- Disparou um estalo com sua língua
— Vamos, Matheus!- Perguntou Juliana
— Não, estou cheio de animes para ver.- Respondeu sem animo, como sempre
— Affs.- Reclamou Juliana
— Eu sou a única que não joga isso?- Perguntou Carol
— É, só você!- Respondeu Juliana com ignorância, o que era normal
— SHHHHHH!- Os alunos da sala fizeram, querendo prestar atenção na aula de biologia
Durante a aula de biologia todos estavam tentando resolver um exercício de ligação genica. Não que fosse complicado, mas era uma matéria nova. Então ainda estavam a raciocinar. Para sorte do Garoto, uma luz o iluminou em meio ao cansaço e nervosismo de sentir-se burro.
— Espera! Se a são 20 unidades genicas... Então são 10 recombinantes para cada um, né?- Perguntou o Garoto a Matheus
—Isso mesmo.- Respondeu com seu único tem de voz, frio.
— Bem... Então... Só existem quatro possibilidades! Que são... Deixa eu ver!- Pensava o Garoto.
O Garoto baixou a cabeça e começou a fazer as possibilidades, pensava que tudo estava errada, mas o fez.
— É isso?- Perguntou com medo
— Isso mesmo.- Respondeu Matheus com seu tom único
— Bem... Então eu só preciso eliminar a contribuição de um dos pais e ver...
— É.- Respondeu com tanto entusiasmo quanto uma parede
Feliz com seu progresso o Garoto seguiu sua linha de raciocínio, a lapiseira parecia mais leve, o papel mais denso, o cansaço saia lentamente dando lugar a uma sensação que poucas vezes sentia, saber a matéria. A mão se movia sozinha, fazendo X nos genes de um dos pais, foram exatos oito xis.
— Isso, agora defina os parentais e os recombinantes.- Deu-lhe as ordens
— Bem...- Pensou-. São dez para cade recombinante, logo são vinte. Então me sobra oitenta! Quarenta para cada parental!- Exclamou com felicidade
— Sim, agora defina os fenótipos.
— Ok.
Olhando para o rodapé da questão conseguiu discernir o fenótipo e sua porcentagem, porém mesmo tudo aparentemente estar certo, sua insegurança fez o coração bater mais rápido... Agora era tudo ou nada, acertar ou errar... Mas não havia muito o que pudesse fazer a essa altura do campeonato. A duvida e a insegurança eram horríveis.
— É, é isso mesmo.- Respondeu Matheus como quem vai a uma loja de roupas
Finalmente conseguiu fazer um exercício da matéria que era o carro forte de seu maior sonho, a faculdade de Medicina. Embebido de felicidade uma única frase veio a sua mente, e da mesma forma que veio foi proferida.
— Obrigado, Matheus! Consegui!- Disse quase perdendo o folego
— Bixa! Você conseguiu? Tá de parabéns!- Exclamou Ju
— Brigado!- Respondeu tímido
— Agora, como você fez? O professor ensinou de uma forma para gente- Kelly, ela e Carol.- Mas não entendemos muito bem, não quer explicar, não?- Falou em forma de comando
Normalmente ele não ligaria de explicar, mas tem um grande problema. Ele raramente sabe explicar o que fez, pois na maioria das vezes nem ele sabe o que fez. Mas mesmos assim, ele tinha que tentar. Ao tentar explicar, não houve uma compreensão muito boa...
— Quê, não entendi nada! Sua folha está uma bagunça!- Disparou Juliana, como sempre faz
— Desculpa... Não sei explicar.- Respondeu com vergonha por não saber explicar o que havia feito
Nesse momento Matheus virou para trás para explicar como o garoto havia feito. Matheus é como um gênio, só que humilde. Sempre disposta a ajudar e explicar, desde que não esteja ocupado e cansado. O que é normal, pois raciocinar já é difícil estando bem, imagine cansado!
Como de esperado Matheus explicou tão bem que o mesmo o Garoto entendeu o que havia feito. Pois é, as vezes acontece dele fazer e depois não saber como fez, tipico do Garoto.
— Matheus, casa comigo!- Disparou Juliana, levantando seu braço esquerdo, apontando para ele fazendo aquela cara de quem fica perplexa com algo
Matheus apenas riu, no fundo o Garoto não sabe interpretar as emoções dele, em especial. É quase que como se uma barreira protegesse a ele. Mas com certeza ele havia no minimo gostado da brincadeira.
— Miga, você pegava, né?- Perguntou o Garoto com um sorriso de quem shippa, já que era muito descarado e cara de pau
— Claro!- Disparou na hora, olhando para baixo fazendo uma face de quem fala brincando mas é verdade
— A-d-o-g-o!- Disse o Garoto rindo
— Quê?- Disse Juliana, pois esse era seu bordão
— Ai, vamos tentar fazer a próxima!- Disse Kelly, tentando entender o exercício. Não que fosse difícil para ela. A garota simplesmente é muito inteligente!
— Não!- Respondeu Juliana
Kelly simplesmente olhou-a com uma face de cão sem dono, até mesmo porque ela nunca manifestava suas opiniões, ou pelo menos era raro.
— Estou brincando!- Retrucou Juliana
— Eba, vamos fazer!- Anunciou Kelly entusiasmada
O Garoto estava feliz que elas haviam entendido, mas como não podia ajudar resolveu partir para os próximos exercícios, só que havia um pequeno problema, ele não sabia que havia outro, ele apenas ouviu Kelly dizer que havia outros, então resolveu ir fazer, só que ao olhar para o quadro
— QUÊ?! Ainda tem mais?! Deus conceda-me forcas!- Implorou por forças, pois já estava cansado
Um pensamento explodiu em sua mente. Queria ele ser médico, pensou na motivação de ficar ali naquele curso preparatório por dez horas diárias de segunda à sexta. Apenas uma veio a mente, a única que o motiva a ir todos os dias para lá. O Garoto por alguma razão sentia a necessidade de ajudar as pessoas através da medicina, mesmo que fosse um sonho difícil de ser alcançado por ele. Todavia, acredita ele em um futuro escolhido por Deus, onde ele é medico e irá ajudar as pessoas que tem dor, porém com consciência de que existem casos de que o ser humano não é capaz de resolver na medicina e em todas as outras áreas. Ao invés de se lamentar, o Garoto começou a fazer os exercícios que faltavam pensando em seu futuro como médico correndo pelos corredores do hospital indo para tratar de uma paciente. As únicas coisas que o moviam era a força de Deus e sua vontade de ajudar as pessoas.
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