Notas iniciais
Mil perdões pela demora... Gente, a fic já se aproxima da reta final.. Boa leitura ♡

Assim como qualquer outro ser humano, os Akatsuki precisavam dormir. Dentro do esconderijo da organização tinha vários quartos, cada membro ficava em um cômodo, e como havia um vago para o caso de haver um novo membro, Sarada ficou hospedada ali.

Mas, de madrugada a pequena Uchiha teve um terrível pesadelo, e para onde crianças de sete anos vão quando são assombradas por pesadelos, ou pelo bicho papão ou pelo mostro do armário ? Óbvio que vão se abrigar na cama dos pais. Foi aí que Sarada se lembrou que seus pais estavam longe, bem longe.

A pequena ficou aflita. Toda vez que tinha um pesadelo podia, com certeza, pedir colo para Sasuke ou para Sakura, um deles sempre estava ali, e quando seu pai não tinha missões e sua mãe não tinha que fazer plantão os dois estavam lá para acolhe-la quando sentisse medo.

Só que tinha Itachi, o tio dela, obviamente que Sarada iria pedir abrigo para ele, seu tio com certeza espantaria qualquer pesadelo, qualquer monstro do armário e qualquer bicho papão que ousasse chegar perto de sua sobrinha favorita.

A garotinha colocou seus óculos, pegou seu dinossauro verde de pelúcia e foi andando apressada pelo escuro corredor onde ficavam os quartos dos membros da Akatsuki.

E agora ? Qual seria o quarto de Itachi ? O jeito era arriscar.

Sarada entrou em um quarto, seja lá qual fosse o indivíduo que estivesse ali roncava muito, ele estava embrulhado da cabeça aos pés, não dava pra saber quem era.

– Tio Itachi -Ela sacudiu a pessoa que roncava — Tio Itachi ...

A pessoa, ainda dormindo, virou-se para o lado e sua mão ficou pendurada na cama. Sarada levou um susto e acabou dando um grito.

– Ai meu Deus, a mão dele ronca ! — Berrou.

Deidara caiu da cama com o susto, o coitado estava todo desorientado.

– O que ? Quando ? Onde ? Como ? ... — Ele encarou a pequena Uchiha na sua frente — O que quer aqui garota ?

– Eu tive um pesadelo... — Falou manhosa.

– E por acaso eu tenho cara de Freddy ... — Ele pousou o dedo do lábio inferior e fez uma expressão pensativa — Ah, aquele cara que entra nos sonhos...

– Tio, porque a sua mão ronca ? — Ela indagou curiosa.

– Ainda não sacou que tem uma boca nela ? — Arqueou a sobrancelha.

– Já sim, e é ainda mais bizarro porque ela ronca — Sarada começou a rir — Você é estranho.

– Vê bem como fala garota — Deidara levantou-se do chão e sentou em sua cama — Eu sou muito forte, sabia ?

– Humf, meu pai com certeza é mais forte — Deu de ombros.

– Duvido — Debochou — Eu o explodiria facilmente.

– Meu pai te mataria facilmente — Retrucou.

– Garotinha, pare de falar besteira e vá dormir — Disse Deidara quase expulsando a menina do quarto.

Então, Sarada continuou em sua difícil missão de encontrar o quarto do seu tio Itachi. Tirou na sorte e entrou num quarto qualquer. A pessoa também dormia toda embrulhada, não dava pra saber quem era. A Uchiha se aproximou para acorda-lo.

– Tio Itachi, é você ? — A menina perguntou enquanto sacudia seja lá quem fosse que estivesse ali.

– O que faz aqui ? — Era Sassori, que acordou furioso.

– Droga, quarto errado de novo — Bufou.

– Tô esperando uma resposta ...

– Tive um pesadelo.

– E por acaso eu tenho cara de Freddy ...

– Olha aqui — Ela o interrompeu — Antes que você termine a frase eu digo que você está mais para o Chuck, aquele boneco assassino.

– Quanta petulância ...

– Tio — Ela olhou bem para o quarto que agora estava mais iluminado devido a porta aberta — Você dorme com todos esses bonecos no seu quarto ? Não dá medo não ?

– Ora essa, e porque daria ?

– Sei lá, vai que a Anabelle apareça aqui, o que eu não duvido muito. Esses bonecos são sinistros.

– Você fala dos meus bonecos como se eles fossem meros brinquedos.

– E não são ?

– Eles são armas — Falou convicto — Alguns deles chegam a suportar o peso de milhares de toneladas de pedras.

– Um soco da minha mãe quebraria — Ela cruzou os braços e deu língua para o ruivo.

– Você fala isso como se um simples soco fosse capaz de quebra-las, você não tem noção do que está falando.

– Mas eu não tô falando de um simples soco — falou como se fosse óbvio — tô falando do soco da minha mãe, ela já destruiu nossa casa !

– Quebrar uma casa é mais fácil do que quebrar uma marionete feita por mim.

– Humf, esse bicho feio aí que você usa pra se esconder, esse que tem um rabo de escorpião, a mamãe o quebra só com um soco, como se fosse brincadeira de criança — Riu — Ela ganharia de você numa luta.

– Sua mãe pode até ser forte, mas não seria imune ao meu veneno.

– Ela é ninja médica — Sarada deu língua para Sassori — Manipular antídotos é com ela mesmo !

– Você já me encheu demais garota — Bufou — Vaza daqui que eu quero dormir.

Mais uma vez expulsa do quarto, Sarada foi a procura do sei tio Itachi. Foi na sorte novamente e entrou num quarto qualquer. A pessoa também estava toda embrulhada, mas pela cabeleira dava pra saber que era Itachi.

Então, Sarada pulou na cama e o abraçou.

– Tio Itachi !! O moreno levou um susto ao ver a menina ali.

– Sarada ? — Arregalou os olhos — O que faz aqui ?

– Eu ... — A menina abraçou seu dinossauro e encarou o tio — Eu tive um pesadelo.

– Pesadelo é ?!

– Isso — a menina abraçou o tio — por favor, deixa eu dormir aqui ... Por favorzinho, deixa ...

Itachi não podia negar esse pedido feito de forma tão doce.

Ver sua sobrinha pular em sua cama o fez lembrar de Sasuke, ele nunca ia para a cama dos pais quando tinha pesadelos, sempre ia para o quarto de Itachi.

– Claro que pode — Itachi sorriu.

– Ebaaa !!! — A menina deu um beijo na bochecha do tio — Ah, tio, eu nunca tinha te visto de cabelo solto. Fica até mais bonito.

– Você acha é ?

– Acho — Ela riu — bem que o papai podia deixar o dele desse jeito, ia ficar legal.

– Acho que não combinaria muito com ele.

– Combinaria sim, iria ficar ainda mais parecido com você.

– E esse dinossauro na sua mão ?! — Itachi pegou o bicho de pelúcia e o analisou, trazia muitas lembranças — Não acredito que isso ainda existe ! E tá novinho, Sasuke sempre foi muito cuidadoso com tudo.

– Isso era do papai — Disse a menina — Ele conta que ganhou da vovó quando ainda era bem pequeno.

– Sasuke ainda era um bebê quando ganhou, só dormia agarrado com isso — Itachi riu ao lembrar-se do seu irmãozinho tão pequeno agarrado com aquele dinossauro que, na época, era quase do tamanho dele.

– Ele guardou durante todos esses anos, e agora é meu.

–Acho mais que justo — Itachi sorriu e devolveu o bicho de pelúcia para a sobrinha — Seu pai já tá velho pra dormir com isso.

– Mas ele só dormia com isso quando era criança, depois ele só guardou. O papai disse que nunca conseguiu jogar ele fora.

– Acho que traz lembranças boas para ele, foi nossa mãe que deu, esse foi o primeiro brinquedo do Sasuke.

– Foi o meu primeiro também — Sarada abraçou o bichinho — Gosto muito dele..

– Percebi.

– Tio, como meu pai era quando criança ?

– Seu pai sempre foi meio manhoso, acho que é mau de filho caçula — Itachi riu — Mas era uma criança muito carinhosa e fácil de lidar. Ah, e também era um pestinha.

– Já vi fotos dele criança, era muito fofo. Ah, e fotos suas também.

– Minhas ?

– Aham — Assentiu -Tem uma que eu adoro, você e o papai eram crianças, ele estava segurando um gatinho e você estava segurando um papel com a marca da pata do gatinho.

O moreno lembrava-se muito bem daquele dia, Sasuke conseguira a marca da pata de um gato, missão passada de brincadeira por Itachi, e lógico que ele tinha que exibir esse feito.

– Sarada, o que seu pai fala sobre mim ?

– Bem — Ela levou o dedo indicador até o queixo — Ele fala que você foi o melhor irmão que alguém poderia ter, diz que vocês se divertiam muito juntos e que ele adorava a sua companhia. Papai não entrou em detalhes, mas disse que tudo que você fez foi pensando no bem dele e da aldeia, e que se hoje ele está vivo e consequentemente eu também, devemos isso à você.

Itachi chegou à conclusão de que Sasuke descobrira a verdade sobre ele, afinal sua sobrinha sabia sobre sua existência mas não o odiava, muito pelo contrário, Sasuke falava dele com muito carinho para a filha. E também haviam fotos dele na casa de seu irmão, então Sasuke não o odiava mais.

– Bem, eu não sei o que aconteceu, mas me parece que seu pai tomou a decisão certa no fim das contas, afinal você está aqui. Sarada, o óleo que reacenderá a chama dos Uchiha.

Sarada não compreendeu muito bem, mas sorriu.

Ela retirou seus óculos e os colocou sobre o criado mudo que ficava ao lado da cama de seu tio.

– Boa noite tio Itachi — Sarada deitou ao lado do tio e dormiu.

Itachi ficou pensando sobre o irmão, todos os dias pensava nele, mas agora mais que nunca. Olhou para aquela menina tão linda ao seu lado, de alguma forma ela era a prova de que Sasuke fez tudo certo no final. Ficou pensando na reação de seu irmão ao saber que os Uchiha cavaram a própria cova, que ele não os matou por ódio mas sim por amor, por amor à vila e principalmente ao seu irmão caçula.

Lembrou-se do garotinho travesso que ficava correndo pela casa e insistindo que seu irmão o treinasse. Lembrou-se também do rapaz cheio de ódio no coração que o enfrentou quando ele tinha por objetivo capturar a raposa de nove caudas. Ele agora com certeza já seria um homem feito, estava casado e já tinha uma filha, com certeza seria um excelente ninja que daria muito orgulho para o clã.

Itachi não podia estar mais feliz.

Notas finais
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