Notas iniciais
Oi, lindezas! Como vocês estão? Com saudades de Tintas e Sombras? Pois bem, olhe quem voltou õ/ Capítulo fresquinho saindo do forno para vocês... Só com alegrias, sim! Podem comemorar, nada de drama nesse capítulo, haha. Queria agradecer muito, muito, muito à todas vocês pelos comentários, mensagens e afins. Nunca esperei que fosse ter esse retorno tão positivo com essa fanfic que trata de um tema delicado, que ainda é um grande tabu na sociedade, mas fico feliz por poder estar escrevendo essa obra e compartilhando-a com vocês, que a recepcionaram tão bem. Queria dizer também que essa história está na reta final... Mas que pretendo fazer o meu melhor para dar um desfecho apropriado à ela. Capítulo narrado por Emma. Músicas do capítulo: Fascinação - Elis Regina, A Noite do Meu Bem - Dolores Duran. Boa leitura! Beijão!

Assim que chegamos fomos montar nosso acampamento. Dessa vez utilizamos uma barraca bem maior, que parecia mais uma grande cabana. Pegamos logo arbustros e deixamos eles a mão para quando anoitecesse pudéssemos acender uma fogueira.

Peguei meu cavalete e coloquei uma tela em branco sobre o mesmo. Alcancei minha palheta, depositando um pouco de cada cor de tinta, e só de biquini, comecei a pintar. Pintei o mar que meus olhos avistavam, aquele lindo oceano que era testemunha do meu amor e de Regina.

Ela, que comia sentada na areia, logo se levantou, bateu as mãos na bunda e correu em direção ao mar, ficando bem na frente da paisagem que eu pintava. O vento descabelava seus cabelos castanhos e o brilho do sol deixava seus olhos mais claros e intensos, eles olhavam para mim fixamente e Regina sorria como uma criança.

Não resisti e comecei a pintá-la no meio da minha paisagem. Pintei seu corpo perfeito, ela usava um biquini preto, deixando explícito cada volta inacreditavelmente perfeita de seu corpo magro e pequeno. Regina era tão linda que me tirava todo o fôlego.

Lhe pintei por um longo tempo e quando terminei o quadro, ela voltou para mim correndo. Abraçou-me por trás, apertando meu quadril, beijando meu ombro nu.

— A cada dia que passa eu fico mais impressionada com seu talento. Seus traços... Meu Deus, você é tão incrível... — beijou minha bochecha e me apertou com mais força, seu corpo semi nu colado no meu, fazendo-me suspirar. — Sempre me deixa mais bonita do que realmente sou.

Senti minhas bochechas esquentarem. Mesmo com dois anos de namoro, eu sempre ficava constrangida com seus elogios. Regina enchia-me sempre deles, chegava a exagerar, mas mesmo assim eram adoráveis.

Apertei suas mãos e ela me soltou um pouquinho, o suficiente que me virasse de frente para ela, jogando meus braços sobre seus ombros.

— Você é linda — afirmei — A mulher mais linda, encantadora, deslumbrante desse mundo. Não é à toa que me rendi a você... Completamente...

— Completamente? — seu sorriso era uma mistura de malícia com charme e logo suas mãos apertavam minha lombar nua e seus dedos estavam se enfiando na calcinha do meu biquini, apertando minhas nádegas. — Adoro essa ideia de você rendida a mim.

— Adora, é? — molhei meus lábios e os rocei nos seus de maneira provocativa.

— Uhum... — seus dedos deslizavam mais até suas mãos se espalmarem em minha bunda num aperto firme que me fez ficar na ponta dos pés, com o corpo colado ao seu. — Sou louca por você, Emma. Louca pelo seu corpo, pelo seu cheiro... — roçou o nariz na minha bochecha e desceu por uma trilha em meu pescoço, fazendo-me fechar os olhos e segurar em seus braços.

— Regina... — gemi baixinho quando ela chupou com força o meio do meu pescoço.

Conduziu-me para dentro da nossa barraca e me deitou sobre o edredom, vindo para cima de mim. Deslizei as mãos por suas costas e puxei o fio do biquini, desprendendo-o dela. Seus cabelos compridos caíam ao redor de seu rosto como uma cascata, então eu os segurei e nós nos encaramos profundamente.

— Eu nunca vou deixar de me sentir assim — sussurrou.

— Assim como? — perguntei timidamente.

— Como se o mundo fosse acabar toda vez que te toco. Como se eu nascesse de novo cada vez que você me toca.

"Os sonhos mais lindos sonhei

De quimeras mil um castelo ergui

E no teu olhar, tonto de emoção

Com sofreguidão mil venturas previ."

— É assim que se sente? — senti meus olhos umedecerem de emoção.

Regina apoiou as mãos ao lado do meu corpo e beijou bem devagar meu queixo e toda minha mandíbula antes de selar nossos lábios demoradamente.

— Sim. Todos os dias. Como se eu fosse uma fênix. Eu morro todos os dias, mas ao invés de renascer das cinzas, eu renasço do seu amor...

As orbes castanhas brilhavam tanto para mim, aquelas palavras foram sussurradas com tanta emoção que não resisti em agarrá-la e beijá-la com extrema paixão.

Regina sorriu com os lábios contra os meus e logo nossas línguas deslizavam suavemente. Suas mãos voltaram para o meu corpo, de onde por mim elas jamais sairiam. Livrou-se do meu sutiã com um único puxar da corda e ela espalmou a mão entre os meus seios, como se quisesse sentir meu coração, que batia enlouquecidamente por ela... Para ela.

A conexão de nossos lábios era perfeita e não parávamos de nos beijar. Livrei-me do seu sutiã também e nos abraçamos com força, colando nossos seios eriçados, deixando que nossos corpos quentes e arrepiados se unissem. Abracei seu quadril com as pernas e logo sentia suas mãos deslizarem por minhas coxas, dando alguns apertões.

"O teu corpo é luz, sedução

Poema divino cheio de esplendor

Teu sorriso prende, inebria e entontece

És fascinação, amor."

Giramos por cima do edredom, alternando quem ficava por cima e nisso nossas pernas se enroscavam num encaixe sensual. Suas coxas roçavam nas minhas e aquilo só me excitava ainda mais. Puxei sua calcinha para baixo bem devagar enquanto mordiscava seu ombro e Regina suspirava em meu ouvido. Não tardou para que estivéssemos ambas nuas.

Sua coxa forçou meu sexo molhado e meu líquido escorria pela pele bronzeada de sua perna. Regina enlaçou nossos dedos delicadamente, pondo minhas mãos a cima da cabeça e me beijou novamente, de forma profunda, após capturar meus olhos por longos instantes.

A beijei quase que de maneira selvagem, ansiando cada vez mais pelos seus toques. Suas mãos escorregaram pelos meus braços e logo alcançavam meus seios, apalpando-os na medida ideal, beliscando suavemente meus mamilos rígidos, roubando-me suspiros. Toquei suas costas com força e sua boca cobriu-me o mamilo esquerdo, sugando-o fortemente, me fazendo gemer, ao mesmo tempo que sua coxa me pressionava.

Regina desceu beijando meu corpo em linha reta, dando mordidinhas no pé da minha barriga, o que fazia com que eu me contraísse toda, sentindo cócegas e muitas coisas a mais...

Ela ergueu os olhos e sorriu para mim enquanto abria minhas pernas e passava a beijar a parte interna das minhas coxas, dando leves mordidinhas antes de enfiar a boca em mim, com voracidade, querendo me devorar.

Fechei os olhos e me rendi, abrindo os braços e respirando fundo, pela boca. Sua língua deslizava pelo meu sexo e eu me sentia cada vez mais quente e excitada, minhas entranhas todas agitadas, um formigamento insano no pé da barriga, que só foi aumentando a medida que ela sugava meu órgão inchado, não me dando tempo para respirar.

Em poucos minutos, eu gritava dentro da cabana, agarrando o edredom, completamente ofegante, meu corpo todo suado e cheio de manchas vermelhas.

Regina ergueu o rosto e riu baixinho, o redor de seus lábios brilhavam com o meu mel que ela fazia questão de lamber todo antes de voltar a beijar meu corpo lentamente até alcançar meus lábios, num ritual que ela repetia todas as vezes que fazíamos amor.

— Eu te amo — sussurrou, olhando dentro dos meus olhos. — Minha menina adorável. Eu sempre vou amá-la.

Envolvi um braço ao redor de seu pescoço e toquei seu rosto com a outra mão, acariciando sua bochecha. Selei seus lábios com força, sorrindo feito boba.

— Você diz isso sempre...

— Para você ver como não minto. Repito isso há dois anos — falou, arrancando-me risos. — E vou repetir todos os dias, para que você não se esqueça.

— Nem que eu quisesse poderia esquecer. O seu amor é a coisa mais constante e luminosa em minha vida, Regina. Eu a amo mais que a mim mesma.

Nesse momento vi lágrimas em seus olhos e ela sorriu, um sorriso radiante antes de me beijar e abraçar com força. Apertei suas costas e nossos corpos ficaram bem grudadinhos como se fossem um só.

Fizemos amor mais algumas vezes e logo estava anoitecendo. Saímos da barraca nuas mesmo e fomos acender a fogueira. Começou a esfriar. Retornamos a cabana de onde não mais saímos. Nos enfiamos em baixo do cobertor e nos abraçamos nuas, o que era a coisa mais gostosa do Universo inteiro.

Em seus braços eu me sentia no meu verdadeiro lar. Sentia-me protegida de tudo, do mundo lá fora, e principalmente do meu mundo interno. Sentia-me protegida da minha mente e dos fantasmas que ela criava. Porque eu sabia que não importava o quão escuro fossem os lugares que minha mente me levasse, Regina sempre me traria de volta. E voltar para ela era a melhor parte.

Eu sempre ficava aninhada em seus braços, com a cabeça em seu peito, como uma verdadeira criança. Regina enchia-me de beijos no topo da cabeça e deslizava os dedos pelos meus fios, fios que ela chamava de campos de trigo.

"Hoje eu quero a rosa mais linda que houver

E a primeira estrela que vier

Para enfeitar a noite do meu bem

Hoje eu quero paz de criança dormindo

E o abandono de flores se abrindo

Para enfeitar a noite do meu bem

Quero a alegria de um barco voltando

Quero ternura de mãos se encontrando

Para enfeitar a noite do meu bem

Ah! eu quero o amor, o amor mais profundo

Eu quero toda beleza do mundo

Para enfeitar a noite do meu bem."

— Quero me casar com você — falou de repente, assustando-me.

Ergui a cabeça para olhá-la e Regina estava suave, mas séria.

— Casar comigo? — ri da ideia.

— Por que está rindo? Eu quero me casar com você, Emma.

Meu coração disparou, pois por mais que eu desejasse aquilo profundamente em meus sonhos, nunca pensei que Regina fosse querer se casar comigo. Não comigo. Não com uma esquizofrênica que viveria tendo surtos psicóticos ao longo da vida que limitariam sua produtividade e capacidade de ter uma vida normal.

— Não estou rindo, é besteira. Isso é um assunto para falarmos depois... Lá no futuro — fiz um gesto com a mão como se aquilo não fosse nada e o futuro estivesse bem longe.

— O futuro está aqui — falou seriamente — Ontem nós nos conhecíamos e hoje já fazem dois anos que estamos juntas. Estou prestes a me formar esse ano... E você também... Fora que suas aptidões para pintar extrapolaram o nível universitário. Você é genial, Emma. Estou estagiando há quase dois anos no hospital, Dr. Archie e todos lá me adoram, tenho certeza que serei efetivada na equipe e com o salário que ganho e mais a ajuda do meu pai, posso muito bem alugar um lugar para nós morarmos...

Congelei nesse momento. Regina falando todas aquelas coisas... Ela realmente queria se casar comigo. Não era delírio meu, não era sonho ou ilusão, nem uma ideia distinta de sua cabeça. Regina estava fazendo planos de se casar comigo, e eram planos para curto prazo.

— Que foi, Emma? — olhou-me preocupada ao ver minha cara de tacho.

— Eu não pensei que estivesse falando sério sobre o casamento... Mas você... Está?!

— É claro que sim, meu amor. Por que duvida? — parecia confusa — Acabei de te dizer que eu te amo, que vou amá-la para sempre. Eu quero estar ao seu lado, Emma.

— Você já está — sussurrei.

— Eu quero estar ao seu lado o tempo todo. Eu sei que nos vemos praticamente todos os dias, que moramos perto uma da outra, mas não quero ter que ficar pedindo licença aos seus pais para poder ir ao seu quarto, não quero ter que esperar a ausência deles para termos privacidade. Não quero que você fique uma ou duas noites seguidas no meu quarto na pensão. Eu quero ter uma casa minha, uma casa nossa. Quero ter um canto para construirmos uma vida juntas. Quero acordar todos os dias ao seu lado, Emma. Vendo o seu lindo sorriso... — sorri involuntariamente ao ouvir aquilo — Esse sorriso que ilumina tudo... Que ilumina meu caminho. Eu quero dormir todas as noites agarrada em você, sabendo que por pior que tenha sido meu dia, há esperança.

Sem que eu notasse, lágrimas e mais lágrimas rolaram pelo meu rosto, deixando-me incapaz de pensar, de formular sequer uma frase.

— Quer se casar comigo... Mesmo sabendo...

— Quero me casar com você, Emma Swan. E com tudo que vem no pacote. Você, seu sorriso torto, seus olhos pidões, suas jaquetas de couro, seu talento para a arte, sua risada infantil, suas mudanças bruscas de humor, sua esquizofrenia, seus surtos, suas dores, suas cores. Quero me casar com você. Me casaria agora mesmo se pudesse. Eu te amo.

Chorando feito criança, eu a abracei com força, escondendo-me em seu peito e ela me apertou na mesma intensidade, beijando minha testa.

— Eu te amo, minha menina. Não tenha medo. Nós vamos ser muito felizes, eu sei que vamos. Teremos uma linda vida, eu sei disso. Confie em mim.

— Eu confio em você — sussurrei com a voz abafada, roçando os lábios em seu peito — Eu te amo, Regina. Quero ficar para sempre do seu lado.

— Então case-se comigo, por favor...

Levantei meu rosto novamente e Regina me olhou bem dentro dos olhos, e ela estava emocionada e cheia de expectativas, como se aquela resposta fosse a coisa mais importante da sua vida.

— Caso. Eu caso com você, a hora que quiser... — falei de boca cheia, sentindo uma felicidade enorme tomar conta de mim e Regina sorriu, sorriu largamente.

— Ah, Emma! — apertou-me nos braços com força e giramos pelo edredom, com os corpos colados. — Meu amor, meu amor... — passou a encher-me de beijos no pescoço e no rosto — Eu te amo, amo, amo... Demais, demais...

— Eu também te amo, muito, muito, muito... — sussurrei em seu ouvido, mordiscando seu lóbulo e logo estávamos pegando fogo de novo, comemorando aquela novidade de casamento em alto estilo.

Sentei sobre seu quadril, seus dedos vigorosos entravam e saiam de dentro de mim com a força ideal para me enlouquecer. Eu gemia alto, totalmente enlouquecida, balançando meu corpo, acompanhando seu ritmo. Sua mão livre apertava hora meu quadril, hora meu seio e nossos olhares ficaram fincados o tempo inteiro. Quando eu estava prestes a gozar novamente, Regina agarrou minha nuca e me fez deitar sobre ela, colando nossas bocas e eu gemi dentro da sua, gozando lentamente em seus dedos.

Adormeci exausta, mas era uma ótima exaustão. Uma exaustão de felicidade. Acordei no dia seguinte e já resmunguei ao não sentir o corpo de Regina, que estava voltando para a cabana bem a tempo, deitando-se ao meu lado, atrás de mim, agarrando-me em uma conchinha.

— Acordou rápido hoje, dorminhoca. Que milagre é esse? — perguntou baixinho em meu ouvido e eu ainda estava de olhos fechados.

— É que você saiu... Senti sua falta... — resmunguei baixinho, fazendo charme e ela riu gostosamente.

— Estou aqui, meu amor. Sou toda sua, minha noiva.

— Noiva, é? Estamos indo rápido...

— Já disse, do que dependesse de mim, casávamos imediatamente. Falando nisso... Como você quer que seja nosso casamento?

— Na praia, nessa praia — falei, abrindo os olhos e me virando de frente para ela — Quero me casar aqui, onde nos amamos pela primeira vez. Quero uma cerimônia simples, com as pessoas que amamos. Nada muito grandioso.

— É por isso que quero me casar com você, porque nós pensamos igual, queremos as mesmas coisas, temos os mesmos desejos... — sussurrou, sorrindo.

— Somos um casal perfeito, afinal. A louca e a psicóloga — brinquei e mesmo sendo uma brincadeira de humor negro, Regina caiu na gargalhada.

Nós éramos, de qualquer maneira, o casal perfeito.