Tintas e Sombras
20 Capítulo 20
Notas iniciais
(REGINA)
Meu casamento com Emma aconteceu em março. Em um lindo domingo ensolarado. Fazia calor e todos os nossos amigos estavam presentes. Enchemos um pedaço da praia. Todos os enfeites eram brancos e as flores eram rosas vermelhas. Foi em um tapete vermelho que meu pai me levou até o altar, e o senhor David levou Emma em seguida, onde eu a aguardava com o coração disparado.
Emma usava um vestido lindo e simples, ele era tomara que caia. Seus cabelos estavam trançados e enfeitados com uma tiara de flores lindas. Duas mexas de seus cachos caíam ao redor de seu rosto e Emma usava uma maquiagem suave, que realçava seus traços angelicais. Ela sorria para mim o tempo todo, nossos olhares fincados e haviam lágrimas nos cantos de seus olhos.
Nossa cerimônia foi singela. Como não conseguimos encontrar um juiz de paz há tempo, quem acabou sendo o realizador da cerimônia foi o seu Geppeto, que por um acaso era o proprietário da nossa casinha amarela. Quando ele soube do nosso problema, fez questão de realizar a cerimônia e com lindas palavras, abençoou o nosso amor.
Algo inusitado aconteceu no meio do nosso casamento, quando já estávamos festejando: minha mãe apareceu. Mesmo sabendo que ela era contra minha união com Emma, eu fiz o meu papel e lhe enviei um convite, mas ela não me deu resposta alguma. Mas por incrível que pareça, ela apareceu.
Cora Mills apareceu no meu casamento para parabenizar a mim e minha esposa pela nossa união e para desejar sorte a nós. Não, ela não parecia estar sendo irônica. Ela notoriamente desaprovava minha escolha por N razões, mas ela torcia para que eu fosse feliz ao lado de Emma e isso me comoveu bastante.
Nossa festa lembrava muito as festas irlandesas. Todos os convidados dançavam juntos, fizemos uma quadrilha e não tinha sensação mais gostosa que dançar descalça sobre a areia com minha esposa, que me rodopiava de um lado para o outro.
— Eu te amo — ela sussurrava com as mãos agarradas nas minhas, enquanto girávamos até ficar tonta.
Dançamos muito, tiramos várias fotos e recebíamos abraços e beijos o tempo todo. Dr. Archie e outros psicólogos do hospital estavam presentes e levaram inclusive alguns pacientes ainda internados, que eram amigos de Emma. Todos estavam se divertindo muito e nada saiu do controle.
No final do dia, quando a festa acabou e fomos para a barraca onde seria nossa noite de núpcias, Emma quis pular ondas dizendo que daria sorte, mas o que deu mesmo foi dois vestidos de noiva encharcados e tivemos que tirá-los às pressas.
— Sua louca! — falei brincando, e ela não se importava que eu a chamasse assim, mesmo tendo uma doença que lhe caracterizava como louca. — Molhou nossos vestidos...
— É melhor ficarmos sem eles mesmo — sussurrou, colando os lábios nos meus e me abraçando. Estávamos só de lingerie, com os corpos úmidos. — O que vamos fazer é mais divertido sem roupas.
— Safadinha... — abracei seu pescoço e a beijei de forma apaixonada. — Como se sente agora que é uma mulher casada? — perguntei, ao cair em cima de seu corpo.
— Me sinto feliz, muito feliz — selou meus lábios várias vezes, apertando-me com força. — Me sinto feliz como nunca pensei que pudesse ser em toda minha vida.
— Então somos duas!
Voltamos a nos beijar com ímpeto e Emma se livrou do meu sutiã com rapidez, sentando-me em seu colo e dando atenção especial a eles, massageando-os com as mãos e brincando com meus mamilos utilizando-se dos dentes.
Depois ela voltou a me deitar e veio para cima de mim, beijando-me da cabeça aos pés, retirando minha calcinha, deixando-me nua. Emma beijou meu pé e foi subindo devagarinho pela perna enquanto sorria para mim, um sorriso malicioso e infantil que me fazia sorrir também.
Beijou-me várias vezes, deixando-me sem fôlego antes de me beijar no meio das pernas, enfiando sua língua em meu interior, me fazendo gemer alto, com as pernas bem abertas. Coloquei a mão sobre sua cabeça, agarrando seus fios e eu não conseguia controlar meus gemidos e espasmos, pois Emma me chupava de forma deliciosa...
Enfiou seus dedos dentro de mim e começou a movê-los rapidamente, sem deixar de me chupar, num ritmo que me fez entrar em combustão facilmente. Eu tremia dos pés a cabeça e movia meu quadril de encontro à Emma, até que gozei chamando pelo seu nome e ela veio para mim, beijando-me com vontade, enroscando sua língua cheia do meu mel na minha.
Apertei suas coxas, sua bunda, puxei sua calcinha com tanta força que sem querer acabei rasgando e ela ria, com a boca em meu pescoço, enchendo-me de beijos e mordidas. Deslizei meus dedos pelo seu sexo e a penetrei rapidamente, puxando seus cabelos com a outra mão, fazendo-a inclinar a cabeça para trás. Dei um chupão forte em seu pescoço e girei nossos corpos sobre o edredom. Deitei Emma de bruços e continuei a penetrá-la enquanto beijava suas costas e ela gemia feito uma gatinha, apertando o edredom com força até gozar para mim.
[...]
Na segunda-feira nos mudamos para nossa linda casinha amarela. Desfizemos nossas malas que já estavam lá, arrumamos nossas roupas e fomos ao mercado fazer compras. Podia parecer loucura, mas até fazer compras no super mercado com Emma era agradável. Porque Emma era divertida e parecia uma criança, correndo literalmente pelos corredores com o carrinho, deixando-me louca atrás dela.
Compramos tudo o que era necessário para a casa, e até mais. Emma só sabia pegar salgadinho, biscoitos, chocolate e coisas que uma criança pegaria, o que me fazia rir de indignação, porque tínhamos que priorizar coisas importantes, como leite e carne. Mas Emma não sabia priorizar, essa parte tinha de ser comigo.
Em casa, ela me ajudou a arrumar tudo, embora ficasse cantando e dançando enquanto fazia isso, o que era divertido por um lado, mas terrível pelo outro, porque Emma tirava toda minha atenção com seu rebolado gostoso. No fim das contas, largamos metade das compras no chão e eu comi Emma em cima da pia da cozinha.
— Nós mal nos mudamos e você já quer transar pela casa toda — sussurrou ofegante depois de gozar, gargalhando em meu ouvido, causando-me um arrepio gostoso. — Você é muito safada, senhora Swan.
— Você me deixa assim, senhora Mills. Me deixa totalmente louca.
Emma tocou meu rosto e sorriu carinhosamente, apertando suas pernas no meu quadril, enchendo-me de beijinhos nos lábios antes de me empurrar e descer, puxando suas calças para cima.
— Temos que retomar o serviço!
— Sim, senhora.
E foi o que fizemos.
Os nossos primeiros dias de casada foram incríveis. Tudo era muito novo e mesmo as coisas diárias, de rotina, que todo casal vivia, deixavam-me incrivelmente feliz. Eu amava ver Emma rebolar só de calcinha e camiseta enquanto escovava os dentes, com os cabelos despenteados. Amava a forma como ela acordava bem disposta, pulando na cama igual criança, enquanto eu resmungava porque queria dormir. Amava o jeito que ela não deixava eu passar frio à noite, sempre se agarrando a mim, enfiando sua cabeça em meu peito ou estômago como um cachorrinho. Amava também a forma como ela me irritava, deixando sapatos jogados pela casa, largando copos e latinhas pela sala. Amava ficar assistindo televisão com ela até tarde e acabar dormindo no sofá, com seu corpo quente cobrindo o meu. Amava nossos banhos, porque sim, nós tomávamos banho juntas todos os dias. Alguns banhos eram mais engraçados, porque brincávamos feito criança, fazendo penteados com o shampoo e outros eram mais eróticos, onde gritávamos de tanto prazer em baixo da água. Amava cuidar do jardim com Emma, regar nossas plantas, podá-las. Emma era cuidadosa e tinha uma ligação muito especial com à natureza.
O tempo foi passando e eu continuava amando tudo. Eu trabalhava meio período no hospital e logo comecei a atender em um consultório que aluguei. Emma vibrou de felicidade por minha causa e me ajudou a decorar minha sala. Claro que ela ficou pulando no meu divã igual criança e roubava as balas da recepção sempre que aparecia lá.
Enquanto eu trabalhava, Emma visitava os pais, cuidava da casa e pintava, pintava muito, porque eu insistia que ela não parasse. Porque ela tinha muito talento e eu sabia que mais cedo ou mais tarde ele seria descoberto e isso não tardou a acontecer.
Em agosto, em uma tarde qualquer, um senhor muito rico e conhecido na cidade, o senhor Gold, passou em frente à nossa casa amarela e viu Emma no jardim pintando. Justamente nesse dia, ela não estava pintando "normal". Emma andava meio fora da realidade desde junho, o que me deixou preocupada, mas ela não teve nenhum surto grave. Apenas ouviu algumas vozes que a fizeram se enfiar em baixo da cama em duas ocasiões, mas logo passou. Enfim. No dia que senhor Gold passou, Emma pintava uma tela usando as mãos. Ela passava a ponta dos dedos, dando contorno as suas formas e depois espalmava as mãos cheias de tinta na tela em branco, fazendo quadros abstratos completamente insanos e poéticos. Senhor Gold ficou apaixonado e decidiu patrociná-la. Emma estava tremendo e pulando de felicidade quando me deu à notícia e nós comemoramos comendo pizza de calabresa na casa de seus pais.
Em outubro, Emma estava sendo lançada no mercado. Sua primeira exposição aconteceu na única galeria existente em Storybrooke, que por um acaso pertencia ao senhor Gold. A cidade toda compareceu. Emma estava nervosa, mas linda. Usava um vestido preto de brilho impecável, salto alto e cabelos presos. Ela recebia elogios e cumprimentos de todos e várias pessoas importantes estavam presentes, incluindo o prefeito da cidade.
Fiquei ao seu lado o tempo todo, comemorando com ela aquela vitória, compartilhando aquela felicidade única e Emma fazia questão de segurar minha mão e me apresentar como sua esposa, como a mulher que esteve ao seu lado durante todo o seu processo.
A exposição foi um sucesso, nem preciso dizer. Todas as obras que Emma expôs foram vendidas e por preços altos. Valores que eu teria de calcular para explicitá-los aqui. Logo Emma estava fazendo várias exposições em Boston, em galerias diferentes. E sempre todas as suas obras eram vendidas. Em dois anos, Emma era conhecida por todo o estado de Massachussets, Maine, Conecticute e Nova Iorque. Em dois anos, Emma juntou uma pequena fortuna e nós compramos a casinha amarela e viajamos muito. Além de acompanhá-la sempre as cidades onde suas obras seriam expostas, viajamos pela Europa nas férias. Conhecemos praticamente toda França e Itália, passamos pela Espanha e Portugal, visitamos Amsterdã e nós duas parecíamos crianças alucinadas passeando pelos museus, encontrando face a face com as obras de nossos artistas prediletos.
Sempre que voltávamos à Storybrooke, presenteávamos toda nossa família. Nesse tempo, meus pais se divorciaram definitivamente e meu pai saiu de casa, mudando-se para a nossa casa depois de muita insistência minha e de Emma, pois ele andava com problemas de saúde. Diabete e pressão alta. Zelena, que também já havia se formado, pegou uma mochila e foi se enfiar na América do Sul para fazer uma pesquisa para seu Mestrado.
Meu pai sempre resmungava, achando que daria trabalho a mim e Emma, mas ele não dava. Aliás, nós viajávamos tanto naquela época que era muito bom ter alguém que cuidasse dos nossos peixes e do nosso cachorro, o Thor. Era um buldogue francês por quem Emma se apaixonou em Boston.
(EMMA)
Quando eu e Regina completamos cinco anos de casadas, seu pai teve um infarto em um domingo e faleceu. Foi um dia muito triste, do qual não gosto muito de lembrar. Regina o encontrou caído na sala e ela gritou por mim, que estava no chuveiro. Corremos para o hospital, mas não havia nada a ser feito.
O enterramos na segunda-feira, uma segunda-feira fria e chuvosa. Cora estava lá e derramou algumas lágrimas. Consolou Regina, mas mal se dirigiu a mim, apenas me cumprimentou de forma polida.
Acho que foi nossa época mais difícil, porque Regina teve início de depressão, deixou seu trabalho de lado, abandonando os pacientes do consultório e diminuindo suas horas no hospital. Ela só queria ficar em casa e começou a se recusar inclusive a viajar comigo, e eu não viajaria sem ela.
— Você tem que ir, Emma — insistia ela, brava — São suas obras, é o seu trabalho. A maioria das pessoas estarão lá mais para verem você de perto do que qualquer outra coisa. Se fosse só para comprar suas obras, elas comprariam pela internet.
— Eu não me importo — disse em tom sério — Não me importo mesmo. Eu não vou deixá-la sozinha nesse estado. Você esteve ao meu lado durante todos esses anos, nos bons e nos maus momentos. Você cuidou de mim todas as vezes que entrei em crise, e sei que continuará fazendo isso, então me deixe fazer o mesmo por você.
Regina se pôs a chorar muito nesse momento, me abraçou com força.
— Você é minha vida — sussurrou, aos prantos.
Pouco tempo depois disso, nossa vida foi voltando ao normal, embora eu soubesse que aquele vazio de ter perdido seu pai fosse permanecer. E eu também sentia esse vazio, porque seu Henry foi como um pai para mim durante todo aquele tempo. Sempre me apoiou, me aconselhou e junto de Regina cuidou de mim por diversas vezes quando eu estava enlouquecida, querendo me matar por causa das vozes que iam e vinham na minha mente.
August se casou com Ruby, uma amiga antiga da irmã de Regina e logo eles tiveram um bebê, o que deixou meus pais totalmente enlouquecidos. Neal foi embora de novo, mas dessa vez parecia ter ajeitado sua vida na Flórida, onde também conheceu uma mulher, uma tal de Tamara, com quem passou a morar junto.
Nem tudo eram flores. Apesar do meu sucesso, do dinheiro e do meu amor por Regina, haviam momentos muito difíceis, os momentos em que minha doença me impedia de fazer qualquer coisa. Haviam momentos que eu ouvia tantas vozes que sentia vontade de me suicidar, inclusive tentei fazer isso em uma ocasião, a mando de uma voz. Bebi todo o frasco de remédios com uma garrafa de tequila, tive um piripaque e fui levada às pressas ao hospital, mas por sorte sobrevivi. Nessa época Regina ficou totalmente obcecada, não saindo do meu lado nem por um segundo, com medo que eu me matasse.
Eu me cuidava bastante. Mesmo com a correria do dia a dia, eu fazia exercícios físicos, terapia, sempre visitava o Dr. Archie, tomava meus medicamentos, tinha uma vida social bem ativa e constante. Eu e Regina passeávamos muito, inclusive com nossos amigos. Eu só ficava isolada dentro de casa nos períodos de crise, que normalmente duravam uns três meses e era sempre um problema, porque saíam notas a respeito disso nos jornais. As pessoas sabiam que a artista Emma Swan era esquizofrênica, mas eu não ligava muito para isso.
Eu amava Regina cada vez mais. Quanto mais o tempo passava, mais o meu amor crescia, como se fosse mágica. Amava seus defeitos e manias, amava até mesmo nossas brigas, que não eram constantes e nem muito graves. Coisas de um casal normal, embora nós não fossemos um casal normal.
Algo me incomodava e foi em meados de outubro, no nosso décimo aniversário de casamento, que esse "algo" veio à tona, quando Regina, em nossa cozinha, simplesmente virou e disse para mim:
— Eu quero ter um filho, Emma.
Nós já havíamos discutido sobre aquilo diversas vezes ao longo dos anos, porque por mais que eu amasse crianças e quisesse ser mãe, desde que descobri da minha doença, decidi que não teria filhos, porque eu sabia que caso eu engravidasse, meu bebê teria um gene de esquizofrenia e eu não poderia arriscar.
Claro que havia a opção de Regina engravidar, e então o bebê não teria o meu gene "ruim", mas mesmo assim eu tinha medo de que em um momento de crise fosse ser capaz de fazer algo que ferisse nossa criança, mas Regina não desistia, sempre arranjava uma forma de voltar aquele assunto.
— Já discutimos sobre isso milhares de vezes — falei, em tom sério, sentada na mesa. — Eu não posso ser mãe, Regina.
— Claro que você pode. Já conversamos com Archie sobre isso, e ele acha uma ótima ideia.
— Mas eu não acho! — ergui meu tom e voz — E se eu ferir a criança?
— Eu sei que não fará isso... — olhava-me profundamente, aquele olhar de quem me conhecia bem, de quem acreditava em mim. — E se você entrar em crise, não acha que eu seja capaz de gerenciá-la como sempre fiz?
— Vai cuidar de mim e de um bebê ao mesmo tempo? — quase gritei, irritada. — Sabe o quanto isso é difícil? Cuidar de uma louca e de uma criança?
— Eu posso fazer isso, Emma! — berrou — Eu posso e eu quero. E têm seus pais para nos ajudar, outras pessoas. Não estamos sozinhas. Você duvidou que eu fosse ser capaz de suportar estar ao lado de alguém com esquizofrenia, e eis que estamos casadas há dez anos. Será que você não pode me dar um crédito dessa vez? — seus olhos se encheram de lágrimas — Eu quero ter um filho, eu quero ter um filho com você. É só isso o que eu quero. Um bebê.
— Nós vamos ter um bebê, então — falei sorrindo, embora estivesse chorando também. — Nós vamos ter... Mas me prometa que não me deixará feri-lo, ok?
Regina correu para perto de mim e me abraçou com força, beijando-me todo o rosto e me apertando.
— Eu prometo, meu amor. Eu te prometo que essa criança só nos trará ainda mais alegria. Nós seremos uma família muito feliz.
(REGINA)
Henry Swan Mills nasceu com 3,5kg no dia 4 de dezembro. Era o maior e mais lindo bebê da maternidade. Dei à luz a ele depois de cinco horas em trabalho de parto e foi de forma natural. Emma esteve ao meu lado o tempo inteiro, segurando minha mão, beijando, sorrindo e chorando, compartilhando comigo da mesma emoção, embora não pudesse sentir minha dor.
A ideia de batizá-lo de Henry foi toda dela e quando Emma sugeriu essa homenagem, eu chorei muito.
Nosso menino era lindo e nasceu cabeludinho. A enfermeira trouxe ele ainda sujinho e enrolado para meus braços e Emma estava do meu lado. Ela tocou o rostinho dele com a ponta do indicador e milagrosamente nosso recém nascido sorriu, sorriu como se pudesse sentir todo o amor que nós nutríamos por ele.
Esse amor deveria ter ficado muito claro, porque desde que descobri estar grávida, Emma cuidou de mim e me mimou como nunca. Ela fazia todos os meus desejos, acariciava e beijava minha barriga o tempo todo, além de cantar e contar histórias ao nosso menino, que todo inquieto movia-se dentro de mim.
Quando vi Emma sentada na poltrona do quarto azul, segurando nosso menino empacotado em seus braços, cantando baixinho e sorrindo para ele, eu tive certeza que havia feito a melhor escolha do mundo há treze anos atrás, quando aceitei namorá-la, mesmo sem fazer ideia de tudo que passaríamos...
Em todos aqueles anos, aprendi muitas coisas e mudei bastante. Me tornei uma mulher mais forte, mais madura e inteligente. Emma me ensinou coisas que eu jamais aprenderia se tivesse me casado com outra pessoa. Ela fez de mim uma mulher muito melhor. Um ser humano melhor. E eu devia tudo, absolutamente tudo à ela, por isso dediquei meus anos seguintes em uma grande pesquisa sobre à esquizofrenia, que resultou na minha tese de Doutorado, que virou um livro aclamado mundialmente.
No dia da apresentação de minha tese, Emma estava lá, carregando nosso bebê de dois aninhos nos braços e ela chorou muito no final, enquanto eu era aplaudida pelos melhores professores de psicologia, alguns inclusive estrangeiros.
Na noite de autógrafos dos meus livros, me surpreendi ao ver Emma na fila, como se fosse uma pessoa "comum". Ela havia comprado o meu livro.
— Você poderia me dar um autógrafo, senhora Swan? — pediu com um sorriso galanteador.
— Claro que sim!
Peguei a caneta e escrevi na primeira folha do livro: "Eu te amo, minha pequena princesa"
Eu não precisava fazer uma dedicatória à Emma, porque já havia feito no livro. Qualquer um que fosse lê-lo, veria escrito os seguintes dizeres: "Dedico esse livro a minha esposa e mãe do meu filho, Emma Swan, a mulher mais incrível que já conheci. O ser humano mais maravilhoso do mundo, que é portadora de esquizofrenia. Eu te amo demais e não conseguiria nada sem você."
Emma pegou o livro e ao ler o que escrevi, ela me olhou com os olhos cheios de lágrimas.
— Eu também te amo, minha lua — sussurrou antes de se afastar e deixar que a fila prosseguisse.
[...]
Quando Henry completou dezessete anos, ele nos surpreendeu ao dizer que faria medicina. Nosso menino passou em nove universidades diferentes, incluindo Harvard, que foi onde ele se formou e se tornou um os psiquiatras mais famosos do ocidente.
Henry estudou afundo sobre à loucura, junto comigo e com tantos outros profissionais, meu filho expandiu horizontes e rompeu várias linhas, descobrindo coisas totalmente inéditas sobre a esquizofrenia.
Ele me disse que havia decidido dedicar sua vida a estudar a esquizofrenia quando tinha dez anos de idade e viu Emma, sua outra mãe, tremer, gritar e chorar, com medo de vozes que só existiam em sua cabeça. Aquilo me causou uma emoção tão forte que eu não saberia dizer. Meu filho era uma bênção, um grande orgulho.
Henry tinha vinte e cinco anos quando deu uma incrível palestra sobre à loucura em Londres. Eu e Emma estávamos na primeira fileira para aplaudi-lo. Quando ele terminou, declarou-se para nós em público:
— Eu tenho muito orgulho de ser filho das mulheres mais corajosas e brilhantes que conheço. Regina Mills e Emma Swan, vocês são os maiores e melhores exemplos que eu poderia ter tido. Eu não seria um décimo do que sou hoje sem vocês. Obrigado, mamãe, por ter insistido para que eu viesse ao mundo — olhava para mim — E obrigada, mom, por ter aceitado o desafio de criar uma criança, mesmo morrendo de medo. Vocês são muito corajosas e fortes, exemplos a serem seguidos. Eu amo vocês com todo o meu coração — disse ele, emocionado.
Olhei para Emma e nós duas chorávamos feito crianças, totalmente emocionadas. Uma emoção que não vinha só das palavras do nosso filho e do nosso orgulho dele, uma emoção que havia nascido há muitos anos atrás, quando nos vimos pela primeira vez em uma festa da faculdade.
All that I am, all that I ever was
Tudo que eu sou, tudo o que eu sempre fui
Is here in your perfect eyes
Está aqui em seus olhos perfeitos."
As pessoas se levantaram mais uma vez e aplaudiram com força a declaração do meu pequeno Henry, que desceu do palco e veio nos abraçar.
Emma e Henry eram a minha vida. E eu jamais os teria se não tivesse tido a coragem de enfrentar minha mãe e o mundo para estar ao lado da mulher que eu amava.
Por essa razão, digo de boca cheia: Não tenham medo. Não tenham. Seja lá o que vocês amarem, o que desejarem, por mais assustador que seja, não tenham medo. Vão em frente. Amem. Se arrisquem. Chorem, sofram, mas não desistam.
A maior lição que aprendi ao lado de Emma foi de que a maior loucura que pode existir é a de não amar.
FIM
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