Notas iniciais
Minhas lindas, tô bem emocionada nessa reta final da fanfic. Foi um prazer imenso escrever essa história, apesar de todas as angústias que ela me trouxe. Penso que consegui alcançar meu objetivo com ela, e é isso o que me deixa mais feliz. Espero que vocês apreciem tanto o final dela quanto a fanfic num todo. Obrigada pelo carinho! A casa: http://33.media.tumblr.com/tumblr_m2dawgNxTw1r9sz5z.png (Só que a imaginem amarela, tá?) Capítulo narrado por Emma. Música do capítulo: If I Knew Then - Lady Antebellum. Aproveitem!

A formatura de Regina foi em meados de novembro e a minha veio logo em seguida, no início de dezembro. Não sei colocar em palavras a emoção que senti ao ver minha futura esposa de beca, no palco, sendo a oradora de sua formatura. Seu discurso foi o mais emocionante possível e me fez chorar, sentada na primeira fileira:

"Eu sei que todos pensam que somos imortais. Era para ser assim. Estamos nos formando. Mas como nossos 5 anos de graduação, o que torna a vida valiosa é o fato não durar pra sempre. O que a torna preciosa é que ela termina. Sei disso agora mais que nunca. Hoje é um dia especial para nos lembrar que tempo é sorte. Então não desperdice tempo vivendo a vida de outro. Faça a sua valer alguma coisa. Lute pelo o que se importa. Seja o que for. Porque mesmo que tenhamos dúvidas, não tem jeito melhor de viver. É fácil se sentir esperançoso em um lindo dia como hoje, mas haverá dias sombrios a nossa frente. Dias em que você se sentirá sozinho, e é nesses dias que precisamos de esperança. Não importa o quão ruim fique ou o quão perdido você se sente, me prometa que você terá esperanças. Mantenha-a viva. Temos que ser maiores do que o que sofremos. Meu desejo para você é que se torne a esperança. As pessoas precisam disso. E mesmo se falharmos não há forma melhor de se viver. Como vemos aqui hoje todas as pessoas que nos ajudam a formar quem somos. Eu sei que parece que estamos dizendo adeus, mas carregaremos cada um de vocês em todas as coisas que faremos e para nos lembrarmos de quem somos e de quem deveríamos ser. Passei ótimos anos com vocês, eu vou sentir muito a falta de todos."*

Os aplausos em coro formavam uma linda melodia.

Regina olhou diretamente para mim e sorriu. O sorriso mais luminoso do planeta.

Apesar de ter se distanciado muito de Regina nos dois últimos anos, Cora apareceu em sua formatura e me tratou de forma educada, sem despejar nenhum veneno sobre mim. Ela veio até nós, estávamos eu, Regina, seu pai e irmã e os meus pais e irmãos. Cora se aproximou e nós nos silenciamos, como se ela fosse uma estranha invadindo nosso espaço.

— Estou muito orgulhosa por você, Regina. Parabéns — foi o que ela disse, notoriamente emocionada, mas se contendo ao máximo para não demonstrar.

— Obrigada, mãe.

Elas se abraçaram, um abraço curto e rápido, que demonstrava o quanto elas ainda estavam distantes uma da outra, o quanto haviam mágoas e palavras não ditas ali. Cora foi embora logo depois disso, mas não deixamos que isso estragasse a festa.

Todos nós nos reunimos num restaurante irlandês para comemorarmos.

Na minha formatura, eu só via meus pais, irmãos e Regina chorando todos ao mesmo tempo, como verdadeiros bobões, enquanto eu subia ao palco e recebia meu diploma sob uma salva de palmas.

Quando desci do palco, fui agarrada por todos ao mesmo tempo, recebendo beijos de todos os lados. Eu me sentia extremamente feliz e fiquei muito comovida com meu pai.

— Não sabe o quanto eu tenho orgulho de você, minha filha — disse, chorando. — Quando você nasceu, eu soube que seria a alegria da nossa casa. A menininha de cachos de ouro que eu pedi a Deus. Você é uma bênção, Emma e eu não poderia amá-la mais! — falou, com as mãos em meu rosto e naquele momento eu não me senti diferente, eu não me senti uma peça fora do quebra cabeça, eu me senti parte essencial dele.

— Eu te amo, pai!

Nos abraçamos com força e logo as lágrimas foram embora, dando lugar a vários sorrisos, porque August não parava de nos fotografar. Tiramos tantas fotos que eu ficava perdida com os flash's.

Regina me presenteou com um kit aquarela do van gogh, o qual eu amei. Em sua formatura, eu lhe presenteei com uma correntinha de ouro com o tridente que era símbolo da psicologia e um enfeite com uma bonequinha representando uma psicóloga.

Logo depois de nossas formaturas, pouco antes do natal, anunciamos aos nossos parentes e amigos que iríamos nos casar. Nossos pais ficaram surpresos com a rapidez da coisa toda, pois nós éramos ainda muito jovens, segundo eles, e havíamos acabado de nos formar, sem mencionar o fato de que eu tinha uma doença mental grave, mas ninguém diria isso.

— Eu e Emma pensamos bem, e decidimos que queremos nos casar agora — Regina explicou a eles. — Eu sei que vocês têm medo, senhor e senhora Swan, medo de que eu não consiga aguentar... O problema da doença... Mas eu sou psicóloga e tenho preparação para lidar com esse tipo de coisa. Mas mais do que isso, eu amo Emma. Amo Emma o suficiente para enfrentar essa doença com ela. Eu posso lidar com isso.

Meus pais, mesmo inseguros, nos apoiaram. Eles amavam Regina como se ela fosse filha deles e sabiam que o que ela dizia era verdade. Regina me amava o suficiente para ficar ao meu lado mesmo com a esquizofrenia.

Passamos o natal em minha casa, e seu pai Henry e Zelena fizeram questão de passar o natal conosco. Pelo que eu havia entendido, Henry e Cora se separaram, mas ainda não haviam assinado os papéis do divórcio nem resolvido como ficaria a situação dos bens. Por causa de Regina, eu dei a ideia de convidarmos sua mãe, mas Cora viajou para Europa sem avisar ninguém, então comemoramos o natal sem ela mesmo.

Aquele foi o natal mais feliz que eu já havia tido. Estava ao lado de toda minha família, sentindo-me parte integral dela, tinha Regina ao meu lado e seu pai e sua irmã, que eram como se fossem meus parentes também. Eu amava o coronel Henry. Ele era divertido, espirituoso, chamava-me de filha e me enchia com suas histórias de guerra. Também adorava Zelena, que era incrivelmente engraçada e me ensinava coisas que jamais pensei que existissem. Discutíamos sobre tudo e eu sempre saía com ideias novas após falar com ela.

No começo do ano seguinte, começamos a pesquisar casas e apartamentos. Precisávamos encontrar algo do qual gostássemos e que encaixasse no nosso orçamento apertado. De qualquer forma, seu Henry e meu pai se prontificaram a nos ajudar inicialmente com todas as despesas, e até meu irmão August me presenteou com uma quantia considerável de dinheiro e alguns móveis essenciais para a casa, como sofá, fogão, geladeira, microondas.

Passamos janeiro todinho buscando o lugar ideal para morarmos, até que encontramos uma casa razoavelmente grande e dentro dos nossos orçamentos. Era uma casa amarela de frente para a praia, pela qual eu me apaixonei assim que pisamos no jardim florido. Mesmo assim, não disse nada e esperei para vê-la inteira. Haviam dois banheiros, uma sala de dois ambientes, uma cozinha grande com área de serviço, três quartos no andar de cima, um escritório onde Regina poderia estudar e guardar seus livros, além de um sótão maravilhoso para eu guardar minhas coisas de pintura.

"The first time that I saw you

A primeira vez que eu vi você

Looking like you did

Exatamente como você era

We were young

Nós éramos jovens

We were restless

Nós éramos inquietos

Just two clueless kids

Apenas duas crianças sem rumo

But if I knew then

Nas se eu soubesse naquela época

What I know now

O que eu sei agora

I'd fall in love

Eu me apaixonaria."

— Que você achou? — ela me perguntou depois que saímos da casa. — Seja sincera.

— Eu adorei a casa. Gostei de tudo mesmo, desde o tamanho, o jardim, a cozinha, a sala... Ela é bem arejada e espaçosa, caberá todos os móveis que estamos ganhando... Tem espaço para suas coisas e para as minhas... E ela é...

— Amarela. Como A Casa Amarela do Von Gogh — lembrou ela, sorrindo para mim. — Eu sabia que você iria gostar. Quando eu a vi, soube que seria nossa.

— Você esteve aqui antes? — perguntei surpresa e ela assentiu. — Sua danadinha! Então estava escondendo de mim esse achado?

— Queria te surpreender, não sabia se você iria realmente gostar...

— Eu amei. Você me conhece profundamente, senhora Mills.

Puxei-a pela cintura e beijei seus lábios devagarinho.

— Quero passar o resto da minha vida com você — sussurrei quando nossos lábios se afastaram.

— Cuidado com o que você deseja — brincou, envolvendo meu pescoço — Vai ficar presa ao meu lado dentro dessa casinha amarela pelo resto dos seus dias.

— Presa? Serei sua prisioneira, é?

— Sim, será. Mas será a prisioneira mais bem cuidada do mundo inteirinho. Vou levar café da manhã na cama, vou cozinhar para você, te dar banho, te encher com o meu amor... — roçou seu nariz no meu, fazendo-me rir baixinho.

— Hm... Sabe que isso não parece ruim, não? Acho que vou adorar ser sua prisioneira!

A formatura de Regina foi em meados de novembro e a minha veio logo em seguida, no início de dezembro. Não sei colocar em palavras a emoção que senti ao ver minha futura esposa de beca, no palco, sendo a oradora de sua formatura. Seu discurso foi o mais emocionante possível e me fez chorar, sentada na primeira fileira:

"Eu sei que todos pensam que somos imortais. Era para ser assim. Estamos nos formando. Mas como nossos 5 anos de graduação, o que torna a vida valiosa é o fato não durar pra sempre. O que a torna preciosa é que ela termina. Sei disso agora mais que nunca. Hoje é um dia especial para nos lembrar que tempo é sorte. Então não desperdice tempo vivendo a vida de outro. Faça a sua valer alguma coisa. Lute pelo o que se importa. Seja o que for. Porque mesmo que tenhamos dúvidas, não tem jeito melhor de viver. É fácil se sentir esperançoso em um lindo dia como hoje, mas haverá dias sombrios a nossa frente. Dias em que você se sentirá sozinho, e é nesses dias que precisamos de esperança. Não importa o quão ruim fique ou o quão perdido você se sente, me prometa que você terá esperanças. Mantenha-a viva. Temos que ser maiores do que o que sofremos. Meu desejo para você é que se torne a esperança. As pessoas precisam disso. E mesmo se falharmos não há forma melhor de se viver. Como vemos aqui hoje todas as pessoas que nos ajudam a formar quem somos. Eu sei que parece que estamos dizendo adeus, mas carregaremos cada um de vocês em todas as coisas que faremos e para nos lembrarmos de quem somos e de quem deveríamos ser. Passei ótimos anos com vocês, eu vou sentir muito a falta de todos."

Os aplausos em coro formavam uma linda melodia.

Regina olhou diretamente para mim e sorriu. O sorriso mais luminoso do planeta.

Apesar de ter se distanciado muito de Regina nos dois últimos anos, Cora apareceu em sua formatura e me tratou de forma educada, sem despejar nenhum veneno sobre mim. Ela veio até nós, estávamos eu, Regina, seu pai e irmã e os meus pais e irmãos. Cora se aproximou e nós nos silenciamos, como se ela fosse uma estranha invadindo nosso espaço.

— Estou muito orgulhosa por você, Regina. Parabéns — foi o que ela disse, notoriamente emocionada, mas se contendo ao máximo para não demonstrar.

— Obrigada, mãe.

Elas se abraçaram, um abraço curto e rápido, que demonstrava o quanto elas ainda estavam distantes uma da outra, o quanto haviam mágoas e palavras não ditas ali. Cora foi embora logo depois disso, mas não deixamos que isso estragasse a festa.

Todos nós nos reunimos num restaurante irlandês para comemorarmos.

Na minha formatura, eu só via meus pais, irmãos e Regina chorando todos ao mesmo tempo, como verdadeiros bobões, enquanto eu subia ao palco e recebia meu diploma sob uma salva de palmas.

Quando desci do palco, fui agarrada por todos ao mesmo tempo, recebendo beijos de todos os lados. Eu me sentia extremamente feliz e fiquei muito comovida com meu pai.

— Não sabe o quanto eu tenho orgulho de você, minha filha — disse, chorando. — Quando você nasceu, eu soube que seria a alegria da nossa casa. A menininha de cachos de ouro que eu pedi a Deus. Você é uma bênção, Emma e eu não poderia amá-la mais! — falou, com as mãos em meu rosto e naquele momento eu não me senti diferente, eu não me senti uma peça fora do quebra cabeça, eu me senti parte essencial dele.

— Eu te amo, pai!

Nos abraçamos com força e logo as lágrimas foram embora, dando lugar a vários sorrisos, porque August não parava de nos fotografar. Tiramos tantas fotos que eu ficava perdida com os flash's.

Regina me presenteou com um kit aquarela do van gogh, o qual eu amei. Em sua formatura, eu lhe presenteei com uma correntinha de ouro com o tridente que era símbolo da psicologia e um enfeite com uma bonequinha representando uma psicóloga.

Logo depois de nossas formaturas, pouco antes do natal, anunciamos aos nossos parentes e amigos que iríamos nos casar. Nossos pais ficaram surpresos com a rapidez da coisa toda, pois nós éramos ainda muito jovens, segundo eles, e havíamos acabado de nos formar, sem mencionar o fato de que eu tinha uma doença mental grave, mas ninguém diria isso.

— Eu e Emma pensamos bem, e decidimos que queremos nos casar agora — Regina explicou a eles. — Eu sei que vocês têm medo, senhor e senhora Swan, medo de que eu não consiga aguentar... O problema da doença... Mas eu sou psicóloga e tenho preparação para lidar com esse tipo de coisa. Mas mais do que isso, eu amo Emma. Amo Emma o suficiente para enfrentar essa doença com ela. Eu posso lidar com isso.

Meus pais, mesmo inseguros, nos apoiaram. Eles amavam Regina como se ela fosse filha deles e sabiam que o que ela dizia era verdade. Regina me amava o suficiente para ficar ao meu lado mesmo com a esquizofrenia.

Passamos o natal em minha casa, e seu pai Henry e Zelena fizeram questão de passar o natal conosco. Pelo que eu havia entendido, Henry e Cora se separaram, mas ainda não haviam assinado os papéis do divórcio nem resolvido como ficaria a situação dos bens. Por causa de Regina, eu dei a ideia de convidarmos sua mãe, mas Cora viajou para Europa sem avisar ninguém, então comemoramos o natal sem ela mesmo.

Aquele foi o natal mais feliz que eu já havia tido. Estava ao lado de toda minha família, sentindo-me parte integral dela, tinha Regina ao meu lado e seu pai e sua irmã, que eram como se fossem meus parentes também. Eu amava o coronel Henry. Ele era divertido, espirituoso, chamava-me de filha e me enchia com suas histórias de guerra. Também adorava Zelena, que era incrivelmente engraçada e me ensinava coisas que jamais pensei que existissem. Discutíamos sobre tudo e eu sempre saía com ideias novas após falar com ela.

No começo do ano seguinte, começamos a pesquisar casas e apartamentos. Precisávamos encontrar algo do qual gostássemos e que encaixasse no nosso orçamento apertado. De qualquer forma, seu Henry e meu pai se prontificaram a nos ajudar inicialmente com todas as despesas, e até meu irmão August me presenteou com uma quantia considerável de dinheiro e alguns móveis essenciais para a casa, como sofá, fogão, geladeira, microondas.

Passamos janeiro todinho buscando o lugar ideal para morarmos, até que encontramos uma casa razoavelmente grande e dentro dos nossos orçamentos. Era uma casa amarela que ficava perto da praia, pela qual eu me apaixonei assim que pisamos no jardim florido. Mesmo assim, não disse nada e esperei para vê-la inteira. Haviam dois banheiros, uma sala de dois ambientes, uma cozinha grande com área de serviço, três quartos no andar de cima, um escritório onde Regina poderia estudar e guardar seus livros, além de um sótão maravilhoso para eu guardar minhas coisas de pintura.

— Que você achou? — ela me perguntou depois que saímos da casa. — Seja sincera.

— Eu adorei a casa. Gostei de tudo mesmo, desde o tamanho, o jardim, a cozinha, a sala... Ela é bem arejada e espaçosa, caberá todos os móveis que estamos ganhando... Tem espaço para suas coisas e para as minhas... E ela é...

— Amarela. Como A Casa Amarela do Von Gogh — lembrou ela, sorrindo para mim. — Eu sabia que você iria gostar. Quando eu a vi, soube que seria nossa.

— Você esteve aqui antes? — perguntei surpresa e ela assentiu. — Sua danadinha! Então estava escondendo de mim esse achado?

— Queria te surpreender, não sabia se você iria realmente gostar...

— Eu amei. Você me conhece profundamente, senhora Mills.

Puxei-a pela cintura e beijei seus lábios devagarinho.

— Quero passar o resto da minha vida com você — sussurrei quando nossos lábios se afastaram.

— Cuidado com o que você deseja — brincou, envolvendo meu pescoço — Vai ficar presa ao meu lado dentro dessa casinha amarela pelo resto dos seus dias.

— Presa? Serei sua prisioneira, é?

— Sim, será. Mas será a prisioneira mais bem cuidada do mundo inteirinho. Vou levar café da manhã na cama, vou cozinhar para você, te dar banho, te encher com o meu amor... — roçou seu nariz no meu, fazendo-me rir baixinho.

— Hm... Sabe que isso não parece ruim, não? Acho que vou adorar ser sua prisioneira!

— Vamos almoçar? Estou morrendo de fome.

— Vamos.

Decicimos mesmo ficar com a casa amarela. Meus pais e o pai de Regina foram conosco visitá-la e todos a adoraram, então batemos o martelo e decidimos alugá-la. O dono era um senhor de uns setenta anos, aposentado, que morava sozinho numa casa menor, mas que tinha muito apreço por sua casinha amarela. Nós o conhecemos no dia em que fomos nos mudar, e ao contrário do que eu poderia supor, o velhinho era muito moderno e ficou bem feliz em saber que "um casal jovem e apaixonado" moraria em sua casa, palavras dele.

Meus pais e o senhor Henry compraram os móveis que faltavam e em um final de semana de fevereiro, eles e meus irmãos nos ajudaram com a mudança. Na verdade não foi bem uma mudança, porque todos os móveis foram comprados e enviados diretamente para nossa nova casa, mas nós precisávamos de ajuda para carregarmos móveis tão pesados pela casa e decidir onde cada um ficaria.

Eu amei o resultado final. Nossa casa amarela tinha paredes brancas, o que a deixava ainda mais clara e arejada. A sala ficou repleta de quadros meus, inclusive alguns dos quadros que pintei de Regina. Colocamos uma espécie de móvel planejado, um móvel branco que grudava na parede e servia como estante, onde colocamos livros, filmes e vários enfeites e no meio desse móvel encaixamos a televisão. Nosso sofá era um azul cor de bebê muito engraçadinho, porque ele parecia um sofá do século passado, mas nós o amávamos.

No geral, eu amei toda a decoração que fizemos. Nossa casa ficou cheia de quadros, de enfeites e de fotografias nossas e dos nossos amigos e familiares. A nossa casa amarela estava pronta para ser habitada, mas nós só iríamos morar juntas quando nos casássemos, pois esse foi o nosso trato. Como um ritual.

Os preparativos do nosso casamento começaram logo em seguida e eu jamais pensei que casar fosse ser tão trabalhoso, mesmo que no nosso caso fosse um casamento simples. Precisávamos arranjar um juiz de paz, contratar uma equipe para cuidar da decoração e montar a cerimônia na praia, alugar um buffet que se encarregasse das comidas e bebidas, comprar flores, alugar vestidos etc e etc. Isso me causou um pouco de estresse, o que era normal, mas tive medo que o estresse pudesse fazer com que eu tivesse uma nova crise...

Ao contrário do que eu imaginei, não tive nenhum surto psicótico nesse período, mas tive mudanças bruscas de humor, que me fizeram ficar mais isolada, mais apática, parecendo inclusive que eu não estava interessada no casamento, o que não era verdade.

— Emma, você tem certeza que quer se casar comigo? — Regina me perguntou em uma terça-feira, no jardim da nossa futura casa. Semanalmente nós íamos até lá checar tudo.

— Claro que eu tenho, Regina. Por que está me perguntando isso? — olhei para ela chocada.

— Porque... Bem, suas reações têm sido estranhas... E eu não sei se é pela doença, ou se é porque não quer casar. Quero dizer, eu sei que você disse que queria, mas pode ter mudado de ideia por alguma razão... Pode ter se arrependido. Não sei — parecia insegura, com medo. Uma criança assustada.

Agarrei suas mãos. Estávamos sentadas no banco do jardim.

— Regina, eu não posso controlar o que essa bosta de doença causa em mim. Eu realmente queria poder, mas eu não posso. Você sabe que mesmo com medicamentos, além de não ter cura, os sintomas podem se manifestar quando bem entenderem. Mas eu amo você. E eu quero me casar com você... É o que mais quero nessa vida — disse com toda sinceridade do mundo, meus olhos com lágrimas.

Ela sorriu para mim e ergueu minhas mãos, beijando ambas alternadamente.

— Minha princesa! Você será a noiva mais linda do mundo — disse, voltando com sua empolgação habitual, inclinando-se para me beijar. — A mais amada.

Nisso eu tinha de concordar. Sem dúvida, eu seria a mais amada...