Notas iniciais
Olá! Para as meninas que já me conhecem, essa é a segunda fanfic Swan Queen que posto. Sou autora de Light Carries On, que ainda está em andamento e continuará sendo atualizada com regularidade.

Tentei me controlar, mas não resisti em vir postar esse meu novo projeto o qual já adiantei alguns capítulos.

Tive um insight e a vontade de escrever essa história se apossou de mim, foi mais forte do que eu. Espero que gostem.

O primeiro capítulo é narrado pela Regina.

Música do capítulo: Everything Has Changed - Ed Sheeran e Taylor Swift.

Boa leitura!

Aquele era para mim mais um sábado qualquer. Acordei cedo como costumava fazer todos os dias e fui correr. Correr era uma das coisas que eu adorava fazer e trazia muitos benefícios não só para o meu corpo como também para minha mente. Quando retornei da corrida fui para meu quarto estudar. Estava no terceiro ano da faculdade de Psicologia, e além de ser um curso puxado, com bastante conteúdo para ler e compreender, eu sempre fui uma autêntica CDF, daquelas que prefere passar o final de semana estudando do que ir para baladas.

Papai tinha muito orgulho de mim, do meu ótimo desempenho acadêmico e respeitava bastante minha personalidade mais reservada e tímida, já mamãe gostava de me criticar e comparar-me com minha irmã Zelena, que era meu oposto. Excêntrica e falante, Zelena era tudo o que eu não era, inclusive ruiva de olhos azuis.

Eu amava minha família e me dava bem com todos, mesmo com minha irmã que se diferenciava tanto de mim. Meu único problema era mamãe e seu excesso de críticas e exigências. Eu detestava a forma como ela tentava me fazer ser diferente e insistia em querer arranjar namorados para mim. Devia ser difícil para Cora aceitar que suas duas filhas eram lésbicas, mas ela precisava se conformar.

Minha sexualidade e a de Zelena sempre foram respeitadas em casa. Meu pai era um homem moderno, a frente do seu tempo e não se prendia ao conservadorismo que ele chamava de "barato". Mamãe, por ter sido a vida toda uma mulher refinada e de posses, sentia-se um pouco constrangida diante de comportamentos que estavam fora do padrão aceitável da elite ao qual ela frequentava.

A família Mills não era rica, mas nós tínhamos uma bela casa e um bom dinheiro guardado. Papai era um coronel aposentado e mamãe uma advogada conhecida que não costumava perder nenhuma causa. Nossa família era bastante conhecida em nossa cidade, Storybrooke, uma cidade que a cada dia crescia mais.

— O que você pensa que está fazendo? — minha irmã me questionou, encarando-me com seus olhos azuis, após escancarar a porta do meu quarto.

— Quanta sutileza — ironizei, lhe encarando de onde estava, em cima da minha cama envolta por vários livros. — Por um acaso não está vendo que estou estudando? — disse o óbvio, com o lápis em mão e o caderno em cima do meu colo.

— Regina, hoje é sábado — estalou os dedos ao notar que eu não havia entendido o que aquilo significava — Acorda, criatura! Fomos convidadas para a festa de uma menina lá da faculdade... Ela é super famosa e pelo visto vai ser uma festa daquelas! — falou com empolgação, esfregando suas mãos.

Revirei os olhos, dando de ombros e voltei a encarar minhas anotações no caderno.

— Como se eu ligasse para essas festas, são todas iguais... Cheias de pessoas bêbadas e desesperadas em busca de encontrar algo que preencha seu vazio existencial. Elas deveriam fazer terapia, seria mais proveitoso — murmurei, encarando os vários livros ao meu redor e pensando em qual matéria estudaria a seguir.

— Regina Mills, você é muito certinha! — reclamou em tom alto, fechando a porta do meu quarto e sentando aos pés da cama, olhando-me. — Eu sei que você não é uma baladeira, mas vamos lá... É só uma festa. Você nunca sai de casa, Regina.

— Eu saio todos os dias — falei com orgulho e ela olhou-me com tédio.

— Sério? Correr no parque, ir até a faculdade ou alguma biblioteca conta mesmo como uma "saída" para você?

— Por que é tão importante que eu vá nessa festa, Zelena? — bati o caderno com força, deixando-o de lado. — Você não têm seus amigos para lhe acompanhar?

— Eu tenho, não estou te chamando por solidão, ô babaca. Estou te chamando porque sou sua irmã e me preocupo com você. Acho que seria bom se você fosse na festa, se saísse um pouco desse quarto. Existe um mundo lá fora, Regina. Eu sei que você gosta de estudar e é mais reservada, mas se você pretende ser uma boa psicóloga não pode ficar fugindo do contato com as pessoas... Mesmo os piores tipos dela... — deu um sorrisinho malicioso no final, piscando para mim.

— Você deveria fazer Direito igual a mamãe, seria uma excelente advogada — falei com bom humor, lhe arrancando risos — Sério, você argumenta bem demais e vence pelo cansaço!

— Isso quer dizer que...

— Sim, eu vou com você hoje à noite nessa festa! — falei, dando-me por vencida.

— Eba! — Zelena comemorou, abraçando-me toda eufórica.

Minha irmã era uma maluquinha, estudávamos na mesma faculdade e por incrível que pareça aquela desmiolada cursava ciências sociais. Até que combinava, afinal ela amava falar e filosofar e discutir sobre tudo o tempo inteiro.

Quando estava perto de escurecer Zelena e eu fomos nos aprontar e confesso que eu não levava muito jeito para me vestir como ela. Eu era simples e por não ter o hábito de ir em lugares badalados estava acostumada a ficar com uma boa e velha calça jeans, blusas básicas, tênis e vestidos simples que deixava-me com aparência de ingênua. Claro que Zelena não me deixaria ir na festa com nenhuma daquelas roupas.

— Eu não quero nenhum desses vestidos, Zelena — resmunguei depois dela me mostrar praticamente todo o seu closet — São muito exagerados e decotados, não estou afim de ser atacada pelos tarados bêbados.

— Já sei! Lembra-se daquele vestido tubinho preto que mamãe te comprou no natal do ano passado?

— Claro que me lembro, foi a primeira vez que ela me comprou uma roupa que eu gostasse — soltei um risinho e Zelena puxou-me pela mão de volta ao meu quarto.

— Eu acho que ele vai servir... Não é um vestido sonso que te deixará com cara de monga, mas também não é um vestido hiper chamativo. Coloque-o para vermos como ficará.

Troquei-me na frente de Zelena e ela me olhou da cabeça aos pés depois que coloquei o vestido, seu nariz empinado estava franzido e o seu olhar era atento e focado.

— Ficou ruim? — perguntei com receio, pondo as mãos na cintura.

— Veja você mesma — puxou-me e me empurrou de frente para o grande espelho do meu quarto que ia até o chão. — Está maravilhosa!

Abri um sorriso tímido, sentindo-me surpresa com o reflexo que via no espelho. Eu não era muito vaidosa, nunca me senti tão bonita quanto às outras garotas ou quanto Zelena, mas depois de iniciar a faculdade e a terapia eu havia aprendido a me aceitar.

— Agora vamos escovar esses cabelos e fazer uma maquiagem.

Deixei que Zelena fizesse comigo o que bem entendesse e acabei me arrependendo disso quando vi um batom super vermelho em meus lábios, que por si só já eram chamativos, pois eram carnudos e eu tinha uma cicatriz desde os meus doze anos, quando fui atacada por um cão, o que me deixou um pouquinho traumatizada.

— Tem certeza que não pareço uma idiota com esse batom vermelho? — perguntei insegura quando descemos às escadas.

— Claro que não, Regina. Você está linda e o batom combina com esse vestido preto! Pare de ser insegura. Ela não está linda, papai? — nosso pai estava sentado no sofá lendo um livro quando descemos e ao virar-se para nos ver, ficou boquiaberto.

— Meu Deus, minhas meninas! — seus olhos se arregalaram — Vocês estão maravilhosas. Regina, eu nunca te vi assim tão produzida...

— Ela finalmente decidiu sair do esconderijo e ir comigo em uma festa.

— Não acredito! Que coisa boa, minha filha — papai se levantou e veio em minha direção, dando-me um beijinho suave no rosto — Faz muito bem em sair para se divertir. Aproveite bastante.

— Pode deixar, papai — sorri para ele.

— E eu não vou ganhar beijo? — Zelena resmungou infantilmente, ganhando um beijo de papai.

— E você, Zelena, trate de ter juízo, ouviu? Ouça sua irmã mais velha, pois ela sabe das coisas.

— Olha só isso... Só pede para eu ter juízo, sendo que eu estou mais que acostumada com essas festas, agora a Regina que é inexperiente... — fingiu-se de indignada, me arrancando risos. — Não se preocupe, pai. Voltarei inteira e trarei Regina sã e salva.

— Eu confio na sua irmã — disse ele — Eu não confio é em você, sua desmiolada! — riu, balançando a cabeça — Vão logo antes que a mãe de vocês chegue e decida fotografá-las e pôr as fotos no facebook.

— Oh não! Deus me livre disso! Vamos logo, Zelena! — puxei-a pelo braço e saímos de casa aos risos.

[...]

Pegamos carona com uma amiga de Zelena chamada Ruby, que assim como minha irmã era bonita e sensual, sabia se vestir e se maquiar, mas não chamou minha atenção. Dificilmente alguma pessoa me chamava atenção.

Não demorou para que chegassemos na tal festa que acontecia dentro de uma mansão. O lugar era relativamente longe de minha casa e eu desconhecia o bairro, mas ao que parecia só haviam pessoas ricas por ali. A festa estava lotada, haviam pessoas em todos os cantos e vários rostos eu já havia visto algumas vezes na faculdade, mas não conhecia praticamente ninguém.

Tocava música alta e todos estavam enfurnados na sala, que devia dar três vezes o tamanho da minha casa inteira. Eu olhava ao redor meio perdida e via casais se agarrando com paixão, várias pessoas dançando com bebidas nas mãos e todos pareciam bem à vontade e introsados... Menos eu.

Eu estava ao lado de Zelena, que conduzia-me com normalidade pelo lugar, bem mais tranquila do que eu. Paramos no meio da multidão de pessoas que dançava e de repente olhei para frente, há poucos metros de distância de mim havia uma loira de cabelos cacheados e olhos verdes. Estava parada conversando com um rapaz e ao contrário do resto das pessoas, ela também não parecia muito ambientada.

— Quem é? — perguntei a Zelena cheia de curiosidade, com os olhos fixos na figura que sorria graciosamente para o rapaz enquanto conversavam.

— Aqueles dois? — Zelena falou com certo descaso — São os loucos das Artes Visuais. Ninguém se aproxima muito deles, pois são artistas e artistas são incompreensíveis — ironizou e logo avistou uma amiga. — Já volto.

— Zelena, espere, eu... — deixou-me sozinha ali.

Fiquei parada onde estava sem saber o que fazer, pois eu não conhecia ninguém. Continuei encarando o casal que conversava, mas meu foco era a loira de olhos verdes. Ela era tão bonita que parecia uma pintura, não era de se admirar que fosse uma artista. De repente ela olhou para mim, olhou diretamente para os meus olhos e eu fugi o olhar por um instante, nervosa, mas não resisti e voltei a encará-la.

Ela sorriu para mim e continuou me encarando e o rapaz que lhe acompanhava se afastou, desaparecendo na multidão. Ficamos nos encarando e trocando sorrisos por alguns instantes até que ela começou a caminhar em minha direção, deixando-me ansiosa.

"'Cause all I know is we said, "Hello"

Porque tudo o que eu sei é que nós dissemos, "Oi"

And your eyes look like coming home

E seus olhos são como voltar para casa

All I know it's simple ain't it?

Tudo o que eu sei é um simples nome

Everything has changed

Tudo mudou."

— Emma Swan — estendeu a mão para mim e me surpreendi com sua apresentação. Quem hoje em dia ainda mais na nossa idade se apresentava usando o nome completo?

— Regina Mills — apertei sua mão sem muita força e senti uma energia forte entre nós, e acho que Emma também sentiu, pois ela olhou-me com surpresa e soltou minha mão rapidamente, meio sem jeito. — Curso Psicologia e você? — perguntei como se não soubesse.

— Artes Visuais — sorria — Psicologia, ein? Gosta de analisar as pessoas?

— Algumas — respondi com um sorrisinho discreto. — E você? Qual o seu talento artístico?

— Desenho e pintura — falou e me encantei com a resposta.

— O que você pinta? Quadros?

— Sim! Qualquer dia meus pais vão arremeçar minhas telas pela janela, pois não cabem mais em casa — disse bem humorada, roubando-me risos.

— Aqui é meio barulhento, né? — comentei sem graça quando ficamos em silêncio por muitos instantes, nos encarando.

— Tem um lugar mais silencioso, venha comigo.

Segui Emma e enquanto ela estava de costas reparei em seu corpo. Usava um vestido branco com bolinhas pretas e os cabelos encaracolados estavam presos num lindo rabo de cavalo. Suas pernas eram lindas e chamativas, assim como seus braços musculosos. Provavelmente ela se exercitava bastante...

Emma conduziu-me até grandes escadas de madeira onde nos sentamos no terceiro degrau lado a lado.

— Então você não é muito fã de festas? — perguntou-me.

— Como você sabe? — fiquei surpresa.

— Bom, eu não te vi em nenhuma festa antes... E a julgar pelo seu incômodo com o barulho...

— É verdade — sorri meio sem jeito, olhando para os degraus de baixo — Não sou boa em disfarçar quando não gosto de algo. E você?

— Não sou a maior entusiasta desse tipo de evento, mas me obrigo a vir algumas vezes para parecer mais sociável, sabe. Meus pais insistem que devo me enturmar mais...

— Os meus também — confessei e ela olhou-me surpresa.

— Uma futura psicóloga que tem dificuldade de socializar? Essa é nova para mim!

Dei risada de seus gracejos e Emma ficou me encarando e notei que sua maquiagem era bem leve, os lábios pintados de nude. Sua pele era bem branca e o seu sorriso com dentinhos meio tortos eram a coisa mais adorável que já havia visto.

— Não é que eu tenha problemas em socializar, só não me sinto à vontade em lugares onde as pessoas têm comportamento previsível como uma festa de faculdade — respondi meio arrogante e ela riu.

— Comportamento previsível? Fale-me mais sobre isso, senhorita Mills.

— Por exemplo... — olhei na direção de onde havíamos vindo e vi um casal se atracando em uma pilastra — Esse comportamento é bem previsível — apontei com o indicador, enfatizando o "esse" e Emma me presenteou com uma gargalhada deliciosa.

— Tem razão, é previsível mesmo. Pessoas bêbadas, hormônios a flor da pele... O resultado é sempre igual. Então só está aqui por pressão de seus pais?

— Na verdade quem me arrastou foi minha irmã, Zelena. Ela é uma maluquinha que adora eventos de todos os tipos, e quase sempre se mete em confusões.

— O que ela estuda?

— Ciências Sociais.

— Tá explicado... — disse com deboche, os braços dobrados e apoiados sobre suas coxas. — Eu tenho dois irmãos e me sinto bem diferente deles. O mais velho é bem sério, responsável, ele é dono de um bistrô, nunca deu trabalho para os meus pais...

— E o outro irmão? — eu estava curiosa para saber mais sobre Emma e sua vida.

— O outro é o Neal, meu irmão do meio. O mais velho se chama August. Neal é o arruaceiro — comentou aos risos e eu acabei rindo também — Ele sempre deu trabalho desde pequeno, sabe? É todo inquieto, adora uma badalação... No momento ele está em uma viagem com amigos, foi para Las Vegas, posso imaginar o que ele anda fazendo por lá...

— Las Vegas, uau! — virei-me mais de lado, com as pernas bem fechadas para não correr o risco de pagar calcinha e minhas mãos estavam sobre minhas coxas — E você? Qual tipo de filha você é?

— Eu sou a caçula estranha — disse simplesmente, suspirando.

— Por que se acha estranha?

— Porque não pareço muito com meus pais e nem com meus irmãos, fugi um pouco das expectativas deles. Também me acho bem diferente da maioria das outras pessoas.

— Por que é uma artista? — falei em tom brincalhão e ela se encheu de orgulho, erguendo o rosto como um pavão.

— Sim, sou uma artista muito renomada, não posso me misturar com a peble — brincou, arrancando-me mais risos. Emma era muito bem humorada. — Mas... Me sinto bem deslocada entre os outros. Deve ser porque não me expresso muito bem.

— Quem disse que não? — arqueei minhas sobrancelhas — Eu acho que você se expressa muito bem, Emma. Em meia hora de conversa você está se expressando muito bem.

— Está me analisando, Regina? — olhou-me com desconfiança. — Esse é o problema em falar com estudantes de Psicologia, estão sempre nos analisando...

— Que grande mentira! — falei indignada e Emma riu de mim. — Não estou te analisando... — encarou-me com mais desconfiança — Talvez um pouquinho.

— E o que está achando até agora?

— De você? — perguntei um pouco intimidada, sem saber bem o que lhe diria a seguir quando ela assentiu. — Você... Você é...

— Eu sou... ?

— Diferente.

— Estranha, você quis dizer.

— Não! Diferente. Você não é estranha, eu sou mais estranha que você — retruquei.

— Nem pensar! Aonde você é estranha? Só por que não gosta dessas festas?

— Olhe para mim, Emma... — ri de mim mesma, balançando a cabeça.

— Estou olhando — olhei para ela e seus olhos verdes encaravam-me profundamente, causando um formigamento estranho em minha pele — Você é inteligente, engraçada, linda. Aposto que se voltar lá para dentro e der um único sorriso para eles, se enturmará na mesma hora.

Fiquei perdida dentro daqueles olhos e a intensidade do olhar de Emma deixava-me sem fôlego. Suas palavras me desconcertaram, ela percebeu isso, mas permaneceu me encarando em silêncio, como se houvesse algo de muito interessante em meus olhos que a prendesse ali.

— Você seria uma boa psicóloga — comentei de repente para quebrar o clima.

— Por quê? — sorria.

— Você tem um olhar bem analítico e aposto que está tentando ler meus pensamentos.

— Como você adivinhou? — rimos e Emma gesticulou com as mãos — Apesar de estudar artes, eu acho muito legal Psicologia. Sério, deve ser muito fascinante entender pelo menos um pouquinho da mente humana. Deve ser como viajar dentro da cabeça dos outros...

— É o que você pensa da Psicologia? — ri de sua análise e do seu jeito infantil e doce de falar e Emma ficou sem graça pela primeira vez, corando.

— Como eu disse... Eu estudo Artes, então posso eventualmente falar bobagens a respeito da Psicologia.

— Não disse nenhuma bobagem — falei ainda encantada, sorrindo para ela. — E saiba que eu também gosto muito de arte, mesmo tendo escolhido a Psicologia.

— Gosta? — seus olhos brilharam — É tão difícil achar alguém da minha idade que goste de arte... Quero dizer, além dos meus colegas de curso.

— Eu sou fascinada! Amo gravuras, artesanatos, fotografia.. Mas o que mais adoro mesmo é a pintura. Se eu pudesse escolher, eu gostaria de ser o Leonardo da Vinci.

Emma gargalhou de minhas palavras bobas, mas parecia bem surpresa com minhas revelações.

— Leonardo da Vinci tinha múltiplos talentos, era um grande pintor. Tem bom gosto, Regina. Quais outros pintores te agradam além de da Vinci?

— Picasso, Monet, van Gogh... Deus, van Gogh me deixa sem fôlego! Eu amo A Noite Estrelada e Noite Estrelada Sobre o Ródano.

— E A Vinha Encamada? — perguntou-me cheia de expectativas.

— É maravilhoso demais! — falei tão empolgada quanto ela.

— Eu sou apaixonada desde criança por A Casa Amarela e desde então digo que um dia quero morar em uma casa amarela.

— Por causa do Van Gogh...

— Uma loucura, eu sei.

— Uma loucura adorável!

— Mas e Monet? Monet misturava as cores de um jeito que me tira o fôlego.

Passamos um longo tempo falando sobre arte, discutindo as maiores obras da história. Só para falarmos da Mona Lisa devemos ter perdido uma meia hora. Emma era inteligente e conhecia bem de arte, a minha sorte é que sempre me interessei também, senão teria ficado perdida em seus devaneios. Emma tinha um jeito rápido de falar, toda entusiasmada, gesticulando com as mãos.

Quando eu estava no ápice da minha conversa com Emma, Zelena apareceu para me despertar de todo meu encantamento, chamando-me apressadamente para irmos embora, pois pegaríamos carona novamente com sua amiga. Pela forma de rir e falar, Zelena parecia alterada pelo álcool.

— Foi um prazer, Emma — eu disse, levantando-me das escadas e ajeitando meu vestido. Ela se levantou depressa e se ajeitou também.

— O prazer foi meu, Regina.

— Nos vemos por aí... — falei sem graça, virei e fui indo embora com minha irmã.

Senti algo forte dentro de mim e dei meia volta, indo em direção à Emma que ainda estava no mesmo lugar.

— Me empresta seu celular? — pedi e ela olhou-me confusa, pegando dentro de sua pequena bolsinha seu celular e me entregando com uma confiança que geralmente ninguém tinha, o que me deixou ainda mais impressionada por Emma Swan.

Quem entregava o celular sem senha para alguém? Ainda mais uma estranha?

Escrevi meu número e meu nome em seu celular, gravando-o e o devolvi para ela e nesse momento nossas mãos se tocaram acidentalmente. Nos encaramos em silêncio por longos instantes até minha irmã gritar por mim novamente, então virei e fui embora, deixando Emma Swan para trás.

Voltei para casa com uma felicidade contagiante. Qualquer um que visse acharia que dancei até cair e bebi na companhia de várias pessoas, quando na verdade fiquei horas sentada na escada falando sobre arte com Emma Swan.

Emma. Aquele nome não saía da minha cabeça... Nem o nome e nem o sorriso dela. Aquela noite dormi pensando na figura loira e encantadora que ela era.

Notas finais
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