Tinha que ser você
2 Tinha que ser minha melhor amiga.
Notas iniciais
Uma semana havia se passado desde o pedido de casamento frustrado que Elena esperava receber de Stefan. Tentou ignorar tudo aquilo que a fazia lembrar dele. Qualquer música, qualquer restaurante, qualquer mínimo detalhe que a fizesse lembrar da passagem dele, pela vida dela. Mas nada disso adiantou, o cheiro dele ainda estava impregnado na cama dela. Todos os sonhos, todos os planos, não pareciam fazer sentido sem ele ali. Afinal, foram 4 anos. 4 longos anos. Não se exclui uma pessoa assim, da vida da outra. Mas ela sabia que precisava seguir em frente.
Elena acordou cedo, colocou sua blusa social e uma saia preta colada, de cintura alta, a roupa que usa frequentemente para ir trabalhar, tomou um gole de café, sem pressa e saiu do apartamento. Chegou na UNAP, e fez o maior esforço para não olhar para os olhos de ninguém, como fez na ultima semana. Foi direto para sua mesa, e começou a mexer nos papéis que estavam organizados na sua gaveta. Mas assim que olhou para Caroline, recebeu um olhar de reprovação.
A loira realmente a conhecia. Via que Elena não estava legal no últimos dias. E sabia o por que, e já não aguentava mais ver a amiga assim. Ela levantou de sua mesa a caminhou ate a mesa de Elena, desconcentrando-a.
– Depois do trabalho, te encontro na Pioneer Square, vamos correr. — Ela disse, em tom de atitude. Aquilo não foi uma pergunta, e sim uma intimação.
Elena já não sabia mais o que fazer com Sophie, uma garota de 17 anos, que sofrera com a morte dos pais enquanto ainda era criança, em um acidente de carro, e fora parar no serviço social. Não parava em nenhum lar adotivo, sempre fugia, ou brigava com a família. Passava de lar em lar, mas todos a rejeitavam, de um jeito ou outro.
– Não vou abandonar, Sophie. Tem que haver algum lugar. Um outro jeito. — Elena implorava em frente ao juiz.
Já cogitavam mandá-la para o reformatório. Mas Elena já havia se apegado muito naquela garota. Ela tem sonhos, ela tem um futuro brilhante pela frente, só precisa de alguém, uma base, ela tem potencial. Mas a lei, e nem a juíza Mary, estariam do seu lado.
– Sophie, vai ficar tudo bem, Okay? — Ela disse, abraçando a garota.
– Eu sei que vai. — Sorriu de volta.
Depois de mais um dia cansativo, Elena foi para casa, tomar uma ducha. Olhou tudo a sua volta. Pareci tudo tão vazio. Olhou sua caixa de mensagem, vazia.
– Acho que é assim que vai ser de agora em diante. — Ela murmurou.
Mas também, não sabia se ainda se importava. Ela sentia falta, claro que sentia, mas ela também sabia a perda maior havia sido dele. Ela estava tirando a roupa, quando seu telefone tocou. Se enrolou na toalha e foi correndo até a sala. Ela apanhou o telefone elevou ao ouvido. Ouve um suspiro antes da primeira frase.
– Elena... não sei o que dizer.
E então ela reconheceu aquela voz. Aquele timbre que ela tanto sentiu falta. Aquela respiração que fazia seu coração disparar. Mas não daquela vez. Ela recuperou o folego antes de responder.
– Stefan, não há nada a dizer.
Mentira. Ela sabia que havia milhões de coisas a serem ditas ali, mas ela preferia deixar assim.
– Só quero explicar como aconteceu... Antes de conhecer você, eu já estava esperando muito por isso, você sabe.
– E já entendi Stefan. Adeus. — E desligou o telefone.
Aquilo parecia muito conveniente. Elena respirou fundo e voltou para seu banho.
– Você quem ligou? — Caroline perguntou, enquanto corriam pelo Pioneer Square, que estava aparentemente vazio.
– Por que ligaria. Eu estou bem, tenho um ótimo emprego aqui. — Respondi, quase perdendo o folego.
– Espera, você trocou de emprego? — Ironia era o forte de Caroline, e ela usava isso constantemente – Elena, você fez artes, devia seguir essa carreira.
– E depois fiz assistência social.
– Como segunda opção, Elena! — Ela respondeu, quase gritando.
Elena sabia onde ela queria chegar com tudo aquilo. Caroline queria que ela fosse atrás de Stefan. Mas não largaria sua família, que embora quase a enlouquecesse... não deixaria seu trabalho, que a estressava, mas ela amava o que fazia, e seus amigos. Não largaria sua vida.
– Você quer se casar, Elena. Não minta pra mim. E sabe, o que é melhor? Tu pode se casar com quem tu quiser!
– É complicado. Não quero mais pensar nisso.
Sentaram em um dos bancos que tinha em baixo de uma arvore, no centro do parque. Elena olhou para os lados, procurando uma escapatória daquele assunto. Mas Caroline não deixaria aquilo tão barato.
– E você vai dizer, que tua alma gêmea, o marido dos teus sonhos, foi embora, viajar pelo mundo, em busca de sapos, e que isso não te aflige, pois pra você, tudo bem morrer solteirona, enquanto sua mãe bajula sua meia irmã, que tem aparentemente, uma vida perfeita?
– Não Caroline, não é assim.
Mas era assim...
Depois do divórcio, sua mãe sofrerá bastante. Mas isso não foi tudo, ela passou a conhecer outros homens. Ela queria recompensar o tempo perdido com seu ex marido. Na época, Elena achou isso uma péssima ideia. Mas ela devia seguir em frente, e se isso iria lhe fazer feliz, teria que apoiá-la.
Ela conheceu um homem, de 35 anos, na época. Dono de uma lanchonete, que havia na mesma rua onde sua família morava. No começo, Elena não achou que fosse algo sério, mas os dois se casaram, pouco antes de ela terminar a faculdade de artes. Ric fazia sua mãe feliz, e era isso que importava.
Desde então, Elena teve sua vida inteira comparada com a de sua meia irmã, Katherine.
Katherine é uma moça bonita, e que sempre apoio o casamento de seu pai. Formada em direito, e casada com Matt Donovan, um moço jovem e bonito, advogado na mesma empresa em que Katherine trabalhava, e estavam a espera de seu primeiro filho. Aparentemente, uma vida perfeita.
– Então como é Elena, você vai deixar ele escapar desse jeito? Vocês são perfeitos, ele é tua alma gêmea. — Caroline voltou para o mesmo assunto.
– Caroline, chega! — Elena levantou, já irritada com sua até então, melhor amiga. — Isso não se trata dele. Sou eu. Ele não merece isso, ok? E não vou voltar atrás, por causa do meu conto de fada. Quer saber? Talvez isso nem exista.
Elena lembrava de seu pai, que ela sempre achou que amasse sua mãe, que a amava, as deixou por outra família. E seu namorado, que depois de quatro anos, a largou por sapos. Talvez ela estivesse certa. Não exista finais felizes.
Ela voltou para casa exausta, talvez aquela não fosse a conversa que esperava ter com sua melhor amiga. Abriu a geladeira, procurou uma garrafa, e se jogou no sofá. Enfim, sozinha. Pensou ela. Mas parece que aquele dia ainda não estava pronto para acabar.
Ao terminar seu pensamento, mais uma vez seu telefone toca. Ela revirou o olhou.
– Alô?! — Ela perguntou num tom, nada educado.
– Que desanimo é esse, minha filha?! Você não está esquecendo o almoço da família esse final de semana, está?
ESTAVA. Elana trouxe a mão até a testa. Maldito almoço.
– E você vai trazer o Stefan, claro! — Ela falou, toda contente, do outro lado de telefone.
– Não, mãe....
– COMO ASSIM?!
Com certeza, esse não seria o melhor almoço em família.
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