Era a primeira noite que Alice passava na mansão, e adormecer era a última coisa que ela conseguia fazer no momento. Ao longo daquelas últimas horas, seus pensamentos se transformaram no seu pior inimigo, e ela soube que a tranquilidade da vida serena que levava – sem se preocupar com nada de calamitoso – agora estava muito longe da sua atual realidade.

Olhou para o relógio que ficava na cabeceira ao lado da cama, desanimando ao perceber o quanto as horas se arrastavam sem a menor vontade de passar. Os ponteiros elegantes marcavam 2h15min, e a hippie mal podia esperar para se ver livre daquela noite interminável – que só lhe trouxe uma recordação preocupante de toda a loucura que passava a envolvê-la.

– Ótimo momento pra se ter uma insônia... – reclamou, sentindo que sua garganta estava irritantemente ressecada, implorando por um pouco de água. Até mesmo sua língua estava seca, sem o menor resquício de umidade, mas por mais que a sede a incomodasse, Alice não se sentia nem um pouco confortável para andar pela casa de madrugada, como se fosse sua, e ainda se aventurar a remexer na elegante cozinha, mesmo que só quisesse um pouco de água – estupidamente gelada, de preferência.

“Bom, se bem que duvido que tenha alguém acordado a essa hora..." – pensou, encorajando-se – "Eu só preciso ser discreta, não pode ser algo tão difícil assim!”

Tomando todo o cuidado que lhe cabia, Alice desvencilhou-se da maciez aconchegante da cama e se dirigiu até a porta, caminhando sempre na ponta dos pés para evitar estardalhaços que normalmente se relacionavam à sua desastrosa presença, e ao sair do quarto tentou manter o mesmo cuidado e meticulosidade, andando sorrateira para que seus olhos se acostumassem à falta de luz da mansão já adormecida. Porém, mesmo fazendo o possível para não deixar rastros de seu passeio noturno pelos corredores, não demorou muito para Alice tropeçar escandalosamente num pedestal branco que suportava um vaso, provavelmente muito mais caro do que sua própria alma...

Aaaai, fudeu! – praguejou baixinho em meio ao seus movimentos desastrados, vendo toda a cena acontecer em câmera lenta.

Alice conseguiu segurar o vaso antes que este caísse, mas não foi capaz de impedir que o pedestal batesse no chão e propagasse um som estridente por todo o ambiente, que antes estava completamente tomado pelo silêncio e calmaria...

– Perfeito... – disse com raiva, tão baixo que ninguém seria capaz de ouvir, mesmo que estivesse ao seu lado – Mais discreta do que isso, impossível! Dá-lhe, Alice... – comentou raivosa, ainda notando as batidas de seu coração ligeiramente frenéticas.

Ela levantou cuidadosamente a coluna, analisando imediatamente cada segmento bem trabalhado de sua estrutura – à procura de algum dano causado pela queda – e percebendo com satisfação que cada aspecto da decoração parecia intacta... O alívio fez com que a tensão nos seus ombros diminuísse e um suspiro escapasse por sua boca. Colocando novamente o vaso ali em cima com todo o cuidado de que poderia dispor, esperou, parada no mesmo lugar, como uma forma medrosa de verificar se aquele barulho chamaria a atenção de alguém.

Como o silêncio voltou a reinar, Alice tratou de sair da cena do crime e continuou sua caminhada até a cozinha, tomando o dobro de cuidado a cada novo passo que dava, sem a menor disposição de repetir o incidente e acabar chamando atenção para si.

– Que ridículo, eu nem consigo chegar até a cozinha sem destruir a casa... – brigou consigo mesma num tom duro – Ou sem me perder no meio do caminho... – bufou.

A mansão era tão grandiosa, que Alice tinha perfeita consciência de que essa possibilidade era bem provável, ainda mais com o breu que se instalava em cada canto impecavelmente lustroso e escorregadio da enorme moradia.

Ainda assim, ela conseguiu continuar andando sorrateiramente pelos amplos corredores e cômodos sem se perder ou destruir as decorações com seus passos desastrados, e finalmente avistou a cozinha a poucos passos de distância, sua enormidade e inigualável beleza fazendo jus ao resto dos cômodos.

– Eu devo admitir que os Wayne têm bom gosto... – riu baixinho, deslumbrada pela visão estonteante – Ok, agora é só pegar a água e cair fora!

Alice olhou desestimulada para a quantidade desnecessária de prateleiras e armários, sem nem ter ideia de por onde deveria começar a sua busca.

– Eu só quero um copo... É pedir demais? – deixou que seus ombros caíssem com o desânimo evidente de perder muito tempo ali e, provavelmente, cometer algum novo desastre.

Para sua enorme surpresa, uma voz gentil e dona de um musical sotaque harmonioso veio da entrada da cozinha:

– Posso ajudá-la?

Ela virou rápido demais, quase perdendo o equilíbrio novamente, porém reajustando-o ao se apoiar na formidável pia.

– Alfred... Sinto muito se eu o acordei! – entortou um pouco os lábios, receando o incômodo que deveria estar causando a todos naquela casa.

– De forma alguma, a senhorita... – Alice arqueou uma sobrancelha, fingindo desaprovação – Desculpe, ainda preciso habituar-me a isso... você não me acordou! Na verdade, eu fiquei preocupado quando ouvi um estranho ruído vindo perto do seu quarto, e resolvi procurar pela... – ele hesitou e corrigiu a tempo – por você, para ver se havia algum inconveniente perturbando-a...

– Droga, Alfred, me perdoe, eu não queria ter incomodado... Será que Bruce acordou?

O mordomo encarou o chão por um breve momento, parecendo procurar pelas palavras certas que deveria usar.

– Não se preocupe, tenho certeza de que você não o acordou... – Alice estranhou aquele tom, e quando estava prestes a perguntar se havia algum problema, Alfred voltou a fitá-la, sorrindo da maneira mais gentil que Alice já vira – Posso lhe oferecer um chá? – mudou bruscamente de assunto.

Alice retribuiu o sorriso, aceitando a mudança.

– De jeito nenhum, Alfred, eu não vou fazer você trabalhar fora do seu horário. Não se preocupe, eu não serei uma hóspede inconveniente, prometo! Talvez só cobre por aquelas iguarias que você me prometeu. Além do mais, chá é bebida de doente! – disse piscando, e Alfred riu.

– Não será trabalho nenhum, e agora mesmo eu faço questão de desmistificar essa sua visão sobre o chá – sorriu mais uma vez, começando a pegar com agilidade tudo o que precisaria para o preparo daquilo que parecia ser uma das suas especialidades – Depois que se prova o chá feito por um inglês, você nunca mais vai querer beber outra coisa. – avisou orgulhoso.

– Bom, depois dessa propaganda não tem como recusar... – riu – Mas eu só aceito se você me acompanhar!

– Certamente! – Alfred assentiu com um aceno sofisticado de sua cabeça, já totalmente concentrado ao preparo da bebida. Naquele instante, Alice reparou que o mordomo era aquele tipo raro de pessoa que se dedica inteiramente a tudo o que faz, mesmo às pequenas coisas. Era admirável ver o entusiasmo do mordomo em se fazer útil...

“Bruce tem realmente muita sorte!” – pensou, sem conseguir evitar o sorriso que se formou em seus lábios ao observá-lo em ação, tão absorto naquela tarefa, como se preparar um chá fosse a maior ambição de sua vida, tamanha a dedicação que destinava àquele pequeno serviço.

Alfred voltou-se para Alice enquanto o chá preparava-se com o auxílio do fogo, e sua expressão parecia preocupada, exatamente do mesmo modo quando soube a respeito do envolvimento da hippie com o Palhaço.

– Há algo lhe incomodando? – lançou-lhe um olhar inquisidor, o mais paterno que Alice já vira – Não consegue dormir porque algo a perturba, certo?

Ingleses... Sempre perspicazes e adoráveis!

– Na verdade eu tive problemas com a cama... ela é confortável demais, impossível dormir! – Alice sorriu brevemente, cada vez mais encantada pelo modo gentil com que Alfred demonstrava se importar com o seu bem-estar, mesmo conhecendo-a há menos de um dia – Não, você tem razão, eu estou um pouco preocupada, sim... – confessou, ainda mantendo o contato visual com o mordomo.

Antes que ele pudesse responder, a chaleira começou a chiar, e imediatamente Alfred dedicou-se a servir o líquido quente e cheiroso em duas canecas razoavelmente grandes.

– E essa preocupação teria relação com Coringa? – O mordomo entregou uma das canecas generosas para Alice e sentou-se, convidando-a a fazer o mesmo.

Antes de dar continuidade à conversa, ela deu um pequeno gole no chá, receando o gosto e a temperatura alta, mas precisando molhar a garganta o quanto antes. Assim que o líquido tocou sua língua e preencheu o seu paladar, os olhos da hippie se arregalaram com aquele sabor exótico, algo que ela jamais esperaria encontrar num simples chá.

– Uau, está fantástico, Alfred! – elogiou com sinceridade.

– E você nem está enferma! – gabou-se com um sorriso cordial.

– Certo, me convenceu! – riu, tomando mais um gole, dessa vez mais longo e sem hesitar.

– E então, o que poderia desajustar seu sono? – ele voltou ao assunto, assumindo a mesma expressão de pesar e seriedade, levando a caneca que fumegava à boca.

– Ah, eu não sei... – encarou a asa de sua caneca, passando lentamente o dedo indicador por ela enquanto falava – É desconcertante tudo o que a minha vida virou de uma hora para a outra... – começou, sem saber ao certo se queria levar aquele assunto adiante, mas ao mesmo tempo sendo incapaz de contê-lo. Era bom desabafar com alguém como Alfred, suas feições amistosas já tendo o poder de reconfortar...

– Como assim? – seu rosto gentil e paciente transmitia muita confiança, e Alice deixou que os seus olhos mirassem novamente a figura grisalha que estava à sua frente, surpreendendo a si mesma ao começar a desabafar tudo o que ficou aprisionado em seu peito desde o início daquela confusão.

– De repente a minha vida se transformou em um tumulto que nem eu entendo! Eu era uma pessoa sem grandes problemas, tudo era tão simples... – apoiou o queixo com o dorso de uma das mãos enquanto ainda falava sem parar – E de uma hora para a outra eu me vejo encurralada por todos os lados. É como se eu perdesse totalmente o controle da situação – sua voz adquiriu um tom irritadiço e inconformado com aquela verdade. Alice sempre foi uma pessoa independente demais para aceitar de bom grado toda aquela proteção desmedida.

Alfred lhe ofereceu mais um daqueles sorrisos que só ele sabia dar, fazendo parecer que nada era difícil demais, e que só ele, com sua vasta experiência e sabedoria, poderia fazê-la compreender.

– Você não perdeu o controle da sua vida, Alice! – disse suavemente – Só precisa passar por mais essa dificuldade sabendo que pode contar com as pessoas que te amam. Não espere conseguir superar isso sozinha, a ajuda que meu patrão lhe oferece é necessária, e não é vergonha alguma aceitá-la – concluiu, ainda sorrindo bondosamente.

– Eu entendo que as intenções de vocês sejam maravilhosas, e agradeço muito por me acolherem numa hora como essa. – abrandou a voz enquanto replicava – Só não acho certo abusar dessa hospitalidade...

– Ninguém está incomodado com a sua presença aqui, muito pelo contrário, você e seus cachorros alegraram esta mansão normalmente tão solitária e quieta! – Alfred sorriu ao ver Capitu entrar vagarosamente na cozinha e deitar-se, fiel, ao lado da dona.

– Aposto que você é o único a achar isso – ela riu ao recordar a expressão de desalento da empregada quando viu os sete cachorros entrando na mansão com as patas imundas de terra, e logo em seguida quando Satanás foi correndo até ela e começou a pular com compulsão no seu uniforme de trabalho, que imediatamente absorveu a típica coloração marrom-avermelhada do jardim e arrancou-lhe gritinhos de apreensão.

– Acredite, meu patrão está visivelmente satisfeito, como há muito tempo eu não o via! – ele deu mais um gole em seu chá, e Alice o imitou – O bem que você tem feito a ele é incontestável.

– Por algum tempo eu tentei evitar Bruce por achar que ele seria apenas mais um granfino esnobe e tedioso... Mas agora eu vejo que estava enganada, ele também me faz muito bem! Só não conte isso pra ele, por favor... Ele vai ficar ainda mais convencido se souber!

– Mestre Wayne mais convencido? – Alfred arregalou os olhos, duvidando – Improvável!

Os dois riram, e Alice levou novamente a caneca à boca, dando mais um longo gole e sentindo o corpo esquentar de um jeito gostoso, sua sede já saciada.

Ao tocar naquele assunto, a hippie lembrou-se de algo que realmente a incomodou no início daquela conversa:

– Está tudo bem com Bruce? – perguntou de repente – Você pareceu meio hesitante quando garantiu que eu não o acordei...

Alfred desviou os olhos para seu chá, parecendo pensativo.

– Está tudo bem, sim...

– Então como pode saber que eu não o incomodei? – Alice franziu a testa, nitidamente confusa.

– Bem, é que... Patrão Bruce não está aqui no momento... – disse, por fim, arrependendo-se no mesmo instante por não ter pensado em nada melhor para dizer.

Na mesma hora Alice se sentiu uma completa idiota. Ela ali, demonstrando o quanto estava se envolvendo com o panaca, e ele provavelmente saindo com várias mulheres enquanto ela praticamente se declarava ao seu fiel mordomo, que com certeza ainda colocaria o patrão a par daquela conversa, agora humilhante ao entendimento da hippie...

– Não é isso o que a senhorita está pensando! – Alfred adiantou-se, percebendo a expressão de decepção da mulher, querendo a todo custo consertar aquela má impressão que ele causou tão acidentalmente. Seu rosto parecia abalado...

– Não precisa se preocupar, Alfred. Bruce não me deve qualquer explicação sobre sua vida pessoal... – após um breve instante de um silêncio contemplativo direcionado a nada muito específico, Alice prosseguiu, erguendo-se ereta – Bom, acho melhor eu ir dormir, não quero te atrapalhar ainda mais! – ela tentou esboçar um sorriso – O chá estava realmente maravilhoso, Alfred, obrigada!

Alice já estava saindo da cozinha, seguida por Capitu, quando virou-se ao ouvir a voz do mordomo.

– Meu patrão tem enorme apreço pela senhorita, Alice, não se esqueça disso! Ele está fazendo o inimaginável para protegê-la, e realmente precisou se ausentar.

“Claro, a necessidade de galinhar era enorme...”

– Eu sei, Alfred – ela sorriu –, não vou me esquecer disso... Boa noite!

– Boa noite... – respondeu num suspiro.

Mais cedo, na mansão:

Bruce aguardou até que Alice fosse dormir para dar início à sua duvidosa perseguição ao Palhaço, sem saber exatamente como conseguiria esse feito em tão pouco tempo... Foi em direção à caverna subterrânea onde guardava sua roupa de Morcego e todos os seus acessórios, seguido pelo fiel mordomo.

– Eu estou fazendo a coisa certa, Alfred? — perguntou assim que a abertura do esconderijo se fechou atrás dos dois, isolando-os no sujo esconderijo.

– Como, senhor?

– Eu quero proteger Alice, mas não sei como... Não me parece uma boa ideia sair por aí sem rumo procurando pelo Palhaço. Há anos que eu não obtenho sucesso nessa captura, parece-me bem improvável que fazer isso às cegas me dê melhores resultados.

– Por enquanto é somente isso que o senhor pode fazer, patrão Bruce. E se por acaso não conseguir capturar Coringa e Alice for embora, caberá ao senhor decidir se vai continuar tentando protegê-la. Se decidir vigiá-la, as atividades de Batman estarão comprometidas por mais esta tarefa.

– Eu sei disso, mas não posso permitir que Coringa se aproxime dela.

Os dois pararam diante da vitrine em que descansava a armadura de titânio negra, começando a transformar o Bilionário no Cavaleiro das Trevas.

– O senhor está realmente se apegando à moça, não está?! – aquilo foi uma pergunta retórica.

– Você me conhece melhor do que ninguém, Alfred.

– E a senhorita Rachel?

– Ela fez suas escolhas, está na hora de esquecer o passado e começar a fazer as minhas.

Alfred sorriu, a satisfação nítida naquele gesto.

– Muito prudente, patrão! – aprovou – A senhorita Alice parece ter uma ótima influência sobre o senhor.

Os dois ouviram um barulho estridente vindo de cima.

– Falando nela, acho que acordou – Bruce riu pela eterna falta de jeito da hippie, achando graça.

– Eu vou verificar se está tudo bem com ela – avisou, ameaçando retirar-se.

– Faça isso, Alfred, por favor. – antes que o mordomo saísse dali, Bruce chamou novamente sua atenção – Ah, e tente não deixá-la perceber que eu saí! Aquela cabecinha fértil já ia pensar bobagens...

– Farei o possível, senhor!

Batman vagava pelas ruas de Gotham com o Bat-móvel, apenas com uma coisa em sua mente nunca antes tão decidida: Encontrar Coringa. Precisava fazer isso o mais depressa possível, antes que Alice saísse da proteção de sua vigília e começasse a correr um risco mais sério ao se expor.

“Por onde eu começo? Talvez devesse visitar o circo que chegou à cidade...”

Foi nesse momento que o Morcego teve uma ideia... Afinal, ele não estava sozinho nessa busca, e talvez a sua pequena epifania pudesse levá-lo de fato a algum lugar, e não a apenas vagar sem rumo pelas ruas fracamente iluminadas...

Batman alterou o sentido do possante, já sabendo por onde deveria começar, mas tendo plena consciência de que não seria nada fácil...

Ele manteve o curso do seu trajeto, decidido a acabar de vez com o palhaço psicopata.

Após alguns minutos, parou o veículo em frente a uma bela casa, muito conhecida pelos habitantes da cidade, e começou a escalar, até uma janela no alto do segundo andar. Era uma situação bem estranha, ele tinha que admitir, mas não conseguiu pensar em nada melhor...

Não demorou para que ele ouvisse passos preocupados pelo aposento, como se buscasse a procedência dos ruídos que rondavam o exterior de sua morada.

– Quem está aí? – de dentro procedeu uma voz censurante, armada em seu tom.

– Sou eu, Comissário.

Gordon imediatamente reconheceu a rouquidão daquela voz e abriu a janela, parecendo confuso e visivelmente descabelado pelo despertar recente. Até mesmo o denso bigode despontava de forma bagunçada.

– Batman... O que houve?

– Eu preciso da sua ajuda...

– Espere, não acho uma boa ideia conversar na frente da minha casa... Vamos até a delegacia.

Batman assentiu e esperou que Gordon se vestisse apropriadamente, e os dois saíram em disparada no Bat-móvel.

– Sabe, eu sempre quis andar nesse troço! — comentou alegre, fitando com admiração a tecnologia espantosa que o envolvia.

O Cavaleiro das Trevas permaneceu em silêncio, dirigindo pelas ruas desertas com uma pressa que era movida pela sua sede de resolver de uma vez aquela situação, e não demorou nada para chegarem à delegacia.

Gordon sentou-se em sua habitual cadeira e o Morcego permaneceu de pé, mantendo certa distância, como sempre costumava fazer.

– E então, o que houve? – perguntou, servindo-se de uma dose exagerada de café.

– Coringa voltou.

O Comissário cuspiu o líquido na armadura de Batman ao ouvir aquelas duas míseras palavras, adotando uma expressão desconcertada.

– Me perdoe, Batman. Pelo menos sua roupa já é preta, não? – tentou aliviar aquela desagradável situação, mas Batman permaneceu sério e inabalável. Nem ao menos se mexeu – Como você sabe que o Palhaço está de volta?

– Como eu sei não importa, tudo o que eu preciso é saber se posso contar com a sua ajuda e com o auxílio da polícia para atraí-lo.

– Nós estamos fazendo uma busca em todas as cidades vizinhas depois que ele fugiu, ainda não o encontramos, mas sabemos que ele não pode ter voltado... Coringa estava muito ferido, a menos que alguém o ajudou, ele não teria condições de retornar agora.

– Isso não é relevante, Comissário, parem de perder tempo com essas buscas em outras cidades. Coringa está bem aqui, debaixo dos nossos olhos.

– Você sabe de alguma coisa e não quer me contar. – acusou, estreitando os olhos em reprovação.

– Você vai me ajudar ou não? – perguntou impaciente.

Gordon o analisou, pensando se deveria confiar no Homem Mascarado, mesmo ele escondendo informações úteis à polícia. Soltou o ar num suspiro contrariado ao perceber que Batman é quem ditava as regras, e disse relutante:

– Qual é o plano?

Notas finais
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