Timelife
2 Espada Real - Timelife

Espada real
— Mãe, eu gostaria de ajuda-la. — A garota loira cruza os braços sem paciência. — Mas preciso ver o que irá acontecer na praça central...
— Pare com isso, Halsey! Não é não. — A mulher dolorida das costas pega no balde cheio de roupas com ignorância e puxa o braço da filha para o lavador. — Suas obrigações vêm em primeiro.
— Se fosse com o Hadriel à senhora deixaria. — Halsey atola as roupas na água limpa com raiva.
— Hadriel é mais velho e é homem! – Lívia Devon grita para encerrar o assunto, não aguentava mais tal persistência da filha entender que não poderia ir ao evento real.
Halsey estava com uma frase pronta para ser sibilada quando Hardan apareceu com uma cara emburrada na soleira da porta do quintal.
— Mãeeeeeee. Estou com problemas, Lucy não respondeu meu e-mail. — O garotinho loiro fala com os olhos abrigando as lágrimas.
— Todos têm problemas e acredite ou não, mais preocupantes que o seu! — Halsey revira os olhos ao ver o como à mãe esconde um sorriso para o filho mais novo.
— Cale-se Halsey. Hardan já considerou o fato de Lucy estar sem internet? — Lívia apressa-se ao aconchegar o filho nos braços magros.
— Mas mãe, Lucy não vive como nós. Ela mora em Hort não em Dragonvel. — Halsey apenas escuta relutante a conversa do irmão enquanto lava as roupas.
Por um segundo Lívia fica em silêncio, recebendo o olhar de Hardan.
— Será que ficarei como Halsey? — O garoto pergunta decepcionado.
— Como assim ... — A garota não tem tempo de terminar sua pergunta.
— Claro que não filho, você é homem, Halsey é mulher. Você poderá sair todas as noites e terá a chance de encontrar várias garotas, Lucy rastejará aos seus pés. Quem não iria rastejar? Você se tornará um grande médico, Hardan, um bom partido além de ter seus belos olhos azuis e cabelos loiros, poderá ir para bares... Imagine! — Lívia passa a mão pelos cabelos reluzentes do filho.
— Sim, sou homem. Lucy não é nada para mim. — Hardan fala contente.
“Parabéns, Dan, aprendeu sua lição de casa do ano!”Halsey permite-se fechar os olhos e controlar os tais hormônios adolescentes.
— Isso,agora vá,vá para a praça central, o príncipe desfilará lá! — Lívia dá duas tapinhas nas costas de Hardan antes que este corra para dentro da casa e procure Hadriel para leva-lo a pedido de sua mãe.
— Mãe, eu queria ir. Eu pedi. — Halsey sussurra.
— Vá, Halsey, mas saiba que quando chegar ficará sem internet para saber administrar seu tempo! Desse modo ninguém irá querê-la e não quero ficar com uma filha solteira em casa. — Lívia bufa e toma o lugar de Halsey no lavador quando esta comemora e sai correndo para trocar-se.
Não precisa de muito, ela não tem muito.
A camisa preta larga esconde seus seios pequenos, o jeans rasgado comprido esconde suas pernas não raspadas e o cabelo solto esconde a face que algum dia já acreditara ser bonita.
Não há nada para se destacar em seu corpo, até seus preciosos olhos não puxaram a de seus irmãos e mãe.
O castanho denso era quase deprimente ao ser refletido no espelho.
Hadriel e Hardan a esperavam para ir.
— Odeio quando você usa minhas camisas, tens tantas bonitas e usas meus trapos! — Hadriel a cutucara na ida para a praça central.
Apesar do tom de humor dele, Halsey percebera a mensagem subliminar: “São roupas de homem e como estás a usar a camisa que um dia usarei, poderão me ver como um cara diferente. Um que usa roupa que uma mulher usou.”.
— Hadriel, por que o príncipe vai desfilar na praça central? — Perguntou Hardan curioso.
— Não é bem um desfile, irmão, o príncipe tem o dever de cavalgar no seu cavalo mais bravo pela praça onde irá escolher algumas pessoas do reino para conversar diretamente com o rei sobre a situação do vilarejo que vivem. — Os cabelos loiros dos três irmãos brilhavam a luz do sol quente de uma hora da tarde.
— Não é bem assim, Hadan, isso é uma historinha que inventam para pessoas idiotas, a verdade é que o rei precisa saciar-se de sangue dos súditos para viver. — Halsey sorrira.
— O rei é tipo um vampiro? — Hadan para abruptamente.
— Sim, mas o príncipe é um estripador. — Hadriel entra na brincadeira da irmã.
— Eu quero ir para casa... — Hadan passa as mãos pelos cabelos. — Lembrei-me de mandar minha nova música de amor para Lucy...
— Hadan, espere! — Halsey grita desesperada ao irmão menor dar meia volta e correr para casa.
— Vá atrás dele, Halsey! — Hadriel a empurra.
— Quê? Por favor, Hadriel, por favor! Eu tenho que vê-lo! Por favor! — Halsey olha para o irmão.
— Ver o príncipe ou o nojento do Cameron? — Hadriel cruza os braços.
— Hadriel. Por. Favor.
— Não demore, não quero morrer hoje. — Halsey o abraça.
— Não morrerás, não hoje e não por nossa mãe ou pai, és homem, lembras?
— Vá, antes que eu lhe xingue. — Hadriel sorri e corre atrás do irmão pequeno.
A loira sem perder tempo se aproxima rapidamente da multidão na praça central.
Seus olhos castanhos em uma procura encontram o garoto alto moreno de cabelos em um topete desarrumado e vestes simples.
Os batimentos cardíacos aceleram.
Trotadas de cavalo silenciam o povo.
A espada do príncipe é a primeira coisa que Halsey consegue admirar.
— Olhe para ele!
— É lindo!
— E rico!
— Viva ao príncipe Wadland!
As garotas ao lado de Halsey cochicham em altos berros.
O príncipe, principal símbolo sexual da monarquia de todos os reinos da Europa, é realmente algo bonito de se ver, com os cabelos castanhos bem escovados, armadura bem cuidada, sorriso galanteador, olhos verdes intensos, sobrancelhas definidas. Uma lábia excelente.
— Olá, donzelas e cavalheiros aqui presentes! — O sorriso é feito. As moças suspiram. — Temos uma grande novidade, minha noiva será apresentada ao reino próximo domingo! — Halsey é puxada da multidão. Seus lábios colam com os de Cameron em menos de um segundo. — E para isso, haverá uma grande cerimônia onde poderão comemorar conosco através de telões montados neste lugar! Não é demais?
— Cameron! Onde está minha armadura? — Halsey o empurra para o lado ligeiramente. Não era hora para romances.
Cameron aponta para Nick que segura um saco aparentemente pesado.
— Consegui até uma espada mais descente do que da última vez. — Nick com seus cabelos negros arrumados e vestes rasgadas entrega o pacote para a garota loira que troca-se escondida em um dos becos vazios da praça.
O príncipe continua falando sobre seu evento.
Halsey atravessa a cerca viva e sai da praça central, já vestida. Lembra-se de todos os treinos feitos com a espada de madeira. De todos os ataques feitos aos armazéns do vilarejo de Hort.
Sua barriga remexe-se de nervosismo enquanto pragueja uma lista de palavrões mentalmente. Está se arriscando muito... Talvez não fosse o momento certo... Talvez a vingança pudesse ser adiada...
Quando retorna, alguns percebem.
Menos o príncipe.
— Lord Wadland! — Sua voz sai alta,rouca e autoritária como a de um homem.
O príncipe cala-se. Vira-se com o cavalo e observa a pessoa insignificante com uma armadura diferente de seus soldados.
— Soldado, quem és para interromper um dos meus avisos?
— Sou um mensageiro, Lord. A senhorita sua noiva, já estar em suas terras, me mandara levar vosso príncipe até ela.
A praça parece explodir.
— Ah, Claro. Povos de Wadland, não teremos nenhuma visita para o rei hoje, contudo espero que tenham gostado da notícia. Podem voltar para suas tarefas. — O príncipe agarra sua espada e faz um cumprimento.
Halsey sorri por baixo da armadura, príncipe tolo.
Será mais fácil de envolvê-lo na armadilha.
— Soldado, onde está minha donzela?
— No Porto Real, Lord. — Halsey prepara-se para caminhar quando é surpreendida por duas frases que de maneira nenhuma constariam no roteiro.
— Espere-me, soldado. Irei com vossa presença. — O príncipe sai do cavalo e o prende a um tronco de arvore da praça.
— Mas, Lord, vossa noiva não tolera esperas! — Halsey mantém o tom de voz neutro apesar de por dentro estar em pânico.
— Tenho certeza, soldado, que ela me esperará, qual boa puta não espera por seu trocado? — O príncipe ri de sua própria piada enquanto Halsey procura por Nick e Cameron. Nem sinal de ambos na praça.
O plano já começara.
— Vamos, soldado, conte-me sobre vossa travessia de Gorgon até aqui. — "Tudo está errado" Halsey pensa.
A noiva do príncipe vem de Gorgon – Que era a terra das barbáries-? Era para Halsey já estar em casa, era para Nick e Cameron estarem com as mãos na garganta do príncipe insolente!
— Foi cansativo, Lord. — Halsey engole em seco.
“Mantenha-se firme, merda, merda, merda... vai dar merda...”.
— Principalmente para uma mulher, acredito. — Halsey quase morre, mas volta a respirar quando o príncipe completa: — Como a minha noiva, Lady Lara, é realmente muito luxuosa para estar em navios.
A menina de armadura avista duas pessoas caídas no caminho.
Nick e Cameron estão estendidos no solo de pedras.
— Soldado! — O príncipe agarra o braço de Halsey que prende a respiração novamente. — Aqueles homens, vá ajuda-los!
“Quê? NÃO! NÃO! NÃO!”
— Lord Wadland, com todo respeito, não posso tocar em seus súditos. — Halsey comenta entre dentes ao relembrar de alguma lei tosca da maioria dos reinos da Europa sobre militares imigrantes ou viajantes.
— Ah! Então me ajude! — E assim que Wadland corre para ajudar os garotos estirados no solo, um ataque mal é feito que outro ataque é revidado.
O tempo não para, parece apenas que está a favor do príncipe.
Mal as mãos sedentas de ódio de Nick encostam-se as vestes do príncipe cuja espada fora mais rápida.
A cabeça do rapaz está descolada de seu pescoço em um piscar de olhos e logo em seguida que Cameron nota o fato,está do mesmo modo que o amigo.
Halsey não consegue sentir nada além do vento cortante batendo em seu elmo enquanto corre para longe da cena.
“Vamos, pernas idiotas! Vamos!”
A triste realidade a atinge com uma enfiada de espada nas costas.
A armadura, com toda certeza, não era das melhores.
O seu elmo é retirado com ignorância, cortando o lado direito da bochecha e a região da mandíbula.
— Olá, puta. Seu príncipe não é tolo querida,morra no inferno mulher de merda. — O sussurro frio no ouvido de Halsey é o que mais lateja.
Seu corpo cai para frente quando o príncipe cruelmente retira a espada de suas costas.
Quer gritar, mas nada sai de sua boca seca.
Quer tanto matar – Torturar — o príncipe... Rasga-lo em tirinhas pequenas, arrancar seus olhos, enfiar sua língua até sair pelo ânus e claro, arrancar o seu membro real.
“Querer não é poder! Principalmente nascendo mulher.“ O grito de Lívia é o último pensamento que lhe consome.
Parece que está nadando em um vulcão em erupção quando fecha os olhos e o preto absorve seu mundo.
Time Legacy
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