Timeless

2 Cap 2 - Parecidos demais


Notas iniciais
Esse capítulo ficou muito maior do que eu esperava, mas resolvi postar ainda nessa semana! Espero que gostem, mesmo que esteja um pouco confuso ainda.

O contrato havia sido feito. Selado naquela noite há tantos anos, quando o garoto Ciel se tornara o último descendente da família Phantomhive. O demônio que recebeu o nome de Sebastian desempenhou o papel de mordomo e tutor durante muitos anos, servindo e fazendo todas as vontades do garotinho mimado que parecia nunca mudar muito sua estatura e aparência.

Quando os pedidos acabaram e o jovem Ciel conseguiu finalmente alcançar seus objetivos, o contrato deveria ser honrado, e sua alma não mais pertenceria a ele mesmo. Não que ele se importasse. Desde o começo Ciel sempre almejou o final de sua jornada, não importando os caminhos ou a consequência que a escolha fizesse, e ele nunca esteve insatisfeito ou arrependido por ter aquele demônio ao seu lado.

Mas Sebastian não cumpriu sua parte do contrato. E antes que qualquer um julgue seu sentimento como pena ou dó, o certo seria dizer que ele fez por egoísmo.

Um demônio pode viver eternamente. E a eternidade, como todos sabem, é monótona e muito longa. O que tempera a existência de um demônio como Sebastian, são almas como a de Ciel. Almas completamente puras, feridas por sentimentos igualmente puros que não chegam a corromper, mas que nunca são cicatrizadas. Sebastian quis prolongar o êxtase que aquela alma poderia lhe trazer e resolveu esperar. Cultivou seu alimento até o último momento, para no fim perceber que não era a alma em si que tinha sabor, que lhe trazia o êxtase. Não só a alma, mas sim Ciel como um todo, com sua vida, suas respostas atravessadas e cheias de razão, suas ordens egoístas e, (naquelas poucas vezes que Sebastian conseguiu presenciar), seu carinho infantil.

Só alma sempre seria somente uma alma.

Sebastian decidiu não devorar a alma de Ciel, guardando-a dentro de um pequeno frasco que mantinha sempre pendurado em seu pescoço. O nome Sebastian permaneceu apesar dos anos e dos novos contratos, assim como seus trajes e sua aparência.

Ele ainda trajava aquele mesmo fraque engomado, que atualmente se encontrava apoiado em seu ombro direito, enquanto dobrava as mangas da camisa cuidadosamente até os cotovelos. William T. Spears o acompanhava de longe, supervisionando seus movimentos. Ele era o supervisor dos deuses da morte e não deveria estar lá, ocupando o cargo que o problemático Grell deixara. E ainda tinha que aturar o demônio.

– Já não acha que na situação atual, você deveria ter perdido o nojo? — Sebastian ironizou, olhando de esgueira para o deus da morte atrás de si, que mantinha uma distância de pelo menos cinco metros.

– Demônios serão sempre demônios. — Willian respondeu com desinteresse, arrumando os óculos repetidas vezes com sua foice. — Não importa se você está trabalhando para nós, continuará sendo de uma raça inferior e desprezível.

– Inferior... — Sebastian repetiu para si mesmo, achando graça. — E mesmo assim pediram minha ajuda?

Willian suspirou audivelmente, escondendo os olhos no brilho esbranquiçado que as lentes causavam.

– Você foi o único capaz de exterminar um dos nossos e ainda acabar com a horda de demônios. Não tivemos escolha. — O supervisor dos Shinigamis admitiu desviando o rosto para o lado, como se estivesse envergonhado por aquilo. Embora isso não fosse demonstrado em seu tom de voz frio. — Se está buscando elogios ou agradecimentos, não é comigo que irá conseguir.

Sebastian desistiu de continuar o diálogo. Sabia que não conseguiria arrancar nada do Shinigami, então voltou a se concentrar no seu trabalho.

Aspirou com mais força o ar, sentindo o cheiro podre que já estava bem perto. Virou-se ao ver uma sombra tremer, e em um salto, Sebastian sumiu de vista. Willian, que o acompanhava de longe, saltou logo que viu o demônio se virando, mas não conseguiu encontrar o outro ou mesmo o que eles buscavam. Seu instinto apenas lhe avisou para sair de lá.

Olhando em volta para procurar Sebastian ao mesmo tempo em que lhe praguejava mentalmente, Willian estava de pé sobre um dos prédios, sua foice pronta para qualquer surpresa.

Sentiu uma presença nada amigável atrás de si e se virou já atacando, sem saber antes quem era. A mão de Sebastian parou a lâmina antes que esta perfurasse seu pescoço, enquanto a outra mão atravessava uma sombra, que aos poucos se revelava um grande cão negro em posição de ataque, erguido no ar. Ao invés de pelos, o cão tinha pequenas escamas e olhos avermelhados. Foi pego antes de realizar sua investida contra o deus da morte.

– Esse demônio não é forte, mas é muito rápido. — Sebastian disse, com seu sorriso irônico brilhando. Olhou de lado para Willian e piscou. — Deveria ter mais cuidado.

O Shinigami crispou os lábios. Embora seu rosto sério nunca mudasse muito de expressão, sua aura mostrava o quanto havia ficado irritado com o “salvamento” do outro. Puxou sua arma das mãos de Sebastian e retirou um lenço branco do bolso, passando no local em que o demônio a tocara.

Sebastian riu, jogando o demônio morto no chão e retirando sua luva suja de sangue.

– Não gosto de ficar devendo para um demônio. — Willian disse, guardando o lenço branco no bolso e ajeitando seus óculos. — Então faça um pedido para quitarmos a dívida.

Sebastian olhou para o outro um tanto surpreso. Willian tinha suas manias e preconceitos, mas era extremamente certinho e ético da sua própria forma. O demônio não pôde deixar de achar que o destino o havia agraciado. Poderia sanar suas dúvidas de forma rápida e sem rodeios.

– Já que está tão disposto a cooperar, tenho uma pergunta: Almas podem ser duplicadas?

Willian não conseguiu disfarçar a confusão que aquela pergunta havia lhe trazido.

– Me parece que a pergunta já estava formada antes da minha permissão. — O shinigami disse, analisando o rosto repleto de ironia do demônio. — O que planeja com essa informação?

– Apenas tirar uma conclusão. Estou pensando nisso há algum tempo.

Ajeitou os óculos mais uma vez, como se precisasse fazer aquele gesto para poder raciocinar melhor.

– A resposta é não. Uma alma, um corpo. Cada qual é único. — Willian viu o pequeno frasco no pescoço de Sebastian e rodou os olhos. — Vai tentar reviver aquele humano?

Sebastian terminou de arrumar as mangas da camisa e já vestia seu fraque. Olhou para o céu com pesar e suspirou antes de começar a colocar os botões em suas respectivas casas.

– Demônios não criam. Apenas destroem. — Ele declarou antes de se virar de costas e partir dali, sumindo da vista do shinigami.

Seria impossível, pensou Sebastian. Ele estaria procurando justificativas para a semelhança que havia entre os dois garotos, ou estaria buscando desculpas para as sensações que presenciava?

Não deveria ter interagido com o humano. Tinha sido estranho, irreal e irracional.

Apesar de toda sua controvérsia, Sebastian havia voltado a ver aquele garoto mais de uma vez. Ele sempre sentia sua presença e falava alguma coisa, mas o demônio apenas ficava observando-o em silêncio, tentando entender o que havia de errado.

O tempo havia passado sem que percebesse, a cada dia prometendo a si mesmo que não voltaria a ver aquele humano, e a cada dia quebrando a mesma promessa em visitas breves. Rápidas o bastante para não atrapalhar sua monótona rotina. Calmas o bastante para descobrir coisas interessantes sobre o garoto. Coisas que só fizeram sua curiosidade aumentar cada vez mais.

O nome do garoto era Ciel. Nome que fez Sebastian sentir um calafrio que lhe trazia medo e ansiedade. “O mesmo nome. As mesmas feições”.

Foi em uma noite de tempestade que aconteceu. Em uma noite que seu humor estava bom o bastante até mesmo para aguentar Grell por mais tempo do que seria saudável. Mas ao invés disso, ele escolheu ir visitar o humano.

Quando chegou, se surpreendeu ao encontrá-lo encolhido entre os lençóis da própria cama. Ciel estava sozinho, e quando um relâmpago cortou o céu, ele estremeceu.

– Quem está ai?! — Ciel gritou, sem sair de baixo das cobertas.

Pela segunda vez algo intrigou Sebastian. Ciel sempre sentia a diferença de quando era o demônio que estava no cômodo, e sempre o cumprimentava.

– Pai? Já voltou? — Ele disse novamente, antes de se abraçar com mais um clarão que cortou o céu. — Hey, isso não tem graça! Quem é?

Pela concepção de Sebastian, humanos de 15 anos deviam ser maduros o suficiente para não temer coisas tão insignificantes como trovões. Embora o garoto fosse cego, não lhe vinha nada lógico o suficiente para sentimentos como medo.

– Pai? — Ciel chamou novamente, trêmulo.

Não ser reconhecido deixava Sebastian nervoso. Ele não gostava de ser confundido com ninguém, principalmente com um humano. E foi sem perceber que acabou se projetando para frente, a voz saindo como por impulso.

– Não sou... — A voz morreu, sendo impedida antes que ele conseguisse terminar a frase.

Fez-se um silêncio incômodo. Em que Ciel não sabia se ele tinha escutado e se Sebastian havia realmente falado alguma coisa. Ficaram imóveis durante alguns minutos, em que a confusão e incerteza pareciam prolongar ainda mais o tempo. Até que Ciel saiu debaixo das cobertas, parecendo confuso.

– Foi você quem levou minha mãe...? — Ele disse, meio sussurrado.

Ciel o reconheceu apenas com aquelas palavras, mesmo que Sebastian nunca tivesse dito nada antes. Parecia que ele tinha se acalmado com a pequena pausa que os trovões haviam dado e sentido que era o demônio quem estava ali, mas Sebastian não conseguiu falar mais nada. Apenas esperou que ele fizesse mais alguma coisa para que usasse como desculpa para interagir.

Mais um relâmpago iluminou o quarto, fazendo Ciel voltar para debaixo das cobertas rapidamente. Sua mão se estendeu para fora, e o outro a encarou sem entender.

– Fica aqui. — Ele disse em um fio de voz, trêmulo apesar do tom de ordem.

Sebastian esperou um tempo antes de formular algo para responder. Ele sentia vontade de atiçá-lo, provocá-lo. Fazê-lo dizer que era só mais um humano e que o demônio não devia estar lá.

– Não é vergonhoso ter medo de trovões? — Sebastian enfim disse. Seu tom de voz neutro como sempre.

– Você não entende. Meus sentidos ficam confusos e os clarões trazem imagens na minha cabeça. Não é um medo qualquer. — Ciel cobriu o rosto com vergonha de estar se expondo daquela forma. Sua mão já não estava mais estendida, repousando a frente de seu travesseiro.

– Isso se chama adrenalina. É só mais uma forma de medo.

– Se não entende, devia calar a boca. — O nervosismo deixava Ciel agressivo, respondendo sem pensar.

Mais um momento de silêncio. Sebastian se aproximou, ficando ao pé da cama, apenas o encarando e estudando suas reações. Só o fato de Ciel saber que tinha mais alguém com ele parecia ter trazido certa calma. Mas ele ainda tremia, e de certa forma aquilo deixava o outro aflito.

Sem se conter, Sebastian colocou a mão sobre a dele. Ciel se assustou de imediato e quase recolheu a mão, mas não o fez.

– Ficarei aqui até a chuva acabar. — A voz do demônio parecia estranha até mesmo para seus próprios ouvidos.

Sentiu Ciel parar de tremer, e sua respiração batia em sua pele com menos intensidade.

– Obrigado. — O garoto sussurrou antes de retirar sua mão de baixo da do demônio.

Naquele pequeno momento de contato, Sebastian sentiu um ressonar leve no garoto. E embora ele sentisse e soubesse que aquilo era inegável, sua mente não conseguia aceitar. Era teoricamente impossível.

As almas eram iguais.

_______________

Depois de cometer um erro, o normal seria evitar que aquilo se repetisse. Não que Sebastian considerasse conversar com Ciel um erro. A definição certa era “precipitação movida à curiosidade”. E ele se encontrava verdadeiramente curioso.

Não foi surpresa o demônio voltar lá. Também não foi surpresa eles terem finalmente algum tipo de diálogo.

– Você tem nome? — Ciel perguntou enquanto terminava de se trocar, sem parecer ter vergonha de se despir na frente do outro.

Ele era muito bom em se vestir sozinho, Sebastian notou, mesmo sendo cego. Ele parecia não gostar de depender de ninguém para fazer suas tarefas diárias, apesar da superproteção do pai.

– Pode me chamar de Sebastian. — O demônio se encontrava sentado na escrivaninha ao lado da cama, analisando-o com intensidade.

– Sebastian... — Ele sussurrou para si mesmo, como se tentasse gravar o nome. — É um nome estranho.

– Me foi dado há muito tempo. — Sorriu, se lembrando da origem de seu nome.

– Já sabe o meu, não é? — Ciel colocava uma blusa um pouco larga para seu corpo magrelo, lhe dando uma aparência ainda mais infantil.

– Certamente.

– Por que resolveu falar só agora?

– Era deselegante continuar a te observar sem me apresentar devidamente.

Ciel fechou o armário e voltou para frente de Sebastian com uma faixa preta nas mãos, que passava ao redor dos olhos e amarrava de lado na cabeça.

– Por que usa essa venda? — Sebastian perguntou. Sempre achou graça no laço preto que a faixa formava, parecendo um enfeite de cabelo feminino.

– Minha cegueira não me permite ver formas. Mas a luz me incomoda e andar de faixa ou de óculos escuros no meio da rua seria ridículo.

– Ainda mais deste jeito que está amarrado.

Ciel franziu a testa, sem entender.

– O que tem?

– Parece um laço feminino.

Sebastian riu e Ciel corou, ficando emburrado imediatamente. Desfez o laço e virou o rosto para o lado. Como saberia o que aquilo parecia? Era cego e nunca havia estado daquela forma na frente de ninguém, a não ser seu pai.

– Permita-me. — Sebastian disse, tocando nas mãos do garoto para que ele soltasse as pontas da faixa.

Ciel deixou que o outro fizesse o laço, mais por falta de reação causada pela vergonha do que por realmente precisar de ajuda. Quando a faixa estava devidamente amarrada, Ciel não agradeceu.

– Você fala estranho. Como os personagens dos contos antigos. — O garoto disse, checando com as mãos o laço perfeito que tinha atrás da cabeça. — Eu sinto que você não é como os outros. O que você é?

– Outros? — Sebastian arqueou as sobrancelhas, confuso.

– Eu sinto e ouço coisas desde que eu era pequeno. Coisas que os outros não percebiam, que não são deste mundo. — Deu uma pausa, esperando que o outro dissesse alguma coisa. Porém, este não o fez. — Minha mãe dizia que era minha imaginação. Mas eu sabia que era real.

– Sua mãe devia ter medo. É normal humanos terem medo do que não conhecem.

– Eu nunca tive medo. Mas queria entender o que era, e cheguei a achar que eram fantasmas. Mas você... Sua presença é diferente das outras.

Sebastian se sentiu orgulhoso. Claro que era diferente de qualquer outro ser. Até mesmo para os demônios, sua classe era alta e superior.

– Você está certo. Não sou um fantasma, sou um demônio. — Sebastian revelou, seus olhos brilhando por um instante. Mesmo sem ver a rápida mudança de aparência, o corpo de Ciel se afastou por instinto, sentindo um frio lhe subir a espinha. — Está com medo?

– Não temo um demônio que não fez nada contra mim até agora.

– Então por que se afasta?

– Se você é um demônio, então o que fez com a minha mãe?

Sebastian se surpreendeu por um momento com aquela reação. Não esperava que o garoto fizesse essa pergunta tão cedo. Analisou as feições do garoto cuidadosamente antes de explicar, ainda hesitante sobre suas reações.

– Não mentirei pra você, Ciel. Mas antes de qualquer coisa, quero que escute a explicação por completo. Sem interrupções. — Ciel afirmou com um aceno de cabeça, dando permissão para que Sebastian continuasse. — Demônios como eu se alimentam de almas.

Por um momento, o garoto sentiu ânsia e uma grande vontade de gritar com o outro, ficar nervoso. Mas ele apenas se remexeu em seu lugar, ouvindo com mais atenção à voz calma do demônio.

– Eu fiz um contrato com a sua mãe quando ela ainda era jovem. Ela me deixou ter sua alma em troca de vingança contra um homem que fez mal a ela.

– Ela foi estuprada. — O garoto interrompeu em um sussurro, constrangido. Sebastian lhe olhou com interesse. — Eu ouvi uma vez ela falar sobre isso com meu pai. Foi quando descobri o significado da palavra sexo no dicionário.

Ciel baixou mais o rosto, fazendo sua franja esconder totalmente a faixa preta que tinha em volta dos olhos. Foi realmente constrangedor ouvir a definição daquelas duas palavras em voz alta no seu áudio-dicionário, e quando era mais novo, não entendia porque a mãe falara sobre aquilo chorando.

– Como já sabe o motivo, fica mais fácil de explicar. Ela queria se vingar do homem, o fazer sentir o que ela sentiu. Por isso, fez um contrato comigo. — Observou o menor parecer ficar em dúvida se realmente acreditava. A imagem que ele tinha da própria mãe parecia destoar do que estava sendo revelado. Sebastian decidiu revelar somente o necessário, com o mínimo de detalhes possíveis apenas para que Ciel entendesse que tudo fazia parte da sua natureza. — Demônios só podem ter a alma de alguém, se essa pessoa aceitar. Eu só tive a alma dela depois que sua vida terminou. Eu não a matei.

Fez-se um silêncio incômodo, que Sebastian sabia ser necessário para que o outro absorvesse a informação. Saber que a própria mãe não recebeu o “salvamento sagrado”, mas que ao invés disso teve sua alma devorada por um demônio, não era algo fácil de aceitar.

– Então você quer minha alma? É por isso que tem me visitado por todo esse tempo? — Ciel quebrou o silêncio, se exaltando mais do que gostaria.

– Sua alma é deveras tentadora. Mas não é por isso que continuo vindo aqui.

Ciel se afastou mais um pouco

– O que você quer de mim?

– Não posso apenas querer ficar ao seu lado? — Sebastian passou as costas dos dedos sobre a bochecha do outro, fazendo-o se esquivar e corar imediatamente. O demônio riu, achando graça da reação.

– Por que um demônio iria querer ficar ao meu lado?

– Estou curioso. Prometo nunca fazer nada que não queira.

– Meu pai sempre diz que nunca se deve acreditar em pessoas que fazem promessas com a palavra “nunca”. — Ciel disse com um leve bico que fazia inconscientemente, fazendo-o parecer mais infantil.

– Se você quer acreditar ou não, a opção é sua. — Sebastian respondeu com indiferença.

Indiferença essa que irritava o menor. Mas mesmo que o demônio o deixasse nervoso em alguns momentos, ele também se sentia curioso com o estranho ser. Ele lhe atraia como um mistério a ser resolvido. E sem querer admitir em voz alta, Ciel apenas assentiu com um aceno de cabeça antes de se virar para pegar suas coisas. Faria seus deveres como sempre, sendo observado em silêncio.

Sebastian não era de falar muito, e Ciel muito menos. Muitas de suas visitas eram silenciosas, embora mantivessem muito mais diálogo do que o garoto nunca tivera com mais ninguém.

A simples presença um do outro já parecia bastar. Até que com o passar do tempo, foi se tornando indispensável, necessária.


Notas finais
Para quem não leu o mangá, Ciel deu o nome do próprio cachorro para o demônio. Por isso Sebastian riu ao se lembrar da origem do nome.

Capítulo grande demais? Está confuso?
Algum erro muito grave? .-.