Time to Live

2 Capítulo 2 - Me torno um Lutador profissional


Notas iniciais
Neste capítulo veremos mais sobre as amizades de Nate e também um "Mediador do Tempo" em ação, ao mesmo tempo em que a história começa a tomar um rumo

Quem não estaria de péssimo humor se tivesse morrido duas vezes em um mesmo dia? Bom, devo admitir que eu não estava tão irritado assim, mas eu continuava muito confuso.

Ao chegar ao ponto de ônibus mais próximo, descobri que havia ocorrido um acidente no trajeto do ônibus que eu pretendia pegar, ao que parece um garoto tinha sido atropelado(acho que eu não sou o único que teve um "acidente" naquele dia), e com isso os horários acabaram sendo atrasados.

Como eu não estava com muita paciência para esperar, resolvi ir até a escola a pé, durante todo o trajeto fui atento a todo tipo de sombra que pudesse ver, e com o tempo reparei em um comportamento estranho, toda vez que eu passava perto de alguma sombra ela se esticava ou simplesmente se desprendia de sua origem para de alguma forma tentar me alcançar, em um determinado momento do trajeto algumas começaram até mesmo a me seguir e isso me deixou um tanto paranoico, comecei a correr, o que teve suas vantagens já que cheguei em frente a escola às 16:30.

Logo que cheguei peguei o celular e liguei para o Peter, da primeira vez que tentei ele não atendeu, tentei novamente, e ele atendeu na quinta chamada:

▬ Alô?!

▬ Peter, sou eu o Nate, estou aqui em frente à escola, onde vocês estão?

▬ Estamos no auditório ▬ Ouvi algumas vozes do outro lado da linha ▬ Quando eu disse que sabia que você se atrasaria, eu não imaginava que seria tanto assim Nate, aonde você estava até agora?

▬ Err...▬Como se conta ao seu melhor amigo que você morreu? ▬ Eu estava resolvendo algumas coisas, acabei me atrasando um pouco mais e tive de vir à pé.

▬ Ok, tanto faz, venha logo estamos te esperando.

Pra variar ele desligou na minha cara, entrei no prédio (diga-se de passagem que nossa escola é bem grande), após uma série de corredores cheguei ao auditório.

Havia uma banda tocando no palco, e mesmo com o auditório cheio não foi difícil descobrir onde estavam meus amigos, afinal eles eram os mais barulhentos, me aproximei, a primeira voz que pude ouvir foi a de Meg dizendo:

▬ ...esses caras são realmente ruins, até eu consigo tocar melhor que este guitarrista usando os dedos dos pés, e o baixista então... ▬

Deixe-me dizer um pouco mais sobre meus outros amigos: Meg é Ruiva de olhos azuis tem 18 anos, um metro e sessenta, nariz fino e sobrancelhas curtas, sorri só com um dos lados da boca, é namorada do Peter; Jace tem 17 anos e é o mais alto do grupo, tem um metro e noventa e um porte atlético, olhos verdes, cabelos pretos arrepiados, um nariz reto tem sempre grandes olheiras; Jenyss tem 18 anos um metro e setenta, loira de olhos castanhos, está sempre usando preto, possui um sorriso grande e bonito além de um nariz levemente arrebitado.

▬ Oi gente!

▬ E aí garoto do Lixão, se perdeu no esgoto?

▬ Ah sim, tinha ido buscar o resto da sua graça que deve ter ido parar lá , menino poste.

Esse é o Jace, pode parecer que não, mas ele é bem legal.

▬ Gente esta banda é a última a se apresentar, o que acha de sairmos e irmos para outro lugar ▬ Essa era a Jessy ▬ Não tenho culpa que o Senhor Atrasado se atrasou de novo.

▬ Acho que é bem melhor de que ouvir esses caras que já estão torturando nossos ouvido tem um bom tempo ▬ Falou Peter ▬ Vamos Indo.

Logo que saímos do prédio eu pude perceber que as sombras já não me perseguiam tanto, e meus amigos nem sequer repararam nisso, eu sabia que se alguma anti-existência resolvesse me atacar de novo isso seria perigoso para eles, mas meu lado egoísta precisava dos meu amigos naquele momento.

Fomos à uma lanchonete na esquina do prédio da escola, o lugar estava bem vazio para um sábado a noite, reparei que as anti-existência não me incomodavam dentro de lugares muito iluminados e anotei mentalmente que na próxima vez que precisasse fugir de uma sobra, seria para uma lanchonete

▬ Mas então Nate, o que você estava fazendo até agora?

▬ Estava preso no terminal de ônibus, acabei acordando muito mais tarde do que deveria e perdi o trem que planejava pegar para me encontrar com vocês.

Era mentira, mas eu não precisava contar a eles o que havia acontecido, a menos que quisesse ser chamado de louco .

▬ E porque então o ônibus demorou tanto? ▬ perguntou Jace

▬ Parece que houve um acidente co um garoto atropelado e o ônibus sofreu alguns danos, então para não ter que esperar o próximo, resolvi vir à pé.

Comemos e quando saímos da lanchonete Já estava de noite, eram 20:00, ouvi um barulho muito alto vindo a uns dois quarteirões de distância.

▬ Vocês ouviram isso? ▬ Perguntei.

▬ Isso o que Nate? Está enlouquecendo? ▬ Disse Jessy

Não dei tempo de que eles dissessem mais nada, sai correndo, algo naquele barulho me chamava, era como se minha vida dependesse daquilo, ouvi a voz dos meus amigos me chamando, mas eu já estava muito longe, por diversas vezes pude perceber as sombras se aproximando de mim, elas estavam mais rápidas por estar de noite.

Até que de repente senti algo prendendo meu pé esquerdo, abaixei a cabeça e vi uma anti-existência me segurando e saindo do chão, pude ver aquelas cavidades brancas me olhando, mas dessa vez foi diferente, eu já estava cansado de ter que fugir daquelas coisas senti um calor emanando de meu pé direito, virei e dei um chute que a destruiu de uma só vez, tamanho foi o estrago que um carro ao lado tocou o alarme.

Eu não podia acreditar no que acabara de fazer, qualquer um que visse minha estatura magra poderia dizer que eu não tenho o porte de um Lutador, muito menos de um que pudesse dar um chute com uma força daquelas. Mas essa distração não durou muito, comecei a ouvir o barulho novamente (era como uma lousa sendo arranhada do lado do meu ouvido, a realidade sendo arranhada), e me pus a correr de novo.

Quando enfim cheguei ao lugar de onde o som vinha encontrei um beco e na parede de um prédio que compunha este beco estava um buraco, não um buraco comum, algo mais parecido com um buraco negro que ao invés de sugar coisas expelia anti-existências, vi uma menina enfrentando as anti-existências.

Algo naquela Garota era diferente, olhei mais atentamente e percebi que ela tinha aquela mesma aura translúcida do Homem que havia falado comigo em frente à estação do metrô, tinha cabelos pretos e os olhos de um tom de verde que eu nunca havia visto na vida, parecia ter por volta da minha idade e era pouco mais baixa do que eu.

Ela lutava como eu jamais veria alguém lutar na vida, ela era como um furacão de pura destruição, anti-existências saíam do buraco apenas para serem destruídas em seguida por um chute capaz de desmaiar o mais resistente dos Pugilistas.

Então algo em mim disse que eu devia ajudar, o número de anti-existências estava aumentando severamente e eu sabia que se não ajudasse nem mesmo aquela garota poderia enfrentá-lo. Minha mente mandou confiar em meus instintos e então senti a sensação de calor de novo, desta vez mais forte como se ao invés de sangue corresse fogo em minha veias.

Entrei na dança.

Tudo o que via eram coisas pretas sendo esmagadas, meu corpo se movia por conta própria, eu estava no piloto automático e era como se meus instintos e o da garota estivessem conectados, lutávamos como se fizéssemos isso juntos a séculos, então quando a última anti-existência foi destruída a garota arremessou algo que não pude distinguir no buraco, que se fechou em seguida.

Ela se virou para mim e me olhou com um ar curioso.

▬ Eu não sabia que havia um outro Mediador na área ▬ Continuou me olhando ▬ E também nunca o vi antes, você é um Novato?

▬ Bom, segundo o que um cara me disse hoje, acho que sim.

▬ Cara? Que cara garoto?

▬ Eu não sei ele não disse.

▬ Hum, qual é o seu nome?

▬ Nate Johnson.

▬ Nate, segundo o protocolo terei de levá-lo à Ordem para que seja instruído.

Assim que ela terminou de dizer isso, pude ouvir a voz de meus amigos, me virei e os vi virando a esquina e chegando na rua de frente para o Beco onde eu estava.

▬ Garoto, terei de buscá-lo depois, parece que estão de procurando, fique ao meu aguardo.

E então ela simplesmente sumiu no ar

Me virei e vi Peter correndo até mim

▬ Nate, o que você pensa que está fazendo, você tem noção do tamanho do susto que você nos deu?

▬ Peter, você viu aquela garota?

▬ Garota? Não tinha nenhuma garota aqui Nate, quando chegamos você estava só olhando para a parede. ▬ disse Jace

▬ Vamos embora Nate, você não parece estar muito bem hoje. ▬ aconselhou Meg

Nos viramos e fomos embora em direção à estação de metrô mais próxima, eu só queria que tudo que aconteceu hoje não passasse de fruto da minha imaginação, e que quando eu acordasse amanhã tudo voltasse ao normal.

Mas infelizmente, eu não sou tão sortudo assim...


Notas finais
Pronto, tá aí mais um capítulo pessoal, espero que gostem, é agora que a história começa a tomar um rumo um pouco mais interessante, gostaria também de dizer que graças a um rompante de imaginação repentino, talvez vocês venham a ter mais alguns capítulos nos próximos dias, mas assim que minha mente se normalizar pretendo lançá-los semanalmente.
Valeu pessoal ! ^^