Time Well Spent

18 Torre de Astronomia


Notas iniciais
Não me matem pela demora :c Espero que gostem

O rosto pálido do poltergeiste estava virado para baixo. Pirraça me encarava com uma expressão divertida, flutuando em cima de mim e passeando pelas proximidades das tochas.

–Acho que o Prof. Flitwick não gostaria de saber que a Di-Lua pirou de vez e...

–Pirraça? –Uma voz lenta e grave se propagou pelas escadas. O poltergeiste pareceu ter um calafrio e desapareceu escadas abaixo.

Certo, eu reconhecia aquela voz e era a do último ser que eu queria ver em uma escada escura: O Barão Sangrento. Mesmo sabendo que ele provavelmente estava no alto das escadas, já que Pirraça correu para o lado oposto, continuo a subir, apenas almejando já estar em algum lugar claro quando o fantasma se materializar.

Ao virar no fim da escada, topei com alguém um palmo mais alto, que teve de colocar a mão fria e pálida na minha boca para impedir um grito. Meu coração parecia estar esmagado contra as costelas e eu sentia suas pulsações na cabeça quando reconheci a mão como a de Draco.

–Solta. –Murmurei e ele obedeceu.

–Está atrasada. –Falou. Foi quando percebi o quanto sentira falta daquela voz arrastada, mesmo que carregada de desgosto no momento.

–Você viu o Barão? –Mudei de assunto, começando a andar em direção à porta de madeira gasta da Torre.

Draco riu, me seguindo. Olhei por cima do ombro, franzindo o cenho e arqueando as sobrancelhas quando ele esticou o braço para abrir a porta para mim.

–Eu... Hum, usei um feitiço para imitar o Barão. Pirraça tem muito medo dele, sabe? –Ele parecia orgulhoso de seu feito.

Ele abriu a porta enquanto eu estava tentando não demonstrar nenhuma emoção. A torre era iluminada por grandes claraboias e haviam mais janelas do que paredes ao nosso redor. Milhares de estrelas piscavam de todas as direções para as quais eu olhava, iluminando todo o local juntamente com a Lua, que estava parcialmente escondida por um cobertor de nuvens.

Ao me virar para encarar Draco, finalmente livres da penumbra que estava lá fora, senti línguas de prata rasgarem meus pulmões com o arfar que sufoquei. Os cabelos dele estavam lindamente fora de ordem, tão brancos quanto sua pele naquela iluminação. Os olhos cinzentos estavam fixos em mim e a boca estava um pouco torcida.

–Pensei que não viria. –Sussurrou, a voz rouca e gélida.

Suspirei encarando meus pés.

–Ah, é. Eu vim, certo?

–Claro. –Ele parecia nervoso. Era quase inacreditável que Draco Malfoy ficasse nervoso por alguma coisa, especialmente por mim.

Ergui a cabeça e, no mesmo momento, quase dei um passo para trás. Ele estava bem mais perto agora, numa média de meio metro. Suspirou, os olhos ainda pousados em mim como faróis. Senti a cobra que havia adormecido se torcer em meu estômago com sua proximidade.

–Me perdoa. –Sussurrou, dando mais um passo para frente e praticamente anulando a nossa distância. Ofeguei alto antes de recuperar a fala:

–Claro. Vamos só esquecer tudo, ok? –Tento encarar algo que não fossem seus olhos e me pego olhando para o teto escuro da Torre.

–Eu não quero esquecer, Luna. –Sinto uma mão dele afastando uma mecha de cabelo do meu pescoço. Um rubor pareceu emanar daquela região, como ondas.

–Draco...

–Olhe pra mim. –Pediu. Como não atendi, ele ergueu a mão e puxou meu queixo para frente, de modo que eu olhasse dentro dos olhos dele. –Não precisa ficar comigo como eu quero que você fique... –Sua voz saiu como um suspiro, os lábios se movendo suavemente. –Eu só preciso que fique. Que esteja comigo.

–Não. –Murmurei, a voz trêmula.

Ele engoliu em seco.

–Eu sempre vivi na escuridão. Todo dia era nublado e era apenas isso. –Draco deu um sorriso fraco. — Você é meu Sol, Luna. Eu irei aonde você for, certo? –Engasgou por um segundo e eu senti os olhos arderem- E irei passar o resto da minha vida tentando te fazer sentir ao menos um terço do que sinto quando está comigo.

Solucei alto quando ele terminou e seus braços rapidamente me envolveram de modo protetor. Em seguida, ele prendeu uma das mãos na base de minha cintura enquanto passeava a outra por minhas costas. Era quase como se eu pudesse desaparecer no aperto dele quando finalmente murmurei:

–Me beije, Malfoy.

Notas finais
êeeeeee o/ Merece alguns reviews?