Notas iniciais
Espero que gostem... Tá bem pequeno e com pouco conteúdo, mas vai introduzir a coisas importantes. Obrigada pelos reviews (poucos, mas tá) e eu pretendo respondê-los todos, se ainda não respondi mil perdões, estou meio atrasada com as coisas no Nyah! Beijos, Arabella

–Draco Malfoy, volte aqui agora! –Mádi choramingou, me seguindo pelo corredor e deixando um Zacarias confuso para trás.

–Porra, mulher! Quando você vai entender? –Eu continuei meu trajeto sem olhar para trás, desesperado para poder desabar em algum lugar e me livrar da enxaqueca.

–Você que tem que entender! Por Merlin, não percebe que somos o casal ideal? –A garota me alcançou, enlaçando um braço fino na minha cintura para que eu parasse de andar.

Me virei bufando para encarar o rosto atônito de Mádi.

–Se isso é por causa do Zac... –Ela começou a murmurar, a voz trêmula.

–Não é por causa dele, Mádi! –Praticamente berrei. –Eu não dou a mínima para você. –Dei de ombros tentando me desvencilhar do braço da garota.

Ela fez um biquinho e seus olhos marejaram, mas empinou o queixo e girou nos calcanhares em uma tentativa tosca de manter seu orgulho. Zacarias já havia partido há algum tempo, mas a garota não pareceu perceber isso porque girou a cabeça para olhar ao redor diversas vezes.

–Eu não vou desistir, Malfoy. –Ela falou sem me encarar, a voz firme e carregada de fúria.

Me virei assim que ela sumiu na primeira curva, subitamente aliviado. O caminho até a Sala Comunal da Sonserina jamais havia sido tão solitário, mas ultimamente eu era grato por qualquer segundo passado sozinho, sem aquele zumbido irritante de vozes despreocupadas na minha mente.

Luna. Eu nunca havia precisado tanto da presença de alguém quanto precisava da dela. Sentia falta de seu sorriso e do modo como ela relevava minhas decisões, fazendo com que eu não parecesse tão ruim assim. Sentia falta de sua luz nas trevas que eu havia acolhido ao escolher a vida de Comensal da Morte.

Eu sabia que, se tivesse um pingo de honra, deveria abandonar a garota e a tirar da sujeira que era minha vida antes que ela já estivesse muito envolvida. Talvez, de todos os meus erros, esse tenha sido o mais egoísta.

“Foda-se”, pensei, espantando aqueles pensamentos. Nunca havia escondido meu egoísmo e aquilo nunca pareceu ser um problema para ninguém. Então, por que me incomodava tanto de repente?

Girei para descer as escadas em direção às masmorras, sentindo alfinetadas na cabeça com cada passo dado. Nunca havia tido uma enxaqueca tão forte daquele jeito, que chegava a me dar náuseas.

Entrei no Salão após falar a senha da semana. As tochas estavam todas apagadas, como era de se esperar para aquela hora da madrugada, apenas um brilho opaco das janelas que davam para o lago reluzindo vez ou outra. Era comum que peixes brilhantes brincassem ali em frente, mas não iluminavam muita coisa de verdade. Segui em passos confiantes até onde acreditava ser a escadaria, me guiando em seguida por um corrimão familiar.

P.O.V Luna

Após meia dúzia de linhas cobrindo o pergaminho, decidi que a carta já estava de bom tamanho. Eu tinha tanta coisa para falar, mas talvez devesse ser apenas curta e grossa: algo totalmente novo para mim. Enfiei o envelope pronto dentro do bolso traseiro do short, me erguendo da cadeira e andando até a porta da Sala Precisa em passos largos.

Alcancei a aldrava e me permiti ser envolvida pelo ar morno da madrugada no castelo. Enquanto caminhava pelos corredores, minha cabeça parecia um campo de guerra: Como teria coragem de entregar aquela carta? Merlin, aquilo mudaria tudo dali para frente e eu sabia que o Draco não poderia fazer nada para me ajudar.

Uma súbita vontade de mudar o meu rumo e seguir até as masmorras parecia quase me arrastar a cada curva, meus pés seguindo o trajeto automaticamente antes que eu conseguisse retê-los. Tive de parar umas cinco vezes para refazer o caminho até a Sala da Corvinal, sempre suspirando e sentindo a carta pesar mais do que nunca no bolso traseiro.

Passei pela porta da Sala Comunal, respondendo à pergunta diária e sentindo o ar esquentar com a lareira acesa. Apenas Ernesto ainda estava no salão, a cabeça enfiada em um livro enorme. Ele ergueu os olhos assim que me viu passar, esboçando em seguida um sorrisinho malicioso que me fez corar até a raiz dos cabelos. O que ele estava insinuando com aquilo?

–Luna, posso lhe fazer uma pergunta? –Ele ergueu as sobrancelhas.

–Duas, no caso. Você já fez.

–Claro. –Revirou os olhos. –Tá, o que fazia às três horas dando umas voltas pelo castelo? –O sorriso voltou.

Torci o lábio, surpresa. Não havia percebido o quanto aquilo parecia suspeito e estranho até aquele momento. Ernesto provavelmente achava que eu havia andado por aí com algum menino, aproveitando a escuridão acolhedora como tantos estudantes fazem.

–Fui fazer uma carta. –Me decidi pela verdade antes que pudesse sequer pensar.

Ele franziu o cenho, mas escolheu não fazer mais perguntas.

–Ah. Desculpe, é que sou monitor. Você sabe como é... Toque de recolher e tudo mais. –Ele deu de ombros, constrangido.

–Não se preocupe. –Continuei a falar enquanto subia as escadarias até o dormitório.

Fui dormir com os pensamentos na carta. Imaginei a reação de Harry ao recebe-la e imaginei a rejeição em seu olhar na próxima vez que nos víssemos... O nó na minha garganta se tornou insuportável quando algumas lágrimas solitárias rolaram por meu rosto, sendo seguidas por um choro descontrolado e soluçante. Eu sabia quem eu havia escolhido e me odiava por isso.

Me odiava por escolher Draco e, com ele, todo o seu dever como Comensal, ao invés de permanecer com as pessoas que sempre acreditei amar mais do que tudo.

E Draco nem ao menos poderia estar ali quando todo o resto me deixasse... Solucei alto e ouvi o barulho de alguém se mexendo nas camas ao lado com um pulo assustado.

–Luna? É você?

Notas finais
Espero que tenham gostado! Por favor, por favor deixem ao menos um "gostei" ou "Não curti esse"! É sério! Eu não vou ficar com raiva se for um review pequeno, vou ficar decepcionada se não houver nenhum review. É claro que todo mundo gosta do bom e velho comentário elaborado, mas eu não os culpo se não tiverem tempo. Agora, se tem tempo para ler tudo isso e não tem para deixar uma palavra de incentivo, eu acho meio sacanagem. Enfim, beijos e até o próximo.