Time Well Spent
14 Baile - Parte 1
Notas iniciais
P.O.V Luna
O vestido ondulava com a brisa. Por mais sólidas que parecessem as pedras de gelo que rangiam na composição deste, ele continuava a se agitar com o mais leve dos ventos e era bastante quente e confortável. As pedras brilhavam, refletindo a trêmula luz das tochas nas paredes e em diferentes tons de azul-pálido e, obviamente, branco-gelo. Cho, que estava ao meu lado com um simples vestido rosa de cetim, estava terminando de colocar um colar de pingentes prata no meu pescoço, com um sorrisinho estampado na face.
–Malfoy vai simplesmente pirar... –Ela murmurou quando finalmente acabou e colocou as mãos na cintura.
–Não estou fazendo isso por ele. –Falei tomando o cuidado de não soar rude.
Seu sorriso se expandiu em um mais bondoso.
–Achei que não. Mas é sempre bom descontar algo e tome isso como um presentinho de todos os que se importam com você. Sei que todos concordam comigo. –Ela ergueu as mãos e eu ri.
Gina havia me encontrado duas horas antes para arrumar meu cabelo e agora eu tinha a sensação de que seu intuito era o mesmo que o de Cho, enquanto apalpava o começo de uma trança cascata. Eu ainda não estava acostumada com meu cabelo daquele jeito, tão brilhante. Ele costuma parecer um pouco sujo porque... Bem, porque eu normalmente não tomo muito tempo com ele. Mas está bem legal, na verdade, penso com um sorrisinho.
Uma garota morena chegou na porta sorrindo e, ao me ver, soltou uma leve exclamação.
–Por Merlin, você está tão diferente! –Ela soltou, me encarando de cima a baixo. Cho parou ao meu lado, orgulhosa. –De um jeito bom, claro. –A garota sorriu.
–Obrigada. –Respondi meio sem-graça.
–Ah, Neville está lá embaixo. –Ela falou apressadamente.
–Vai lá. –Cho incentivou colocando uma mão no meu ombro.
Dou um sorriso nervoso para as duas e desço as escadas apressadamente até a sala comunal. Ernesto assovia quando eu passo e sinto todo meu rosto esquentar quando ouço murmúrios de concordância ao ato.
Abro a porta da Sala Comunal, praticamente desesperada para sair dali, e...
Draco Malfoy. Seus cabelos loiros estavam penteados para trás e ele usava vestes pretas que realçavam seus olhos, os quais não tardaram em analisar cada centímetro do meu rosto. Por fim, deu um sorriso meio provocante e apertou um pouco o buquê de flores púrpuras na sua mão. Ele demorou segundos para entender o que estava acontecendo e, quando o fez, seu rosto foi tomado por um rubor avermelhado que vi de relance antes que alguém tocasse meu braço.
Por alguns tempo eu realmente havia esquecido que era Neville quem estava me acompanhando e acho que não escondi direito a surpresa, porque ele fez uma expressão engraçada ao me encarar.
–Está tão linda, Luna! Pelas plicas de Merlin... –Ele entrelaçou seu braço ao meu e me arrastou, um sorriso brincalhão em seu rosto salpicado de suor.
Neville usava vestes marrons e os cabelos negros em um estilo despreocupado, como na realidade tudo era ao redor dele. A verdade era que Longbottom sabia como fazer uma garota esquecer seus problemas, pelo menos por algum tempo, quando com Malfoy tudo se resumia à isso, problemas.
–Obrigada, Neville. –Murmurei sorrindo e apressando o passo pelo corredor. –Você também está bonito.
Ele é pego de surpresa e suas bochechas coram rapidamente. Pelo jeito, essa vai ser uma noite onde muitos vão ficar sem-graça.
Chegando em frente à tenda de um tom pastel de rosa, Neville parou rapidamente.
–Nós não vamos entrar? –Quis saber olhando para seu rosto molhado de suor.
Ele me encarou por alguns segundos.
–Claro que vamos... eu... Ahn, estou um pouco nervoso. –Falou, por fim.
Eu o encarei com um sorrisinho. Não pude evitar. Ele era tão ingênuo e inseguro e isso caía de forma estranha nele.
–Relaxe. Você está comigo. Se alguém vai rir de alguém, vai ser de mim. –Afago o seu ombro e ele fica ainda mais vermelho.
P. O. V. Draco
–Púrpura simplesmente destaca ainda mais meus olhos... –Mádi falava entusiasticamente abraçando o buquê contra o peito.
–Sim, foi o que pensei. –Falei sorrindo.
Eu continuava a rever Luna em seu vestido de gelo na minha mente. Seu rosto adornado pelos cabelos loiros, repentinamente tão brilhantes e os olhos cor de safira praticamente saltando de animação antes de encontrarem-se com os meus. Sua primeira reação fora desfazer o singelo sorriso que brincava em seus lábios e esquadrilhar meu rosto, incrédula, enquanto eu continuava muito impressionado para falar algo. Ela estava tão estonteante. E, quando o maldito Longbottom a tocou, meu primeiro instinto era o de sacar minha varinha e dar uma lição naquele...
–Espere! Olha! –Mádi apontou para frente me tirando de meus devaneios. Bufei baixo, afinal seu entusiasmo estava me entediando bastante, mas no momento em que fixei a entrada da tenda que ela me indicava e que tremulava no ritmo de um brisa de inverno, esqueci de tudo o mais por alguns instantes.
Escondidos pela penumbra do portal do arranjo, eu apenas pude identificar o brilho de uma pedra de gelo antes de enxergar mais claramente. Luna acariciava o ombro dele e seu queixo estava erguido. A mão de Neville se deslocara rapidamente para a cintura dela antes de a puxar para a tenda, como se sentindo meu olhar assassino às suas costas e procurando um lugar melhor para continuarem.
Todo meu corpo pulsava de ódio buscando um modo de fazer com que Luna sentisse o que eu sentia naquele momento. Ou ao menos fazer com que Longbottom se arrependesse de ter nascido. Eu ofegava alto e sentia a mandíbula tremer, mas consegui disfarçar quando minha acompanhante fixou os olhos em mim.
–A tenda está tão linda esse ano, não acha, Draco? –Mádi sorriu, seus olhos verdes de gato praticamente brilhando na escuridão da noite mais fria do ano.
–Não tanto como você. –Falei fazendo o meu melhor para esboçar um sorriso travesso. Ela corou, sua pele de porcelana reluzindo a luz do luar.
“É uma menina como ela de quem você deveria gostar, Malfoy” –Pensava ao envolver sua cintura com um braço. Talvez, se eu pudesse me obrigar...
–Você não é como todos falam, afinal. –Mádi sussurrou tombando a cabeça em meu ombro. Sua forte fragrância de perfume fazia minhas narinas coçarem.
Vários planos salpicavam minha mente quando processei as palavras dela. Em um movimento rápido, a puxei mais para perto e empurrei seus cabelos para longe do ombro antes de colar os lábios ao seu ouvido. Ela ofegou baixo antes que eu sussurrasse:
–Não, minha querida. Eu sou bem pior.
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