Time Well Spent
26 Arrombamento na Sonserina
Notas iniciais
P. O. V. Draco
–Calma, primeiro eu tenho que investigar algumas coisas. –Ela estava tão animada. –Acha que são quantas horas?
–Ao menos umas 1 e meia da manhã, por que? –Pergunto, ainda meio lento. –O que foi?
–Eu disse que tenho que investigar! –Ela sorria de orelha à orelha.
–Luna...
–Só me siga. –Ela entrelaçou nossos dedos e andou pelo gramado.
O castelo se erguia na nossa frente como uma fortaleza espectral, recortada sobre o negro profundo do céu. Porém a Lua iluminava seus portões, os conferindo uma rigidez inegável quando Luna estendeu sua mão pequena e alva para empurrar a aldrava.
–Cuidado. –Sussurro atrás de sua cabeça, sentindo o cheiro doce se desprender dos cabelos dela.
–Claro. –Ela empurrou a porta.
Dentro do castelo, apenas uma faixa de luz se propagou no chão, vinda da porta. Todo o resto era preto, como se tivesse sido mergulhado no mais profundo dos oceanos e a superfície era simplesmente inalcançável uma vez que tivéssemos fechado a porta atrás de nossas costas.
A voz de Luna escapou como um ronronar:
–Lumus. –E a ponta de sua varinha abrasou em uma explosão luminosa.
–Temos que fazer isso agora? Não podemos só te deixar na Sala Comunal e cuidar disso depois? Lumus. –Fiz o mesmo.
–Não, agora é perfeito. –Sussurrou.
Andamos por grande parte do castelo até que Luna se virou para mim. Seus olhos grandes ainda demonstravam empolgação, mas a boca torcida um pouco de constrangimento.
–Era pra ser uma surpresa, mas ok. Onde fica a Sala Comunal da Sonserina?
Senti uma pontada de animação inflamar dentro de mim. Luna queria que eu a levasse para a minha Sala? Para onde eu dormia? Não, com certeza não devia ser pra isso, pensei. Ela queria investigar algo.
–Ahn, nas masmorras. –Murmurei e comecei a conduzi-la.
Andamos por muito tempo e Luna não parava de falar:
–É bem mais longe do que a minha Sala. –Murmurou. –É ruim porque aí você caminha por muito tempo todo dia. O Pasquim fez uma matéria sobre saúde, atentando especialmente para corridas. A corrida é muito ruim em si, porque desgasta os ossos e tudo mais, porém se pode compensar isso com um gole de água a cada dez metros andados.
–É?
–Sim. Mas acho que não seria eficaz parar agora, não é?
–Se você quiser, podemos.
–Deixa pra lá.
–Aqui nos descemos.
Eu interrompo nossa conversa mostrando uma escada em espiral que dá para as masmorras. A iluminação lá embaixo é mais fraca e amarelada e eu não posso identificar se ainda tem alguma luz acesa lá embaixo enquanto descemos o primeiro lance de escadas. Quando entramos na segunda curva, aperto mais a mão de Luna e nos impulsiono para fora da escada. Um segundo após nossa alavancada, a escada afunda mais ainda, o local por onde passamos se fechando em uma parede maciça. Está tudo escuro, exceto pela luz que nossas varinhas emanam.
–O que foi isso?
–Um novo sistema de segurança instalado por Snape. Ele leva qualquer um de outra casa que queira invadir durante a madrugada para o quarto piso inferior. –Bato com o pé no chão oco. –Lá tem um sistema de sirenes que indica o invasor ou algum sonserino fora da cama bem tarde.
Continuamos andando até que estou de frente para a porta da Sala Comunal. Estou com a senha na ponta da língua quando Luna se inclinou sobre meu ombro.
–Vamos apagar as varinhas. –Ela pede.
Assim fazemos, rapidamente.
–Serpentina. –Murmuro e a porta gira para dentro.
–Eu posso entrar? –Ela sussurra, quase de modo inaudível.
–Claro.
–Você sabe se guiar por aqui no escuro? Esse lugar não tem janelas?
–Sei, e sim, tem janelas. Mas elas dão para o lago. –Falo em tom de desculpas.
–Onde ficam os dormitórios? –Quer saber.
Sinto um sorriso mal-intencionado atravessar minhas feições, mas me esforço para contê-lo. Você está em uma missão, Malfoy, tento me lembrar. Se Luna quer ir para o seu dormitório, com certeza não vai ser para fazer nada nesse aspecto.
–Hum, tem dois dormitórios. O dos meninos fica para a esquerda e o feminino, a direita.
–E o do diretor? –Ela pergunta.
Aquilo é como um tapa na minha cara.
–Espera, você quer investigar Snape?
–É. Por que a voz mórbida? –Ela parece preocupada.
–Nada. Hum, por que Snape? –Não posso evitar que minha animação esteja se esvaindo.
–Não se adiante, ok? Só me leve até lá.
Caminho, ainda meio com birra, até alguns metros do dormitório de Snape.
–Ele deve estar dormindo agora. –Murmuro. –Não tem jeito da gente entrar aí.
–Claro que tem, é só abrir a porta. –Ela diz, calma.
–Luna, por favor. Entrar no dormitório masculino é muito mais simples. –Solto antes de pensar.
–Por que eu entraria no seu dormitório...? Draco Malfoy! –Sua voz se elevou uma oitava e eu tive que tapar sua boca com uma mão. A mão dela foi um pouco mais rápida em se chocar com minha bochecha em um tapa estalado, mas não dolorido. Meu rosto virou e eu senti que o lugar onde sua palma se chocou estava quente, porém provavelmente não resultaria em um hematoma.
–Droga, Luna, por que isso? –Murmuro, soltando sua boca para afagar o local onde havia batido.
–Por achar que eu ficaria com você apenas um mês depois de começar a sairmos. Você deve achar que sou uma das vadias com quem saia, por Merlin... –Eu conseguia imaginar o rosto dela corado mais vermelho do que o meu deveria estar com seu tapa.
–Não, Luna, mas olha as pistas que você me deu, droga! Você me pediu pra trazê-la até aqui. Não pode culpar um garoto por pensar merda. –Acrescentei.
–Malfoy, me desculpe. Vamos devagar, ok? –Sua voz é constrangida e cuidadosa.
–Luna, não me faça ficar culpado. Eu nunca vou te obrigar a fazer isso, é ridículo. -Seguro sua mão com mais força. –Enfim, não podemos arrombar o quarto de Snape agora. -Tento mudar de assunto, desconfortável.
–Sim, podemos. –Ela se solta do meu aperto, a voz voltando ao normal. Ouço suas mãos apalpando as paredes ao redor e, por fim, o barulho cessa.
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