Time Warp

5 Capítulo 5


Notas iniciais
eu to sem ideias a mas to devendo isso pra vcs :') lets bora miguxx

Fiquei de pé rapidamente, o que me fez ficar tonta e com a visão escura. Cambaleei para o lado com o coração batendo nos ouvidos de tão alto.

Século passado.

O que estava acontecendo, meu santo? Revisei o pedido diversas vezes na minha mente. Eu só havia pedido tempo! Tempo!

— DUENDE MALDITO! — Gritei, erguendo os punhos para o alto — O QUE VOCÊ FEZ?

Por conta do meu grito, Bill se mexeu no chão. Estava com uma roupa diferente da minha, em sua maioria branca, com alguns detalhes e vermelho e verde, porém igualmente simples. Ele virou de lado e suas pálpebras tremeram. Ajoelhei-me ao seu lado, colocando a mão sob seu ombro.

— Bill? — Chamei, baixinho — Bill, você está bem?

Tudo aconteceu rápido demais depois disso. Ouvi galopes muito fortes e vozes alteradas e altas próximas de nós. Por algum motivo, senti um pânico crescente dentro de mim. Bill ainda estava desacordado e notei que sua têmpora sangrava um pouco. Ah, ótimo! Tirei força sabe-se lá Deus de onde e o puxei para entre os arbustos com dificuldade, deixando-o oculto comigo ali. Fiquei abaixada observando entre as folhas quando homens surgiram em seus cavalos, parecendo muito bravos. Falavam sobre bruxas.

Bruxas.

Me privei até mesmo de respirar, tampando a boca e o nariz. Senti medo, um medo irracional. Eles pareciam autoridades, provavelmente o sensato seria contatar eles e pedir ajuda, mas então por que eu estava tão apavorada? Minhas pernas estavam tremendo tanto, fiquei surpresa que eles não conseguiam ouvir os sons dos ossos balançando contra a carne. Eles gritaram uns com os outros e voltaram a correr, fazendo um arrepio forte percorrer todo o meu corpo quando foram embora. Me joguei no chão ao lado de Bill desacordado e avaliei a situação.

Ok, não estávamos no nosso século nem por um decreto. Ergui as mãos perante o corpo. Eu estava com um vestido muito estranho, já havia visto em todas aquelas revistas e livros de Chris, até mesmo em lojas de fantasia. Se eu não fosse uma pirata, eu de fato era uma bruxa. O que seria pior? Os guardas chamavam por bruxas! E estavam vestidos quase como Bill.

Bill...

Olhei para ele, desacordado e sangrando a pouco tempo. Quando fiz menção de tocá-lo, suas pálpebras tremeram novamente e ele balbuciou algo, virando de lado. Contei três batidas de coração até ele sentar e balançar a cabeça devagar.

— Merda... — Praguejou, levando a mão até a têmpora ferida. Bill respirou fundo, abriu os olhos e sem nenhuma surpresa olhou em volta — Onde está o Katiau?

Katiau? Que? Fiquei parada, com as mãos apoiadas no chão. Ele só me notou quando limpei a garganta. Bill arregalou os olhos e foi se arrastando para trás em alta velocidade, ainda sentado. Ele apontou um dedo para mim e gritou.

— BRUXA! UMA BRUXA! KATIAAAAAAU! — Berrava ele por cima do ombro, como se esperasse que algum ser místico aparecesse do nada — KATIAU, TEMOS UMA BRUXA! MERDA!

Ele apalpou os bolsos loucamente como se procurasse algo, mas não achou. Fiquei sentida na mesma hora, com vontade de lhe dar um forte tapa no braço e mandá-lo parar com a palhaçada. Aquilo era jeito de tratar a esposa? Cruzei os braços no peito com força, encarando-o.

— O que deu em você, Bernardo? — Perguntei, muito irritada — O que acha que está fazendo?

— O MONSTRO SABE MEU NOME, KATIAU! — Bill gritou — ESTOU MORTO! DEUS, ME AJUDE!

Me coloquei de pé e alguma coisa rolou do meu busto. Olhei para o chão e vi o duende parado, brilhando azul e me encarando. Abaixei devagar e o peguei, com os olhos semicerrados. Então ele havia viajado conosco.

— JÁ ESTÁ MOSTRANDO AS GARRAS!

Assim que Bill terminou de gritar, um garanhão preto de pelo brilhante pulou de trás dos arbustos, batendo com força os cascos no chão e erguendo-se nas patas traseiras. O garanhão relinchou alto e de forma ameaçadora. Bill se colocou de pé por trás dele e me olhou de forma assustada. Não conseguia desviar os olhos tanto dele quanto do garanhão, abraçando meu próprio tronco. As lágrimas começaram a querer descer dos meus olhos e minha vontade foi atirar aquele duende para longe.

Bill contornou o cavalo e então parou do seu lado, lhe dando alguns tapinhas para que ele parasse.

— Calma, Katiau — Murmurou ele, alisando o pelo do animal mas sem tirar os olhos de mim — Acho que não há porque temer.

Abaixei rapidamente para pegar o duende e nesse movimento levei uma patada do cavalo na cabeça. Não sabia se estava de noite, mas de repente tudo escureceu.

...

Uma forte dor de cabeça pareceu tomar conta de mim e eu não conseguia abrir os meus olhos. Pareciam muito pesados, assim como meu corpo. Escutei alguns passos do meu lado e fiquei na defensiva na mesma hora, forçando-me a abrir os olhos. Estava tudo muito confuso mas ainda sim dava para enxergar um pouco.

Eu estava sozinha, no escuro, no mesmo lugar que eu havia caído. Os passos eram pequenos passinhos de um coelho próximo de mim. Procurei o brilho azulado do duende para poder me policiar e nada encontrei. Suspirei e me sentei lentamente, sentindo a cabeça doendo muito. Passei a mão de leve e senti um galo com algo grudento que provavelmente era sangue. Aonde estava Bill?

Meus olhos marejaram e eu me senti totalmente perdida. Literalmente na verdade. Merda. Eu estava sozinha e machucada, ele nem ao menos havia limpado minha cabeça. Fiquei de pé e me apoiei em uma árvore perto de mim. Meu estômago estava roncando, minha garganta estava seca e eu estava ensopada de suor, mas precisava me mexer. Ignorei até mesmo a tontura e comecei a andar o mais rápido que eu podia naquela floresta confusa tentando juntar as peças de tudo e chegar em um abrigo.

O duende havia nos mandado para outro século onde eu era uma bruxa e Bill... Um guarda? Estávamos em uma floresta, ele tinha um cavalo chamado Katiau e aparentemente não lembrava de mim. Ah, e o melhor detalhe: Ele com certeza tinha levado o duende com ele na hora que foi embora. As lágrimas queimaram nos meus olhos mas agora não era hora de ser fraca. Respirei devagar e soltei. Eu tinha que chegar em algum lugar.

A noite era fria e o vestido não era tão quente assim, meus passos vacilantes não estavam me fazendo ir muito longe mas não demorou muito e achei um rio.

Estava fedorenta e morrendo de sede, ali também podia haver alguns peixinhos, isso seria maravilhoso. Tirei devagar o meu vestido e entrei no laguinho lamacento. A água era gelada mas poderia me ajudar a pensar. Mergulhei nele até a cabeça, lavando os cabelos e o corpo, aproveitei para lavar o vestido também e tomar bastante água.

Eu estava perdida e na época de caça as bruxas, e também era uma bruxa. Isso procedia? Porém eu tinha 16 anos. Bill teria mesmo 16 anos? Eu tinha 16 anos? Parecia tão jovem. Terminei de esfregar meu vestido e o estendi em um galho baixo de uma árvore, totalmente nua. Fiquei de pé esperando o vento me secar enquanto encarava a floresta de noite. Eu teria que caçar, fazer abrigo e tentar ir atrás de Bill para pegar o duende.

Em meus devaneios nus noturnos, não notei que as folhas estavam se mexendo a minha frente, notei somente quando escutei um suspiro forte. Um rapaz alto e magrelo de arco e flecha na mão me encarava com um sorriso esquisito. Corri para trás da árvore e me escondi com o coração martelando novamente. Ouvi o barulho da água e ele provavelmente estaria atravessando o riacho/lago. Rezei todas as preces que eu sabia quando ouvi as folhas sendo esmagadas por... Botas? O que me fez notar que eu estava descalça esse tempo todo. Duende idiota, nem pra me mandar botas ou uma metralhadora!

— Olá?

Dei um grito e girei o corpo nu na direção da voz. Ele tinha o cabelo cor de areia, olhos totalmente negros até mesmo nas córneas e um sorriso imenso. Tentei me tapar da melhor forma possível e isso fez com que ele desse uma forte gargalhada.

— Sabe, isso não vai te ajudar. Eu poderia te deixar nua em questão de segundos se você me ouvisse cantar.

Dei alguns passinhos para trás tentando me esconder atrás de alguma coisa, mas ele sempre parecia perto demais. Além de ser muito alto. Estava com umas roupas estranhas e verdes, com dois coelhos gordos em seu cinto e o arco na mão com uma flecha preparada. Preparada para mim. Vasculhei o chão e achei uma pedra grande do tamanho do meu punho. Peguei-a rapidamente e a deixei na mão, escondendo os seios com o braço livre.

— Já vi milhares de mulheres nuas, mas com seios tão durinhos como os seus... Parece que você foi feita pela deusa! — Disse ele, e passou uma língua anormalmente grande nos lábios — Que absurdo estar se tampando.

— Me deixa em paz! — Gritei com a voz mais brava possível — Eu só quero tomar banho e voltar pra casa!

Como se eu soubesse voltar pra casa.

— Meu marido logo vai chegar! — Gritei e senti minha garganta apertar. Droga, Bill... — Você será um homem morto!

Então a risada do homem surgiu do meu lado. Dei um gritinho e pulei, quase jogando a pedra nele.

— Você não tem marido — Respondeu ele, com o mesmo sorriso gigante e seus olhos negros brilhando com força — Se tivesse, seu marido não lhe deixaria tomar banho no lago sozinha e nua ao luar, tendo tantas criaturas mágicas e caçadores a essa hora rodando por aqui. As árvores sussurraram para mim que havia magia no lago e me levaram até você.

— As... Árvores...?

— Sim. — Ele respondeu, e colocou a mão em forma de concha do lado da orelha pontuda — Você não ouve? Sussurram seu nome... Daisy...

Ele falar meu nome fez com que meu corpo todo ficasse arrepiado de um jeito estranho.

— Daisy... — Cantou ele baixinho — Feche os olhos e escute, Daisy...

Obedeci de imediato, começando a ouvir o vento. Ouvi as folhas balançarem e ouvi até os mínimos sons da floresta que me fizeram arfar. Era tudo tão barulhento, como eu não havia escutado antes? O som das folhas não me falavam muita coisa, mas aparentemente haviam contado meu nome para o cara.

O cara.

Abri os olhos rapidamente e quando ergui a pedra, ele não estava mais ali. A lua estava muito baixa no céu e o Sol já estava nascendo.

Quanto tempo eu havia ficado escutando o vento ali? Olhei para trás e meu vestido havia sumido.

— PUTA QUE PARIU!

Ouvi uma risadinha no alto da árvore. O cara estava lá, sentado no galho mais alto comendo um dos coelhos. Meu estômago roncou de forma desconfortável. Meu vestido estava com ele.

— Isso é seu, Daisy — Ele falou, jogando o vestido para mim — E isso também.

O cara jogou mais alguma coisa enrolada em uma espécie de folha que caiu aos meus pés e abriu. Pedacinhos de coelho cozinhados? Coloquei o vestido rapidamente e me sentei no chão, atacando o coelho. Em segundos, o cara estava no chão perante a minha pessoa. O encarei enquanto comia o coelho.

— O que você disse agora pouco, desconheço essa palavra — Disse ele, colocando um pedacinho do seu próprio coelho na boca — O que me leva a pensar que você não é daqui. De onde você é?

— Do duende — Respondi, jogando outro pedaço de coelho na boca — E aparentemente sou uma bruxa.

— Ok!— Disse ele — Meu nome é Kaip, sou um Amaldiçoado da Floresta Negra, ou seja, uma péssima companhia! Significa que sou alguém para quem você pode contar todos os seus segredos, então pode começar. Estou curioso para saber onde é duende e quem é você, Daisy, bruxa do tempo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.