Time Warp

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Mais um saído do forno pra vocês, moressss! Lets bora?

Bill adorava decorações de Natal mesmo que a coluna dele desse uma travadinha aqui e ali, pendurava luzinhas coloridas, algumas guirlandas, pequenos bibelôs e bolinhas coloridas. A árvore de Natal estava tão recheada de enfeites que parecia Tóquio durante a noite e eu estava amando tudo isso. Já era fim da tarde quando eu e Bill terminamos de pendurar a última coisinha na janela da sala. Ele suspirou e limpou a testa, abrindo um sorriso radiante enquanto rodava o corpo na sala.

— Sabe, eu gosto muito de cores — Disse ele, então me olhou — Eu amava quando seu cabelo estava de todas as cores, com os cachos totalmente coloridinhos...

— Posso colorir novamente se você quiser — Sorri, aproximando-me dele e lhe dando um beijinho — Vou ser a vovó mais fashion dessa cidade.

Bill deu sua risada rouca de sempre, me fazendo sorrir mais ainda. Nos beijamos novamente e eu fui para a cozinha, deixando-o sozinho na sala. Fui direto para o fogão e comecei a lembrar da primeira vez que beijei Bill.

Estávamos dançando em uma das festas da escola, para ser precisa foi em um baile de inverno. Ele balançava o corpo de um lado para o outro com as mãos na minha cintura, o sorriso estava em seu rosto e aquele black dele estava ridículo, mas eu amava mesmo assim.

— Daisy, os seus olhos são os mais bonitos que eu já vi — Disse ele em meu ouvido — Eu poderia olhar para eles a noite toda.

Não soube o que responder, apenas sorri de volta e senti a vermelhidão subir o meu rosto. As mãos dele foram firmes em minha cintura durante toda a música e no último refrão, eu me afastei para pegar ponche. Estava nervosa demais para continuar dançando e fui muito evasiva, acho que ele percebeu porque demorou a ir atrás de mim.

— Daisy?

Olhei para trás, ele estava perto demais. Bill aproximou-se de mim e quando vi, estava beijando-o e com o copo de ponche quicando no chão e espalhando o líquido nos meus pés e nos dele. Meu coração saltava do peito e minhas pernas bambeavam, o mundo pareceu silenciar ao meu redor e só havia Bill, por todos os lados. Ele me envolveu com seus braços e sussurrou que me amava contra os meus lábios, eu retribui a declaração. Saí de lá namorando. Foi uma noite maravilhosa.

Claro que eu e Bill sofremos grande preconceito porque meu pai era racista. Assim que passei com ele na porta de casa, meu pai atirou o chinelo em sua face pensando que ele era um ladrão. Dois dias depois, com 16 anos, saí de casa e fui viver com Bill. Estranho, impossível, conturbado, precoce, porém estamos juntos até hoje e lembramos do episódio as gargalhadas.

Gargalhadas...

Quantas eu já não havia dado durante esse relacionamento? Elas eram e são tão constantes que fica difícil contar. Bill me fazia rir com tanta facilidade, ainda mais se eu estava brava. O que fez eu me apaixonar por ele foi justamente isso, o humor! Eu amava o humor dele! Só de pensar, sorri enquanto descascava alguns legumes para fazer uma sopinha. As piadas sem graça foram meu combustível quando tive minha primeira filha, a Chris. Passamos por um período complicado, mas Bill se manteve ao meu lado todo o tempo e curava meus medos com boas piadas e abraços esperançosos.

Lembrar da juventude me doía um pouco porque as vezes eu só queria voltar para a adolescência, no clube de teatro da escola e ele no clube da música, nos encontrando as escondidas entre os intervalos das aulas, fugindo de uma aula ou outra para fazermos amor na casa dele. Loucos, éramos loucos! Ri a plenos pulmões lembrando de cada loucura que fizemos, desde irmos sem qualquer preparação acampar ou na vez que ele simplesmente quis saber onde era a última parada de um ônibus e não sabíamos como voltar para casa, ou então da vez que invadimos uma casa no meio da noite só para termos onde dormir porque estávamos perdidos, aí a dona nos achou e nos deu abrigo! Eram tantas histórias...

— Dai.

Olhei por cima do ombro ainda sorrindo. Bill estava parado na porta da cozinha com sua bengala trazendo o gnomo nas mãos. Meu sorriso foi morrendo porque o arrepio voltou.

— Onde vamos colocá-lo? — Perguntou meu marido.

Lugar nenhum, eu quis dizer, porém fingi estar o mais interessada possível e olhei para os lados fingindo ponderar realmente um lugar. Qual lugar eu não olhava com frequência? Céus, Daisy, pense. Meus olhos varreram toda a extensão da cozinha enquanto a mente trabalhava loucamente. Um lugar que eu não o veria.

A luz no fim do túnel apareceu.

— Em cima da estante — Sugeri, então Bill arqueou uma sobrancelha — Só até darmos ele para a Licinha! Chris pode vir aqui com ela, e ela pode acabar vendo antes do tempo! Já pensou?

Bill olhou para o duende e então assentiu.

— Você está certa como sempre, querida.

Ele saiu capengando e me senti automaticamente culpada por mentir para ele daquele forma, mas a verdade é que eu não sentia nada de bom vindo daquele duende.

"Você sente as coisas, Daisy" Minha mãe dizia "Nunca ignore seus sentidos."

Pela primeira vez, minha mãe estava certa.

Notas finais
Os próximos serão maiores, promessa.