Time Loop

1 Qual o seu desejo?


Notas iniciais
Olá meus queridos leitores. Trago hoje uma Kayako, Kaiseryako bem leve, romântica e divertida. Não peçam maturidade dos personagens, pois eles tem a idade de Digimon Adventure 02. Essa Fanfic contará com dois capítulos, o segundo já está quase finalizado. Essa obra foi feita na intenção de presentear minha querida amiga e leitora Miriam Cadernas, que faz aniversário dia 17. Parabéns minha querida, espero que este simples presente possa alegrar seu dia. Divirta-se com esse capitulo e espero o próximo no decorrer da semana. Muitos beijos e tudo de bom. OBS Geniemon não existe na franquia, isso é uma brincadeira da autora, paródia com Aladim.

Miyako circulou pela décima vez todo o perímetro de seu quarto. Estava particularmente incomodada naquele dia e Poromon já não sabia o que fazer.

“Estou no escuro. Você poderia me contar o que aconteceu exatamente? “ Questionou o Digimon.

“ Você sabe que meus pais me obrigam a ir a um psicólogo?” Ela parou em meio ao quarto.

“ Sim, mas isso tem te feito muito bem. “ Ponderou o Digimon.

“ Sim, mas o psicólogo me orientou a ter um diário. Que não fosse nada virtual e sim um caderno de metas, desejos, desabafos e confissões.”

“ Estou ciente disso. É um caderno com cadeado. Certo? “ Lembrou o Digi–parceiro e, ela concordou com um menear de cabeça. “Pois qual é o problema?”

“ O problema é que para não o deixar em risco, quando fui para o Mundo Digital, o coloquei na mochila de suprimentos. Agora não consigo encontrar.”

“ Então ele se perdeu no Mundo Digital. “ Concluiu Poromon e viu a parceira cair de joelhos dramaticamente sobre o carpete.

“ UNIVERSO PORQUE VOCÊ ME ODEIA? “ Esgoelou a garota desesperada.

“ Deve haver algo que possamos fazer.” Poromon tentou acalmar a parceira.

“ E tem sim. Vamos voltar no último local onde estivemos e encontrar meu diário.” Assegurou se levantando convictamente.

“ Koushiro–san. disse que é perigoso abrir um portal do seu computador pessoal.” Tentou levar racionalidade para a menina.

“ Eu sei, eu sei.” Sacudiu a mão no ar, banalizando a informação. “Não vamos ficar em apuros. Vou abrir o portal, entraremos lá, pegamos o diário e voltamos para casa. Tudo em um estalar de dedos!”

“ Ai, menina, você não tem conserto mesmo. “ Lamuriou-se o Digimon ao se dar por vencido.

“ Bingo! “ Ela apontou o polegar erguido. Digitou as coordenadas e sacou seu dispositivo digital. “ Digiportal abra! Digi–parceiro aí vamos nós!” Após seu icônico bordão, os dois foram sugados para dentro do computador.

…

Seu coração estava aliviado, pois, se algo não fosse comida era muito pouco provável que chamasse a atenção de um Digimon. Sendo assim, suas informações pessoais estavam totalmente seguras… NÃO!

AQUILO NÃO PODERIA ESTAR ACONTECENDO!

Mas de fato estava! Kaiser estava sentado sobre uma rocha a lacrimejar de tanto rir a cada página que folheava.

“ Todo gênio do mal precisa de um pouco de descanso e alguma dose de diversão, mas essas são as coisas mais ridículas que já li na vida! “ Parou sendo afetado por uma crise de tosses.

“ COMO OUSA? “ Sem pensar nas consequências, a garota disparou contra o gênio maligno.

" Mas… Heim? " De sobressalto, o vilão pulou para trás e se esquivou da mocinha, que caiu desajeitada. " Isso mesmo, menina boba, curve-se aos meus pés! " Ele debochou.

" Seu desgraçado. Tentar dominar o Mundo Digital já é ruim, mas ler o diário de uma garota é baixo até pra você! " Encolerizada, levantou-se e avançou contra Kaiser.

" Que culpa tenho eu se você deixa suas coisas jogadas por aí? " Ele levantou o objeto para o alto, enquanto ela ficava na ponta dos pés na tentativa de alcançar.

" Não o deixei jogado; ele se perdeu. Além disso, ele tinha um cadeado muito resistente. Onde está?” Bradou estressada.

Ele se lembrou de quando encontrou aquele objeto cor-de-rosa com glitter em meio ao campo. De fato estava com cadeado. Ele teve muito trabalho para quebrar aquele lacre.

"Já estava assim quando o encontrei." Mentiu descaradamente. "Não é mesmo Wormmon?" Perguntou enquanto continuava a se desviar das investidas da menina.

" Na verdade não." Wormmon confessou, inocente. " Você levou uma hora tentando abrir, depois jogou o cadeado no lago!”

“MAU CARÁTER, MENTIROSO! “ Berrou Miyako.

“ Imprestável! “ Acusou Kaiser referindo-se a pequena lagarta. “É por isso que eu te bato!”

“ Devolva meu pertence! “ Ordenou uma Inoue, irada.

“ Achado não é roubado, quem perdeu foi relaxado e… Você não me dá ordens!” defendeu-se a serpentear com o objeto erguido.

Na tentativa de ajudar, Hawkmon acertou uma pena que prendeu a capa de Kaiser no tronco de uma árvore velha.

“ Devolve o diário dela! “ Vociferou o parceiro de Miyako.

“ Não mexe com o Ke–… meu mestre! “ Wormmon o prendeu com uma teia.

Os dois Digimons se embolaram em uma briga tola. Enquanto Miyako e Kaiser se encontram cara a cara.

“ O que vai fazer agora? “ O maligno provocou.

Inoue tinha que pensar rápido. Não aguentaria uma briga corporal com ele. Não podia deixar seus segredos em mãos inimigas. Ela enfiou a mão na mochila na esperança de ter algo que pudesse usar, mas só tinha um frasco de perfume que foi borrifado na cara do tirano.

Ele tossiu, espirrou e se irritou. As fartas gotículas molharam as lentes de seus óculos. Enquanto ele se distraiu para se limpar e se recompor, Miyako investiu com tudo para pegar seu diário de volta.

Os dois embolaram-se e caíram em um buraco que se abriu misteriosamente no tronco da árvore velha. Hawkmon e Wormmon cessaram o combate e correram para socorrer, mas era tarde… Só sobrou um pedaço do manto de Kaiser rasgado, preso na pena que o falcão atirou.

“ Ué, eles sumiram? “ Questionou Wormmon.

“ A árvore sugou eles… Que doideira foi essa? “ Hawkmon colocou sua pena de volta e chutou a árvore averiguando. “Vou ter que pedir ajuda”.

“ E vou ficar aqui se caso eles voltarem. “ Anunciou o aliado do imperador.

(…)

O impacto da queda contra o chão, fora completamente absorvido pelo traseiro de Kaiser e, para piorar tudo, Inoue caíra com o capacete contra sua boca.

“ Sai de cima de mim, garota insuportável! “ Ele a empurrou rudemente.

“ AÍ… Grosso! “ Achincalhou ofendida. “ Aí meu querido diário. Prometo nunca mais te perder. “ Apertou o objeto contra o peito.

“ Mimimimi… Eu também não queria essa porcaria.” Kaiser provocou, não aceitando que perdeu.

“ Não queria, mas estava perdendo seu precioso tempo quase entrando nas páginas. “ Miyako acusou sem demora.

“ Porque tive muito riso às suas custas, garota cabeça de vento, fútil!” Falou massageando a boca.

“ Melhor cabeça de vento do que psicopata! Olha, você quebrou meu capacete. “ Reclamou mostrando o capacete rachado.

“ E você quase me quebrou um dente.” Pegou o capacete das mãos dela e arremessou para longe. “ Porcaria horrorosa de mau gosto!”

Ela ia começar a brigar quando se deu conta de que estavam em um local frio e escuro, totalmente pavoroso.

“ Que lugar é este? Como chegamos aqui? “ Questionou perdida.

“ Você deve ter feito uma ruptura dimensional com essa gritaria aguda! “ Tentou contatar os escravos de sua base, mas nada funcionava.” Estamos sem comunicação. Porcaria, era só o que me faltava!”

“ Viu, isso é castigo por roubar as coisas dos outros.’ Cantarolou debochada.

“ E, porque você foi castigada junto?” Rebateu prontamente.

“ Ah? “ Parou pensativa. “ Talvez por ter sido relaxada. “ Choramingou.

“ Você é só a garotinha da mamãe, ainda. “ Troçou enquanto procurava meios de sair do, seja lá o que fosse aquele lugar.

“ Não diga besteira, pois devemos ter a mesma idade. E… Olhando de perto. “ Aproximou-se medindo a altura. “ Sou mais alta que você.”

" Mas o seu intelecto é muito mais baixo. Isso sem sombras de dúvidas.”

E uma acalorada discussão se iniciou enquanto ambos vagavam pelo local inóspito. Quando todo repertório de ofensas foi gasto os dois se calaram ao mesmo tempo. O que foi perfeito, pois, nenhum queria sair como perdedor da briga.

As pernas já não aguentavam caminhar e a fome já os abatiam. Ambos se mantinham firmes, não poderiam demonstrar fraqueza diante do inimigo. De repente, um grunhido estranho foi ouvido.

“ O que foi isso? “ Inoue questionou alarmada.

“ Como é que eu vou saber? Deve ser algum Digimon. “ Kaiser sabia que aquele grunhido tinha vindo de seu estômago, mas jamais admitiria.

E Miyako agarrou a borda do manto do inimigo que a fulminou com o olhar. Ela não podia ver devido aos óculos dele, mas sentiu a reprovação lacerante.

“ É que, eu fiquei assustada.” justificou-se afastando.

…

Trocentas horas pareciam ter passado e ambos estavam destruídos e famintos. Inoue parou e sentou-se em um tronco velho. Kaiser achou sua brecha para descansar sem mostrar fraqueza e ajeitou-se no tronco oposto.

“ A culpa disso é toda sua. “ O imperador a acusou para que ela não visse sua fraqueza.

“ Minha? Você violou meu diário.”

“ Você o perdeu no meu território. Era quase um convite para ler.” Defendeu-se. “Só li asneiras!”

Ela pensou em responder e não era de levar desaforos para casa, mas estava mesmo apavorada e abriu a boca em um choro infantil que ele não esperava e não sabia como lidar.

“ Tá? brincando? Olha o seu tamanho! “ Provocou o imperador, mas não obteve resposta.

A garota só chorava.

“ Estou com frio, cansada, com fome e com medo e mal acompanhada.” Finalmente ela desabafou.

“ Oi? “ Espantou-se, levantando ofendido. “ Eu sou a companhia ruim aqui? Não sou eu quem está pegando pirraça, com o bocão aberto feito um bebê. Talvez seja melhor você ficar sozinha.”

“ Na-na-não… Em um lugar como este?” fungou parando o choro. “ Você não faria isso!”

“ Você ficaria aliviada já que a minha companhia é odiosa.” ironizou.

“ Não. Eu sinto muito… ” murmurou a contragosto e ele se sentou novamente onde estava.

Ele poderia sim, ir embora e deixá-la, mas por mais insuportável que Inoue lhe parecesse, ficar sozinho alí lhe parecia pior.

Sem esperanças, Miyako revirou sua mochila e abriu um sorriso ao encontrar uma barra de chocolate. Ela a retirou e a partiu ao meio oferecendo ao inimigo.

Kaiser piscou duvidoso e orgulhoso. Fez um grande esforço para recusar, mas naquela altura a sobrevivência já falava mais alto e ele estendeu a mão aceitando, enfim.

Comeram silenciosos. E neste momento um brilho estranho começou a emanar de um objeto estranho no chão. Os dois tiveram o mesmo pensamento.” Digimental” Levantaram se atropelando.

“É de quem pegar primeiro!’ Debochou o menino.

“ Deixe sua pata longe dele. Você não é digno!” Exclamou a violácea.

Alcançaram o objeto ao mesmo tempo, e começaram a puxar cada um contra si.

“Solta isso, tirano ambicioso!”

“ Eu não era isso enquanto você precisava da minha companhia. Sua interesseira!”

E neste puxa para lá e puxa para cá, troca de ofensas e acusações, o objeto segurado explodiu em uma for luz azul. Eles se afastaram protegendo os olhos.

“ Quem ousa perturbar o meu sono? “ Uma voz grave e assustadora questionou.

Abriram os olhos, hesitantes. Foi somente então que perceberam que acabaram se abraçando com o susto. Soltaram-se ligeiros e Kaiser limpou os trajes em sinal de desdém. Encararam a criatura.

Era uma criatura gigantesca, dotado de um peitoral humanoide, cuja parte inferior do corpo se desfazia em uma fumaça azulada, assim como sua coloração em si.

“ A gente não queria te acordar. “ Murmurou Inoue preocupada.

“ Eu só estava zombando de vocês. Eu nem estava dormindo, na verdade, estava bem entediado. Então, vocês sabem como funciona, três desejos.” Se ajeitou no ar, com os braços cruzados atrás da nuca. “1 Não posso trazer ninguém do mundo dos mortos, 2 nem fazer ninguém se apaixonar, 3 não posso desfazer um desejo e 4 não vale desejar ter mais desejos.”

“ Oi? Quem ou o que é você e, do que está falando? “ Kaiser indagou confuso.

“ Sou Geniemon, um Digimon com a habilidade de realizar desejos e vocês esfregaram minha lâmpada, juntos, portanto possuem três desejos.”

A voz do narrador apareceu dando todas as informações como nível, familia e força de ataque. Nada que seja útil para nossa trama.

“Três desejos… Mas, somos dois. “ Observou Inoue.

“ O problema não é meu. “ Troçou o Digimon gênio.

“ Esse maluco vai desejar a dominação mundial. “ Acusou, mas Kaiser parecia petrificado a processar a novidade. “ Acho que foi emoção demais pra ele. Neste caso eu vou fazer meu desejo. Deixe-me ver… Paz mundial, cura para todas as doenças do mundo… Erradicação da pobreza…”

“Uau! que benevolente!”Pensou Geniemon admirado!

“ Já sei Eu quero um encontro romântico perfeito com o gênio prodígio, Ichijouji Ken!” Enfatizou empolgada e o Digimon caiu no chão, com uma gota sobre a cabeça e retirando seu pensamento anterior.

“ COMO É? “ Berrou Kaiser ao ver que a garota gastou um precioso desejo. “ COMO É? É O QUE? ENCONTRO ROMANTICO! "Chocou-e ainda mais ao atentar-se para o pedido dela. “ SEM CHANCES, PREFIRO BEBER ÁCIDO!”

Mas já era tarde para protestos e, ambos foram envolvidos em uma forte luz azul. Os trajes foram modificados para algo condizente com a data; Miyako ganhou um belo vestido estilo Lolita, um penteado com ondulações e belos adornos. Sentiu-se limpa e perfumada como se acabasse de sair de um banho. Kaiser não estava diferente…

Espere! Não, eu não quis dizer que ele ganhou um vestido!

Kaiser teve seus costumeiros trajes transformado em um terno bonito, mas os cabelos e os óculos permaneceram da mesma forma. Também estava limpo e muito perfumado.

Ambos se viram sentados em uma mesa redonda com um belo arranjo de flores e luxuoso candelabro ao centro. O local era suntuoso, parecia um salão de festa de um castelo medieval, decorado com belos vitrais, estátuas de mármore e pedra, pinturas e tapeçaria nobre.

Miyako piscou encantada com tudo… Quase tudo. Onde estava seu amado Ichijouji Ken? E, porque Kaiser ainda estava alí? Ela rosnou.

“ Porque você está metido no meu desejo? “ Apontou para o vilão, que engoliu em seco. “ HEY GENIOMON…” Chamou furiosa.

Aquele Digimon gênio era um incompetente, como assim Kaiser estava no lugar de seu príncipe? Ela iria lhe dizer umas boas verdades.

“ Eu também não estou feliz em estar aqui! “ Kaiser vociferou constrangido com a aparência atual da garota. Nunca pensou que ela pudesse ser tão bonita sem a habitual configuração.

“ Cale a boca, usurpador! “ a violácea acusou e, já iam os dois começar uma discussão quando…

Um aroma delicioso invadiu o ambiente e os estômagos rugiram ruidosos. Um orgulhoso Digitamamon entrou usando um chapéu de mestre kuca e um avental.

“ Com os cumprimentos da casa. “ Saudou educadamente e deu espaço para que os Gotsumons trouxessem a refeição. Os olhos de Kaiser e Inoue se arregalaram. A comida estava muito chamativa.

Esqueceram a briga. Sentaram comportadamente e ficaram hipnotizados enquanto o jantar era servido.

“ Obrigado pela comida! “ Disseram em uníssono e atacaram ao mesmo tempo.

Repetiram uma, duas, três vezes… Kaiser se chocou com o tanto que a garota comia. E quando terminaram toda a refeição, incluindo refrescos e sobremesa e, a mesa já estava vazia e limpa ambos se debruçaram satisfeitos e exaustos.

" Eu nunca comi tanto na vida. " confessou ela.

" Como você consegue comer tanto, sendo tão magra?”

" Sou elétrica. Gasto muita energia. Você também come muito para alguém normal.”

" Eu sou atleta, faço muito esforço físico no futebol e judô.”

" Sério? Como Ichijouji Ken?”

" Err…”

E de repente o cenário mudou e já estavam em um grande teatro onde eram os únicos espectadores. Uma peça estava prestes a começar e se chamava Os Fantasmas da Ópera. Kaiser e Miyako se olharam com expressões interrogativas.

A peça se iniciou. Como estavam relaxados com uma moleza pós refeição, deram de ombros e decidiram ver o que poderia vir disso. A história era sobre uma Ópera que foi construída por Jecomons em cima de um solo mal assombrado e lar dos Bakemons. Devido a isso, os Bakemons passaram a assombrar a ópera e aprontar com os artistas.

Não tinha como negar que a peça estava sendo muito engraçada e Miyako gargalhava e até chorava de tanto rir. Kaiser continha bem o riso, mas em determinada hora ele não conseguiu segurar a gargalhada, chamando a atenção da garota.

" Olha, monstros também apreciam arte! Nunca te imaginei rindo.”

" Assim como descerebradas conseguem entendê-la e apreciá-la. Oras, mas eu não sou um robô.”

" Mas não combina com um gênio do mal. Na verdade eu te imaginava dando gargalhadas apavorantes em uma base secreta no topo de uma colina, com trovões ecoando e relâmpagos cortando os céus.

" Você lê muita HQ? Não sou um personagem de quadrinhos.”

" Mas e aquelas roupas bizarras?”

" As suas também não são do meu agrado.”

Não discutiram o assunto e apenas continuaram a rir. Ambos relaxaram e apenas aproveitaram o momento se esquecendo do porque estavam alí.

Geniemon se divertia com a situação do ‘casal” e, valendo-se de que estavam distraído, moveu os braços do acento na divisória que os separavam, fazendo com que os ombros, braços e consequentemente as mãos se encontrassem.

“Ele encostou a mão na minha. O que eu faço?” Pensou a menina.Ela corou subitamente sem saber o que fazer.

“Ela encostou a mão na minha? Será que ela descobriu” Ele se horrorizou com o pensamento, mas nada fez para sair daquela situação.

E para os dois, ficou difícil continuar prestando atenção no teatro. A queimação nas bochechas e o formigamento nas mãos estava os deixando desconfortáveis. Contudo, os atores fizeram uma cena tão engraçada que ambos não seguraram as gargalhadas e riram até o fim da peça.

Não se controlaram, se esbarraram de tanto rir e terminaram com as frontes quase coladas e, o riso morreu paulatinamente.

" Não era bem essa a ideia que eu tinha de encontro perfeito." Ela brincou divertida." Esse gênio Digimon, não bate bem das ideias.”

" Me parece que não. No entanto, eu ainda não fiz o meu desejo." Relembrou se recompondo e sentando corretamente na cadeira.

“ E nem vai fazer enquanto o desejo dela não for totalmente cumprido. “ Geniomon apareceu comendo pipocas tranquilamente sentado na cadeira atrás deles.

“ O que falta…” Kaiser se engasgou ao lembrar que no diário estava o passo a passo do encontro perfeito; comida gostosa, bom filme ou teatro e um show de fogos com um…” Isso não! “ Relutou emburrado.

Miyako colocou a mão sobre o peito e seu rosto ficou completamente vermelho. Se aquele encontro estava seguindo o cronograma do seu diário, então…

Antes que pudessem protestar, um novo clarão invadiu o local e foram transportados para um festival. Agora Miyako trajava um belo Kimono lilás a combinar com seus cabelos que, estavam presos em um coque e enfeitado com um belo adorno tradicional.

Kaiser também trajava um Yokatta azul-marinho com faixa cinza e novamente os cabelos e os óculos estavam lá, deixando Miyako frustrada. Ele a encarou por um longo tempo, pensando em como ela parecia ainda mais bonita.

Notaram que estavam no meio da rua e muitos Digimons caracterizados com trajes típicos japoneses estavam a transitar por entre as numerosas barracas de jogos e comida.

“ Melhor sairmos do caminho. “ Ela o puxou pela mão, como se fossem íntimos. Ele pensou em brigar, mas desistiu.

“ Hey, vamos jogar a bola na boca do palhaço? “ Um gazimon com uma máscara de raposa, e roupa de samurai os convidou.

“ Obrigada, mas não temos dinheiro. “ Miyako respondeu educada.

“ Pra vocês, é por conta da casa. Não é pessoal? “ Gritou para os donos das outras barracas e todos assentiram.

“ Então… ” ela apontou o indicador para o vilão. “ Eu o desafio!"

Ele arregalou os olhos. Era um absurdo aquele ser inferior pensar que podia com ele. Iria mostrar a ela. Prontamente aceitou o desafio e a colocou em seu devido lugar. Saíram daquela barraca e nas próximas dez ele continuava ganhando de lavada. E mesmo fracassando ela parecia feliz?

Naquela altura a fome já tinha chegado novamente. Comeram de quase tudo e ainda discutiram sobre gostos. A única coisa em que concordaram foi na maçã do amor. E o festival se encaminhava para o show de fogos e a ansiedade já os corroia, pois sabiam o que deveriam fazer.

“ Espero que não tenham comido nada que deixe um mau hálito, ou será uma péssima experiência. “ Geniemon surgiu comendo um algodão-doce.

“ Eu não quero fazer isso com ele. “ Chorou Miyako.

“ Nem eu quero fazer isso com essa garota, erc… ” defendeu-se Kaiser.

" Mas foi o desejo e pra sair dele vocês vão ter que ter o encontro perfeito e isso quer dizer… ” ele fez um biquinho e imitou sons de beijos.

“ E se não fizermos? “ Questionou Kaiser, irritadiço.

“ Vão repetir o encontro em um loop eterno. “ Informou o Digimon gênio gargalhando e desaparecendo na fumaça.

Tinham um impasse… Sabiam o que deveriam fazer na hora do show de fogos, mas… Fazer aquilo, com aquela pessoa? Era inaceitável!

…

A hora enfim chegou e ambos estavam acabrunhados. Os fogos começaram a estourar e colorir os céus e sem querer ela comentou:

“ Que bonito!”

“ É sim, mas são poluentes, sabia?” Ela apenas deu de ombros.” Você acha que ele falou sério sobre o loop eterno?”

“ Por que, você ficou com medo?

“ Não, mas reviver o mesmo dia para sempre, parece uma tortura.” Explicou pensativo.

“ Você acha que a gente deveria…” ela enrolava uma mecha de cabelo.

“ Não é como se tivéssemos escolha.” ele estalava os dedos nervosamente.

“ Eu não queria que o meu primeiro beijo fosse com alguém que me odeia.” Choramingou.

“ Eu nem te odeio tanto assim. “ Kaiser confidenciou. “Penso até que do seu grupo, você parece a menos desagradável.”

“ Você só quer poder fazer seu desejo rápido.”

“ É complicado.” ele suspirou.

“ Você é complicado, garoto. Olha tudo o que você tem feito.” ela já iria começar com um assunto tenso.

“ Não vamos começar a falar disso. Além disso, você diz que ama um garoto que nem conhece de verdade. E se ele fosse uma pessoa ruim?”

“ Lave sua boca para falar de Ichijouji Ken. Ele é uma pessoa boa, inteligente.” Falou de seu idolatrado ídolo, despertou a fúria da menina.

“ Pff… Sei. “Caçoou por motivos óbvios.

“ Por acaso está com ciúmes? Só porque aquele tonto do Geniemon te colocou no lugar dele, não significa que alguém como você tem chances comigo.”

“ Affs, se enxerga. Estou tentando ser legal porque beijar você é o único jeito de ter meu desejo e sair daqui, mas não fica se achando. “ Kaiser esbravejou ultrajado.

“ Eu nunca vou deixar você estragar meu primeiro beijo. Você é tão odioso que é capaz de me matar envenenada. Não vai me beijar nunca! “ Mostrou a língua e começou a descer as escadarias do templo.

Ele a segurou pelo pulso e a fez parar de andar.

“ Quer apostar? “ O garoto bradou orgulhoso e convicto. Tirou os óculos os jogando para o lado e penteou os cabelos com os dedos. “ Agora você me beija?”

Kaiser tinha certeza que Miyako se atiraria em seus braços, mas… Um minuto de silêncio foi feito e tudo que ecoou pelo ambiente foi um violento tapa de Inoue que, estalou no rosto do garoto, o deixando chocado.

“ NÃO… ISSO NÃO PODE SER VERDADE! “ Esgoelou e desceu as escadarias do templo em que estavam." NÃO ACEITO! ISSO É UM PESADELO!”

Ele tentou segurá-la, explicar, mas já era tarde. Os últimos fogos estouraram e eles voltaram para o início do encontro. Observaram, a mesa redonda, as roupas elegantes e o ambiente requintado de castelo medieval… Voltaram ao ponto de partida do encontro perfeito.

“ De novo não! “ Reclamou o garoto.

“ Eu queria não ter desejado isso. “ Miyako declarou entre lágrimas.

Digitamamon entrou saudando e os Guatsumons trouxeram a comida.

“ Acho que temos que comer, para passar para o próximo nível.”

“Passar para o próximo nível? Pra você tudo é um jogo? Pois, fique aí e jogue sozinho. “ Ela correu para uma das portas e tentou abrir, mas foi teletransportada de volta para a mesa.

“ Acho que esse jogo é a dois.” ele debochou.

“ Eu odeio você.”

“ Mesmo sabendo quem eu sou? Não foi isso que eu li no seu diário.”

“ Agora eu odeio mais. Ichijouji Ken que escraviza Digimons e lê diários alheios. Você me dá nojo. “ Rangeu nervosa.

“ Achei que você queria ser a mãe dos meus filhos? “ Troçou lembrando-se de trechos do diário.

“ Seu descarado! “ Ela pegou a torta que estava sobre a mesa. “ Olha bem o que eu quero fazer com você. “ Arremeçou com tudo na cara do inimigo.

“ Desgraçada!” Devolveu o desaforo lançando uma travessa de purê.

A confusão estava formada e Geniemon não se lembrava de já ter se divertido tanto. Isso nas primeiras duas vezes que o dia se repetiu, mas lá pela décima vez até ele estava querendo logo que o tal beijo acontecesse.

…

Lá estavam eles mais uma vez no topo das escadarias do templo, a um beijo de sair daquela repetitiva loucura.

“ Vai, Inoue–san. É só a droga de um beijo. “ Ele nunca pensou que imploraria por algo, mas já estava ficando louco com aquele loop infinito.

“ A DROGA de um beijo? Abordagem errada. “ Respondeu ofendida e desceu as escadas.

“Não, não, para. “ a cercou parando frente a ela. “ Eu sei que eu não sou como você imaginava, mas por favor, a gente precisa fazer isso para sair daqui.”

“ Eu sei, mas… É algo importante pra mim e eu não queria que você banalizasse.” explicitou magoada.

“ Eu não banalizei. Você banalizou.” Kaiser esclareceu.

“ O que você quer dizer?”

“ Que você criou esse “Ichijouji Ken” imaginário e deu seus sentimentos a ele. Pode me odiar por dominar Digimons, mas não me culpar por não ser como você me idealizou. Não tenho a obrigação de ser um príncipe da Disney só por causa da minha aparência.” Argumentou sabiamente.

“ Isso é…" Enquanto ela ponderava o que o garoto tinha desabafado, mais uma vez o prazo acabou e voltaram para o início.

Dessa vez ela estava calada, mas comeu toda a refeição traga por Digitamamon e os Gotsumons. Durante a peça de teatro a qual já até sabia as falas de cor, Miyako ainda estava quieta até colocar a mão sobre a do inimigo. Kaiser a olhou intrigado, assustado.

“ Tudo bem. Vou deixar você me beijar. “ Murmurou em tom quase inaudível. O olhar preso aos pés e a outra mão a enrolar uma mecha de cabelo.

“ Sério? “ Praticamente gritou, mas logo baixou o tom.” Agora? “ E sem perceber acolheu a mão dela a sua e a apertou.

“ Sim… Quanto antes fizermos, mais rápido sairemos deste loop. Neh?”

“ De acordo. Então é melhor irmos lá pra trás. “ Kaiser sugeriu olhando para o local. Miyako lhe deu um olhar de reprovação. “ Eu só estou dizendo que não consigo fazer isso com eles me olhando.

“ Você está certo. “ Sussurrou acanhada.

Eles se levantaram sem soltar o enlace de mãos e, seguiram para as últimas fileiras. Era vergonhoso o fato da pouca iluminação, a conjuntura por si era imensamente embaraçosa. Sentaram-se lado a lado e olharam para a peça teatral um pouco mais. Nenhum estava de fato prestando atenção.

“ Você não mudou de ideia, certo?” Kaiser questionou oscilante, seu tom sempre decidido e debochado agora estava falho e entrecortado.

“ Não… Eu só gostaria que você tirasse os óculos.” Miyako foi sincera, já que era para fazer aquilo com ele, então que fosse menos assustador.

“ Certo…" Ele tirou os óculos e colocou sobre uma cadeira vazia. “ E agora?”

“ Quando você quiser…" Ela apenas fechou os olhos, os apertando nervosamente e, esperou, enquanto as mãos embolavam a barra do vestido. “ Estou pronta.”

“ Certo…” O menino suspirou penteando os cabelos com os dedos e guardando a franja atrás da orelha. Ele se inclinou para a lateral, mas o braço da cadeira o atrapalhou.

“ O que foi? “ Miyako abriu os olhos.

“ É só… problemas técnicos.” o imperador sorriu nervosamente. “ Será que eu posso? “ Questionou fazendo menção de envolvê-la com o braço.

Ela estranhou, ponderou, mas permitiu com um maneio de cabeça.

Os rostos ardiam tanto que pareciam pegar fogo. Aquilo era o cúmulo do absurdo, estavam mesmo abraçados? Ou Kaiser estava abraçando a inimiga, pois, ela estava a beira de um desmaio.

“ Ok? “ Questionou o imperador.

“ Ok… "concordou Digiescolhida.

Ele aproximou-se do rosto enrubescido de Miyako. Estava uma pilha de nervos também, mas vê-la tão vermelha, trêmula e travada, tinha uma certa graça. Acabou se perdendo em toda aquela graciosidade… Ela piscou algumas vezes abrindo os olhos, incomodada com a demora.

“ Desistiu? “ Questionou em um sussurro. “ Porque ta me olhando assim?”

“ Não é isso…” Kaiser espondeu em timbre tão baixo quanto o da garota. “ É só que… Será que eu posso tirar seus óculos também?”

“ Você acha feio? Te desanima?”

“Não é feio. Não vejo problemas estéticos… É que por questão de conforto ou algo assim.” Na verdade, ele só queria uma desculpa para tocar no rosto dela.

“ Tudo bem, eu tiro. “ Avisou Miyako estendendo as mãos em direção aos óculos.

“ Não. “ O garoto segurou-lhe as mãos. “ Eu quero tirar. Posso? Não vou deixar cair.”

Inoue estranhou. Afinal, que diferença fazia quem ia tirar? Mas não se opôs, assentiu com a cabeça e voltou a fechar os olhos.

Ela sentiu a forma lenta e demorada com que ele lhe tirou os óculos. Enquanto o imperador aproveitava para sentir a textura da pele feminina; com o roçar das pontas de seus dedos. Para a sorte dele, alguns fios de cabelos foram desarrumados. Antes que Miyako pensasse em arrumar, Kaiser os ajeitou de volta no lugar.

Ela deveria estar ficando louca com o tanto de vezes que reviveu aquele encontro maluco, pois poderia jurar que aquilo foi uma carícia.

Mas… Miyako era Miyako e sendo assim, era afobada e já estava ficando estressada com aquela rasgação de seda.

“Quer andar logo com isso, Ichijouji–kun.” ordenou severa. “Está começando a me irritar!”

“ Calma, não é só chegar e fazer gol! Estou me concentrando.”

Miyako não conseguiu conter a vontade de rir e o riso que começou baixo se tornou escandaloso e, grande parte disso se devia a sua ansiedade. E Kaiser apenas a encarava, ultrajado.

“ Você não está facilitando as coisas. “ O menino reclamou, emburrado com os risos dela. Aquilo só a faz rir mais. " A quer saber, não tem jeito. Não vou te beijar coisa nenhuma! Esquece.” Indignou-se.

Kaiser virou o rosto na direção oposta, vermelho de raiva e constrangimento por servir de chacota para a menina. Em um ímpeto Miyako segurou o rosto dele e virou para si, colando os lábios enfim.

Ela o estava beijando? Ele precisou de um tempo para processar aquele tiro, mas depois fechou os olhos e só aproveitou a experiência nova, que uma vez realizada já não parecia mais tão assustadora.

Ele realmente nunca tinha se imaginado fazendo aquilo com ninguém, embora muitas meninas já tivessem se declarado para ele, apenas as via como piada e jamais cogitou retribuir afeto. Não tinha mesmo tempo e paciência para pensar em romances… Mas…

A sensação era calorosa e agradável. Era como se Miyako respirasse dentro dele e para ele… A textura dos lábios dela era suave, macio. Ele se viu desfrutando de algo que sempre repudiou; contato físico.

Para Miyako também não foi ruim, não foi o fim do mundo e nem toda a desilusão que ela julgou que viveria. Ela se espantou com a receptividade que teve e com a forma meiga com que fora retribuída. O gosto adocicado da sobremesa se misturava lentamente ao sabor da incredulidade de estar mesmo fazendo aquilo e com aquela pessoa.

“ Uau! “ Ele exclamou quando os lábios se separaram e os rostos se afastaram. “ Onde você aprendeu isso?”

“ Novelas estrangeiras. Eu acho.” Miyako respondeu em um sussurro envergonhado. “ Está feito.” Sorriu.

“ É… está feito…” O menino colocou a mão sobre os lábios. “Mas ainda estamos aqui. Eu não entendo.”

“ Será que fizemos algo errado?”

“ Vamos olhar no diário. “ Sugeriu ele. “ Ou você olha.”

“ Que diferença faz. Você já leu tudo mesmo. Só que o diário ficou na mochila e a mochila não veio como parte do desejo.” Concluiu lamentosa.

" mas você se lembra exatamente o que escreveu sobre o tal encontro perfeito?” Kaiser indagou.

“ Lembro… Ah!..” colocou a mão no queixo, pensativa. “ Acho que o beijo tinha que acontecer no show de fogos. “ Estalou os dedos. “ BINGO!”

“Então é só esperar o show de fogos e… Você sabe.” Disse o garoto, com certo embaraço. Existia uma ansiedade involuntária em beijar os lábios da menina e abraçá-la novamente.

Era isso, ela sabia… Miyako também sentia-se ansiosa. Não bastava ter beijado o inimigo ainda teria que repetir e doía admitir, mas tinha sido tão gostoso e ela queria tanto…

…

Notas finais
Eu espero que tenham gostado, principalmente a aniversariante. Espero vocês no próximo. Beijos.