Time After Time
4 There's a calm before the storm
Notas iniciais
Sam terminou de arrumar sua mala e foi conferir o roteiro de viagem que tinham feito algumas noites atrás. Ao invés de ir de avião, decidiram ir de carro e conhecer uma parte dos estados até a ensolarada Califórnia.
Pediram uma folga de duas semanas em seus trabalhos, querendo aproveitar esse tempo para reacender a chama de seu relacionamento que começava a apagar e quando acabasse, iria organizar tudo que fosse preciso para a nova escola.
Saiu do quarto carregando a mala e desviou por pouco da namorada que corria de um lado para o outro na casa se certificando que não estava esquecendo nada.
“Ca, são duas semanas, não um mês! Pra que tudo isso?” Questionou vendo as quatro malas beges próximas do sofá.
“Não enche Sam, uma mulher precisar estar sempre arrumada e para isso preciso de todas as opções possíveis.”
“Então desenrola, não temos todo o tempo do mundo.” Sam falou pegando uma das malas dela com a mão esquerda, já que a direita estava ocupada com a sua, e levou para o carro colocando no porta malas, fez isso com as outras três e fechou não dando chance da namorada querer enfiar outra lá dentro.
“Só um minutinho amor.” Scarlet praticamente gritou de dentro da casa onde terminou sua maquiagem, guardou a nécessaire na bolsa, ajeitou o cabelo e foi para fora trancando a casa e indo na direção do carro. Sam já estava ao volante e apertava a buzina impacientemente. “Você é um chato, mas eu te amo.” Ela falou dando um beijo no rapaz, colocando sua bolsa no banco de trás e fechando a porta. “Agora vamos Sr. Impaciente.”
Saíram de Lima e seguiram por Dayton, Cincinatti, Louisville e só pararam em Nashville, já que precisavam esticar as pernas e irem ao banheiro. Aproveitaram também para visitar alguns dos lugares turísticos, afinal Sam Evans jamais iria perder a oportunidade de conhecer a cidade da música Country.
Foram ao Country Music Hall of Fame and Museum, um museu sobre a história da música Country pela América e Scarlet teve que fisicamente arrastar o namorado para fora do edifício duas horas depois ou nunca iriam sair dali. Seguiram em direção à Broadway, uma rua do distrito de entretenimento e Sam não conseguiu evitar que seus pensamentos fossem consumidos por uma pequena ex-diva da Broadway, balançou sua cabeça querendo afasta-los e pegou na mão da namorada caminhando para o famoso Jack’s Bar-B-Que onde comeram costelinha de porco e porco desfiado, com feijão, arroz e um creme de milho.
Voltaram a andar pelo distrito de entretenimento e seguiram até o Ryman Auditorium, considerado o templo sagrado do Country. Celebridades como Charlie Chaplin, Katharine Hepburn e o presidente Theodore Roosevelt passaram pelo local, mas foram anos depois que o local se tornara realmente importante tendo apresentação de famosos como Elvis, Johnny Cash, Hank Williams e muitos outros nomes da música Country.
Infelizmente naquele dia nenhum famoso iria tocar ali, mas próximo de quando estivessem voltando Keith Urban estaria ali e se desse, iriam aproveitar o show, resolveram seguir viagem já que tinham um planejamento e as outras atrações levariam mais tempo para ser conhecer e fizeram um acordo de voltar com tempo para conhecer tudo.
Chegaram exaustos em Oklahoma City às 22h da noite, parando em um motel de beira de estrada. O local era pequeno e encardido, e lembrava muito uma locação de filme de terror em que um serial killer mata todos os hospedes brutalmente. Porém, diferente dos filmes, em que o dono do lugar é um completo maluco, a dona era uma senhora de idade gordinha, baixinha e bem alegre, que os recebeu muito bem e ofereceu tudo que podia para deixá-los confortáveis. Comeram um jantar simples preparado pela mulher e depois de agradecer, pegaram a chave e seguiram para o quarto.
Tomaram banho juntos, aproveitando o lugar para relaxar da melhor forma que conheciam nos braços um do outro e seguiram para a cama só com suas roupas intimas.
“Somos loucos Sam, estamos cruzando quase o país inteiro de carro e nos arriscando dessa forma.” Exclamou Scarlet se ajeitando sobre o peito do rapaz e o abraçando pela cintura.
“Nós todos somos um pouco louco às vezes.” Sam falou imitando Norman Bates, fingindo ter uma faca em sua mão direita prestes a ataca-la. Trocaram alguns beijos e dormiram profundamente, só acordando quando o despertador de Sam tocou às sete da manhã do dia seguinte.
Comeram um reforçado café da manhã, dessa vez preparado pela neta da dona do hotel
, Ruby, que nada discretamente deu em cima do rapaz, pagaram sua conta e seguiram viagem.
Às 15h chegaram á Albuquerque, no novo México, onde resolveram parar para comer e esticar as pernas. Ficaram impressionados com a quantidade de coisas para fazer quando Scarlet pesquisou na internet, mas resolveram deixar para outro dia, pois tudo demoraria um longo tempo que não tinham. Foram para o Food Tour New México onde experimentaram diversas comidas realmente mexicanas com direito a todo tipo de pimenta fazendo suas bocas arder e olhos lacrimejar.
Seguiram viagem e só foram parar em Phoenix ás 21h. Comeram num restaurante simples, mas acabaram não encontrando um hotel com
vagas. Cansados resolveram dormir no carro no estacionamento de uma seven-11.
Aos primeiros raios de sol, seguiram ao Grand Canyon Skywalk, uma enorme estrutura de aço e concreto que forma uma passarela no formato de “U” pelo Grand Canyon. A altura sobre o penhasco era de mais de 200m de altura e ventava fortemente, o que deixou Scarlet assustada. Ela escondeu o rosto no peito de Sam e fechou os olhos não querendo ver a paisagem ou o chão de vidro.
Sam admirou a paisagem sem palavras, era definitivamente um dos lugares mais lindo que já tinha visitado. Com cuidado ergueu o rosto da namorada de seu peito, tirou as mãos de seus olhos e apontou para o horizonte, mostrando a beleza do local, não queria que ela perdesse tal experiência por medo. Aos poucos a morena foi relaxando e juntos, apreciaram a paisagem.
Seguiram caminho agora sem parar para a Cidade dos Anjos, sem tirar os olhos da estrada, Sam sintonizou uma rádio qualquer e deixou que tocasse algo para distrai-los. Depois de algumas músicas pop, uma de suas músicas preferidas começara a tocar.
Antes de o banco levar os pertences de sua família quando ainda estava do Ensino Médio, seu pai tinha uma coleção de vinis com todo tipo de música que se podia imaginar e um deles era uma antiga banda de Country Rock, Creedence Clearwater Revival. Ao ouvir os primeiros acordes da música na radio, aumentou o volume e começou a cantar junto.
Someone told me long ago
There's a calm before the storm
I know
It's been coming for some time
When it's over, so they say
It'll rain a sunny day
I know
Shinin' down like water
No seu Mazda Miata conversível, o vento jogava seus cabelos para trás trazendo uma sensação de liberdade indescritível, olhou para Scarlet e sorriu ao ver os cabelos dela fazer o mesmo, mas por serem maiores, iam como chicotes em direção ao apoio do banco.
‘Ela é maravilhosa’ Pensou, agradecendo ao que estivesse no céu por lhe dar a oportunidade de conhecê-la. Ao sentir os olhos sobre si, Scarlet encarou o rapaz com um sorriso e se juntou a ele na canção.
I wanna know
Have you ever seen the rain?
I wanna know
Have you ever seen the rain
Comin' down on a sunny day?
Yesterday and days before
Sun is cold and rain is hard
I know
Been that way for all my time
Caíram na risada com as caretas de Sam imitando o vocalista com exagero, e desistiram de terminar a música, quando o loiro parou no sinal vermelho, se aproximaram trocando um ardente beijo e só pararam quando o carro de trás buzinou deixando claro que o sinal tinha aberto e os dois estavam atrapalhando o trânsito. Apreciando a paisagem, Scarlet deixou o namorado terminar á música sozinho e bateu palmas quando acabou, se tinha uma coisa que amava era a voz de Sam.
'Til forever, on it goes
Through the circle, fast and slow
I know
It can't stop, I wonder
I wanna know
Have you ever seen the rain?
I wanna know
Have you ever seen the rain
Comin' down on a sunny day?
Yeah!
Enfim chegaram à capital do entretenimento. Dirigindo pelas movimentadas ruas de Los Angeles, aprenderam algo que todo californiano já sabia, no horário de pico as ruas eram paradas com a quantidade de carros presos no trânsito. Ficaram quase duas horas presos até finalmente chegarem ao onde que se hospedariam, Sheraton Los Angeles Downtown Hotel.
Will tinha feito as reservas para o rapaz, mas já que resolveram estender a viagem por duas semanas, também estenderam o tempo que ficariam no hotel.
Sam entregou as chaves com relutância para o motorista do hotel e juntos fizeram o check-in quase no limite do horário marcado, depois acompanharam o rapaz que carregava suas malas até o elevador e seguiram para o sexto andar.
Entraram no quarto aliviados que finalmente tinham um lugar maravilhoso para descansar depois de dois dias de viagem, deram uma gorjeta para o rapaz, deixaram as malas no canto e se jogaram na cama dormindo profundamente.
i.
Sam acordou quando os primeiros raios de sol bateram em seu rosto naquela manhã, sentou na cama esfregando o rosto e se espreguiçou, espantando o sono. Levantou da cama, não sem antes da um beijo na testa da namorada, e foi ao banheiro jogando água no rosto. Não era mais o jovem de antes, tinha perdido um pouco sua flexibilidade e uma viagem de vários dias não colaborou, sentia dores pelo corpo inteiro. Enxugava o rosto com uma das toalhas disponibilizadas pelo hotel quando sentiu um par de braços abraçarem-no por trás e um beijo ser deixado em seu ombro.
“Bom dia.” A voz sonolenta desejou.
“Boa dia, dormiu bem?” O loiro perguntou quando ela saiu de trás e foi para o seu lado.
“Melhor impossível.” Scarlett respondeu lavando o rosto. “O que faremos hoje?”
“Temos duas semanas antes de começar meu trabalho, que tal vermos as belezas de LA?” Respondeu encarando-a maliciosamente.
“Sei bem as belezas que você quer ver Sam.” Scarlett retrucou, fingindo estar ofendida, quando na verdade tentava segurar a risada ao ver a cara do namorado. “Se você for rápido, lhe deixo apreciar essa beleza no chuveiro antes de sairmos para o café.” Respondeu, tirando a blusa e as roupas íntimas já que era somente o que estava usando, entrou no box ligando o chuveiro e deixou á água cair por seu corpo. Não demorou muito e ouvir a porta do box ranger aberta e um corpo colar ao seu.
“Provocadora.”
“Só pra você amor.” Scarlett respondeu envolvendo os braços pelo pescoço do namorado e beijando-o nos lábios.
ii.
De banho tomado e com roupas frescas, já que a cidade estava bem quente naquela manhã, decidiram ir a uma cafeteria próxima do hotel onde comeram panquecas, com ovos e bacon para ele e waffles de blueberry e omelete para ela. Satisfeitos, pagaram a conta e seguiram a andar pelo centro com seus cafés expressos na mão.
“Você é o melhor namorado do mundo.” Scarlett sussurrou no ouvido do namorado, enquanto esperavam o sinal abrir para atravessarem a faixa de pedestres.
“Eu sei.” Sam respondeu se virando e dando um ardente beijo nela. Separaram-se quando um casal de velhinhos ao seu lado começara a limpar a garganta, segurando a risada, Sam olhou em volta ao sentir-se sendo observado e no meio da multidão do outro lado da pista viu alguém conhecido.
Certa judia, baixinha, com um nariz maior que o normal, que não saia de seus pensamentos, estava estática os observando. Aproveitou o sinal que tinha aberto e começou a caminhar na direção dela, mas quando pôs os olhos no local onde ela estava minutos atrás, a figura tinha desaparecido. Suspirou balançando a cabeça, uma hora ou outra, os dois teriam que conversar e por um fim nessa loucura.
iii.
MINUTOS ANTES
Abrindo os lábios para dar passagem a língua do rapaz, sua mente não pode deixar de visualizar quem realmente desejava estar beijando a sua frente, e por alguns minutos se deixou perder nesse sonho, mas assim que abriu os olhos, notou que seu sonho na verdade se transformara em pesadelo. O cabelo loiro se tornara preto, os olhos esverdeados, castanhos mais escuros que o seu e o rosto de Sam, se transformara em Mason.
Recuou tão abruptamente que quase caiu da pequena cadeira do piano, surpreendendo Mason, que por pouco não conseguira segurar a mulher. Ficaram se encarando por alguns minutos com olhos arregalados e bocas semiabertas, mas que nenhum som saia, até Mason quebrar tal silêncio perturbador.
“Rachel... oh Deus, des-desculpe. Eu não tenho ideia do que estava pensando, você se separou do Jesse faz pouquíssimo tempo e e-eu aqui me aproveitando de você, cla-claro que não por intenção, fo-foi um acidente eu juro. Desculpe, e-eu realmente preciso ir...” Mason gaguejou enquanto cambaleava em direção á porta. No caminhou acabou derrubando um adorno de vidro ao fechar a porta bruscamente, assim como esquecera seu violão ao lado do piano.
Já Rachel continuou ‘congelada’ no mesmo local processando o que tinha acontecido. Nem separada ainda estava e já tinha beijado duas pessoas diferentes, estava totalmente perdida. Esfregou as têmporas tentando clarear a mente e suspirou, precisava... não, necessitava dar um jeito naquela situação. Já passava dos limites do aceitável e do compreensível.
Ajeitou os cabelos e o vestido e foi atrás de Mason, correu pelas movimentadas ruas próximas de seu apartamento, mas não havia sinal do cantor autônomo. ‘Onde diabos ele se escondeu?’ Pensou, olhando em volta, afinal não poderia ter ido longe. Continuou observando todos os lados quando viu uma silhueta bem conhecida. O mesmo rapaz que imaginara minutos atrás estava do outro lado da rua abraçado a uma garota, que desconfiou ser a tal namorada, sussurrando algo em seu ouvido e depois beijando os lábios que ela desejava beijar.
Sentiu seu estômago revirar em cambalhotas infinitas e quase vomitou no meio da calçada quando seus olhos se encontraram e ele começara a caminhar em sua direção, girara o corpo tão rápido na direção de seu apartamento que quase se estatelara no chão, mas conseguira se manter em pé e correu o mais rápido que pode em seus saltos médios. Só parou quando estava na segurança de seu apartamento, fechou a porta de madeira e se encostou escorregando até o chão, puxou as pernas até o peito e desabou a chorar.
‘Já não basta a confusão que estou metida, o passado tem que voltar para me assombrar?’ Se questionou amarguradamente por pensamento.
Olhando em volta Rachel notou estar numa casa à beira do lago, com montanhas ao redor e um cheiro agradável de mata e terra molhada de chuva. Notou também estar usando as roupas de Regina, e no sofá estava Brian, quer dizer, Josh.
Num momento estavam conversando e no outro, Josh começara a tossir repentinamente, quando a crise passara e o homem tomara um gole de água, resolveu se pronunciar.
“Você tem que ir ao médico, isso pode ser algo sério” Ela fuzilou o marido com o olhar. “Não é a primeira vez que falo isso.”
“Não é nada” Respondeu o marido sorrindo ironicamente pelo canto da boca.
“Você quer partir desse mundo e quebrar o meu coração?” Rachel estranhou tal frase clichê, mas estava no script, fazer o que?
“Você quebrou o meu antes...” Josh então se transformara em Jesse, e suas palavras pareciam ecoar pela sala de seu antigo apartamento em New York.
Antes que pudesse respondesse algo, Jesse se transformou em Sam e o apartamento no auditório em McKinley.
“Rach... Não podemos. Isso não é certo, você tem o Jesse, por mais que esteja terminado ou o que for, ainda são casados e eu tenho uma namorada e não vou trai-la e... eu tenho a ligeira impressão de que está me usando e não vou me aproveitar de sua vulnerabilidade.” Novamente a frase parecia ecoar pelo local.
E por fim, Sam se transformou em Mason e o auditório em seu novo apartamento.
“Rachel... oh Deus, des-desculpe. Eu não tenho ideia do que estava pensando, você se separou do Jesse faz pouquíssimo tempo e e-eu aqui me aproveitando de você, cla-claro que não por intensão, fo-foi um acidente eu juro. Desculpe, e-eu realmente preciso ir...” E novamente as palavras ecoavam no local, mas agora as três frases juntas pareciam gritar sobre ela e por mais que tampasse seu ouvido e olhos, nada parecia desaparecer.
Por fim tudo ficou escuro e acabou desmaiando.
iv.
Abrindo os olhos com dificuldade por causa da claridade, Rachel gemeu em protesto quando todo o seu corpo começara a latejar de dor. Olhou em volta e suspirou indignada, tinha dormido no chão de sua sala, de frente com a porta.
‘Que papel ridículo estou fazendo.’ Pensou se esticando e gemendo aliviada quando algumas partes estalaram e a dor aliviou um pouco. ‘Minha vida estava indo tão bem, como tudo foi parar na merda tão rápido?’
Entrou na cozinha pegando um pouco de água no copo estrelado que havia ganhado de Shelby e sentou sobre o passa-prato contando até 10 e respirando fundo. Tomou alguns goles e sorriu ao ver o copo que tinha recebido aquele ano, todo ano Shelby tradicionalmente lhe mandava um novo copo com um estilo completamente diferente, mas sempre com estrelas douradas, já que era um amor que ambas sempre compartilharam, mesmo quando ainda não se conheciam.
Voltou a cozinha e ligou a cafeteira enquanto esquentava alguns croissants que Kitty tinha deixado no dia anterior, eram seus favoritos recheados com vegetais e queijo, saudáveis, saborosos e que desciam muito bem com uma xícara de café bem quente. Quando terminado, seguiu para o banheiro onde limpou a maquiagem borrada e fez seu ritual de limpeza, passou seus inúmeros cremes e tentou esconder as olheiras que se acumularam depois de uma noite mal dormida e da crise de choro, não fez um trabalho muito bom, mas era o que dava para fazer no momento.
Entrou no quarto pegando Elphaba e fazendo carinho na gata, enquanto escolhia o que iria usar para o set naquele dia, sabia que iria chegar atrasada, mas paciência. Qualquer coisa culpava o trânsito. Escolheu algo simples, se despediu de sua fiel companheira e desceu para conhecer Alfred, seu novo motorista. Por algum motivo Artie insistira que ela tivesse um motorista próprio e bem... não seria ela a negar, afinal quanto menos estresse tivesse, melhor.
Cumprimentou-o brevemente, entrou no banco de trás e seguiram para a Paramount.
Assim que chegou ao set deu de cara com Artie e suspirou ao ver que o homem não parecia nem um pouco feliz com sua demora, forçou um sorriso e culpou o trânsito como tinha planejado, mas percebeu que o homem não se deixara enganar e notara sua chateação, afinal se conheciam há muito tempo.
“O que aconteceu Rachel?” Artie questionou enquanto ainda estavam longe de todos, não precisava de nenhum intrometido ouvindo e vendendo a informação pra qualquer site vagabundo de fofoca.
“Nada que você precise se preocupar diretor” Ela brincou dando com uma risada estrangulada.
“Nós podemos fazer isso amanhã se você quiser” Ele oferece docemente, sabia que não podia forçar a estrela ou nada produtivo sairia. Tocada pela solidariedade do diretor, Rachel se aproxima dando um abraço e um beijo na bochecha do homem.
“O que eu preciso agora, é limpar a minha mente de problemas pessoais e focar no que estou sendo paga para fazer, mas obrigada pela oferta Artie.” Ambos se dirigiram ao set onde a sala de estar da casa do casal está construída e Rachel não conseguiu evitar lembrar-se de seu sonho, balançando a cabeça para se livrar de pensamentos indesejados e abrindo o script na página que iriam ensaiar, ela começou a focar em seu trabalho.
Infelizmente tal foco durou apenas minutos, enquanto as horas passavam, Rachel esquecia falas, se distraia perdendo sua vez ou até falava algo repetido ou fora de ordem. Brian e Artie diversas vezes de entreolharam preocupados, Rachel vinha da Broadway e de grandiosos espetáculos ao vivo, Rachel Berry não era alguém que errava com frequência, quando o assunto era seu trabalho.
Artie pediu um tempo dando a desculpa de que iria discutir algo que o pessoal do set estava fazendo de errado e deu privacidade para Brian, que chamou a morena para um canto privado, e se dirigiu a amiga recém-feita:
“O que há de errado com você?” O tom preocupado do homem quebrou suas barreiras, fazendo-a desaba a chorar na frente do rapaz. Surpreso, Brian passou os braços pela morena deixando-a chorar em seu peito por alguns minutos. Quando finalmente se acalmara, Rachel passou a encarar o chão. Sentia-se patética, além de não conseguir resolver sua vida amorosa, não conseguia separar o pessoal do profissional e estava afetando todo mundo, por último tinha chorado no peito de alguém que tinha conhecido à pouco tempo e apesar de se tornarem amigos, não sabia se podia confiar nele ou se estaria interessado em ouvir sua história com roteiro de novela de TV.
“Desabafa, vai se sentir bem melhor.” Brian falou vendo a hesitação da mulher. “O que você me falar, não deixa esse local. Será nosso segredo de estado.”
Sorrindo fracamente, Rachel contou sua desgraça amorosa, como resolvera chamar. Jesse e o divórcio, Sam e o auditório, Mason e o apartamento, e por fim, o maldito sonho que lhe aterrorizava os pensamentos. Depois suspirou aliviada ao ver que realmente se sentia bem e Brian não a encarava com um olhar julgador.
“Meu conselho? Deixe as coisas fluírem e tente não se preocupar, por mais difícil que seja, com o tempo tudo se ajeita, por mais ridículo e clichê que isso soe.” Para quebrar o clima, o ator começara a contar suas histórias românticas que deram completamente errado, fazendo a morena relaxar e rir de verdade, pela primeira vez naquele dia.
Separaram-se quando Rachel foi ao banheiro lavar o rosto e esconder a cara de choro, mas se encontraram no caminho e foram juntos para o cenário da sala de estar, onde um nervoso Artie gritava com os membros da produção presentes.
“Eu ordenei uma toalha vermelha, para simbolizar sangue, não azul que simboliz...” Se calou ao ver seus protagonistas entrando na sala abraçados, ergueu a sobrancelha curioso e esperou uma explicação do casal.
“É apenas amizade.” Ambos responderam juntos e se desvencilhando embaraçados. Terminaram de ensaiar dessa vez aliviados, Rachel estava de volta, e dando 150% de si em cada cena.
v.
No caminho de volta enquanto conversava amenidades com o motorista, Rachel ouve o celular tocar e se surpreendeu ao ver que é Mason. Tomou algumas respirações profundas e atende não escondendo a surpresa que a ligação lhe causou.
A conversa é breve, o rapaz queria saber se poderia ir à sua casa mais tarde para conversarem. Com a cabeça limpa e no lugar, Rachel respondeu que sim, afinal eles realmente precisavam endireitar as coisas.
Agradeceu Alfred e subiu entrando no apartamento e praticamente voando para o banheiro onde tomou um relaxante banho de banheira, com uma taça de vinho tinto enquanto apreciava a vista de sua janela que dava para o centro da cidade. Enrolou-se na toalha e foi para o quarto onde colocou um vestido tomara que caia soltinho rosa claro, pegou sua taça que estava na metade, Elphaba e foi para a sala.
Enquanto assistia a reprise de The Good Wife, outra série preferida sua, a campainha tocou. Respirou fundo novamente e foi abrir sabendo que era Mason, já que seu porteiro tinha interfonado minutos atrás avisando que ele estava ali.
Assim que abriu a porta, deu de cara com um inquieto Mason, com olheiras e cabelo bagunçado e segurando uma replica mal embrulhada do adorno que quebrara quando saiu correndo mais cedo. Agradeceu e o convidou para entrar, ambos seguindo para a sala de estar.
Novamente tímido, Rachel viu que teria que começar a conversa se fossem realmente discutir e voltar aos bons termos.
“Mason, o beijo não significou nada, e pode ficar calmo que eu não te culpo, foi algo que ambos fizemos e juntos iremos assum...” Sem jeito, ou melhor, com seu jeito extremamente esquisito, ele a interrompe beijando-a intensamente.
Naquele momento, Rachel perdera tudo, o fôlego, a linha de raciocínio e se ele quisesse, até as roupas, ela não se importava de perder.
Retribuindo o beijo na mesma intensidade, Rachel vai guiando-os até seu quarto, algumas vezes os dois esbarravam nos móveis, mas nada muito sério ou que os fizessem se separar. Chegaram ao quarto em suas roupas íntimas, já que as outras peças foram ficando pelo caminho, Rachel o joga sobre a cama subindo sobre o rapaz e retornam a se beijar selvagemente enquanto roçam suas partes intimas uma na outra.
“Espera só um pouquinho.” Rachel murmura, se levantando e indo até sua suíte, abriu a ultima gaveta e procurou, atrás de algumas toalhas e sabonetes, estava o pacote de preservativos que Kitty tinha trazido quando se mudara.
Voltou ao quarto e em poucos minutos estavam onde tinham parado. Ambos não estavam com paciência para preliminares e foram direto para o objetivo, em poucos minutos chegaram ao clímax juntos e Mason se jogou para o lado não querendo cair sobre a mulher e ficaram encarando o teto enquanto suas respirações voltavam ao normal.
Rachel estava exausta, mas incrivelmente satisfeita. Sentira falta de tal sentimento, fazia um bom tempo desde a última vez que tivera um orgasmo com outro alguém, ela e Jesse tinham parado meses antes da separação e seus vibradores, apenas de fazê-la alcançar o clímax, não lhe davam a mesma satisfação que um homem lhe dava, e sim, ela tinha mais de um vibrador, graças a sua melhor amiga Kitty Wilde que achava engraçado ela ter pênis falsos de diversas cores e tamanhos.
Virou-se para o rapaz ao seu lado e sorriu, Mason era estranho, peculiar, andrógino e provavelmente gay, mas tinha seu sex appeal e ela não o recusaria.
Levantou-se da cama com cuidado para não acorda-lo, vestiu sua calcinha e caminhou até a sala, no meio do caminho pegando a blusa do rapaz e vestindo. Precisava pensar no que estava fazendo, ela tinha acabado de ter sexo com um rapaz, enquanto amava outra pessoa e estava se separando de outro. Também ficou pensando se esse caso com Mason seria algo, tipo amigos com benefícios e se realmente valia a pena. Ligou a TV deixando o barulho lhe fazer companhia e passou a imaginar um monte de possibilidades, tão distraída não notou quando horas depois, Mason entrou na sala, ainda meio sonolento, apenas quando ele sentou-se ao seu lado, que ela ‘saiu’ de sua cabeça e prestou atenção nele.
“Estou atrapalhando?” Ele questionou de mansinho.
“Não, eu só estava pensando.” Rachel deu de ombros e se virou para o rapaz o encarando por alguns minutos “Você podia se mudar para cá, eu tenho um quarto vago e me preocupo com você morando naquele lugar horrível que me contou.”
“Séria mais fácil também para quando quisermos repetir a dose do que aconteceu no quarto.” Mason brincou, rindo quando a morena ficou avermelhada.
“Você me faz parecer alguém que só está interessada em sexo.”
“Beeeem...” Mason brincou desviando do tapa que vinha na direção de seu braço. “Eu to brincando, se não for um incômodo, eu aceito sim.”
“Não é, na verdade será ótimo ter uma companhia que não seja um gato. Esse apartamento é tão vazio.” Rachel respondeu, se encararam por alguns minutos e novamente Mason a beijou. Ajeitaram-se no sofá, com ele ficando sobre ela, e se beijaram por um tempo, até Thounsand Milles começar a tocar insistentemente. Pediu alguns minutos para o rapaz e foi atender em seu quarto.
Aquela realmente era uma noite para ligações inusitadas, primeiro Mason e agora a última pessoa que esperava estava lhe ligando. Sam Evans.
Teve um começo de conversa desconfortável com Sam perguntando o porquê ela tinha corrido mais cedo e Rachel mentindo dizendo que não era ela e o loiro provavelmente tinha se confundido. Conversaram futilidades e então Sam foi direto ao assunto.
“Como eu estou na cidade, pensei em te chamar para vir jantar comigo e a Ca, amanhã no GG’s Waterfront Bar and Grill?”
“Ca?” Rachel se fez de desentendida.
“Scarlett, minha noiva.” Respondeu Sam, surpreendendo a morena que esperava ouvir namorada. “É algo novo, já que a pedi em casamento poucos minutos atrás, agora queremos comemoraram, então você vem?”
Quase tropeçando-nos próprios pés e piscando várias vezes para espantar as lágrimas, Rachel força uma voz animada.
“Cla-Claro. Não perderia esse momento por nada.” Por trás da voz doce, em sua cabeça, Rachel imagina diversas formas de esganar a tal mulherzinha. “Posso levar alguém?”
“Cl-claro.” Dessa vez fora Sam que gaguejara. “Hm... convida a Kitty, se puder, o Artie e a Tina também.”
“Pode deixar, amanhã mesmo falo com eles.”
“Então... a gente se vê amanhã.” Sam falou se despedindo e desligando a chamada. Rachel estava paralisada, não conseguia acreditar no que estava acontecendo e nem que tinha aceitado tal coisa, por que não inventara que tinha algo? Um compromisso? Qualquer coisa! ‘porque sou uma idiota que adora sofrer.’ Respondeu mentalmente. Largou o celular sobre a cômoda e voltou à sala.
“Onde paramos?” perguntou com um sorriso forçado no rosto.
vi.
Como se já não bastasse uma dor de cabeça com Sam, assim que chegara a casa do estúdio, na manhã seguinte, teve que lidar com outra. Kitty Wilde.
A loira estava vasculhando tudo que sua empregada tinha comprado a pedido dela, a maioria coisas básicas para Mason. O rapaz tinha se mudado naquela manhã, tinha levado uma mochila com poucas roupas, um par de sapatos, escova e um barbeador que provavelmente mais cortava sua pele do que os pelos em seu rosto.
“Quando eu falei para você aproveitar a vida, não quis dizer que era para você começar a ter sexo com o Jaime Lannister, talvez com o gostoso do Bobby Morley, sei lá como se chama, mas definitivamente não o gêmeo incestuoso.” Ironizou a loira.
“Primeiro Kitty, pare de vasculhar minhas coisas, segundo, o que eu e o Mason” Ela deu ênfase no nome do rapaz. “fazemos não é da sua conta.” Rachel respondeu rispidamente.
“Mas é claro que é, você é minha melhor amiga e já sofreu demais nessa vida, é minha obrigação cuidar de você.”
“Obrigada amiga, mas eu sei o que estou fazendo.” Rachel respondeu abraçando a amiga/agente.
“Então me explique toda essa história entre você e o Mason, que estou curiosa.” A morena contou toda a história até o telefonema da noite anterior e esperou a reação da loira.
“Você é louca.” Kitty falou desacreditada. “E você vai levar o Mason?”
“E você! A Tina também, mesmo que o Artie não queira ir.” Rachel respondeu não dando chance para a amiga dar desculpas para não ir.
“Olha se vamos, então você tem que mostrar para o Sam o que ele está perdendo, pegue sua bolsa e vamos.” Kitty falou se levantando do sofá e caminhando para a porta.
“Aonde?” Rachel questionou confusa.
“Às compras, vamos comprar um vestido para você que vai deixar o Sam com sua boca de truta aberta e duro no meio das pernas.”
“Kitty!” Rachel a repreendeu envergonhada, mas secretamente adorando a ideia.
As duas caminharam por horas de loja em loja, a procura de um vestido que fosse chique e sexy ao mesmo tempo e aproveitando que estavam ali, entraram na Victoria Secret comprando alguns lingeries sexys e voltaram a procura do vestido, depois de experimentar alguns que não tinha gostado, Rachel bateu o olho no perfeito.
Era preto e bem curto, deixando suas pernas tonificadas à mostra. A frente fechada com manga de tamanho médio, e as costas nuas com alguns detalhes em renda e pérolas. Experimentou e mostrou para Kitty que aplaudiu orgulhosamente.
“Com os acessórios certos, você vai sair daquele restaurante com todos os homens loucos para experimentar sua Berry.” Olhando no espelho, Rachel concordou com Kitty, exceto que o único homem de quem queria essa reação era o noivo. Oops.
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